18 de set de 2018

Victoria e Abdul: o confidente da rainha (2017)

Abdul Karim (Ali Fazal) e Mohammed Buksh (Adeel Akhtar) chegam na Inglaterra vindos da Índia, para entregar uma moeda comemorativa na celebração do Jubileu dourado da rainha Victoria (Judi Dench, novamente). De alguma forma impressionada por ele, a rainha fez com que Abdul e seu amigo se tornem seus assistentes pessoais pelo resto das comemorações. A partir daí, sua vida muda completamente. Abdul se torna amigo da rainha, ensinando-a a falar urdu e acompanhando a rainha em viagens pela Europa. Mas tanta intimidade causa desconforto na corte, até mesmo por sua origem, já que Abdul era indiano, e por passar a usufruir de vários privilégios.


Mais um filme sobre a rainha Victoria e uma amizade com alguém que sua corte não aprovava. È muito engraçado como eles conseguem sempre retratar que a rainha, não é meramente uma mulher com um título real, mas sim quase uma propriedade que deve ser mandada a todo momento, mantida longe de qualquer contato mais “humano”, seguindo rígido código de quebras que, se quebrado, mesmo por ela, as consequências nunca são boas.
Beira o ridículo, por um lado, o quanto eles não se atrevem a questionar ou contradizer uma ordem dela ou um simples desejo, enquanto por outro eles a cercam e a mantem em uma redoma, fazendo de tudo para que ela não experimente nada novo.


A rainha Victoria já havia desenvolvido, anos antes, uma amizade forte por outro plebeu, Mr. Brown, fato que na época também não alegrou a corte nem um pouco. O mais legal sobre a história de Abdul é que, apesar do novo rei Edward ter mandado destruir todas as correspondências entre a mãe e Abdul, diários dele foram descobertos em 2010 e vieram a público.


O filme é muito bonito, tendo como pano de fundo a situação complicada entre o império britânico e a Índia, e isso fica explícito na falta de noção de Abdul, que não parece saber o momento de não falar, mostra um tipo de ingenuidade do súdito que idolatra o soberano e que, apesar do país estar sofrendo com a dominação britânica, ainda consegue achar que todos ao redor dele são sinceros quando sorriem, e na conduta de Mohammed, que cansou de tudo e quer ir embora. 

Abdul faz o que todos fazem. Ele... Ele quer um título. Ele é puxa-saco. Ele se arrasta para subir no mastro gorduroso e fedorento do maldito império britânico, fazendo todos vocês de idiotas porque ele é um serviçal. Um serviçal indiano muçulmano, e todos vocês estão borrando suas botas porque ele os está vencendo no seu próprio jogo. 

As paisagens são lindas, e o filme consegue ser até engraçado, durante as cenas em que as damas de companhia e serviçais da rainha espionam o que ela e Abdul conversam, alguns até expressando medo do idioma desconhecido ou do que a rainha pretende fazer e do que ela ordena que seja feito.

Abdul Karim e Mohammed Buksh

O final, para variar, não é o que se espera, porque se sabe que a rainha já é bem idosa quando conhece Abdul, então se imagina que podem mostrar sua morte, mas o que acontece com Abdul depois que ela falece é bem triste e até injusto. Enfim, eu só tenho elogios, não só pela atuação maravilha de Dame Judi, como pela história em si. Recomendo completamente.

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