Autor: Fernando Baéz
Mês: Março
Tema: Letra F
Editora Ediouro, 438 p.
A queima e destruição de livros e
bibliotecas ao longo da história da humanidade. Este é o foco de análise do
livro de Báez. Através de um longo estudo, o autor mostra que o “extermínio” de
livros começou há muito tempo. Seu livro traça uma rota pelas várias épocas da
história mundial e mostra como a ignorância (e a também a genialidade), a
intolerância a sede pelo poder e o medo foram responsáveis pela destruição dos
livros, desde as tabletas de argila até os grandes centros de conhecimento
(museus e bibliotecas).
Na região que hoje se conhece como
Oriente Médio e onde encontrava-se os reinos da Assíria e Babilônia, escavações
revelam a existência de grandes bibliotecas antigas. No Egito faraônico, o
faraó monoteísta Akhnatón foi responsável pela destruição de textos no afã de
consolidar seu culto ao deus único. Na Grécia, Hipócrates talvez tenha
destruído os livros do Templo da Saúde de Cnido para evitar acusações de
plágio. A grande biblioteca de Alexandria sofreu diversas destruições ao longo
da história da cidade. Em Israel, a história afirma que existiram os profetas
bibliófagos (que comiam livros). Na China, ocorreu uma perseguição aos textos
budistas. O Império Romano também foi um grande responsável pela censura e
destruição de papiros, o que só abriu a porta para a destruição maciça nos
primórdios do cristianismo.
Na Idade Média, as bibliotecas
ficaram fechadas como túmulos: as obras de Dante e o Talmude foram alguns dos
livros proibidos. Em Bagdá, livros foram exterminados, enquanto o Corão foi
destruído na Espanha da Reconquista. No México, índios conquistadores foram
responsáveis pela destruição de textos e escritos da sociedade oposta. Até
mesmo na época renascentista, momento de “iluminação” e “esclarecimento”,
bibliotecas foram destruídas e desapareceram completamente. A Inquisição
censurou, proibiu e queimou, Na Inglaterra, livros desapareceram graças a
acidentes e desastres. As revoluções e guerras de independência também forma
responsáveis pelo desaparecimento de milhares de livros.
Durante a Segunda Guerra Mundial,
bibliotecas foram bombardeadas e os nazistas foram responsáveis pelo que se
conhece como bibliocausto. Duas grandes bibliotecas, a de Los Angeles e
Leningrado, sofreram incêndios dignos de nota. No Báltico, na China, Argentina,
Cuba e Palestina, livros foram e continuam a ser destruídos devido a conflitos.
O ódio étnico foi responsável pela destruição de livros na Chechênia. Os livros
infantis sobre o garoto bruxo Harry Potter também serviu como desculpa para
religiosos fundamentalistas afirmarem suas crenças ao queimarem exemplares.
Além de tudo isso, os livros ainda precisam lidar com seus inimigos naturais.
Finalmente, o terrorismo, responsável por ceifar muitas vidas humanas ao longo
do tempo, foi responsável pela destruição do conhecimento, o que leva de volta
ao lugar onde tudo começou: Oriente Médio, berço da escrita, também palco da
destruição de sua memória.
A primeira vista, o livro de Báez
parece ser um daqueles livros acadêmicos que só são lidos quando se está
escrevendo um artigo ou tese. Mas quando se começa a leitura, existe certa
dificuldade em parar, talvez porque a abordagem sobre a destruição de determinado
aspecto da história humanidade chame tanto a atenção. E o livro não é, desde
sua forma mais primitiva, um importante aspecto desta história? A cada
capítulo, percebe-se a quantidade de erros cometidos pelos homens para se
livrar de um povo, uma doutrina (religiosa e/ou política), uma raça, uma
história. Porém, ao mesmo tempo em que a destruição de livros serviu para
eliminar uma cultura, também serviu para estabelecer outra.
Vale ressaltar que, quando se fala em destruição de livros, também está sendo abordada a destruição de grandes bibliotecas, museus e de vários tipos de documentos. O livro de Báez traça um excelente panorama histórico para mostrar um dos maiores crimes da humanidade. Definitivamente, umas das melhores leituras do ano.

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