11 de dez de 2017

Sherlock Holmes vol. 1 (Arthur Conan Doyle) – DL L&T 2017


Título: Sherlock Holmes vol. 1
Autor: Arthur Conan Doyle
Mês: Dezembro
Tema: Livre
Editora HarperCollins, 240p.

No romance “Um estudo em vermelho” (1887) temos o início da amizade entre o (único) detetive consultor do mundo, Sherlock Holmes, e John Watson, um médico do exército que volta para casa ferido e se encontra sem rumo na vida. Eles começam a dividir um apartamento e John começa a acompanhar Sherlock em suas investigações no auxílio a polícia de Londres do final do século XIX. “O sinal dos quatro”, outro romance (1890) e a coletânea de contos “As Aventuras de Sherlock Holmes” (1892) continuam a narrar os vários casos criminosos e misteriosos em que Sherlock e Watson se envolvem.

A primeira coisa a dizer sobre esse livro é que ele deve ser lido pacientemente e saboreado devidamente, não somente porque o gênio do detetive é incomparável, mas também porque cada uma das histórias, dos relatos e dos casos são simplesmente fascinantes e prendem a atenção. Além disso, a diagramação do livro é um primor. Fazia muito tempo que eu estava louca atrás de uma coleção que prestasse dos livros sobre Sherlock Holmes e nunca achava nenhuma, e quando encontrei essa, ainda demorei para conseguir comprar, então quando finalmente tive em mãos, li com toda a paciência e calma do mundo. A única coisa que me decepcionou foi o fato do conto “Escândalo na Boêmia”, no qual o MELHOR EPISÓDIO da série Sherlock da BBC foi baseado (aquela Irene Adler, QUE-MULHER!) ser muito curto, eu estava esperando uma longa história como no caso de “Um estudo em vermelho”, então fiquei chateada. Mas o livro em si é uma maravilha. Totalmente recomendado.

8 de dez de 2017

Sereia negra (Vinícius Grossos) – 52 Weeks Project 2017


Título: Sereia negra
Autor: Vinícius Grossos
Mês: Dezembro
Editora Selo Jovem, 199p.

A vida de Inês nunca foi fácil. Sua mãe morreu no seu parto, seu pai abandonou sua mãe quando ela estava grávida, ela nunca teve amigos nem namorados. No dia do seu aniversário de 15 anos, toda a sua revolta vem a tona. Uma tempestade estranha e repentina, sua vida muda de cabeça para baixo. Inês é tragada pelo mar e quando toma conta de si, descobre que é uma sereia, aliás, muito mais do que isso, Inês é uma sereia negra, uma lenda viva para o povo que habita o fundo do oceano. Jogada sem entender nada, num mundo que ela supostamente deve salvar, de inimigos que ela desconhece, a jovem se vê as voltas com tanto novo conhecimento, e acaba descobrindo a verdadeira história de seus pais.

Desde que achei por acaso este livro no skoob, fiz de tudo para consegui-lo. Não achava onde vendia, mas não demorou eu consegui em uma troca. Sabe quando você pega um livro cheia de expectativa, e até o meio da história ele consegue te satisfazer, mas depois fica tudo muito cansativo? Foi isso que senti quando terminei a leitura. Não que a história seja ruim, longe disso, ela até consegue prender a atenção, mas tem um momento em que a personagem principal se torna dramática demais. Algumas descrições de momentos e sentimentos também estavam um pouco repetitivas, e isso me cansou muito. De qualquer forma, eu gostei dessa nova visão apresentada sobre as sereias que o autor fez, misturando lendas gregas com o folclore brasileiro, além da forma como ele fala sobre magia. Recomendo para quem gosta do tema.

6 de dez de 2017

Assassinato no Expresso do Oriente (2017)

A história é essa: Hercule Poirot é um famoso detetive que está decidido a ter uns dias de descanso do seu trabalho. Ele embarca no Expresso do Oriente, mas uma tempestade causa o descarrilamento do trem, forçando o expresso a parar no meio das montanhas. Poirot havia sido abordado por um dos passageiros pedindo proteção. O homem dizia estar correndo risco de morte devido ao seu trabalho, e na noite da tempestade o homem é assassinado, transformando todos no trem em suspeitos. Assim, Poirot acaba se envolvendo para descobrir a causa do assassinato e quem foi o autor do crime.


Sabem aquele tipo de livro que é bem adaptado? Poucas vezes tive chance de ver uma adaptação tão bem feita, onde cortam detalhes não tão necessários e acabam adicionando outros que servem para introduzir determinado personagem ou somente para dramatizar mais a história, de qualquer forma ficando excelente.


Eu não sou do tipo que fica ligada nos nomes dos atores, principalmente quando estou conhecendo personagens pela primeira vez, então sim, eu sabia que o filme traria excelentes atores e atrizes, mas só vendo o elenco todo junto pela primeira vez tem-se o impacto do peso daquele grupo (considerando mesmo os atores mais novos e/ou não tão conhecidos) e já fica na torcida para que o filme não seja ruim, afinal, toda adaptação corre riscos.


Logo no início o filme já traz uma diferença em relação ao livro, que serve para dar uma pequena amostra da capacidade de dedução do personagem principal, Hercule Poirot. Aliás, Kenneth Branagh DO-MI-NA como o detetive. Simplesmente domina. Os outros dois que chamam atenção em seus papéis são Johnny Depp e Michelle Pfeiffer (a cena entre os dois pode ser meio banal, mesmo que você tenha lido o livro, mas também é fantástica e é nesse momento que vemos logo de cara o tom da história).



Poirot questionando a moralidade da justiça com as próprias mãos faz o detetive tirar uma lição da resolução do caso, e eu não me lembro se essas considerações estão no livro, mas de qualquer forma foi uma cena muito interessante e bem feita. As locações e paisagens são lindas, como as montanhas por onde o trem passa na Nova Zelândia:


Ou esse prédio inspirado na atual estação ferroviária Sirkeci, o antigo terminal do Expresso do Oriente em Istambul, na Turquia:


A trilha sonora é maravilhosa, composta por Patrick Doyle, só faz complementar a qualidade da adaptação, com certeza uma das melhores já feitas.

1 de dez de 2017

Liberte meu coração (Meg Cabot) – 52 Weeks Project 2017


Título: Liberte meu coração
Autora: Meg Cabot
Mês: Dezembro
Editora Galera Record, 404p.

Inglaterra, século XIII. Finnula é a caçula de seis irmãs e um irmão. As irmãs são todas casadas ou as vias de ser, gostam de tudo que é normal uma mulher gostar na época e estão satisfeitas cumprindo suas obrigações. Finnula não. Ela gosta de caçar, cavalgar e usar calças. Quando sua irmã Mellana engravida, Finnula se vê na obrigação de ajuda-la, já que a irmã cabeça de vento gastou todo o dinheiro do dote no que não devia. A solução encontrada: sequestrar um lorde ou cavaleiro rico por quem possam pedir resgate. Finnula acaba sequestrando Hugo, um cavaleiro que acaba de voltar das Cruzadas e que, apesar de ser rico, a jovem não imagina o quanto. Até porque ela não sabe que Hugo, na verdade, é o herdeiro das terras onde ela e sua família vivem... Ele também nem imagina com quem essa jovem, que está virando sua cabeça, já foi casada. Eles se metem em confusões tentando se livrar da atração mútua que sentem... até tudo ficar esclarecido. O problema começa quando Hugo toma conhecimento do que realmente aconteceu em sua casa durante seus anos ausentes.

Desde que eu li a série O diário da princesa, eu queria esse livro, mas como eu tive a impressão de que seria um daqueles romances de banca, por muito tempo fiquei atrás dele, consegui, e ele ficou mais um tempo na estante. Resolvi dar uma chance agora e não me arrependi. A protagonista é muito divertida e a partir do momento em que ela e Hugo se encontram, só melhora. Eu não consegui largar o livro, só de curiosidade para saber no que iam dar as provocações entre eles. Eu ri muito, me irritei, e acabei com meus dedos no final. Livro muito bom, um romance sem exageros que vale muito a pena.

27 de nov de 2017

Assassinato no Expresso do Oriente (Agatha Christie)


Título: Assassinato no Expresso do Oriente
Autora: Agatha Christie
Editora HarperCollins Brasil, 200p.

Hercule Poirot é um famoso detetive aposentado. Ao receber um telegrama requisitando seu retorno a Londres imediatamente, ele embarca às pressas no Expresso do Oriente, trem que para aquela época do ano está incomumente lotado. No meio do caminho, o expresso é impedido de prosseguir graças a forte nevasca. Poirot havia sido abordado por um dos passageiros pedindo proteção pois dizia estar correndo risco de morte, e quando dito homem aparece assassinado, todos no trem se tornam suspeitos. Assim, Poirot é levado a usar suas técnicas para descobrir quem é o assassino antes que ele escape, ou pior, venha a cometer o mesmo ato novamente.

Agatha Christie sempre foi aquele tipo de autora sobre quem eu via as várias recomendações excelentes sobre os livros, mas nunca me interessei em ler nada dela. Graças ao filme que estreia agora no fim do mês, resolvi começar a ler para poder fazer as devidas comparações depois. Para minha surpresa, gostei. Foi como quando me iniciei nas aventuras de Sherlock, depois de tantas recomendações, comecei a ler esperando uma coisa e encontrei outra, o que foi ótimo. A trama conspiratória é muito bem construída, com as identidades falsas escondendo as reais motivações para o crime. Quando você pensa que já entendeu tudo e encontrou o assassino, aparece um novo fator que faz você se perguntar até a história vai. Adorei o livro, Agatha Christie acaba de ganhar uma nova fã e espero que seja bem adaptado. Completamente recomendado.

24 de nov de 2017

A garota dragão (Licia Troisi) – 52 Weeks Project 2017


Título: A garota dragão: a árvore de Idhunn
Autora: Licia Troisi
Mês: Novembro
Editora Rocco, 240p.

Sofia está longe de casa, o professor viajou e a deixou para passar um tempo no circo em Benevento com Lidja. Em uma das noites de trabalho no circo, ela se atrapalha na bilheteria com o aparecimento de um rapaz muito bonito. Apesar de que ele causa uma boa impressão nela, o inverso não é recíproco e mais uma vez a menina sente vir a tona algumas de suas inseguranças. Em um de seus passeios noturnos, dias depois, ela acaba encontrando o mesmo rapaz entrando em uma igreja sorrateiramente, e Sofia resolve segui-lo. Mas esse encontro inesperado acaba muito mal, pois o rapaz, Fábio, é um draconiano (ele também abriga o espírito de um certo dragão, um que foi muito importante nos acontecimentos passados). Acontece uma batalha, Sofia consegue fugir, o professor reaparece e agora ela e Lidja precisam descobrir mais tanto sobre Fábio quando sobre os sonhos de Sofia relacionados a preciosa árvore de Idhunn.

Mais uma coleção que comecei a ler na base do “eu gostei da capa, vou comprar porque deve ser interessante”. A história é de fato interessante, prende a atenção, e para quem gosta de dragões, vale a pena, pois apesar de presença deles não ser tão ativa, eles são o pano de fundo da história. Gostei mais de Sofia nesse livro, e também adorei saber mais sobre Fábio. A forma como a autora utiliza a mitologia escandinava, com os dragões e a árvore da vida, é muito boa, a leitura não é arrastada e as cenas de batalha são só mais um chamariz. Recomendado.

20 de nov de 2017

13 reasons why (2017)

Adaptada por Brian Yorkey para a Netflix e tendo como produtora executiva Selena Gomez, a série narra a história de Clay Jensen, que recebe de Hannah Baker, uma colega que havia se matado, um pacote com fitas cassetes onde ela fala dos treze motivos que fizeram com que ela cometesse suicídio. Clay precisa ouvir todas as fitas para descobrir porque ele é um desses motivos.


A premissa da história é, de cara, impactante. Quem não ia querer saber porque seria uma razão para alguém se suicidar? Mesmo que a resposta possa não ser o que se está esperando, mesmo que o que você vá escutar acabe te surpreendendo, você vai ouvir as fitas. E é exatamente isso que fazem cada um dos estudantes que Hannah listou, até chegar em Clay (a ordem em que ele aparece na série é diferente do livro). A primeira coisa a dizer sobre essa série é que Dylan Minnette e Katherine Langford estão simplesmente incríveis como Clay e Hannah.

Eu comecei com uma expectativa danada. No segundo episódio já estava com raiva, no meio da história estava com ódio de tudo e de todos e no final já estava com pena de todo mundo. Assim como durante a leitura, eu também não consegui ver a série de uma vez, fiquei mais desesperada porque, diferente do livro, onde não se foca nos bastidores das vidas dos estudantes, a série explora muito essa parte. Então, você vê que cada um dos estudantes age daquele jeito porque também está passando por problemas, às vezes sérios (como Justin), outros nem tanto (como Zack, e eu citei ele porque pode parecer que ele tinha uma mãe controladora – não transformaram a mãe dele em uma megera, não, mas mostraram, de certa forma, uma mãe que quer que o filho seja como ela quer, não como ele quer).


Tem personagem que simplesmente dá nojo, como Bryce Walker (sobre ele, eu fiquei com uma leve impressão de que era o típico caso de “pais negligentes e ricos que deixam o filho se cuidar sozinho e ele vira um babaca completo”, mas isso não foi tão explorado como a família de Justin). O final foi interessante e bem diferente do livro, com as cenas dos depoimentos e os alunos tomando consciência da situação.
Tendo lido o livro e visto a série, não consigo entender como alguém poderia afirmar que a série romantiza suicídio. A única diferença entre o livro e a adaptação é que os produtores criaram panos de fundos para antes (a vida dos alunos) e depois (a questão do processo) do suicídio de Hannah, o que se fez dar uma profundidade maior a história como um todo, afinal as pessoas têm seus tons de cinza, ninguém é totalmente mau nem totalmente bom, e mostrar a vida dos estudantes dentro de casa e dos seus grupos escolares foi uma boa forma de aumentar a história e mostrar o que acontecia dentro da mente de cada uma das pessoas que prejudicaram Hannah.
Minha única “pulga na orelha” diz respeito ao que aconteceu com Alex, ou mais precisamente, quem atirou nele: se foi uma tentativa de suicídio, já que Alex foi um dos primeiros listados nas fitas a tomar consciência de seu erro com Hannah, ou se Tyler, o fotógrafo da escola que sofria bullying de todos os lados, foi o responsável pelo disparo. Não quero inventar teorias nem entrar muito na discussão sobre Tyler e seu hobbie como stalker, mesmo porque já andei lendo algumas na internet, mas espero que isso seja abordado na próxima temporada da série (que aliás, não será baseado em livro nenhum, já que Jay Asher não escreveu nenhuma continuação).
Apesar da premissa, eu recomendo essa série para qualquer pessoa. Ao menos como alerta, para que possamos evitar que mais Hannah Bakers por aí levem adiante algo assim.

17 de nov de 2017

O destino da número Dez (Pittacus Lore) – 52 Weeks Project 2017


Título: O destino da número Dez
Autor: Pittacus Lore
Mês: Novembro
Editora Intrínseca, 320p.

Jon e Sam ainda estão em Nova York tentando lidar com a invasão mogadoriana. Enquanto procuram por Nove e Cinco, eles acabam se juntando ao governo americano, que ainda não tem certeza de que lado deve ficar. Em outra parte do país, Seis, Marina e Adam localizaram um local que chamam de santuário lórico, e lá acabam tendo contato com uma espécie de entidade, que vai explicar muito a eles sobre a origem da queda de Lórien, além de fazer com que todas as novas pessoas que receberam poderes se conheçam e comecem a lutar. Através de Ella, que ainda está em poder de Sétrakus Rá, eles descobrem que o líder pretende invadir o lugar, então planejam meios de defesa. Acabam recebendo uma ajuda inesperada, mas as coisas acabam dando errado e mais uma vez o grupo de amigos tem que lidar com mortes inesperadas e impactantes.

Eu caí na besteira de ler o final deste livro quando terminei o anterior, e mesmo sabendo o que iria acontecer, ainda fiquei na esperança (como sempre sendo Alice). A ação é constante, principalmente agora que já está se chegando ao fim da história, mas mesmo assim cada momento é uma surpresa. Como todos os livros dessa série até agora, a leitura é viciante e torturante, porque toda hora fica se imaginando quem vai ser o próximo deles a morrer. Gostei muito de saber sobre a história de Sétrakus Rá e o que aconteceu para que ele virasse um traidor, assim como adorei o fato de pessoas normais estarem desenvolvendo legados. Muitíssimo ansiosa para ver quem vai sobreviver a essa guerra. Como sempre, muito recomendado.

15 de nov de 2017

Os 13 porquês (Jay Asher) – DL L&T 2017


Título: Os 13 porquês
Autor: Jay Asher
Mês: Novembro
Tema: Sick-lit
Editora Ática, 256p.

Clay Jensen volta da escola e encontra na porta de sua casa um pacote com seu nome, cujo remetente é Hannah Baker, uma colega de escola que havia se suicidado há duas semanas atrás. Ao abrir o pacote, Clay encontra várias fitas cassetes e descobre, ao ouvi-las, que Hannah listou os treze motivos que a levaram a cometer suicídio, e que ele é um desses motivos. Cada lado da fita se refere a um motivo, assim Clay terá que ouvir tudo para descobrir o porquê de estar envolvido.

Eu guardei a leitura desse livro por um bom tempo. Mesmo desde antes da série, que aliás só me fez ficar mais curiosa. Surgiu a chance de ler agora e como Clay ouvindo as fitas, eu tive que ler aos poucos, não consegui ler de uma vez porque a cada capitulo, a cada uma das razões que levaram Hannah a se matar, eu ficava completamente agoniada e perdida, e queria entrar na história para ajudá-la. A narrativa é bem envolvente e estruturada, cada uma das mensagens de Hannah contém uma mensagem, quase sempre de aviso. O terror de Clay em descobrir o motivo de estar nas fitas acaba se transformando no terror do leitor, porque desde o início vemos que ele tinha se apaixonado por ela, só que nunca teve coragem de contar. Claro que chorei quando ele está ouvindo a fita dele, porque deu para ver que eles chegaram bem perto de começar algo bom e que talvez levasse Hannah a não se matar. Um livro muito cativante que vale a pena ser lido e relido.

13 de nov de 2017

O último passageiro (Manel Loureiro) – IDY 2017


Título: O último passageiro
Autor: Manel Loureiro
Mês: Novembro
Tema: Autor espanhol
Editora Planeta, 382p.

Agosto de 1939. Em pleno alto-mar, um transatlântico vazio e à deriva é achado por um navio cargueiro. Tentando sair vivos da névoa que os encobre, os tripulantes resolvem abordar o navio e procurar alguém ou alguma coisa, e não acham ninguém, exceto um bebê de poucos meses de vida...
Décadas depois, um estranho homem de negócios decide restaurar o navio e deixá-lo da mesma forma como foi encontrado (e isso se aplica a praticamente tudo, exceto as insígnias nazistas que decoravam certas partes do navio). Toda essa dedicação se resume a um ponto: ele quer refazer os passos da embarcação até o momento em que foi encontrado pelo cargueiro. Para isso, reúne um grupo de cientistas e especialistas das mais diversas áreas, dentre eles, Kate, que acabou indo parar no meio deles ao ser descoberta tenta conseguir uma história para o jornal em que trabalha. Deprimida após a morte do marido, ela embarca nessa viagem esperando encontrar somente uma história instigante, e sem saber acaba tendo que lidar com forças poderosas e perigosas, tudo para evitar que o navio e seu principal sobrevivente tenham que pagar novamente um preço caro demais.

Mais uma vez, um livro que eu não dava absolutamente nada. Já perdi a conta de quantas vezes isso acontece comigo e dou graças por ser teimosa de sempre ter um livro em mãos e que queira ler só na teimosia, só porque tem ele no momento. A capa não me disse muita coisa no começo, mesmo assim achei bom guardar para alguma futura eventualidade... Ainda bem.
Também fico impressionada com quantas vezes um livro se utiliza dos nazistas e de seu propósito de segregação e preconceito de uma forma que nunca é boa. Nunca. Não que deveria, claro, essa parte da história humana é uma das mais tristes e nojentas que existem. Só fico abismada com a capacidade dos autores, pois quando eles se prestam a contar uma história onde o nazismo esteja no centro ou como mero pano de fundo, eles consigam deixar o leitor com nojo dos nazistas, com pena das vítimas e refletindo sobre o quanto o ser humano consegue atingir o fundo do poço em matéria de dignidade.
A história já começa com o mistério do navio completamente vazio em pleno alto mar. O estranhamento dos tripulantes do cargueiro que o encontraram me fez roer as unhas algumas vezes, assim como os sustos ao entrarem no navio me fizeram rir demais. Outra coisa boa que eu não esperava e que só fui entender na metade da história é a questão da distorção temporal, eu adoro viagens no tempo e descobrir o mistério desses loops temporais foi atordoante. Certas coisas ficam claras desde o início, como por exemplo, a identidade do milionário que resolve restaurar o navio para levá-lo para alto-mar de novo. Por outro lado, o autor não comenta, só de passagem, o destino dos outros passageiros além de Kate e Feldman. Por um lado, eu gostei, para que não me desesperasse mais ainda, por outro, eu achei que fez falta. Um mistério completamente envolvente que te prende do início ao fim, que faz você se culpar por suspeitar das pessoas erradas e que deixa um gosto de quero mais. Completamente recomendado.