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14 de mar. de 2025

O diário de um livreiro (Shaun Bythell) - DLL 2025


 

Título: O diário de um livreiro
Autor: Shaun Bythell
Mês: Março
Tema: Um livro lançado até 2024
Editora Principis, 352p.

Shaun Bythell inicia seu livro, que vai de fevereiro de um ano a fevereiro do outro (o livro foi escrito em 2014), com a premissa de que qualquer pessoa que resolva se tornar livreiro deve pensar duas vezes. Ao longo de um ano, ele escreve sobre seu dia-a-dia na The Bookshop, a maior loja de livros de segunda mão da Escócia. Sua lida com as pessoas contratadas para trabalhar com ele, a relação com clientes (às vezes nem clientes, só pessoas que entravam na livraria para nada), como funcionava o negócio da compra de livros usados. Um diário muito bem humorado sobre a vida de um livreiro.

Para começo de conversa, antes de ter esse livro em mãos, eu esperei muita coisa dele. Nenhuma chegou perto do que eu vi que ele realmente era quando enfim comecei a ler. Isso não é uma crítica, pelo contrário. Usando um tom irônico e divertido, Shaun fala sobre sua decisão de comprar sua livraria de livros de segunda mão, das pessoas que o ajudaram a mantê-la e, melhor de tudo, dos clientes, essas eram sempre as partes mais engraçadas. Recomendo.

11 de nov. de 2024

Os diários de D. Pedro II no Egito (Julio Gralha) – DLL 2024


 

Título: Os diários de D. Pedro II no Egito
Autor: Julio Gralha
Mês: Novembro
Tema: Livro com nome de cidade/país/região no título
Editora LVM, 191p.

D. Pedro II foi um homem muito inteligente, culto, curioso sobre as coisas do mundo. Apaixonado pelo Egito, ele faleceu algumas décadas antes de Howard Carter fazer a maior descoberta arqueológica do século XX. No entanto, o passado que os arqueólogos já haviam descortinado sobre a história do Egito na época em que D. Pedro II viveu não era pouca coisa, e o imperador teve a chance de visitar os mais importantes locais, relatando tudo que viu em um diário.

Eu estava louca atrás desse livro desde o ano passado, depois de fazer o curso da USP sobre Arqueologia no Egito. Eu adorei que o autor transcreveu exatamente nas palavras do imperador tudo que viu no Egito, trazendo logo após explicações sobre os locais, pessoas e monumentos, que facilitam a leitura (temos que ter em mente a linguagem erudita do imperador que para alguns pode ser difícil de entender). Uma das melhores leituras do ano, sem dúvida.

26 de jan. de 2024

Beatrix Potter's Journal (Glen Cavaliero) – DAL 2024


 

Título: Beatrix Potter's Journal 
Autor: Glen Cavaliero 
Mês: Janeiro 
Tema: Letra B 
Editora Frederick Warne, 317p. 

Sinopse: Between the ages of 15 and 30 Beatrix Potter kept a secret diary written in code. When the code was cracked by Leslie Linder more than 20 years after her death, the diary revealed a remarkable picture of upper middle-class life in late Victorian Britain. The original diaries run to over 200,000 words so for this edition Glen Cavaliero has made a careful selection of complete entries and excerpts which provide an illuminating insight into the personality and inspiration of one of the world's best loved children's authors. 

Um diário muito detalhado de Beatrix Potter. Afinal, 15 anos são 15 anos. É sempre muito bom conhecer um autor ou autora através de suas próprias palavras, e a seleção feita para compor esse livro mostra uma jovem imaginativa que apreciava paisagens naturais e que desde cedo mostrava um talento para escrita. Eu adorei e recomendo.

17 de mai. de 2021

O diário da irmã de Laura (Kathy Kacer) – PSRC 2021

 

Título: O diário da irmã de Laura 
Autora: Kathy Kacer 
Mês: Maio 
Tema: Um livro com uma capa preta e branca 
Editora Callis, 184p. 

Laura está às vésperas de celebrar o seu bar mitzvah quando o rabino sugere uma tarefa inesperada: pesquisar um menino ou menina da sua idade que tivesse vivido durante a Segunda Guerra Mundial, para aprender sobre a vida dessas crianças como forma de compartilhar essa “passagem para a vida adulta” que elas não tiveram chance de celebrar devido a guerra. É dessa forma que Laura recebe o diário de Sara Gittler, uma menina judia que teve que abandonar tudo e viver num gueto de Varsóvia, vendo sua família e amigos sofrerem todo tipo de humilhação e desgraça por serem judeus. À medida que vai lendo, Laura se envolve com a vida de Sara e aprende que a verdade é mais importante do que tudo, que disseminar ódio nunca leva a nada e assim, consegue ajudar a única testemunha de um ato de vandalismo tido como crime de racismo. 

Eu não sabia muito bem o que esperar desse livro. Não entendia se era um romance sobre judeus na Segunda Guerra Mundial ou se era alguma biografia como o diário escrito por Anne Frank. De certa forma, acabou sendo as duas coisas, porque a autora precisou criar alguns acontecimentos e as emoções pessoais dos personagens, ao mesmo tempo em que mostra outros elementos históricos, como a situação de vida dentro de um dos guetos em Varsóvia e a tentativa de luta de um grupo de judeus contra os nazistas dentro do gueto, um levante que ficou conhecido como Organização da Luta Judaica, liderado por Mordechai Anielewicz. As fotografias acabam dando um ar mais real a história, e eu gostei bastante de saber mais sobre o bar mitzvah e sobre as histórias reais de gêmeos. Num tempo como o que estamos vivendo, a mensagem que a história passa não poderia ser mais bem vinda. Livro completamente recomendado.

13 de jul. de 2015

O diário de Helga (Helga Weiss) – RC 2015


Título: O diário de Helga
Autora: Helga Weiss
Mês: Julho
Tema: Memórias
Editora Intrínseca, 238p.

Nascida em Praga em 1929 (o mesmo ano de nascimento da famosa Anne Frank), Helga era uma pré-adolescente quando a Segunda Guerra começou. Ela viu de perto quando começaram os ataques aéreos, a invasão da Alemanha, o início das ordens antijudaicas, o uso das estrelas até os transportes, levando famílias inteiras para destinos desconhecidos. Ela e sua família são levadas para Terezín, um dos campos de concentração. A propaganda era que eles estavam indo para escaparem da guerra, e se antes Helga era inocente no que dizia respeito a guerra, a partir desse momento ela começa a perceber as mentiras por trás das palavras bonitas de preocupação. Em Terezín, ela e sua mãe são separadas do seu pai, apesar de poder manter contato. Entre doenças, fome e maus tratos, elas vivem até que chega a convocação para Auschwitz. O pai havia ido antes, e a despedida foi a última vez que a família esteve reunida. O medo de ficar sem a mãe, já bastante debilitada, é tão grande que Helga não se importa mais, ela só deseja que morram juntas. O fim da guerra chega, mas Helga é um das poucas crianças que sobrevivem a ela.

Este livro é, sem sombra de dúvida, a melhor publicação da editora Intrínseca no qual eu já tive a chance de pôr as mãos. Mais do um livro de história sobre os judeus durante a Segunda Guerra Mundial, o diário de Helga Weiss, escrito por ela e entregue ao seu tio para ser escondido, é um relato de uma menina que foi mandada aos campos de concentração nazistas e sobreviveu. O livro foi editado por Helga quando a guerra acabou, mas a mensagem continua lá, assim como os sentimentos de quem experimentou algumas das piores formas de se tratar o ser humano, Quando eu vi esse livro pela primeira vez, fiquei muito na dúvida. Primeiro porque eu já aprendi que histórias sobre a Segunda Guerra Mundial não tem final feliz. Segundo, eu não curto muito biografias, sejam elas do tipo que forem (apesar de ter gostado de ler O Diário de Anne Frank). Mas não agüentei, comecei a ler e não parei. Não tenho como descrever o que senti ao ler esse livro, só posso dizer que a história é tocante, ainda mais pelo fato de saber que a própria Helga editou o livro, que conta com ilustrações feitas por ela e uma pequena entrevista onde ela responde algumas perguntas sobre a vida nos campos e as pessoas que perdeu neles. Dividido em três partes – Praga, Terezín e Auschwitz -, este livro emocionante traz uma nova visão a uma das maiores manchas na história da humanidade.