21 de dez. de 2018

198 livros: ALEMANHA – Os sofrimentos do jovem Werther (Johann Wolfgang Von Goethe)

Werther viaja para uma pequena cidade com o objetivo de cuidar dos negócios da família. Encantado com o lugar e com as pessoas, ele relata em suas cartas sua alegria e esperança para seu amigo Guilherme. No entanto, quando conhece Carlota, uma jovem prometida em casamento a Alberto, tudo muda. O tom de suas cartas, agora, passa a ser lúgubre, cheio de tristeza e desilusão por não poder ter Carlota para si. Seu amor vira uma obsessão, e o casamento da jovem o transforma em um homem mais frágil ainda.


Um dos livros mais difíceis que já li no ano todo. E sinceramente, achei que fosse gostar, porque romances epistolares sempre são interessantes, já que temos uma visão em primeira mão dos pensamentos dos personagens. Quando tive que escolher um autor alemão para o desafio, Goethe não foi nem de longe um dos primeiros que eu pré-selecionei (porque eu sempre tento manter várias opções para cada mês até escolher e ler). Eu queria uma leitura mais leve, mas acabei encontrando este livro em uma promoção e comprei.

Depois que terminei de ler, fiquei tentando imaginar qual era o meu problema com a história, já que eu não tenho tanta dificuldade lendo clássicos, até gosto da maioria. Achei que esse livro era só mais um romance cheio de drama e tragicidade. Então fui pesquisar o movimento literário do qual o livro faz parte e entendi porque tive dificuldade em lidar com a história em si.

Chamado Sturm und Drang (tempestade e ímpeto), este movimento surgiu opondo-se aos movimentos iluminista e racionalista. Seus adeptos postulam que o homem é um ser dominado pelas emoções e pelo tormento de seus sentimentos, e as obras que foram produzidas nesse período foram responsáveis para solidificar os ideais românticos.

De qualquer forma, valeu a pena. Não só porque eu aumentei a minha lista de clássicos lidos como consegui completar a “primeira parte” do 198 livros. Recomendo.

Editora Martin Claret.
148 páginas.

19 de dez. de 2018

Sorteio 10 anos de Crepúsculo no cinema - RESULTADO


Há dez anos atrás estreava Crepúsculo no cinema. Pensando nisso, resolvi fazer um pequeno sorteio que vai durar todo o dia de hoje (até as 23:59) para sortear um kit de brindes São bottons, estojo, marcadores e outras coisinhas de fãs que adquiri ao longo dos anos.
Para participar, basta seguir as regras:

-Comentar com um número (se você foi o primeiro a comentar, número 1, e assim por diante). Só vale um comentário por participante.
-Deixar seu email no comentário (não é válida a participação de perfis falsos).

O sorteio será feito pelo Random. Um email será enviado para o sorteado, que terá 24 horas pra responder. Caso contrário, será feito novo sorteio.

ATUALIZADO: RESULTADO

Parabéns, Vinny Henrique. Você tem 24 horas para responder, caso contrário, um novo sorteio será realizado. Obrigado aos que participaram :D

17 de dez. de 2018

Farmácia literária (Susan Elderkin e Ella Berthoud) – BL 2018


Título: Farmácia literária
Autoras: Susan Elderkin e Ella Berthoud
Mês: Dezembro
Tema: Resenhado pelo seu booktuber favorito
Editora Verus, 376p.

Sinopse: Lido no momento certo, um livro pode mudar sua vida. “Farmácia literária” é um tributo a esse poder. Mais de 400 livros para curar males diversos, de depressão e dor de cabeça a coração partido Para criar esta obra, as autoras viajaram por dois mil anos de literatura, selecionando livros que promovem felicidade, inspiração e sanidade, escritos por mentes brilhantes que nos mostram o que é ser humano e nos permitem identificação ou até mesmo catarse.
Estruturado como uma obra de referência, em “Farmácia literária” os leitores podem simplesmente procurar por sua “doença”, seja ela agorafobia, tédio ou crise da meia-idade, e encontrarão um romance como antídoto. A biblioterapia não discrimina entre as dores do corpo e as da mente (ou do coração). Está convencido de que tem sido covarde? Leia O sol é para todos e receba uma injeção de coragem. Vem experimentando um súbito medo da morte? Mergulhe em Cem anos de solidão para ter uma nova perspectiva da vida como um ciclo maior. Ansioso porque vai dar um jantar na sua casa? Suíte em quatro movimentos, de Ali Smith, vai convencê-lo de que a sua noite nunca poderá dar tão errado. Brilhante e encantador, Farmácia literária pertence tanto à estante de livros quanto ao armário de remédios.
Esta obra vai fazer com que até mesmo o leitor mais aficionado descubra um livro do qual nunca ouviu falar e enxergue com outros olhos aqueles mais familiares. E, mais importante, vai reafirmar o poder da literatura de distrair e fazer viajar, repercutir e curar, além de mudar a maneira como vemos o mundo e nosso lugar nele.

Esse tema foi meio complicado, porque a maioria dos booktubers que eu sigo resenham todo tipo de livro, e a maioria não faz meu estilo, eu não arrisco ler nem quando a resenha coloca o livro nas estrelas. Farmácia literária, no entanto, me deixou curiosa por causa do tema, além da quantidade de indicações de leitura que eu poderia achar nele. Tenho várias listas, e uma a mais, uma a menos... Confesso que esse ramo do meu trabalho, a biblioterapia, nunca me interessou (sou bibliotecária, e isso é vergonhoso de admitir). No início, a leitura se arrastou um pouco, mas a partir da letra C peguei o embalo e gostei. O livro traz mais de 400 livros para se ler em vários momentos de dificuldade ou alegria, embaraço ou coração partido, com doenças complicadas ou sofrendo de uma leve dor de cabeça. Recomendo para qualquer um, em qualquer momento de sua vida.

14 de dez. de 2018

Tempestade de areia (Karen Soarele) – BL 2018


Título: Tempestade de areia
Autora: Karen Soarele
Mês: Dezembro
Tema: Autor nacional contemporâneo
Editora Cubo Mágico, 308p.

A fortaleza da Resistência está sendo atacada pelo exército de Vulcannus e são devastados.
Assim, a líder Marian decide que o melhor a se fazer é debandar e abandonar a fortaleza. Marian e Desmond saem em busca de aliados, os míticos grandes lobos das montanhas. Apesar de encontrarem essas criaturas, não recebem ajuda e acabam tendo que fufir para evitarem ser mortos. Enquanto isso, Asling e Dharon acompanham dois soldados, um dos quais tem uma mensagem importante para ser entregue, e chegam na Cidade Ponte, onde se separam devido aos problemas que encontram. Kendra, a pístiro cruel que trabalha para o rei de Vulcannos (e mãe do filho dele), deixa um rastro de destruição por onde passa.

Gostei bastante dessa continuação. Achei que fosse demorar para pegar o embalo da leitura, já que faz um bom tempo que li o primeiro da série, mas não demorou nada. Este livro é bem mais desenvolvido, a ação é constante, gostei do fato dos personagens estarem sempre em movimento. Acho que por isso eu tive um pouco de dificuldade em fazer a resenha, são tantos novos personagens ativos que se escrever muito, acaba dando spoiler. O que importa é que eu gostei do ritmo do enredo e aquele final me deixou sem saber o que pensar. Recomendo.

12 de dez. de 2018

A livraria mágica de Paris (Nina George) – D12ML 2018


Título: A livraria mágica de Paris
Autora: Nina George
Mês: Dezembro
Tema: Um autor que você nunca tenha lido
Editora Record, 308p.

Sinopse: Uma história emocionante de amor, de perda, e do poder dos livros. O livreiro parisiense Jean Perdu sabe exatamente que livro cada cliente deve ler para amenizar os sofrimentos da alma. Em seu barco-livraria, ele vende romances como se fossem remédios. Infelizmente, o único sofrimento que não consegue curar é o seu: a desilusão amorosa que o atormenta há 21 anos, desde que a bela Manon partiu enquanto ele dormia. Tudo o que ela deixou foi uma carta — que Perdu não teve coragem de ler. Até um determinado verão — o verão que muda tudo e que leva Monsieur Perdu a abandonar a casa na estreita rue Montagnard e a embarcar numa jornada que o levará ao coração da Provence e de volta ao mundo dos vivos. Sucesso de público e crítica, repleto de momentos deliciosos e salpicado com uma boa dose de aventura, “A livraria mágica de Paris” é uma carta de amor aos livros — perfeito para quem acredita no poder que as histórias têm de influenciar nossas vidas.

Esse livro não foi nada do que eu imaginava. Não sei por quê, mas toda vez que pego um livro onde o protagonista é masculino, é o narrador da história e está sofrendo por amor, eu não consigo gostar. Não sei se é preconceito ou o quê, só sei que não me apetece. A premissa da história é bonita, o ambiente onde ela se centra é uma livraria (que foi o que me levou a lê-lo), mas não me senti cativada. Sim, eu gostei das indicações de livros que o livreiro faz, e também curti que não demorou muito para que se revelasse o motivo do abandono que ele sofreu, coisa que me deixou em dúvida até o fim da história, mas isso foi bom, caso contrário eu teria (muito provavelmente) abandonado o livro. Apesar das minhas ressalvas pessoais, eu recomendo para quem curte um drama.

10 de dez. de 2018

Nicolau São Norte e a batalha contra o Rei dos Pesadelos (William Joyce) – DLL 2018


Título: Nicolau São Norte e a batalha contra o Rei dos Pesadelos
Autor: William Joyce
Mês: Dezembro
Tema: Um livro de um autor que nasceu em Dezembro
Editora Rocco, 232p.

Ombric é um mago muito poderoso. A partir da cratera deixada pela queda de um meteoro e de uma muda de árvore mágica, ele cria um vilarejo chamado Papoff Noelen, que serve de refúgio para as crianças e seus pais em momentos de perigo. Quando Nicolau São Norte, um tipo de rei dos fora da lei, tem um sonho sobre uma cidade mágica cercada por um floresta misteriosa, ele sai cavalgando pensando na riqueza que poderia encontrar, enquanto Breu, o rei dos pesadelos, tenta invadir Papoff Noelen. Nicolau defende a cidade e se torna aprendiz de Ombric, e juntos passam a lutar contra Breu e seus Medonhos.

Eu me encantei com o filme A origem dos guardiões, então foi uma boa surpresa descobrir esse livro por acaso enquanto tentava encher minha cesta de compras na Saraiva. Esse livro é o primeiro da série Os guardiões da história (não confundir com a série Os guardiões da infância, do qual O homem da lua é o primeiro livro e trata de personagens que também estão presentes em Nicolau São Norte) e mostra a história do Papai Noel antes dele virar essa figura icônica do Natal. A história é encantadora e mais do que adequada para ler nesta época do ano, o livro é todo ilustrado em preto e branco e muito rápido de ler. Gostei do fato da história ter uns toques sombrios, mesmo sendo um livro infanto-juvenil. Totalmente recomendado.

Só para esclarecer, as séries Os guardiões da infância e Os guardiões da história são do mesmo autor, William Joyce, só que a primeira conta as histórias de personagens “secundários” (mas não menos importantes) ...


... e a segunda traz a história de personagens mais tradicionais, como o Papai Noel, o Coelho da Páscoa e a Fada do Dente. Até o momento, o único livro que falta ser publicado é o sobre Jack Frost.


7 de dez. de 2018

Sociedade J.M. Barrie (Barbara J. Zitwer) – DLL 2018


Título: Sociedade J.M. Barrie
Autora: Barbara J. Zitwer
Mês: Dezembro
Tema: Um livro de capa verde
Editora Novo Conceito, 288p.

Joey é uma arquiteta nova-iorquina que tem seu projeto de restauração da Stanway House, casa onde J.M. Barrie escreveu Peter Pan (seu livro favorito), aceito, então ela precisa viajar para a Inglaterra para começar o projeto. Ela viaja e logo no início dá de cara com sua antiga melhor amiga. Só que Sarah está mudada, agora ela é mãe de 4 crianças e uma esposa devotada. Se antes a amizade das duas não andava bem, agora parece impossível para Joey que elas voltem a ter a intimidade de antes. Ela conhece Ian, um zelador rabugento e sua filha adolescente, e num passeio, encontra a sogra de Sarah e suas amigas, um grupo de senhoras animadas que se denomina Sociedade de Natação de Senhoras J.M. Barrie. É com elas que Joey vai reavaliar alguns conceitos e voltar a valorizar verdadeiras amizades.

Tudo que aborde qualquer personagem clássico/de contos de fadas me interessa. Alguns são diferentes do que eu imaginava, outros conseguem superar minhas expectativas, e poucos me decepcionam. O caso de Sociedade J.M. Barrie se enquadra entre as duas primeiras categorias. Eu só fiquei um pouco decepcionada por duas coisas: pensei que falariam mais de Barrie e sua criação e sobre a casa em si, foi para isso que comprei o livro; e o romance é chato. Simples assim. Chato. Talvez Ian não tenha sido um personagem explorado em sua intensidade, de qualquer forma me decepcionou. Apesar de ter imaginado uma coisa totalmente diferente sobre a Sociedade J.M. Barrie e o que seria, o livro mostra isso e depois de muito refletir, eu gostei. As personagens são ótimas, cada uma com uma história própria. Apesar destas ressalvas, gostei bastante e já se tornou um livro para manter na estante.
Depois de ler Sociedade J.M. Barrie, eu fiquei muito interessada em saber a verdade por trás da casa em que suspostamente o autor escreveu as aventuras de Peter Pan.


J.M. Barrie se tornou visita constante do povoado de Stanway, situado no condado de Gloucestershire, Inglaterra, depois de fazer amizade com Arthur e Sylvia Llewellyn-Davies e seus filhos George, John, Peter, Michael, e Nicholas.


Nesse povoado se situa a Stanway House, uma mansão jacobeana construída no final do século XVI e início do XVII. Barrie visitou o local pela primeira vez em 1921, e passou os verões na Stanway House entre os anos de 1923 e 1932, alugando-a dos condes de Wemyss.
Barrie gostou tanto do local que pagou do próprio bolso a construção de um pavilhão de críquete (jogo no qual Barrie era um ótimo jogador) de palha.


Claramente, consigo imaginar esse pavilhão como a cabana em que as nadadores da Sociedade J.M. Barrie se preparavam todos os dias em que iam nadar. E a mansão realmente parece saída de um sonho.

5 de dez. de 2018

Margaret Hale (Elizabeth Gaskell) – DLS 2018


Título: Margaret Hale
Autora: Elizabeth Gaskell
Mês: Dezembro
Tema: Um livro romântico
Editora Pedrazul, 428p.

Sinopse: Margaret Hale nasceu em Helstone, um diminuto paraíso terrestre localizado no Sul da Inglaterra. Ainda muito pequena fora enviada pelos pais para viver com uma tia, em Londres. Mas, enquanto aprendia a ser uma dama refinada, ela se via distraída sonhando com os campos floridos de Helstone, com o ar puro e o céu azul, coisas quase impossíveis de visualizar na capital inglesa. Quando finalmente sua prima se casa, e Margaret é liberada para voltar à casa dos pais, em pouco tempo é forçada a deixar o campo, lugar que tanto amava e pelo qual tanto sonhara, e se mudar para a sombria e poluída cidade industrial de Milton, no Norte. Acostumada à doçura e idílio do sul, Margaret testemunha o mundo duro e brutal, forjado pela revolução industrial. Chocada com tantas diferenças, aos poucos a jovem começa a descobrir Milton, seus habitantes, o funcionamento das fábricas e as relações entre patrões e operários. Solidária com os pobres, cuja coragem e tenacidade ela admira e entre os quais faz alguns amigos, nossa heroína se choca com o belo John Thornton, um industrial do ramo de algodão, cuja rigidez e atitude insolente para com os trabalhadores ela tanto despreza. O confronto entre Margaret e Mr. Thornton é considerado uma reminiscência das desavenças entre Elizabeth Bennet e Mr. Darcy, personagens de Orgulho e Preconceito, de Jane Austen.

Margaret Hale é o nome original dado ao livro que a maioria conhece como Norte e sul, de Elizabeth Gaskell. A mudança de nome foi sugerida por Charles Dickens, que era o mentor da escritora. Esta edição da Pedrazul traz o primeiro nome de volta como forma de homenagem a autora. Mesmo eu já tendo lido esse livro, fiz questão de adquirir esta publicação maravilhosa da editora Pedrazul não só por ter o título original, francamente, poderia ter como título Norte e sul que eu compraria do mesmo jeito, só por causa do primor que é o livro. Aliás, como toda publicação da Pedrazul. Valeu a pena reler a história de Margaret e Thornton e ver a maneira e como os dois se apaixonam um pelo outro de novo.

3 de dez. de 2018

Sorteio de Natal


O ano está chegando ao fim, consegui finalizar todos os desafios literários que eu selecionei para participar e li todos os livros que selecionei. Deles, alguns eram empréstimos, a maioria saiu da minha estante e uma pequena parte foi em formato ebook.
Pois bem, alguns poucos livros eu resolvi adquirir para os desafios e depois fiquei com eles, então resolvi sortear os dois que não faço questão de manter. Só para constar, os livros estão em bom estado, sem marcas nem riscos, além de alguns marcadores. O sorteio vai começar hoje e vai até o dia 23 de dezembro, o sorteado leva os dois livros. O resultado sai no dia 25 de dezembro.

Regulamento:
-Seguir o blog.
-Comentar com um número (se você foi o primeiro a comentar, número 1, e assim por diante). Só vale um comentário por participante.
-Deixar seu email no comentário.
-O sorteio será feito pelo Random.
-Um email será enviado para o sorteado, que terá 24 horas pra responder. Caso contrário, será feito novo sorteio.
-Não é válida a participação de perfis falsos.

23 de nov. de 2018

198 livros: NIGÉRIA – A coisa a volta do teu pescoço (Chimamanda Ngozi Adichie)

Não existe tradução desse livro no Brasil, então fiquei com a tradução de Portugal mesmo. Doze contos, cada um deles retratando a figura feminina e sua força de várias formas. Cada uma das protagonistas dos contos mostra suas lutas para manter a própria identidade, assim como para preservar a sua cultura de origem.


Um livro muito interessante, porque cada um dos contos me impactou de maneiras diferentes. O que mais mexeu comigo foi “Casamenteiros”, que narra a vida de uma jovem nigeriana oferecida em casamento a um nigeriano que mora na América, e por causa disso, ela é obrigada a mudar todos os seus costumes para ser bem aceita, porque o marido se preocupa com o que os outros pensam. Esse tema (ter que mudar para satisfazer opinião alheia) sempre me irrita, enlouquece, entristece e revolta, sempre. Acho que foi por isso que eu acabei gostando tanto do livro, por me despertar esse tipo de reação. Mais um belo achado para esse desafio que valeu cada minuto da leitura.

Editora Dom Quixote.
224 págnas.

21 de nov. de 2018

Destinos de papel (Luciane Rangel) – BL 2018


Título: Destinos de papel
Autora: Luciane Rangel
Mês: Novembro
Tema: Pessoa(s) na capa
Editora Qualis, 278p.

Rebeca tem 19 anos e vive a vida como se não houvesse amanhã. Não tem namorados porque não gosta de se apegar, cicatriz que carrega devido ao fato de ter sido abandonada pela mãe ainda criança. Sua única amiga é Laura, dez anos mais velha e psicóloga. Elas tem em comum a perda de uma pessoa querida... Rebeca também cursa psicologia (mas só porque não sabia direito o que queria fazer da vida) e acaba sendo contratada pelo Instituto Santa Agnes. Esta escola está realizando um projeto comandado pelo psicólogo chefe, Christian, e consiste em contratar psicólogos jovens para que os adolescentes se sintam mais a vontade. Utilizando um tipo de psicologia reversa, Rebeca acaba caindo nas graças dos alunos, exceto em um caso: Júlia, a mais “problemática”, não está nem aí para o que Rebeca oferece de ajuda, mas com o passar do tempo, as duas acabam se ligando cada vez mais, porque a jovem psicóloga logo percebe que por baixo de toda aquela marra, se esconde uma menina tão frágil e complexa, cuja vulnerabilidade Rebeca viu anos atrás em uma outra pessoa...

Mais um livro da Luciane Rangel que quase acabou comigo. Não pude deixar de notar uma similaridade com Os 13 porquês, não sei se por causa do tema do suicídio ou por causa da maneira como ambos autores resolveram abordar o tema, o fato é que a carga emocional em ambas histórias é impactante. É sempre intenso ver em uma história o quanto o suicídio de alguém acaba com quem fica para trás, seja família ou amigo, e como isso afeta não só o modo de vida das pessoas próximas, mas também sua capacidade de sentir emoções. A protagonista da história é um ótimo exemplo desse tipo de situação. A ligação dela com Júlia é uma coisa bonita de se ver e só nesses momentos que eu fui entender a ligação da história em si com o prólogo. Não preciso dizer que esse livro me emocionou e me deixou vidrada nele, só larguei quando terminei mesmo. Como tudo que a Lu Rangel escreve e eu tenho a sorte de ter em mãos, completamente indicado.

19 de nov. de 2018

Bambi (Felix Salten) – BL 2018


Título: Bambi
Autor: Felix Salten
Mês: Novembro
Tema: Nacionalidade que nunca leu
Editora Cosac & Naify, 224p.

Sinopse: Um dos personagens mais amados por crianças e adultos do mundo todo, Bambi chega às prateleiras das livrarias pela primeira vez em português. Escrito pelo austríaco Felix Salten e publicado originalmente em 1923, o romance "Bambi" - Uma história de vida na floresta popularizou-se pela versão cinematográfica feita pelos estúdios Disney, em 1942. A narrativa doce - mas em certos momentos também sombria e dolorosa -, nos apresenta Bambi, o cervo que pouco a pouco vai desvendando os mistérios da floresta e, na batalha pela sobrevivência, entende que o homem, a quem chama apenas de Ele, é o seu principal inimigo. Escrito sob a ótica dos animais, o livro tem como marca registrada os profundos diálogos entre os moradores da floresta, nos quais cabem assuntos dos mais variados, além de questionamentos acerca da vida. As delicadas ilustrações ficaram a cargo do premiado artista Nino Cais, que trabalhou com colagens de silhuetas dos bichos sobre recortes de livros de botânica, entre outros. Uma parábola atemporal sobre a vida e a morte que finalmente poderá ser redescoberta pelo leitor brasileiro.

De repente, diante de Bambi e de sua mãe, tudo ficou claro. O descampado brilhava através da grade de arbustos. Atrás deles, cada vez mais perto, repicava a batida contra os troncos, afugentadora, o estalo da quebra dos galhos e os gritos “Haha” e “Hoho”!

Eu nem imaginava que o filme da Disney Bambi fosse uma adaptação, então foi uma surpresa descobrir o livro. Mas considerando que esse é um dos filmes que até hoje não consigo ver sem chorar feito uma criancinha, fiquei em dúvida se lia ou não. Afinal, já sei a história há muito tempo, não é, para quê ler, só para chorar? Fiquei tensa a leitura inteira. Na verdade, eu só escolhi este título para o tema porque não consegui achar mais nada, mas não esperava ficar desesperada do jeito que fiquei. E mesmo sem esperar tanta diferença do livro para a adaptação da Disney, agora comprovei que o filme suavizou demais a história (graças a Deus!). 
Valeu a pena porque, mesmo mantendo o tom sombrio do filme (ou vice-versa, já que o livro veio primeiro), o antropomorfismo é evidente e muito bem elaborado que até me levou a esquecer alguns vezes que a história é sobre um reino animal, tal a forma como os animais demonstram suas emoções e intenções. A minha maior surpresa ficou por conta de Gobo, e lá fui eu chorar mais um pouco (mas calma, leiam o livro primeiro, não tirem conclusões precipitadas). Um livro clássico que mostra a relação (muitas vezes) conturbada do Homem com a Natureza, sem perder a leveza de um conto infanto-juvenil.

17 de nov. de 2018

Animais fantásticos: os crimes de Grindelwald (2018)

Newt Scamander (Eddie Redmayne) é recrutado pelo Ministério da Magia para capturar Credence (Ezra Miller) antes que Grindelwald (Johnny Depp) o encontre e o transforme em uma arma. A ameaça e influência do bruxo das trevas cresce a cada momento, o que leva Dumbledore (Jude Law) a também “intimar” o bruxo apaixonado por criaturas mágicas a ir atrás de Credence É nesse rumo Newt acaba se reunindo novamente com Tina (Katherine Waterston), Queenie (Alison Sudol) e Jacob (Dan Fogler), enquanto o jovem Credence está em Paris em busca de sua verdadeira origem.


Vi o filme na quinta, mas só agora pude postar minha resenha, então lá vai. Vou deixar os debates de lado e me focar na história.

A primeira coisa que eu quero falar desse filme é justamente desse início que é, de várias formas, eletrizante. Desde a cena de abertura já se consegue perceber que tem alguma coisa de errado, e claro que depois se descobre o que é, mas não é isso que impressiona (afinal, pelo trailer, já se sabia de Grindelwald não ficaria com aquele visual o filme inteiro). Eu me pergunto se para aquela cena LOUCA no ar não se inspiraram na fuga de Harry e de seus amigos no caminho para a casa dos Weasley em Reliquías da Morte parte 1.

Vi o filme na quinta, mas só agora pude postar minha resenha, então lá vai. Vou deixar os debates de lado e me focar na história.
A primeira coisa que eu quero falar desse filme é justamente desse início que é, de várias formas, eletrizante. Desde a cena de abertura já se consegue perceber que tem alguma coisa de errado, e claro que depois se descobre o que é, mas não é isso que impressiona (afinal, pelo trailer, já se sabia de Grindelwald não ficaria com aquele visual o filme inteiro). Eu me pergunto se para aquela cena LOUCA de fuga não se inspiraram na saída de Harry e de seus amigos da casa dos Dursley em Reliquías da Morte parte 1.


Como não podia deixar de ser, Jacob e Queenie voltam a aparecer, e quando eu acho que o romance entre eles dessa vez vai, que eles vão lutar juntos contra o bruxo do mal e tudo isso que eu me viciei a ler em fanfics, eis que a situação muda. Queenie foi um dos personagens que me deixou com mais sentimentos variados, passando de pena a frustração até raiva. Agora eu quero ver no decorrer dos filmes seguintes qual será o resultado de suas escolhas, e o que Tina sente com relação à escolha da irmã.
Tina também volta a aparecer e o romance dela com Newt, apesar de todo mundo querer logo que aconteça, eu fiquei feliz de que os roteiristas estão deixando a história deles se desenvolver. Agora que acabou a confusão com a Leta Lestrange e os sentimentos deles estão mais claros um para o outro.


Leta Lestrange foi uma surpresa ótima, foi o tipo de personagem que já desperta (no meu caso) raiva, aí quando começam a mostrar um pouco dela e de sua história, você vê que ela é uma pessoa com camadas diferentes e bem interessantes (assim como aquelas bullies da Grifinória, parece que a visão de um personagem como Rabicho não mudou nada referente ao preconceito e a cegueira, tinham que colocar alunos com as mesmas atitudes nojentas dignas de um Draco Malfoy para vermos que tem fruta podre em todo lugar).
De todos os personagens novos, essa foi a que mais me intrigou: Nagini. Eu amei ela.


Estou muito curiosa, dado o que mostraram da vida dela, como ela era tratada e seu relacionamento com Credence, para ver o que mais vai acontecer até chegar ao ponto em que ela conhece o futuro Lorde Voldemort.
No mais, só tenho a dizer que Jude Law está exatamente como eu imaginava um Dumbledore jovem, tudo sobre ele (o que ele fala da irmã, sua ligação com Grindelwald) está igual ao que eu imaginei desde que soube que o personagem iria aparecer nesses filmes, além de responder algumas das perguntas que eu tenho desde que li o último livro de Harry Potter sobre o enfrentamento definitivo entre eles, apesar de ter me levado a inúmeras teorias justamente sobre isso também.


As criaturas mágicas de Newt também estão presentes, talvez não tanto quando no primeiro filme, mas ainda estão lá. Assim como a elaboração de cada ambiente adequando às espécies dentro da mala, o que se encontra na casa de Newt leva tudo a outro nível, muito mais impressionante e maravilhoso (aquele cavalo da água lindo!) Mas, de todas as criaturas, a que me enlouqueceu no cinema e me deixou lagrimando foi Fawkes. Isso mesmo, meus queridos, Fawkes!.  

E já que falei dessa fênix maravilhosa, não menos significativa foi a presença de Credence no filme, o personagem que agora está mais intrigante do que nunca. O desenvolvimento do passado dele e sua ligação (surpresa, e eu tenho que dizer QUE SURPRESA!) com outro personagem bastante conhecido deixou o cinema aos gritos, e vai me fazer ler o último livro de novo atrás de pistas para saber o que eu deixei passar. Estou me perguntando do que eu me esqueci, o que eu deixei passar, justamente quando achei que não teria mais nenhuma surpresa...

No mais... HOGWARTS!!!! Não importa quantos anos passem, a visão desse castelo sempre vai mexer comigo. Sempre.


De forma geral, é um ótimo filme, uma continuação que desperta curiosidade e faz a gente criar teorias das mais variadas. Recomendo completamente.

16 de nov. de 2018

Sherlock (Steven Moffat, Mark Gatiss, Jay) – D12ML 2018


Título: Sherlock: o banqueiro cego
Autores: Steven Moffat, Mark Gatiss, Jay Mês: Novembro
Tema: Um livro que ganhou uma adaptação
Editora Panini Comics, 196p.

Sherlock Holmes e John Watson estão se adaptando nessa nova vida de dividir um apartamento. John consegue arranjar um trabalho enquanto Sherlock é indiferente ao assunto, apesar de estarem ambos precisando de dinheiro. Quando começam a surgir suicídios (ou assassinatos) que tudo indica estarem ligados a uma máfia, Sherlock e John entram na investigação.

Faz mais ou menos um ano que eu vi esse episódio da série Sherlock Holmes (eu ainda não saí da segunda temporada, diga-se de passagem), então ainda tenho tudo fresquinho na memória. Como em Um estudo em rosa, a HQ não fica a dever em nada ao episódio. A ironia dos personagens, a ação da trama, está tudo aí.

14 de nov. de 2018

Editora Abril cancela publicações Disney

Este mês tive uma notícia surpreendente e triste. Depois de muitas décadas publicando as histórias em quadrinhos dos personagens da Disney no Brasil, a editora Abril confirmou o fim das publicações em maio passado. Depois de atrasos nas publicações Biblioteca Don Rosa e Coleção Carl Barks Definitiva e de queixas dos assinantes, a editora postou nas redes sociais a suspensão dessas coleções e o término dos outros gibis da Disney. 


Faz um tempo que eu estava atrás de algumas dessas novas coleções da Disney, principalmente as de capa dura (da qual já tenho alguns exemplares), então essa notícia me pegou de surpresa. As coleções Biblioteca Don Rosa e Coleção Carl Barks Definitiva foram algumas das mais bonitas que já vi sendo publicadas e agora estou correndo mais atrás do que nunca, já que são coleções publicadas incompletamente no Brasil. 
A coleção Biblioteca Don Rosa teve dez edições nos Estados Unidos e somente cinco lançados no Brasil.


Já a Coleção Carl Barks Definitiva teve dez edições no Brasil e até agora 18 nos EUA.



Coleções como Os Anos de Ouro de Mickey, que teve 14 edições, Lendas Disney e O Melhor da Disney, cada uma com um volume lançado, também estão canceladas.
Enfim, é uma notícia triste para todos que cresceram lendo os gibis da Disney, como eu. Agora é tentar completar o que puder das publicações nacionais.

12 de nov. de 2018

Anne de Green Gables (Lucy Maud Montgomery) – DLL 2018


Título: Anne de Green Gables
Autora: Lucy Maud Montgomery
Mês: Novembro
Tema: Um livro de autor que nasceu em Outubro
Editora Pedrazul, 236p.

Marilla e Matthew Cuthbert são um casal de irmãos idosos que vive em Green Gables, na comunidade de Avonlea. Quando Matthew dá sinais de que sua idade está chegando, eles decidem adotar um menino que pudesse ajuda-lo nos serviços da propriedade. Um erro de comunicação faz com que eles acabem recebendo do orfanato uma garota ruiva, sardenta e tagarela. Matthew decide deixar a cargo da irmã a decisão de mandar Anne Shirley de volta para o orfanato, mas a tristeza da pequena menina de onze anos faz com que Marilla decida o inverso e eles ficam com Anne. E assim a vida da garota ruiva muda, pois ao mesmo tempo em que Anne é aceita no povoado, também conquista a admiração e carinho de todos ao seu redor.

Que livro mais lindo! Uma outra Pollyanna e seu jogo do contente! Apesar de não ser esse exatamente isso, eu que denominei o entusiasmo e mania de ver tudo pelo lado positivo de Anne. Não tem como não traçar paralelos entre as duas histórias, porque ambas as protagonistas conseguem ser cativantes. Não tem como não se animar com Anne e desfrutar do seu encantamento. Claro que esse a competição desmedida com Gilbert Blyhte também já foi um prenúncio do que (espero muito *dedos cruzados* que) possa vir a acontecer em Anne de Avonlea. Terminei a leitura apaixonada pela história, e com a certeza de que foi uma das melhores surpresas no ranking de leituras do ano. Já virou favorito na estante.

9 de nov. de 2018

Espada de vidro (Victoria Aveyard) – DLL 2018


Título: Espada de vidro
Autora: Victoria Aveyard
Mês: Novembro
Tema: Um livro de capa azul
Editora Seguinte, 496p.

Mare e Cal conseguiram ser resgatados das mãos de Maven e agora são fugitivos com os rostos estampados em todos os cantos de Norta, procurados por traição e assassinato. Também foi revelado para todos que Mare é uma vermelha com poderes prateados. Junto da capitã Farley, seu irmão Shade e vários outros, Mare deixa a Guarda Vermelha e sai em busca de outros sanguenovos que estão fugindo de Maven, pois ele sabe da lista que Julian deixou para Cal. Quando Mare acha que conseguiu aplicar um golpe certeiro nas forças do novo rei, uma nova desgraça cai sobre sua cabeça e a jovem tem que lidar com isso da melhor forma que encontra, enquanto lida com as intrigas entre vermelhos e prateados.

Apesar deste livro começar exatamente de onde o outro parou, eu tive um pouco de dificuldade de pegar o embalo, o que me confundiu um pouco, pois um livro como esse, onde a ação é constante, eu geralmente não consigo largar. A única coisa que eu não curti muito, ao mesmo tempo em que agradeci da autora não perder tanto tempo nisso, foi o romance entre Cal e Mare, não tinha mais graça ver os dois juntos. As melhores partes foram as descobertas dos sanguenovos e como Maven parecia sempre estar um passo à frente deles. O final me deixou completamente louca para saber o que vai acontecer em seguida. Recomendado.

5 de nov. de 2018

Os Vingadores e a filosofia (William Irwin) – DLS 2018


Título: Os Vingadores e a filosofia
Autor: William Irwin
Mês: Novembro
Tema: Um livro que está no fim da fila
Editora Madras, 224p.

Sinopse: Pode um criminoso reformado se transformar num super-herói? Qual é a ética militar da guerra Kree-Skrull? Hank Pym é moralmente responsável pelo comportamento de Ultron? É realmente possível Kang voltar no tempo e matar a si mesmo? Pode um androide amar um humano? Vingadores reunidos! Confrontando suas questões filosóficas mais essenciais sobre os mais poderosos heróis da Terra, este também poderoso livro vencerá qualquer dúvida que você tenha em relação a muitas questões e conflitos envolvendo seu grupo favorito de super-heróis e suas aventuras de combate ao crime. Relacionando a ajuda de uma lista de primeira dos mais proeminentes pensadores da História, incluindo Aristóteles, John Locke e Immanuel Kant, esta obra elucida os dilemas a que nenhum grande filósofo sozinho poderia resistir, vindos dos gibis, filmes e séries animadas para a televisão sobre os Vingadores. Armado com insights e reflexões dessas mentes formidáveis, você vai entender o Capitão América, o Homem de Ferro, Thor e outros membros do time de super-heróis estelares da Marvel como nunca foi feito antes, não importando onde a busca por justiça os levará a seguir.

É raro conseguir tornar as coisas melhores sem quebrar algumas regras ou criar algumas consequências negativas.

Um livro que faz o leitor pensar de forma diferente, mesmo que você não tenha um herói favorito. Eu gostei bastante porque mostrou aquela dualidade que vimos no mais recente filme do Capitão América, a divisão entre os heróis sobre a regulamentação de seu trabalho. O autor soube falar bem do assunto e tratar ambos os lados da questão com coesão. Além de levantar outras questões, como relações familiares e suas consequências na vida dos heróis. Apesar de abordar aspectos filosóficos, que são justamente aqueles que as pessoas não estão muito interessadas quando o assunto é super-herói, acho que esse livro é indispensável se você quiser ter uma boa discussão sobre o assunto.

19 de out. de 2018

198 livros: AUSTRÁLIA – A batalha por Rondo (Emily Rodda)


De volta a Rondo, Leo e Mimi percebem que a Rainha Azul dessa vez é mais perigosa do que nunca, pois ela tem ao seu lado um dragão que destrói tudo e todos que se opõe a ela. Eles se unem a Vitório, Hal, Berta e seus amigos para planejar uma maneira de derrotar a feiticeira de uma vez por todas. Enquanto alguns se unem para tecer uma teia mágica que isolasse o castelo da rainha, Leo e Mimi juntam um grupo e partem em busca de uma caixa de prata roubada por Malevo na noite em que a Chave para Rondo foi “destruída”. Eles se metem em confusões com um ogro, são atacados (e mais ou menos salvos) por um dragão até descobrirem finalmente como podem acabar com os poderes da Rainha Azul e trazer paz para Rondo.

Eu nunca, jamais, iria imaginar o que aconteceu nesse livro. Já tinha dito que eu queria muito saber mais sobre a Rainha Azul e descobrir sua verdadeira identidade foi surpreendente. Não tenho muito o que falar além do fato de que a autora põe seu cérebro para funcionar se quiser descobrir o nome da Rainha Azul. Gostei do final, apesar de achar que deixou algum tipo de indefinição. Emily Rodda consegue fechar sua série com chave de ouro.

Editora Fundamento.
304 páginas.

17 de out. de 2018

Mergulhe na magia (Ian Nathan) – BL 2018


Título: Mergulhe na magia: os bastidores de Animais fantásticos e onde habitam
Autor: Ian Nathan
Mês: Outubro
Tema: Autor com a mesma inicial do seu nome
Editora HarperCollins Brasil, 128p.

Sinopse: ''Mergulhe na magia: os bastidores de Animais fantásticos e onde habitam'' apresenta aos fãs da sétima arte ao magizoologista Newt Scamander e aos principais personagens, cenários, artefatos e criaturas que ele encontra na Nova York dos anos 1920. Explore a magia do cinema nos bastidores da Macusa, a misteriosa versão americana do Ministério da Magia; The Blind Pig, onde o submundo mágico se reúne; e os segredos da maleta de Newt. Cada parte contém perfis de personagens importantes, com comentários reveladores de Eddie Redmayne, Colin Farrell, Katherine Waterston, Alison Sudol, Dan Fogler e muitos outros, além de seções sobre design de cenários, figurino, maquiagem, efeitos especiais, arte e artefatos (especialmente varinhas!), comentadas por David Heyman, David Yates, Stuart Craig, Colleen Atwood e toda a mágica equipe de produção. Recheado de fotos e imagens impressionantes que revelam o processo por trás das câmeras em detalhes, este é o livro do filme definitivo, e uma porta de entrada perfeita para o mundo de ''Animais fantásticos e onde habitam''.

Mais um livro do making of do primeiro filme de Animais fantásticos e onde habitam. Foram vários os lançamentos desse tipo de publicação quando o filme foi lançado, mas até agora, tirando a Maleta das criaturas, este é o mais completo que eu já vi. Dividido em três partes, o livro é recheado de fotos lindas e curiosidades que nós provavelmente só vemos nos extras do dvd. Eu sempre gosto desses livros por causa do cuidado na diagramação, perfeito. Indico para os fãs.

15 de out. de 2018

Um conto do destino (Mark Helprin) – BL 2018


Título: Um conto do destino
Autor: Mark Helprin
Mês: Outubro
Tema: Encalhado na estante
Editora Novo Conceito, 720p.

Sinopse: É possível amar alguém tão plenamente que a pessoa não pode morrer? Entre o amor e o destino, entre a luz e a escuridão, milagres podem acontecer!
Em uma noite especialmente fria, o exímio mecânico - e larápio - Peter Lake consegue invadir uma mansão do Upper West Side que mais parece uma fortaleza. Ele pensa que não há ninguém em casa, mas a filha do dono o surpreende em plena ação. Assim começa o romance entre o ladrão de meia-idade e Beverly Penn, uma jovem que tem pouco tempo de vida. O amor que os une é tão poderoso que levará Peter Lake, um homem simples e sem instrução, a desejar parar o tempo e trazer os mortos de volta.
Surpreendente e intenso, Um conto do destino nos transporta do século XIX ao final do século XX, na virada do milênio. Os personagens se encontram e se perdem ao sabor do destino, que insiste em brincar com aqueles que encontra pelo caminho. Uma pintura mágica da beleza e do amor, sobre a morte que desafia e sobre a vida que se afirma sobre ela.

Eu cheguei nesse livro graças ao filme (que é muito bonito, aliás, nunca pensei que veria Colin Firth sendo tão encantador). Comprei por causa do filme, quis ler por causa do filme, mas ficou guardado um tempão na minha estante porque eu estava a) esperando algum desafio literário, e b) com muita preguiça de ler. Sim, preguiça, porque o filme é simples, então ficava imaginando como um filme curto e com uma história simples poderia ter se baseado em um livro tijolão. Claro que uma adaptação muda e encurta as coisas, mas mesmo assim. E aí ele foi ficando, ficando... Até agora quando eu não tinha mais nada em vista e queria dar uma geral na estante. Peguei, li, gostei e dei graças a Deus do filme ter mudado muita coisa. 
A história é linda, o romance entre Beverly e Peter Lake é muito bonito, me fez chorar absurdamente, mas o que me prendeu tanto no filme quanto no livro foi o cavalo branco (é por causa dele que eu dou graças a Deus do filme ter suavizado a história, eu já estava inconformada lendo). O motivo do livro ser um tijolão é porque em uma só história o autor resolveu usar todos os temas que você conseguir imaginar: a luta do bem contra o mal, milagres, amor, a briga eterna entre anjos e demônios, enfim, muita coisa que para entender a essência da história e conseguir acompanhar até o fim precisa-se de uma boa dose de paciência. Eu só fui até o final por causa do filme, a adaptação ajudou a dar as caras para os personagens que eu já gostava (como a Beverly). Gostei e indico para ser lido com calma e com bastante tempo disponível.

12 de out. de 2018

Negação (Deborah E. Lipstadt) – D12ML 2018


Título: Negação
Autora: Deborah E. Lipstadt
Mês: Outubro
Tema: Um livro que comece com a inicial do seu nome
Editora Universo dos Livros, 432p.

Deborah E. Lipestadt é uma conceituada historiada e professora em uma universidade renomada em Atlanta. Ao receber uma carta da Peguin Editora, responsável pela publicação de seu livro Denying the holocaust, Deborah não sabe exatamente como reagir a notícia de que está sendo processada por David Irving, um renomado estudioso de Hitler também famoso por ser um negacionista do holocausto. Em seu livro, Deborah o cita de maneira negativa e David resolve processá-la por difamação, mas diferente de como acontece nos EUA (onde o acusador teria que provar que Deborah mentira), na Inglaterra é a parte acusada que deve provar que está dizendo a verdade. E assim começa um processo que levará anos até que ambos se ponham na frente do juiz. O julgamento começa e à medida que estudiosos e especialistas começam suas explicações, as verdades, mentiras e distorções sobre um dos períodos mais negros da história humana são expostas.

A primeira vez que entrei em contato com a história do julgamento de Deborah Lipstad foi através do filme de mesmo nome lançado em 2017. Não só porque o elenco é excelente, mas porque a temática, apesar de polêmica, também é um assunto que vale qualquer debate. Então quando peguei o livro, já sabia o que ia encontrar e esperava que o livro fosse mais profundo e abrangente. O que, obviamente ele é. Recheado de detalhes sobre ao extermínio de judeus, o livro também traz logo no início um breve resumo da vida de Deborah e o caminho que ela trilhou até se transformar na professora conceituada que é hoje.
Ao mesmo tempo, dá uma vontade imensa de esganar David Irving. Primeiro, ele não nega que os judeus foram vítimas da guerra, ele só “não admite” que o comando de exterminá-los partiu de Hitler, que as mortes não foram casualidades da guerra, que os campos não tinham como objetivo o extermínio, e finalmente, que tudo não passa de lenda para os judeus adquirirem vantagem financeira.

“Um extermínio é um extermínio”, respondeu em voz baixa. Irving continuou insistindo que aquelas pessoas morreram em virtude de “condições ruins” e não de um sistema de extermínio planejado e o rosto de Peter foi ficando cada vez mais vermelho. Virando-se de modo a não olhar para Irving, falou duramente: “O propósito do campo de concentração não era manter os prisioneiros vivos. […] o propósito do campo de concentração aqui era claramente fazer as pessoas morrerem. […] Não se pode compará-lo a uma prisão nem nada do tipo em um país civilizado".

A medida que o julgamento acontece, cada uma das alegações de Irving é demolida, mesmo com ele negando e negando e negando. A cada vez que a defesa ganhava em um ponto, eu celebrava. O final é excelente, claro depois de ver o filme, fiquei aliviada porque sabia qual seria a sentença. Um dos melhores livros que eu já li, na verdade essa livro é uma senhora aula de história. Completamente recomendado, assim como o filme.

O filme



Em segundo lugar, ficou claro desde o início que o filme seria uma defesa da verdade histórica. Defenderia que, embora os historiadores tenham o direito de interpretar os fatos de formas distintas, eles não têm o direito de conscientemente deturpar os fatos. Necessária aos historiadores, tal integridade certamente aplicasse também aos roteiristas. Se eu quisesse oferecer um relato do julgamento e do comportamento de David Irving, não poderia desfrutar da licença de especular ou inventar, a qual costuma ser concedida a escritores.

O filme é exatamente isso. Claro que o início é diferente, eles não perderam tempo explicando ou mostrando a vida de Deborah, mostram ela atuando em seu campo (ministrando aulas sobre o holocausto). A partir daí, começa a preparação de Deborah e sua equipe para lidar com Irving. Muita coisa ficou de fora da adaptação, claro, mas os principais aspectos estão presentes: a viagem a Auschwitz, a indignação de Deborah ao ser auxiliada a permanecer calada dentro e fora do tribunal, o depoimento de Van Pelt (um dos historiadores chamados pela defesa).
Uma das melhores cenas foi o momento da deliberação do juiz antes de todos se retirarem para que ele pudesse avaliar tudo e proferir a sentença (isso eles não mudaram praticamente nada e, como Deborah, você consegue sentir a total frustração – no meu caso, eu quase pirei de raiva com essa colocação):

Em seguida, fez o que descreveu como sendo sua “última pergunta”. “Se alguém é antissemita […] e extremista, ele é perfeitamente capaz de ser, por assim dizer, honestamente antissemita e honestamente extremista no sentido de ter essas visões e expressá-las porque elas são, de fato, suas visões?” 
Rapidamente verifiquei a tela do computador para ter certeza de que tinha ouvido direito. O juiz Gray estava sugerindo que, se Irving honestamente acreditasse em suas declarações antissemitas e racistas, elas eram aceitáveis?

Como eu falei acima, o final é o que se espera de um tribunal justo, mesmo que às vezes durante o julgamento tenha parecido o contrário. Vale muito a pena. Para terminar, deixo aqui uma palestra de Deborah sobre o assunto:

8 de out. de 2018

Turma da Mônica Jovem 0 (Maurício de Sousa) – DLL 2018


Título: Turma da Mônica Jovem 0
Autor: Maurício de Sousa
Mês: Novembro
Tema: Um livro de um autor que nasceu em Novembro
Editora Panini, 10p.

Sinopse: Enquanto escreve em seu diário, uma Mônica crescida divaga sobre como ela e seus amigos mudaram após tantos anos. História piloto de Turma da Mônica Jovem, publicada em edição promocional.

Quando criança, eu li muito os gibis da Turma da Mônica, mas os meus favoritos mesmo eram os da Disney com Donald, Tio Patinhas e turma. Mas quando soube que iriam lançar uma nova série da Mônica, desta vez com os personagens adolescentes, me interessei na hora. Desde o primeiro número até o 100°, eu tenho todos os gibis. As histórias sempre divertidas e com ensinamentos também, é o tipo de coleção que dá gosto ter na estante. Qual não foi minha surpresa descobrir muito depois que existia uma edição número 0, de colecionador ainda por cima. Procurei, procurei, procurei e enfim achei. É um gibi bem fininho, com uma pequena introdução sobre como os leitores encontrariam agora a turma, nada que faça realmente falta (no que diz respeito a história). Só quis mesmo para não desfalcar a coleção. Penei muito para arranjar um autor que combinasse com o tema, Maurício de Sousa foi um dos achados, então valeu a pena.

5 de out. de 2018

Dançando com as borboletas (Fabiane Ribeiro) – DLL 2018


Título: Dançando com as borboletas
Autora: Fabiane Ribeiro
Mês: Outubro
Tema: Um livro de capa rosa
Editora Universo dos Livros, 320p.

Anny agora tem 80 anos e já mora no Brasil há várias décadas. Quando chegou no país em busca da irmã que nunca conheceu, ela é muito bem recebida. Sua avó e sua irmã não podiam estar mais felizes, apesar dessa alegria ser um pouco toldada pela morte recente do avô, um completo entusiasta do jogo de xadrez. Mariza, sua irmã, nunca soube lidar muito bem com perdas, e ao longo dos anos, após o falecimento da avó, elas se distanciam. Anny relembra quando começou a estudar balé, encorajada pela avó, e como foi aceita na companhia do Balé de Santos; como conheceu seu futuro marido Túlio e o nascimento da filha do casal; como foi que ela adotou o pequeno Miguel; e mais tarde, quando ela viaja para a Inglaterra em busca de respostas sobre sua vida.

Eu ficava imaginando se a continuação de Jogando xadrez com os anjos teria um toque emocional tão forte como o primeiro livro. O livro é muito melancólico, não somente por causa das lembranças de Anny, mas por causa do seu jeito sempre positivo para lidar com todas as provações pelas quais passou. Gostei da alternância entre passado e presente e do fato de Anny ainda sonhar com o Reino Xadrez (mesmo os sonhos não sendo tão bons assim). Como sempre, Fabiane sabe criar uma história para se emocionar e que ensina a nunca se render, a superar as provações e continuar vivendo. Recomendado.

3 de out. de 2018

Maré congelada (Morgan Rhodes) – DLS 2018


Título: Maré congelada
Autora: Morgan Rhodes
Mês: Outubro
Tema: Um livro de fantasia
Editora Seguinte, 440p.

Cleo e Magnus ficam em Limeros esperando o que quer que o rei Gaius tenha preparado para eles, enquanto Lucia, que havia fugido com Yoannes, agora está tão perdida pelo luto que se junta ao deus do fogo, Kian, em busca de poder, deixando um rastro de destruição por onde passam. Jonas mais uma vez parte atrás do rei para assassiná-lo. Ao mesmo tempo, a busca pelos cristais da Tétrade continua, e dessa vez Amara também se junta a caça. Casada com Gaius e imperatriz de Mítica, ela se mostra cada vez mais implacável. Um final surpreendente, que pode mostrar a resolução dos problemas, mas nem sempre tudo é o que parece.

Apesar da ordem das resenhas dessa série estar correta, eu li o livro cinco antes, então fiquei meio perdida em certos acontecimentos e tive que retornar ao livro 3 durante a leitura dele. Então, quando peguei o quarto livro para ler, saber o que já estava lá na frente não me incomodou muito. Principalmente sabendo o que ia acontecer com Magnus e Cleo, então nem fiquei tão ansiosa. Gostei muito, não larguei até terminar, e agora, sabendo o que já sei sobre o livro cinco e considerando que o final deste livro podia ter mostrado a resolução dos principais problemas da história, quero muito ver qual vai ser o fim que a autora vai criar. E quem vai viver até o final.

21 de set. de 2018

198 livros: FRANÇA – Depois da rainha Victoria, Edward VII (André Maurois)

Tido como bom vivant e conquistador de mulheres, Edward VII foi o segundo filho da rainha Vitoria e do príncipe Albert, sucessor ao trono britânico. Educado para ser o melhor, Edward tinha gosto pela diplomacia, mas foi mantido pela mãe, por muito tempo, longe de qualquer compromisso com o poder. Durante o tempo do seu reinado, Edward viu ser delineado o conflito mundial que eclodiria com a Alemanha, quatro anos após sua morte.


Esse livro foi mais um achado em um dos sebos daqui de Belém. Já li uma biografia da rainha Vitória, então atiçou minha curiosidade um livro que falasse do filho que a sucedeu ao trono britânico. Talvez seja uma biografia mais valiosa até, já que pouca coisa se sabe sobre ele e seu reinado. O livro narra sua vida em ordem cronológica, e as melhores partes ficam por conta do relacionamento entre Edward e seus pais.

O livro também fala dos aspectos políticos e sociais da Inglaterra e da Europa como um todo, ressaltando seu trabalho e sua atitude em reinar de forma constitucional. Essa parte ocupa quase dois terços do livro e me deixou meio perdida, porque passava mais tempo falando dos políticos ingleses do que do rei propriamente dito, mas então percebi que o livro relata a sutileza da relação entre Edward e os políticos ao redor dele. Uma excelente leitura, que flui rápido e sem termos complicados. Recomendo.

Editora Globo Livros.
320 páginas.

19 de set. de 2018

O conto da aia (Margaret Atwood) – BL 2018


Título: O conto da aia
Autora: Margaret Atwood
Mês: Setembro
Tema: Publicado na década do seu nascimento
Editora Rocco, 368p.

Em um futuro não tão distante, os EUA se tornaram uma ditadura religiosa cristã chamada Gilead. Depois de muitas guerras, um grupo de fundamentalistas tomou o poder e instaurou novas regras, sendo a principal: as mulheres perdem completamente seus direitos de escolha. Divididas entre as categorias de espoas, marthas, salvadoras, aias, etc, cada uma tem um papel específico. As aias, pois a história é contada do ponto de vista de uma delas, Offred (ou seja, de Fred, o nome do comandante, o marido e chefe de família que está abrigando a aia no momento) são as responsáveis por engravidarem. As esposas que não podem ter filhos empregam aias, engravidadas pelos seus maridos em um acontecimento chamado de Cerimônia, que darão a luz as crianças e depois serão mandadas para outro lugar. Em meio aos relatos de Offred, ela também insere flashbacks de sua vida de antes e do que ela um dia teve, de quem ela um dia amou.

Um homem é apenas a estratégia de uma mulher para fazer outras mulheres. [...] Mas há alguma coisa faltando neles, mesmo nos que são gentis e bons sujeitos. É como se estivessem permanentemente distraídos, como se não conseguissem se lembrar muito bem de quem são. Olham demais para o céu. Perdem o contato com os pés. Não se comparam a uma mulher, exceto pelo fato de que são melhores para consertar carros e jogar futebol, exatamente o que precisamos para o aperfeiçoamento da raça humana, certo?

Depois de ver tanta gente falando da série, eu quis o livro (não adiante, quando se trata de adaptação, eu sempre tento ler o livro antes). Não sei dizer qual dos dois materiais é o mais forte. Achei que vendo a cena da Cerimônia, consideraria a série mais repugnante. Mas na verdade, os dois matérias são, a sua própria maneira. O livro de Margaret Atwood é uma distopia diferente, em vários níveis, de qualquer outra distopia que eu já li, sua forma de escrita e narrativa me deixou, confesso, desnorteada. Somente quando terminei entendi o porquê disso.
A história joga na nossa cara verdades que as pessoas preferem não discutir ou mesmo tomar conhecimento, como o fato da nossa cultura patriarcal levar as mulheres a condenar, julgar e odiar a si mesmas, a justificar erros de homens enquanto culpabilizam mulheres (isso se reflete na cultura do estupro). Somos levadas a justificar através da religião a dominação masculina, a nos silenciar e nos invalidar. Deve ser por isso que a série alcançou tanto sucesso e ganhou prêmios valiosos. Uma história muito pertinente ao mundo atual em que vivemos, vale cada minuto da leitura.

A série


Depois de ler o livro, você sabe que o que acontece com June (ou Offred) não tem jeito, mesmo que a série comece de uma forma que leve a pensar que tudo vai ser diferente. Escolheram dar logo um fim em Luke (?), diferente do livro, onde se passa a leitura inteira tentando imaginar o que houve com ele. 
No livro, só descobrimos, e isso por hipóteses, o nome do Comandante no final, de uma forma inesperada, mas na série sabe-se logo de primeira, assim como a exigência de respeito que a Sra. Waterford exige, não exatamente por causa da figura que foi no passado mas aquele tipo de respeito que uma mulher deve a outro no que concerne a maridos. June foi mostrada de maneira diferente do que esperava, mas gostei dessa mudança. 
Enquanto no livro ela parece um pouco passiva demais (nem sei se estou usando a palavra correta para descrevê-la), na série sua aparência calma não demonstra seus pensamentos irônicos e revoltados, mas vemos que seu estado é de uma pessoa prestes a explodir que se controla por mera força de vontade.

Devotinha de merda.

O encontro de June e Moira depois de tudo acontecer também é diferente na série, e eu gostei de ver que algumas coisas eles resolveram mostrar sem usar meias palavras ou deixar a cargo da imaginação do observador (como no livro): o objetivo de toda a situação (as mulheres devem gerar as crianças dos casais fiéis), os castigos impostas aquelas que se recusavam a “cooperar”.
Outra personagem que me chamou atenção foi a Sra. Waterford, que despertou um pouco de pena (no primeiro episódio, somente, porque a personagem é odiosa, mesmo levando em conta a situação dela). No livro, percebe-se que as mulheres inférteis são totalmente pertencentes a esse sistema absurdo em que vivem, e que elas exigem o respeito da lealdade, não querem ser traídas por nenhuma “aia que resolva se engraçar com o patrão para ver se ganha alguma coisa”, mas é muito mais que isso. Pelo menos na série, pela patroa de Hannah (pelo menos no primeiro episódio), dá para ver algum sofrimento por não conseguir gerar uma criança.
Eu fiquei meio louca assistindo a primeira temporada dessa série, mesmo já tendo lido o livro e já sabendo de uma nova temporada, cada passo que June dava fora do programado me levava a pensar que a qualquer momento ela seria descoberta, pega e morta. Os abusos conseguem ser bem piores também. Outras coisas como a situação de Ofglen, o envolvimento entre June e Nick e a tolerância maior da Sra. Waterford para com June também foram coisas que tiveram mudanças, o que foi bom, porque eu já estava imaginando o que inventariam para que o livro fosse adaptado em duas temporadas. A mudança maior: Tya Lydia, que no livro parece uma pessoa obcecada com os preceitos religiosos que governam aquele lugar e que sim, pune aqueles que erram, mas na série a mulher é uma megera completa. Algo interessante é a quantidade de flashbacks da vida dos Waterford e como eles estavam envolvidos nos problemas iniciais, assim como as lembranças de Offred de sua vida como June e de que forma ela foi perdendo essa vida e sua segurança.

- A raça humana está em risco. O que importa é a eficiência.

- E o que propõe?

- Não é física quântica. Todas as mulheres férteis devem ser coletadas e engravidadas. Pelos de maior status, claro.
- Quer dizer, concubinas.
- Não me interessa como quer chamar.
- As esposas jamais aceitariam.
- Não é um problema.
- Não conseguiremos sem apoio delas, sabe disso.
-Talvez a esposa devesse estar presente. Para o ato. Não seria tanta violação. Há precedente bíblico.
- “Ato” talvez não seja o melhor nome. Em termos de marketing. A “Cerimônia”? Melhor. Bom e divino.
- As esposas aceitariam essa besteira.


A série rendeu uma segunda temporada que manteve o foco na aia e se distanciou do que é contado no livro, mas continuou mantendo o mesmo ritmo envolvente. De vez em quando, dentre os vários momentos em que você se pega odiando fazer parte da humanidade, eis que surge um sopro de esperança (episódio 06, "First blood", que o diga), fazendo da surpresa seu Ás na manga.

18 de set. de 2018

Victoria e Abdul: o confidente da rainha (2017)

Abdul Karim (Ali Fazal) e Mohammed Buksh (Adeel Akhtar) chegam na Inglaterra vindos da Índia, para entregar uma moeda comemorativa na celebração do Jubileu dourado da rainha Victoria (Judi Dench, novamente). De alguma forma impressionada por ele, a rainha fez com que Abdul e seu amigo se tornem seus assistentes pessoais pelo resto das comemorações. A partir daí, sua vida muda completamente. Abdul se torna amigo da rainha, ensinando-a a falar urdu e acompanhando a rainha em viagens pela Europa. Mas tanta intimidade causa desconforto na corte, até mesmo por sua origem, já que Abdul era indiano, e por passar a usufruir de vários privilégios.


Mais um filme sobre a rainha Victoria e uma amizade com alguém que sua corte não aprovava. È muito engraçado como eles conseguem sempre retratar que a rainha, não é meramente uma mulher com um título real, mas sim quase uma propriedade que deve ser mandada a todo momento, mantida longe de qualquer contato mais “humano”, seguindo rígido código de quebras que, se quebrado, mesmo por ela, as consequências nunca são boas.
Beira o ridículo, por um lado, o quanto eles não se atrevem a questionar ou contradizer uma ordem dela ou um simples desejo, enquanto por outro eles a cercam e a mantem em uma redoma, fazendo de tudo para que ela não experimente nada novo.


A rainha Victoria já havia desenvolvido, anos antes, uma amizade forte por outro plebeu, Mr. Brown, fato que na época também não alegrou a corte nem um pouco. O mais legal sobre a história de Abdul é que, apesar do novo rei Edward ter mandado destruir todas as correspondências entre a mãe e Abdul, diários dele foram descobertos em 2010 e vieram a público.


O filme é muito bonito, tendo como pano de fundo a situação complicada entre o império britânico e a Índia, e isso fica explícito na falta de noção de Abdul, que não parece saber o momento de não falar, mostra um tipo de ingenuidade do súdito que idolatra o soberano e que, apesar do país estar sofrendo com a dominação britânica, ainda consegue achar que todos ao redor dele são sinceros quando sorriem, e na conduta de Mohammed, que cansou de tudo e quer ir embora. 

Abdul faz o que todos fazem. Ele... Ele quer um título. Ele é puxa-saco. Ele se arrasta para subir no mastro gorduroso e fedorento do maldito império britânico, fazendo todos vocês de idiotas porque ele é um serviçal. Um serviçal indiano muçulmano, e todos vocês estão borrando suas botas porque ele os está vencendo no seu próprio jogo. 

As paisagens são lindas, e o filme consegue ser até engraçado, durante as cenas em que as damas de companhia e serviçais da rainha espionam o que ela e Abdul conversam, alguns até expressando medo do idioma desconhecido ou do que a rainha pretende fazer e do que ela ordena que seja feito.

Abdul Karim e Mohammed Buksh

O final, para variar, não é o que se espera, porque se sabe que a rainha já é bem idosa quando conhece Abdul, então se imagina que podem mostrar sua morte, mas o que acontece com Abdul depois que ela falece é bem triste e até injusto. Enfim, eu só tenho elogios, não só pela atuação maravilha de Dame Judi, como pela história em si. Recomendo completamente.

14 de set. de 2018

Her Majesty, Mrs. Brown (1997)

1861. O príncipe Albert, marido e grande amor da rainha Vitória, está morto, o que leva a soberana a um estado inconsolável de luto, evitando todos os compromissos, sociais e públicos. John Brown, fiel serviçal do falecido príncipe, torna-se o cavalariço da rainha e consegue trazê-la de volta a vida. O problema começa quando a amizade inesperada começa a despertar suspeitas e cria um escândalo na corte, cujos integrantes não aceitam que um escocês arrogante tenha tanta influência sobre a rainha.


Eu descobri esse filme enquanto pesquisava sobre o lançamento de outro filme sobre a Rainha Vitória (Victoria and Abdul, lançado ano passado). Que achado. De início, pensei que fosse um simples romance com variadas licenças históricas, mas depois de pesquisar, vi que Mr. Brown (ao qual o título se refere da mesma maneira ofensiva que os jornais da época usaram para designar a rainha, se considerarmos que Vitória permaneceu em luto pro resto da vida depois da morte do marido), realmente existiu. E a história desse amigo e da rainha é muito bonita.

A rainha Vitória e Mr. Brown (W & D Downey/Getty Images)

A morte do príncipe e a consequente reclusão da rainha fizeram com que sua popularidade diminuísse, assim como cresce o sentimento anti-monarquia no país. Tentando fazer com que a soberana se interessasse pelas suas obrigações novamente, Mr. Brown é chamado para a corte novamente. O fiel serviçal consegue tirar a rainha de seu estupor, apesar dela continuar se recusando a voltar ao trabalho. O primeiro-ministro Benjamin Disraeli (Antony Sher) resolve usar da influência de Brown e pede para que ele convença a monarca a voltar a realizar suas funções reais. Eles se desentendem e a relação azeda. Mesmo assim, Brown continua servindo a rainha até sua morte em 1833. Sua preocupação constante com a segurança de Vitória e seu jeito arrogante logo levam todos a desprezá-lo, incluindo a criadagem que antes via nele uma solução e agora passam a se ressentir de tanta influência sobre a monarca.


Não vi romance no filme, mas uma amizade forte entre ambos, uma ligação que fez a monarca sair de seu estado de apatia e voltar a se interessar pelos assuntos do reino. Dame Judi Dench está maravilhosa (e quando essa mulher NÃO está maravilhosa em um papel, eu me pergunto) como a rainha e Billy Connolly cativa como Mr. Brown, valendo cada indicação dos atores e do filme aos prêmios de cinema da época. Recomendado.

12 de set. de 2018

A lâmina da assassina (Sarah J. Maas) – BL 2018


Título: Lâmina da assassina
Autora: Sarah J. Maas
Mês: Setembro
Tema: Um livro YA (young adult)
Editora Galera Record, 406p.

Em A Assassina e O Lorde Pirata, Celaena Sardothian já é uma renomada assassina. Prestes a fazer 17 anos, a protegida favorita do líder da guilda Arobynn é enviada com Sam, parceiro que ela não suporta, para as Ilhas Mortas. Achando que iria se vingar pela morte dos quatro membros da guilda por piratas, ela se vê comerciando escravos, pois era esse o negócio de Arobynn com o capitão Rolfe. Sem estar disposta a aceitar isso, ela trama para que os escravos fujam e sem querer, começa a trilhar um caminho que irá mudar sua vida. 
A Assassina e A Curandeira narra o início da viagem de punição de Celaena por ter feito Arobynn perder um rico negócio. Enquanto se hospeda em uma estalagem e conhece Yrene Towers, a jovem que trabalha nesse lugar desprezível e a ajuda a sair de problemas.
No conto A Assassina e O Deserto, Celaena continua sua viagem em busca do Mestre Mudo e dos Assassinos Silenciosos, com quem ela deve voltar a ser aprendiz para que Arobynn aceite-a novamente na guilda. Quando finalmente a jovem acha que encontrou uma amiga e um senso de pertencimento, tudo vira de cabeça para baixo por motivos além do alcance de Celaena de evitar.
Em A Assassina e O Submundo, Celaena está de volta pronta para enfrentar Arobynn e se desligar da guilda. Mas os pedidos de desculpa e seus presentes apelam para a jovem. Ela aceita um novo trabalho: matar o responsável pela construção de uma estrada que exigirá um comércio de escravos muito ativo. Sem disposição para ver isso acontecer, ela planeja e executa o ato, descobrindo mais tarde que foi usada e qual era o nível da falsidade de seu antigo protetor.
A Assassina e o Império mostra Celaena e Sam já juntos, livres da guilda e prontos para recomeçar em outro lugar. Mas Arobynn não vai facilitar a vida do casal. Ao aceitar um trabalho para que enfim possam se desligar da guilda para sempre, Sam e Celaena caem numa armadilha cruel e a jovem, que pensa estar tomando as rédeas de sua vida, se vê frente a frente com um destino cruel: passar o resto dos dias como escrava nas minas de sal.

Que. Livro! Completamente diferente do que eu esperava, até porque eu imaginava que as histórias seriam intermediárias aos livros já lançados, depois que notei que ele falaria da vida de Celaena desde o início. Li em uma tarde de domingo porque não conseguia parar. Como cada um dos contos narravam acontecimentos quase imediatamente aos outros, foi difícil largar, principalmente porque eu queria ver onde iria dar o chove-não-molha entre ela e Sam. Os momentos entre eles são muito bonitos, mas fiquei desesperada porque já sabia onde tudo aquilo ia dar, considerando o primeiro livro da série. 
Confesso que me irritou várias vezes a impetuosidade de Celaena, que parecia uma coisa boa, como no caso da libertação dos escravos, mas na maioria das vezes se tornava prejudicial (o aviso, O MALDITO AVISO da armadilha preparada que ela sequer deixou o informante terminar!). E eu ficava esperando a cada topada que ela percebesse e aprendesse, mas não. E eu só tinha vontade de gritar! O último conto, o mais intenso de todos, me levou a duvidar mais uma vez das reais intenções de Arobynn até aquele parágrafo final (O QUE FOI AQUILO PELOAMOR!!!). Esse livro foi outra maravilhosa surpresa que esclarece muito da vida de Celaena. Recomendo.