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4 de dez. de 2023

Jane Eyre (Charlote Brontë)– DLL 2023


 

Título: Jane Eyre 
Autora: Charlote Brontë 
Mês: Dezembro 
Tema: Favorito de autoria feminina 
Editora Zahar, 535p. 

Jane Eyre é uma jovem órfã que mora de favor na casa de uma tia que não lhe suporta. Mandada para uma escola para meninas ainda pequena, é nesse lugar que ela vai ter seus primeiros amigos e vai viver até sua idade adulta. Quando ela consegue um emprego para ser tutora de uma criança em Thornfield Hall, a jovem não imagina que irá pela primeira vez conhecer o sabor e o dissabor do amor. Desde criança sendo dona de uma natureza firme e independente, toda sua fortaleza será posta a prova quando descobre um grave segredo de seu amado. 

Desde que soube dessa edição da Zahar, andava louca para comprar. Me apaixonei por Jane Eyre desde a primeira vez que li, então eu tinha que ter essa edição. As ilustrações são lindas e as notas explicativas são um toque a parte, que falam de acontecimentos e fatos relacionados a escrita do romance, aos costumes da época, faz referência a outras obras, enfim, tudo isso faz da edição um primor. Ler essa edição relendo uma história que ensina uma grande lição, sobretudo para mulheres, foi um prazer imenso. Terminei sendo mais apaixonada do que nunca pela história, completamente recomendado.

18 de mar. de 2022

Os diários secretos de Charlotte Brontë (Syrie James) – DLL 2022


 

Título: Os diários secretos de Jane Eyre 
Autora: Syrie James 
Mês: Março
Tema: Um livro do seu gênero favorito 
Editora Record, 525p. 

Charlotte Brontë é uma mulher solteira de 29 anos de idade. Longe de seu prime e não se considerando uma mulher bonita, não se casou, vive com o pai e as irmãs Emily e Anne na casa paroquial em Yorkshire. Com os sonhos de se tornarem escritores tendo sido deixado de lado, Charlotte, suas irmãs e seu irmão Branwell precisaram procurar emprego para se manter. Como os trabalhos aceitáveis para mulheres eram de governanta (trabalho que Charlotte menosprezava) ou professora, as três estudaram em Bruxelas buscando mais conhecimentos para abrir uma escola, mas tal empreendimento não deu certo. No entanto, tudo muda quando as três irmãs começam a amadurecer a ideia de escrever e publicar seus livros. Com níveis moderados de sucesso alcançados, a vida de Charlotte sofre certas mudanças muito sérias, trazendo algo que ela não esperava mais para sua vida... 

Caro leitor, Imagine, se puder, que uma incrível descoberta acaba de ser feita, provocando uma enorme agitação no mundo literário: uma série de diários, que haviam ficado enterrados e esquecidos por mais de um século no porão de uma fazenda nas Ilhas Virgens britânicas, foram oficialmente autenticados como sendo os diários de Charlotte Brontë. O que tais diários revelariam? 

E é assim que Syrie James inicia esse livro. Baseado nesses diários encontrados, a autora romantizada a vida de Charlotte e suas irmãs, Emily e Anne. Não é uma biografia que narre desde seus nascimentos, mas aborda os acontecimentos principais de suas vidas (ela também escreveu Os diários secretos de Jane Austen, então quem já leu, sabe o estilo de escrita da autora). Valeu a pena cada minuto da leitura, a história flui de forma nem lenta nem rápida, na medida certa. Apesar de saber que é um romance e não uma biografia por sim, o que se tem impressão é que é mesmo a voz de Charlotte que estamos ouvindo através desse livro. Completamente indicado.

6 de dez. de 2021

Jane (Aline Brosh McKenna) – DLL 2021

 

Título: Jane 
Autora: Aline Brosh McKenna 
Mês: Dezembro 
Tema: HQ / Graphic novel 
Editora Pipoca & Nanquim, 228p. 

Jane perdeu os pais muito cedo quando eles saíram para mais um dia de pesca... Ela viveu com a tia e os primos até a maioridade, em uma casa onde sempre se sentiu invisível, até que decide ir para Nova York. A jovem, sendo uma talentosa desenhista, conquistou uma bolsa de estudos numa escola de artes e agora precisa arranjar um emprego depressa, o que a leva a buscar o trabalho como babá de Adele, filha do poderoso executivo Rochester. Esse homem misterioso quase não pára em casa, sua filha já teve inúmeras babás que não duraram muito porque a curiosidade delas sempre levou a melhor. Mas Jane é diferente, e Rochester percebe que essa moça pode trazer uma nova luz para sua vida... 

Uma HQ que me pegou muito de surpresa. Eu já sabia que era uma adaptação de Jane Eyre, mas como acontece com toda HQ, eu fico meio de lado porque nunca sei o que esperar do desenhista. Acontece que tudo me surpreendeu: a adaptação (que mantem o tom do romance original, mas que traz mudanças que não desmerecem em nada a história), a ilustração (diferente do que eu imaginava e que combinou com o tom sombrio que eu geralmente associo ao personagem Rochester). Capa dura, com uma diagramação muito bem feita, essa HQ é um trabalho bastante primoroso que vale cada minuto da leitura.

18 de nov. de 2012

Passion & purity: Edward Rochester (Femnista) II

Um novo artigo publicado na webzine Femnista, de Setembro-Outubro de 2011, desta vez analisando um dos meus heróis literários favoritos: Edward Rochester.

Paixão e pureza: Edward Rochester (Passion & purity: Edward Rochester). 
Autora (Author): Charity Bishop

A literatura está cheia de homens maravilhosos e abnegados... e então há Edward Rochester, o sombrio anti-herói em Jane Eyre, de Charlotte Bronte. Mal-educado, grosseiro e mentiroso, ele encarna a definição do que as mulheres não devem querer em um homem, mas ainda assim somos levadas a ele. Ele é digno de nossa piedade e admiração ou devemos desprezá-lo por sua intenção de manipular Jane?
Para entender Edward é preciso lembrar a sua história, o que não dá desculpa para seu presente, mas concede-nos um olhar de sua alma. Quando jovem, ele cometeu alguns erros terríveis... particularmente foi forçado a casar com uma mulher que ele nunca havia encontrado antes para garantir a estabilidade financeira de seu pai. Edward logo descobriu que sua noiva era louca e, portanto, ficou preso em um casamento do qual não podia escapar. Quando a maioria dos homens teria colocado Bertha em um asilo, ele não poderia imaginar submetê-la a tais horrores (naqueles dias os habitantes de asilos eram tratados como pouco mais que animais ferozes) e fez arranjos permanentes para a sua estada em Thornfield sob os cuidados de uma enfermeira. Com sua fé na humanidade perdida e todas as chances de encontrar um amor e uma boa esposa cruelmente frustradas, Edward tornou-se resignado a uma existência maçante, sem sentido, entregando-se às coisas do mundo para preencher o vazio em sua vida. Mas a riqueza, a companhia de belas mulheres, e as viagens intermináveis não lhe concederam qualquer forma de felicidade duradoura. Ele se ressente de ter que cuidar de Adele, a filha de uma de suas amantes, cuja mãe abandonou-a aos seus cuidados, sob o pretexto de que a criança era dele. Ao invés de encontrar alegria na presença dela, ele a deixa em casa, continuando em suas viagens, e quando ele está presente, faz pouco mais que insultá-la. Edward chafurda em auto-piedade e miséria até a chegada de Jane, quando ele percebe que não pode estar além da redenção. Infelizmente, o seu estilo de vida anterior habituou-o a buscar o prazer sem se preocupar com as conseqüências, assim ele decide manipular Jane para que ela sinta ciúme de seu interesse fingido em Blanche Ingram, para que Jane possa experimentar alguns dos seus tormentos. Ele acredita erradamente que ao possuir Jane e sua bondade, vai encontrar a felicidade, nunca percebendo que tirando sua pureza tiraria a própria coisa que ele mais ama a respeito dela. Mesmo assim, por causa de sua moralidade, ele sabe que não pode reclamá-la através de meios tão flagrantes então ele recorre a mais mentiras na esperança de seduzi-la em um casamento que, de acordo com a lei, é falso.
A verdade é descoberta na manhã de seu casamento. Jane está profundamente magoada e apesar dos apelos chorosos de Edward, recusa-se a ficar em Thornfield como sua amante. Sua escolha em manter a sua fé e deixá-lo, apesar de seu amor por ele é o que o quebra ao ponto da redenção. Se ela tivesse escolhido ceder e sacrificar a sua virtude e princípios, eventualmente, ele teria odiado-a por ter abandonado suas crenças por causa dele. Sua culpa teria sido imensa, ele continuaria sentindo aversão a si próprio, ao mesmo tempo em que descobriria que a felicidade não pode prosperar em pecado.
A evidência da influência de Jane sobre ele torna-se aparente em suas ações para com Bertha quando ela coloca a casa em chamas. O Edward anterior cuidou dela por um senso detestado de dever e obrigação (a sua distância emocional de Adele é um bom exemplo disso) ao invés de qualquer verdadeira compaixão e ele não teria arriscado a sua vida na tentativa de resgatá-la. Ele poderia até mesmo ter visto a sua morte potencial como uma forma de libertação do seu atual estado infeliz. Mas porque Jane e seus princípios firmes fizeram-no aspirar a coisas maiores, embora a morte de Bertha significasse sua liberdade, ele vai para a casa em chamas atrás dela, perdendo a visão e o uso de uma mão no processo. O orgulhoso e ameaçador Rochester é reduzido a uma concha de sua antiga personalidade, um homem que agora deve depender da compaixão dos outros. Ele é ainda mais humilhado no retorno de Jane, quando ele descobre que ela não quer nada; suas experiências com seus primos a tornou financeiramente segura e auto-confiante. Jane sobreviveu a um coração partido e se tornou mais forte para ele. Ela já não precisa dele para preencher o vazio em sua vida, pois ela descobriu sua família. Nem ela precisa dele para atuar como seu protetor. Não mais uma governanta, Jane é em todos os sentidos sua igual. Ela escolhe voltar para ele não por necessidade, mas por sentir um amor genuíno por ele que transcende seu estado quebrado e permite que ela, finalmente, dê a ele a verdadeira felicidade.
Em muitos aspectos, o romance Jane Eyre é tanto uma história de fé quanto é um romance. Muitos tipos de fé estão representados nele, da crueldade da falsa crença na escola para a doçura de Helen, que ajuda Jane a entender que a obediência a Deus é mais do que evitar o inferno. Há St. John, cuja determinação em ser um missionário se opõe a qualquer forma de paixão física ou amor genuíno. E depois há a fé inabalável de Jane, que a proíbe de ser amante de Edward e traz sua redenção final. Embora no romance os temas do amor e da fé sejam inseparáveis, as adaptações da maioria dos filmes minimizam-nos tanto quanto possível e ao fazê-lo, fazem ao espectador um grave desserviço. Edward e Jane são mais conhecidos nas páginas do romance que os trouxeram à vida. Mas a única adaptação que traz o tom religioso e os conflitos do romance para a superfície é o curta musical da Broadway, cheio de canções gloriosas e dramáticas que retratam o tormento de Edward em enganar Jane e sua miséria em deixá-lo. Ele incorpora muito do diálogo original da autora de forma única e emocionante e eu recomendo ouvir o álbum. Para mim continua a ser a versão perfeita, apesar de ser um áudio ao invés de representação visual da história.
Edward veio à vida muitas vezes através de diferentes representações de muitos atores talentosos, mas minha representação favorita é da recente minissérie da BBC. Ao invés de cair presa da tentação de fazer um Edward sem senso de humor, Toby Stephens se aproxima do personagem com flerte e encanto, de tal forma que, pela primeira vez, o meu senso de moralidade foi abalado apenas o suficiente para esperar que Jane possa mudar de idéia. É aí que reside a força da história e do seu poder, que nos pede para escolher entre o que nosso coração deseja para Jane e Edward e o que seria melhor para eles. Edward é um homem imperfeito, mas fez tanto melhor no final.