23 de jul de 2011

Sementes no gelo de André Vianco – DL 2011



Tema: Novos autores

Mês: Julho de 2011 (Livro II)

Título: Sementes no gelo

Autor do livro: André Vianco

Editora: Novo Século

Nº de páginas: 176

Sinopse: Neste novo romance, André Vianco volta a explorar o sobrenatural. Em "Sementes no Gelo", o leitor ingressa no mundo de espíritos atormentados, impedidos de reencarnar. Muitos se enraivecem e lançam sua fúria sobre todos que lhe chamam atenção e interpõe seus caminhos. Um detetive desvenda os mistérios em torno destes espíritos, tornando-se o inimigo número um das perigosas entidades.

Quando vi a capa do livro, o que mais chamou a minha atenção foi… na realidade, nada. Mas agora que li a história, a capa diz TUDO.

Eu escolhi este livro porque… tinha que escolher um adequado ao tema E esse livro era um dos mais comentados do autor.

A leitura foi… muito boa. Na verdade, acabei de ler. Levei uma manhã inteira, não consegui parar. Como o livro anterior, esse também me surpreendeu bastante. A história é muito boa, e a temática pede a reflexão do leitor sobre certos assuntos que, à primeira vista, podem dizer respeito somente a ciência, mas também a religião. A leitura também foi oportuna, porque estou assistindo a reprise da novela O Clone, que foca em assuntos que também dizem respeito à ciência e à religião.
No começo, fiquei meio receosa com o livro porque primeiro, era ebook (que cansativo que é ler um), segundo, sempre fico com um pé atrás quando a palavra “sobrenatural” é mencionada (apesar de ter gostado da temática do vampiro no livro O Senhor da Chuva).
O detetive Tânio Esperança, no início, parece o “bom” personagem principal, aquele que persegue os bandidos. Ao longo da história, percebe-se que não é bem assim. Não que ele seja “mau”, mas como humano errou bastante e feio quando criança (realmente, crianças, como humanas que são, podem ser bastante cruéis). Ele consegue desvendar o mistério, mas a custa de muitas dores. Não vou negar que não tenha gostado do fim que tiveram os maus na história (exploradores de crianças, estupradores... Aliás, agora acaba de me ocorrer que o que eram as primeiras crianças que aparecem na história. Não vou dizer o que eram, só digo o que NÃO eram: vampiros.).
De modo geral, gostei bastante. Uma temática envolvente, que chama a atenção para assuntos polêmicos, como o da fertilização. E mantenho a minha visão sobre o assunto. Não há nada de errado em apelar para uma clínica se o casal quer tanto um filho, mas tem dificuldades. O problema é: o que fazer com um embrião fecundado que já foi descartado? No livro, afirma-se que os pais devem dar permissão para que o embrião seja destruído. Mas é vida. Já existe uma vida ali. Quem destruir esse embrião não será um assassino também (mas legalizado)? E se não destruir, essa vida ficará congelada para sempre? Sou espírita. Li uma vez que, a partir do momento em que o embrião existe, um espírito já está vinculado a ele. Não é só matéria, não é só o corpo de carne que está se formando, mas o espírito também. Com o embrião congelado, é como se desse uma “pausa” no seu desenvolvimento, consequentemente no desenvolvimento espiritual. Qual será esse sofrimento? É válido? Acho que são questões sem respostas, como a maioria das questões religiosas e científicas são. Mas uma coisa é certa: somos humanos, só isso. Já basta de brincar de ser Deus.

Os personagens que eu gostaria de ter ajudado, realmente ajudado foram todos os espíritos das crianças presos naquele início de vida e encarcerados em tambores de vidro da clínica de fertilização.

O trecho do livro que merece destaque: O primeiro trecho é até covardia eu colocar aqui porque pode tirar um pouco do mistério da história, mas eu vou colocar porque é achei um dos trechos mais esclarecedores da história (e que fornece motivo para reflexão da realidade, principalmente no mundo em que vivemos, tão carente de amor e respeito à vida humana):
“Olho por olho, dente por dente. Eles estavam presos, detetive, presos em corpos de gelo, corpos imutáveis, que não os ajudariam na aprimoração terrena. Sua existência seria desperdiçada. Cada dia, mais e mais crianças despertavam do sono gelado, detetive. Despertavam endurecidas. Algumas, como seu amigo Simão, lembravam-se de suas últimas vidas. E, acredite, não haviam sido vidas muito boas. A maioria havia sido molestada sexualmente por adultos estúpidos, detetive. Haviam sido molestadas psicologicamente por amigos cruéis. Essas almas perturbadas tornaram-se incontroláveis, queriam reparação. Existe um time muito pior... as sombras, as sombras de crianças que seriam, mas não foram... As sombras dos abortados, detetive. Você já obrigou alguma namorada sua a fazer um aborto, detetive? Conhece alguma mulher que já abortou por livre e espontânea vontade? Sem se preocupar com a alma que habitava o pequeno recipiente, que germinava em seu útero? Pode apostar, detetive, se essas almas estão aqui... e se são sementes no gelo... se tiverem uma vaga idéia do que lhes aconteceu na última "quase vida", pode apostar, detetive Esperança, essas mulheres e homens vão se arrepender amargamente. Essas almas querem reparação... estão cansadas do exílio e, principalmente, da injustiça. Estão cansadas dos estupradores, dos aproveitadores de crianças....”
O segundo trecho é um mero questionamento, mas que resume toda a temática da história (e da realidade também):
“Até onde ia o direito do homem? Tínhamos o direito de conservar vidas no gelo? Existiria de fato um "plano maior"? Não se brinca com a mãe natureza.”

A nota que eu dou para o livro: 5

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