Vladek
Spiegelman, um judeu polonês, sobrevive ao holocausto. Nessa hq, seu filho Art
narra a vida de seus pais, o início da história deles, passando pelo período de
fuga enquanto os judeus eram presos pela Europa até sua captura e vida dentro
do campo de Auschwitz, e finalmente a tentativa de ambos de se reconstruir
quando a maioria dos seus familiares e conhecidos estavam mortos. Art narra
tudo isso sem sentimentalismo, muitas vezes esboçando a brutalidade própria da
realidade que ele quis retratar.
Bom,
sobre esse hq, eu quero dizer que sempre tive curiosidade sobre ela, depois de
ver tanto comentário positivo e muita resenha que a colocava no top das
recomendações. Foi uma leitura que me deixou meio sem saber o sentir depois que
terminei. Muitas vezes, durante a leitura, fiquei irritada com a falta de
sensibilidade de Art com seu pai, entendendo que sim, algumas manias podiam ser
irritantes, mas que algumas dessas manias vinham da sua condição de
sobrevivente. Eu gostei mais do que imaginava que iria gostar. Totalmente
recomendado.
Título: Holocaust: the events and their impact on real people
Autora: Angela Gluck Wood
Mês: Abril
Tema: Letra H
Editora DK Children, 192p.
Em janeiro de 2025, o campo de concentração de Auschwitz completou 80
anos de sua liberação. Esse livro explica o contexto social e político que
levou ao Holocausto. Desde a ascensão de Hitler ao poder até sua queda, e os
acontecimentos no meio disso: os ataques aos judeus, a segregação em várias
partes do mundo até o início das deportações para os campos de concentração,
como era a vida das pessoas nesses lugares, as pequenas resistências, o que
acontecia no mundo afora durante a II Guerra Mundial e depois do fim dela. Os
relatos dos sobreviventes sobre os horrores que viveram e que (não)
querem/tentam/conseguem esquecer por conta dos parentes perdidos e como eles
conseguiram levantar a cabeça e continuar.
Mais uma leitura apropriada para o ano. Mesmo depois de tanto tempo
passado, cada leitura sobre o holocausto faz o assunto se tornar cada vez mais
pertinente. É o “nunca esquecer para não se repetir”. Os relatos das vítimas
sobreviventes são sempre os mais pesados de ler, na minha opinião,
principalmente quando na época se tratavam de crianças. Esse livro é objetivo,
traça uma reta de acontecimentos do início ao fim da guerra e o depois. A parte
mais interessante é sobre os julgamentos de Nuremberg, gostaria de mais livros
em português detalhando esse acontecimento, que talvez seja o julgamento de
guerra mais importante do século XX. Leitura muito educativa que vale muito a
pena.
Sinopse: Em 1938,
Lily Renée Wilheim é uma garota judia de catorze anos que mora em Viena. Seus
dias são preenchidos pela arte e pelo balé. É quando os nazistas marcham até a
Áustria, e a vida de Lily é arruinada do dia para a noite. De repente, seu
próprio país não é mais seguro para ela e sua família. Para sobreviver, Lily
deixa os pais para trás e vai sozinha para a Inglaterra. Escapar dos nazistas é
apenas o começo da jornada de Lily. Ela precisará escapar muitas outras vezes –
da servidão, da dificuldade e do perigo. Será que encontrará um jeito de
conseguir seu tipo particular de vingança contra os nazistas? Acompanhe a
história da corajosa garota que se transformou em uma quadrinista de heróis e
uma verdadeira pioneira dos quadrinhos.
Uma Hq muito boa e comovente sobre uma
história real. Nas minhas pesquisas, acabei descobrindo que a garota da história
realmente existiu, que ela sobreviveu e virou quadrinista. Como toda vez que eu
leio alguma história sobre sobrevivente do holocausto, eu fiquei esperando ela e
a família serem capturadas, mas não foi isso o que aconteceu, apesar de que a
jornada de Lily não foi menos difícil. Recomendo.
Título: Negação Autora: Deborah E. Lipstadt Mês: Outubro Tema: Um livro que comece com a inicial do seu nome
Editora Universo dos Livros, 432p.
Deborah E. Lipestadt é uma conceituada historiada e professora em uma universidade renomada em Atlanta. Ao receber uma carta da Peguin Editora, responsável pela publicação de seu livro Denying the holocaust, Deborah não sabe exatamente como reagir a notícia de que está sendo processada por David Irving, um renomado estudioso de Hitler também famoso por ser um negacionista do holocausto. Em seu livro, Deborah o cita de maneira negativa e David resolve processá-la por difamação, mas diferente de como acontece nos EUA (onde o acusador teria que provar que Deborah mentira), na Inglaterra é a parte acusada que deve provar que está dizendo a verdade. E assim começa um processo que levará anos até que ambos se ponham na frente do juiz. O julgamento começa e à medida que estudiosos e especialistas começam suas explicações, as verdades, mentiras e distorções sobre um dos períodos mais negros da história humana são expostas.
A primeira vez que entrei em contato com a história do julgamento de Deborah Lipstad foi através do filme de mesmo nome lançado em 2017. Não só porque o elenco é excelente, mas porque a temática, apesar de polêmica, também é um assunto que vale qualquer debate. Então quando peguei o livro, já sabia o que ia encontrar e esperava que o livro fosse mais profundo e abrangente. O que, obviamente ele é. Recheado de detalhes sobre ao extermínio de judeus, o livro também traz logo no início um breve resumo da vida de Deborah e o caminho que ela trilhou até se transformar na professora conceituada que é hoje.
Ao mesmo tempo, dá uma vontade imensa de esganar David Irving. Primeiro, ele não nega que os judeus foram vítimas da guerra, ele só “não admite” que o comando de exterminá-los partiu de Hitler, que as mortes não foram casualidades da guerra, que os campos não tinham como objetivo o extermínio, e finalmente, que tudo não passa de lenda para os judeus adquirirem vantagem financeira.
“Um extermínio é um extermínio”, respondeu em voz baixa. Irving continuou insistindo que aquelas pessoas morreram em virtude de “condições ruins” e não de um sistema de extermínio planejado e o rosto de Peter foi ficando cada vez mais vermelho. Virando-se de modo a não olhar para Irving, falou duramente: “O propósito do campo de concentração não era manter os prisioneiros vivos. […] o propósito do campo de concentração aqui era claramente fazer as pessoas morrerem. […] Não se pode compará-lo a uma prisão nem nada do tipo em um país civilizado".
A medida que o julgamento acontece, cada uma das alegações de Irving é demolida, mesmo com ele negando e negando e negando. A cada vez que a defesa ganhava em um ponto, eu celebrava. O final é excelente, claro depois de ver o filme, fiquei aliviada porque sabia qual seria a sentença. Um dos melhores livros que eu já li, na verdade essa livro é uma senhora aula de história. Completamente recomendado, assim como o filme.
O filme
Em segundo lugar, ficou claro desde o início que o filme seria uma defesa da verdade histórica. Defenderia que, embora os historiadores tenham o direito de interpretar os fatos de formas distintas, eles não têm o direito de conscientemente deturpar os fatos. Necessária aos historiadores, tal integridade certamente aplicasse também aos roteiristas. Se eu quisesse oferecer um relato do julgamento e do comportamento de David Irving, não poderia desfrutar da licença de especular ou inventar, a qual costuma ser concedida a escritores.
O filme é exatamente isso. Claro que o início é diferente, eles não perderam tempo explicando ou mostrando a vida de Deborah, mostram ela atuando em seu campo (ministrando aulas sobre o holocausto). A partir daí, começa a preparação de Deborah e sua equipe para lidar com Irving. Muita coisa ficou de fora da adaptação, claro, mas os principais aspectos estão presentes: a viagem a Auschwitz, a indignação de Deborah ao ser auxiliada a permanecer calada dentro e fora do tribunal, o depoimento de Van Pelt (um dos historiadores chamados pela defesa).
Uma das melhores cenas foi o momento da deliberação do juiz antes de todos se retirarem para que ele pudesse avaliar tudo e proferir a sentença (isso eles não mudaram praticamente nada e, como Deborah, você consegue sentir a total frustração – no meu caso, eu quase pirei de raiva com essa colocação):
Em seguida, fez o que descreveu como sendo sua “última pergunta”. “Se alguém é antissemita […] e extremista, ele é perfeitamente capaz de ser, por assim dizer, honestamente antissemita e honestamente extremista no sentido de ter essas visões e expressá-las porque elas são, de fato, suas visões?”
Rapidamente verifiquei a tela do computador para ter certeza de que tinha ouvido direito. O juiz Gray estava sugerindo que, se Irving honestamente acreditasse em suas declarações antissemitas e racistas, elas eram aceitáveis?
Como eu falei acima, o final é o que se espera de um tribunal justo, mesmo que às vezes durante o julgamento tenha parecido o contrário. Vale muito a pena. Para terminar, deixo aqui uma palestra de Deborah sobre o assunto: