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20 de jul. de 2026

Animais fantásticos e onde habitam (J.K. Rowling) – DLL 2026



Título: Animais fantásticos e onde habitam
Autora: J.K. Rowling
Mês: Julho 
Tema: Autor aniversariante
Editora Rocco, 160p.

Um dos três livros principais que fazem parte da Biblioteca de Hogwarts, esse livro traz uma gama de criaturas mágicas que aparecem tanto nos livros de Harry Potter quanto nos filmes Animais fantásticos. É a primeira edição ilustrada colorida desse livro, e a arte fica por conta dele Olivia Lomenech Gill.

Da Biblioteca de Hogwarts, meu livro favorito é Os Contos de Beedle, o bardo. Mas dessa coleção edição ilustrada colorida, definitivamente é este, Animais fantásticos. O colorido é lindo, a edição não deixa nada a dever em termos de capricho e elaboração. Amei e totalmente recomendo.

27 de ago. de 2025

Quadribol através dos séculos (J.K. Rowling) - DAL 2025

 


Título: Quadribol através dos séculos (edição ilustrada)
Autora: J.K. Rowling
Mês: Agosto
Tema: Letra Q
Editora Rocco, 144p.

Sinopse: Já famoso por compor a Biblioteca Hogwarts, Quadribol através dos séculos acaba de ganhar uma edição completamente ilustrada em capa dura para bruxo (ou trouxa) nenhum colocar defeito! Escrito por Kennilworthy Whisp, pseudônimo de J.K. Rowling, com ilustrações de Emily Gravett. Quem leu toda a série Harry Potter já está familiarizado com o Quadribol – esporte típico dos bruxos e tão popular para eles quanto o futebol para os não-bruxos. No Quadribol, os jogadores ficam suspensos em suas vassouras durante a partida e cada time tem sete jogadores: um goleiro, dois batedores, três artilheiros e um apanhador. Como o nome sugere, quatro bolas são usadas por partida: um pomo de ouro, que é do tamanho de uma noz, tem asas prateadas e voa em altíssima velocidade pelo campo e tem que ser pega pelo apanhador (tarefa mais difícil do jogo e, ao mesmo tempo, fundamental para a vitória do time); dois balaços pretos, parecidos com bolas de beisebol, que devem ser defendidos pelos rebatedores; e a goles, uma bola vermelha, de trinta centímetros de diâmetro, que tem de ser rebatida pelos artilheiros para marcar o gol. O livro traz ilustrações das bolas em tamanho real. O livro revela ainda que os esportes com vassouras surgiram assim que as mesmas se aperfeiçoaram para permitir aos pilotos fazerem curvas e variarem de altitude e velocidade. Deles, foi justamente o Quadribol que se tornou mais conhecido. É do século XI o primeiro registro sobre o esporte: uma bruxa que vivia às margens do brejo Queerditch, relatou em seu diário, em poder do Museu do Quadribol em Londres, que um grupo de bruxos montados em suas vassouras jogavam bola, tentando acertar em troncos situados em cada lado do lugar, e pedras. Do século XI aos dias de hoje, o quadribol evoluiu até chegar ao que conhecemos através dos livros da série Harry Potter. O jovem Harry, devido à sua excepcional habilidade em voar na vassoura, é o apanhador de um dos times da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. No prefácio de Quadribol através dos séculos,, a escritora escocesa J. K. Rowling, através do diretor da Escola de Magia e Bruxaria, professor Alvo Dumbledore, revela que resolveu liberar os originais do livro para os trouxas, ou seja, os não-bruxos, por uma boa causa: os direitos de publicação desta obra serão revertidos para a Comic Relief e Lumos, organizações humanitárias criadas por comediantes britânicos para ajudar crianças carentes. Eles usam o riso para combater a pobreza, a injustiça e a calamidade.
 
Um dos achados de preço acessível esse ano. Minha coleção da Biblioteca de Hogwarts edição ilustrada está completa. O conteúdo do livro não muda, o chamariz está mesmo nas ilustrações, que complementam e até fazem a leitura desse livro ser mais atrativa. Livro para os fãs.

14 de jul. de 2025

Harry Potter e a câmara secreta (J.K. Rowling) - DLL 2025


 

Título: Harry Potter e a câmara secreta (edição ilustrada)
Autora: J.K. Rowling
Mês: Julho
Tema: Um livro que é edição dos sonhos
Editora Rocco, 272p.

Sinopse: Com mais de 450 milhões de exemplares vendidos em 75 idiomas, a série Harry Potter segue fascinando leitores de todas as idades e ganhando novos fãs a cada dia. E agora ao alcance do público infantil. Depois de Harry Potter e a Pedra Filosofal, é a vez de Harry Potter e a Câmara Secreta chegar às prateleiras em edição ilustrada. Cenas de tirar o fôlego, momentos tensos da trama e personagens inesquecíveis esperam os leitores nesta edição mágica que traz o texto integral de J.K. Rowling e desenhos do premiado Jim Kay. Com tinta, papel e pixels, o ilustrador britânico cria um mundo encantado como nunca antes visto para acompanhar o segundo ano de Harry Potter na Escola de Magia de Hogwarts. O livro tem projeto gráfico sofisticado com capa dura, sobrecapa e miolo em papel couché.

Uma das minhas edições de sonho porque sim. Eu adoro Harry Potter e estava louca para conseguir essa edição (as da MinaLima são as próximas). Jim Kay traz a vida lugares, personagens e objetos que eu já conheço de cor e salteado, mas mesmo assim ele consegue transmitir uma nova visão. Como a história do menino bruxo se estabeleceu como uma clássico, essa edição é uma ótima pedida para futuras crianças que quiserem ler os livros antes de ver os filmes. Amei.

10 de fev. de 2025

Carnaval (Luiza Trigo) - DLL 2025

Título: Carnaval
Autora: Luiza Trigo
Mês: Fevereiro
Tema: Um livro com história que se passe no Brasil
Editora Rocco, 152p.

Sinopse: Gabi decide passar o carnaval com as primas no Recife: praias, música, amigos, sol, diversão... A receita ideal para Gabriela curar a dor de cotovelo depois de ver o ex-namorado beijando uma garota. Para falar a verdade, ela nem gostava mais dele, e era capaz de enumerar seus defeitos sem pestanejar; mas vê-lo assim aos beijos mexeu com o coração da menina. Decidida a esquecer o ex de uma vez, Gabi faz as malas e deixa o Rio para uma semana de muita curtição no Nordeste. Ela só não contava com a possibilidade de se apaixonar de verdade em pleno Carnaval!
Carnaval conta a história de Gabi, Felipe, Pedro, Juju e Bel, e de um Carnaval inesquecível emoldurado pelas belezas de Pernambuco. Em meio a festas animadas, shows, esticadas até Porto de Galinhas e deliciosos mergulhos e banhos de piscina, Gabi acaba se envolvendo com Pedro, um garoto superfofo e gente boa. Mas quem vai mexer de verdade com o coração da menina é Felipe, pena que ele não esteja solteiro... Apesar das confusões à vista, a química entre Gabi e Felipe é mais forte, e os dois vivem um intenso amor de carnaval. Mas será que esse amor tem chances de sobreviver ao tempo e à distância, quando a quarta-feira de cinzas chegar, e com ela os últimos dias da viagem de Gabi?
Carnaval é um romance juvenil com o qual qualquer adolescente vai se identificar.

Uma leitura leve, simples, que mostra um romance de carnaval tão intenso quanto breve. Mas esse é o destino desses romances de “ocasião”, com eu chamo. Li em uma hora, o tempo todo tentando adivinhar se o relacionamento duraria além do carnaval, se Gabi iria se decidir... Enfim, livro divertido, perfeito para o mês do carnaval.

17 de jan. de 2024

Amêndoas (Won-pyung Sohn) – DLL 2024

 



Título: Amêndoas 
Autora: Won-pyung Sohn 
Mês: Janeiro 
Tema: Um livro de autor asiático 
Editora Rocco, 288p. 

Yunjae nasceu com alexitimia, uma condição neurológica que faz a pessoa ser incapaz de identificar e expressar sentimentos, quaisquer que sejam. Para ajuda-lo, sua mãe criou vários cartazes coloridos com lembretes de quando sorrir, quando agradecer e quando demonstrar preocupação. Sem amigos e muito bem cuidado pela avó e pela mãe, Yunjae tem sua vida mudada quando uma tragédia ocorre no seu décimo sexto aniversário e ele se vê sozinho. Sem alternativas, ele continua morando no apartamento acima do sebo de sua mãe, enquanto continua na escola e tenta manter o sebo funcionando. A chegada de um problemático colega de escola Gon mais uma vez muda a vida do jovem, afastando-o do silêncio em eu havia se ilosado e abrindo-o para novas pessoas e experiências. 

Eu vi muita gente falando desse livro e comentando, então fiquei curiosa. Com tantos livros de autores coreanos sendo traduzido e publicados no Brasil, só escolhi esse porque também está na lista de outro grupo de leitura que eu resolvi participar esse ano. Depois de ler a sinopse, estava esperando uma história de muitas tragédias, mas me surpreendi positivamente. A leitura é leve e flui, a história não tem grandes percalços que dificultam a leitura, e o final, nossa, uma ótima surpresa e que, não nego, me tirou algumas lágrimas. Recomendado.

16 de jan. de 2023

Harry Potter e a pedra filosofal (J.K. Rowling) – DLL 2023


 

Título: Harry Potter e a pedra filosofal (edição ilustrada) 
Autora: J.K. Rowling 
Mês: Janeiro 
Tema: Autora favorita 
Editora Rocco, 246p. 

Harry Potter não é um garoto comum, e ele descobre isso no seu aniversário de 11 anos de idade quando um gigante chamado Hagrid aparece em sua frente para levá-lo, afinal, seus anos de estudo na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts estão para começar. Nessa escola, Harry fará os primeiros amigos de sua vida, conquistará alguns desafetos e vai descobrir muito mais sobre o seu passado e a morte de seus pais. 

Sim, podem me criticar, mas apesar de tudo, J.K. Rowling continua sendo uma das minhas autoras favoritas. Se fiquei decepcionada com seus últimos posicionamentos sobre pessoas trans? Sim, fiquei. Gostaria que ela pensasse de outra forma? Sim. Mas sobre isso não posso fazer nada. Seus posicionamentos preconceituosos não mudam o fato de que foi com Harry Potter que tomei gosto por livros de fantasia, do mesmo jeito que a minha decepção com a autora não vai fazer com que ela mude de posicionamento. Apesar da maioria das pessoas não conseguir diferenciar obra de autor, isso pode sim ser feito. Dito isso, vamos ao livro. Desde que eu soube que sairia uma edição ilustrada dos livros de Harry Potter e depois que eu vi como seria, fiquei muito louca para ter em mãos logo. Finalmente consegui e digo que valeu o valor que paguei, o livro é lindo demais. Uma edição primorosa, as ilustrações são caprichadas e dão um toque excelente a essa releitura.

12 de set. de 2022

A sociedade literária e a torta de casca de batata (Mary Ann Shaffer e Annie Barrows) – DLL 2022


 

Título: A sociedade literária e a torta de casca de batata 
Autoras: Mary Ann Shaffer e Annie Barrows 
Mês: Setembro 
Tema: Um livro adaptado para filme ou série 
Editora Rocco, 303p. 

Juliet Ashton está atrás de um novo tema para seu livro. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, Dawsey Adams, que vive na ilha britânica Guernsey começa a se corresponder com a escritora, e desperta o interesse dela. Eles começam a se corresponder por cartas, e Juliet toma conhecimento da Sociedade Literária de Guernsey, um clube do livro criado com o intuito de não serem capturados pelos nazistas que ocupavam a ilha um ano antes. É então que ela decide conhecer a ilha e os habitantes que só conhecia pelas cartas, e acaba se apaixonando pelo lugar. E pelas pessoas... 

Um dos filmes que quando lançou eu fiquei com muita curiosidade de ver, mas queria ler o livro primeiro. Demorei demais a achar num preço acessível, e quanto encontrei, fiquei com muita vontade de ler, apesar de ter selecionado o tema para setembro. Devo dizer que valeu a pena. A leitura flui, eu gostei de como a personagem é resolvida no quesito romance. A história conseguiu cativar a minha atenção por dois motivos: como o clube do livro foi criado, e a personagem Elizabeth McKenna, que não se faz presente fisicamente, mas em torno da qual a própria história se molda. Um livro que me deixou presa do início ao fim, muito recomendado.

9 de dez. de 2020

Os Romanov (Robert K. Massie) – DLL 2020


Título: Os Romanov: o fim da dinastia
Autor: Robert K. Massie
Mês: Dezembro
Tema: Um livro que você ganhou
Editora Rocco, 269p.

Na madrugada do dia 17 de julho de 1918, Nicolau, Alexandra e seus cinco filhos foram acordados por Yakov Yurovsky e notificados que deveriam ir se esconder no porão da casa onde estavam porque a cidade estava agitada e eles corriam risco de serem atingidos caso houvesse tiroteio nas ruas. Obedecendo as ordens, o czar e sua família se dirigiram ao porão e junto com eles foram o médico da família Eugene Botkin, o valete de Nicolau, Trupp, a camareira de Alexandra, Demidova e o cozinheiro Kharitonov.

“Tendo em vista o fato de que seus parentes continuam a atacar a Rússia Soviética, o Comitê Executivo do Ural decidiu executá-los.”

O que se seguiu foi o assassinato de Nicolau, Alexandra, seus filhos e funcionários. Alguns morreram na hora, outros foram mortos com mais brutalidade e perda de controle por parte dos carrascos. Vendo que a execução não tinha saído como planejado, Yurovsky se apressou a dar fim nos corpos. Desfigurados, despidos e roubados (as grã-duquesas haviam costurado suas jóias dentro dos corpetes), os mortos foram jogados na mina mais profunda na área conhecida como Quatro Irmãos e detonaram a entrada da mina com bombas.
Quando Yurovsky voltou a Ekaterinburg, encontrou a cidade fervilhando de comentários sobre o assunto. Com o Exército Branco se aproximando, decidiu que precisava enterrar os corpos em um novo local. Retirar os corpos da mina, escolher um novo local e dar um sumiço mais permanente nos corpos levou todo o dia 18 de julho até que na madrugada do dia seguinte:

o veículo ficou definitivamente atolado. Já que não chegaríamos até as minas profundas, só podíamos enterrá-los ou queimá-los. Queríamos queimar Alexei e Alexandra Feodorovna, mas, por engano, em vez dela queimamos sua dama [Demidova] e Alexei. Enterramos os restos ali mesmo, sob a fogueira, jogamos pás de argila por cima dos restos, acendemos outra fogueira no local e espalhamos as cinzas e brasas, a fim de cobrir totalmente os vestígios da cova. Enquanto isso uma vala comum era cavada para os outros. Por volta das sete da manhã, outra cova de dois metros de profundidade com dois e meio metros quadrados estava pronta. Os corpos foram colocados no buraco e ensopados fartamente com ácido sulfúrico de modo a não serem reconhecidos e impedir qualquer odor de decomposição. Enchemos de galhos e de cal, cobrimos com madeira e passamos o caminhão por cima diversas vezes – até não restar vestígio do buraco. O segredo foi bem guardado – os Brancos não encontraram o local do sepultamento.

Em 1919, um investigador jurídico descobre resquícios de objetos pessoais da família e ossos calcinados durante uma escavação nos Quatro Irmãos, mas dada a situação no país, Sokolov só publica seus achados em 1924, no livro Inquérito judicial sobre o assassinato da família imperial russa, que se torna um relato oficial do assassinato da família imperial e obriga o governo soviético a mudar a história sobre o destino da imperatriz e seus filhos, que ainda eram acreditados como vivos, mas escondidos. A partir daí, se sucedem investigações em busca dos ossos e exames para reconhecer e enfim dar um destino digno aos restos mortais dos últimos Romanov.

Publicado em 1968, The Sokolov investigation, de autoria de John F. O'Connor, traduz do russo partes do livro de Sokolov, Inquérito judicial sobre o assassinato da familia imperial russa.

A primeira coisa que devo dizer sobre esse livro é que: os nomes mais importantes nele não são de Nicolau ou Alexandra ou de suas filhas e seu filho, mas sim dos investigadores que descobriram, analisaram e escreveram sobre a descoberta e reconhecimento dos corpos encontrados em uma cova secreta em Ekaterinburg. São eles:

-Nikolai Sokolov, investigador jurídico que iniciou em janeiro de 1919 uma investigação sobre o paradeiro da família real com a permissão do “Chefe Supremo” do Governo Branco da Sibéria;
-Alexander Avdonin,e Geli Ryabov, ambos interessados na “mistério” da morte dos Romanov que descobrem a cova onde os corpos foram enterrados e encontram alguns crânios;
-Sergei Abramov, cuja equipe conseguiu identificar sem DNA os mortos, com exceção de Maria e Alexei, cujos esqueletos faltavam;
-William Marples, criador do Laboratório de Identificação Humana da Universidade da Flórida, cuja equipe também examina os esqueletos e constata que quem falta é Anastásia, ao invés de Maria;
-Peter Gill, responsável pelos testes de DNA que identificaram os esqueletos com mais precisão.

Robert K. Massie faz um excelente relato sobre o assassinato dos Romanov, a descoberta dos restos mortais e a investigação em busca da confirmação das mortes. Ele mostra que Moscou não somente sabia do assassinato da família inteira, mas aprovava e também ocultou informações sobre o assunto do resto do mundo. Ele não somente cita os primeiros investigadores que descobriram a cova e as ossadas em 1979, Avdonin,e Ryabov, mas relata o processo da descoberta, o pacto que fizeram de não mencionar nada e mais tarde, a quebra desse pacto. Ele faz um apanhado da história soviética e como as mudanças políticas permitiram que fossem feitas investigações mais profundas para se encontrar todos os esqueletos e se reconhecer as pessoas a quem eles pertenciam.

Casa de Ipatiev, onde a Nicolau e sua família ficou de abril a julho de 1918 e onde foram assassinados. A casa foi destruída em 27 de julho de 1977, depois que o lugar havia se transformado em um local de peregrinação.

Achei essa parte a mais interessante (e um pouco macabra, dado o relato do estado dos ossos) do livro por conta da descrição completamente detalhada que Massie faz. Ele fala da confusão entre Abramov e Marples e suas discordâncias sobre os esqueletos faltantes. Gostei da abordagem objetiva sobre as implicações políticas, e mais importantes, familiares de levar os ossos dos Romanov para um laboratório forense em Aldermanston, na Inglaterra, por conta de testes de DNA para se identificar as pessoas a quem os esqueletos pertenciam.
Foi bom ver que ele abordou outras questões: o que houve com a Casa de Ipatiev, as reações do povo de Ekaterinburg e a posição da Igreja Ortodoxa Russa:

Paralisada por 75 anos de submissão ao Estado ateu, a Igreja Ortodoxa Russa ainda peleja para achar um meio de lidar com a execução dos Romanov. Se morreram como mártires, deveriam ser canonizados como santos – como de fato foram pela Igreja Ortodoxa Russa no Exterior, em 1981. Ainda que Nicolau e sua família não fossem considerados vítimas de martírio e merecedores de canonização, mas simplesmente vítimas de um assassinato político, a igreja se sentia na obrigação de levar em conta sua morte violenta. (Mesmo não tendo considerado o assassinato do czar Alexandre II, em São Petersburgo, em 1881, um martírio, a Igreja Ortodoxa Russa construiu no local a Catedral do Sangue para perpetuar a memória do czar.) 
Mesmo antes da exumação dos esqueletos de Ekaterinburg, o arcebispo local queria erguer uma igreja memorial na área da Casa de Ipatiev. “Este é o lugar onde começou o sofrimento do povo russo”, afirmou o arcebispo Melkhisedek. A igreja seria chamada Catedral do Sangue Derramado para “simbolizar a penitência da sociedade e expurgar as ilegalidades e as repressões desmedidas que foram infligidas durante os anos do bolchevismo”.[...]

Um assunto sobre o qual Massie se debruça é a questão da briga entre Moscou e Ekaterinburg pelo controle dos ossos dos Romanov, e o papel de Vladmiri Soloviev, um procurador-criminologista que tratou a investigação como processo criminal, e passou a querer tanto a determinação final sobre as identidades dos restos mortais quanto ao paradeiro das duas crianças que faltavam. O autor dedica a segunda parte do livro para falar dos impostores que surgiram alegando serem as crianças desaparecidas, sendo a mais famosa impostora Anna Anderson ou Franziska Schanzkowska (dentre outros nomes).
De muitas formas, esse livro acabou sendo bem diferente do que eu esperava. Ganhei ele ano passado num sorteio deste desafio, e o engraçado é que quando coloquei ele na estante do skoob, achei que seria mais uma biografia sobre os Romanov. Acabei com o relato sobre todos os passos da investigação para se descobrir os restos mortais da família, o que foi muito mais interessante. Essa minha resenha acabou ficando enorme justamente por causa disso, é tanta informação, tanto detalhe que me deu vontade escrever e escrever mais para fazer com que todo mundo tenha vontade de ler. Um dos melhores livros que li esse ano, completamente indicado.

23 de out. de 2020

198 livros: ESPANHA – A espanhola inglesa (Miguel de Cervantes)

Isabela foi sequestrada aos sete anos de idade na cidade de Cádiz por Clotaldo, cavalheiro inglês e comandante de esquadra, pai de Ricaredo. Levada para Londres, a menina é criada como integrante da família mas apresentada socialmente como escrava. A situação complica quando o jovem Ricaredo se apaixona por Isabela, e ambos vão fazer de tudo pra fazer valer seus sentimentos dentro de uma sociedade completamente preconceituosa.


Uma história de amor impossível entre dois adolescentes, é disso que se trata esse livro (que ainda bem, é pequeno). Apesar de não ser muito meu tema favorito graças ao drama que esse tipo de história geralmente carrega, gostei da leitura pela sátira em relação ao preconceito predominante na Espanha do século XVI. Vale a pena, recomendo.

Editora Rocco.
104 páginas.

16 de mar. de 2020

Caçadores de obras-primas (Robert M. Edsel) – DLS 2020


Título: Caçadores de obras-primas
Autor: Robert M. Edsel
Mês: Março
Tema: Um livro que virou filme ou série de TV
Editora Rocco, 524p.

[...] Para a maioria dos soldados, guerra era uma circunstância. Mas para alguém como James Rorimer, era a missão de toda uma vida. Hitler tinha dado o tiro de advertência no mundo das artes em 1939, quando a blitzkrieg da Polônia incluiu unidades encarregadas do roubo deliberado de peças de arte e da destruição dos monumentos culturais daquele país. O evento divisor de águas veio logo depois, quando os nazistas capturaram o retábulo Veit Stoss – um tesouro nacional polonês – e o levaram para Nuremberg, na Alemanha. [...]

Durante a Segunda Guerra Mundial existiu um grupo de soldados chamados Monuments Man responsáveis por dificultar ou impedir que os nazistas comandados por Hitler roubassem ou destruíssem obras de artes e monumentos históricos espalhados pela Europa. A estimativa é que em sua campanha para transformar a Alemanha no centro no novo reich, os nazistas tenham se apossado de mais de 5 milhões de objetos de vital importância para a cultura mundial.
Obras famosíssimas foram roubadas de museus e colecionadores particulares, principalmente judeus. No início, o trabalho dos Monuments Man era diminuir os dados causados as bibliotecas, museus e arquivos, mas o avanço das tropas de Hitler levaram esses homens a localizarem os objetos perdidos ou roubados, e no fim da guerra, a devolvê-los.

Eu já havia lido um livro sobre esse tema, Salvando a Itália, para outro desafio esse ano, então já sabia como funcionava o trabalho dos MM. A diferença é que neste livro de agora, o foco não está focado em um país só. A pesquisa de Edsel engloba a ação desses soldados na França, Bélgica e a própria Alemanha. Novamente fiquei impressionada com o nível da pesquisa feita pelo autor, que mostra os nazistas como saqueadores que não tem a verdadeira noção do valor do seu saque, mas também como organizadores de obras de arte, que montaram relatórios sobre os objetos mais valiosos, com seus nomes e de que lugar haviam sido tirados, com o objetivo de facilitar aos oficiais que escolhessem para suas coleções particulares.

Em 1940, Hitler (por intermédio de Goebbels, seu ministro da propaganda) havia encomendando um inventário, mais tarde conhecido como o Relatório Kümmel – nome de seu principal copista, o Dr. Otto Kümmel, diretor geral dos Museus Estaduais de Berlim. O inventário relacionava todas as obras de arte do mundo ocidental – França, Países Baixos, Grã-Bretanha e até os Estados Unidos (que Kümmel disse possuir nove dessas obras) – que por direito pertenciam à Alemanha. Segundo a definição de Hitler, isso incluía todas as obras tiradas da Alemanha desde 1500, todas as obras de qualquer artista de ascendência alemã ou austríaca, todas as obras encomendadas ou terminadas na Alemanha, e todas as obras consideradas feitas em um estilo germânico. O Retábulo de Gand era nitidamente um modelo e emblema definidor da cultura belga, mas para os nazistas era de estilo “germânico” o suficiente para pertencer a eles.

A Adoração do cordeiro místico ou Retábulo de Grand (como é mais comumente conhecido), foi encomendado a Hubert van Eyck e terminado em 1432. Composto de 24 obras individuais com temas associados, a peça completa tem em seu painel central a origem de seu nome, mostrando o Espírito Santo na forma de uma pomba brilhando sobre ele e a multidão em torno.

JAN VAN EYCK, RETÁBULO DE GHENT (interior), 1432. Óleo sobre painel, 3,5 x 4,6 m. Catedral de Saint Bavo, Ghent, Bélgica. Reproductiefonds/photo Hugo Maertens)

Um dos tesouros artísticos mais importantes da Bélgica, seis dos painés do Retábulo haviam pertencido ao estado germânico até o fim da Primeira Guerra Mundal, quando o Tratado de Versalhes obrigou os alemães a entregarem a obra como indenização de guerra à Bélgica. Daí a fixação de Hitler.

Hitler sabia que era impossível roubar obras-primas famosas na escala do Retábulo de Gand sem atrair a condenação do mundo. Embora tivesse a mentalidade de um conquistador – ele acreditava que tinha direto aos espólios de guerra e estava determinado a tê-los –, Hitler e os nazistas tinham feito de tudo para estabelecer novas leis e procedimentos a fim de “legalizar” as atividades de pilhagem que se seguiriam. Isto incluía obrigar os países conquistados a lhes darem certas obras como termo de rendição. Países do Leste Europeu como a Polônia estavam destinados, segundo o plano de Hitler, a se tornarem desertos industriais e agrícolas, onde escravos eslavos produziriam bens de consumo para a raça dominante. A maior parte dos ícones culturais foi destruída; seus grandes prédios arrasados; suas estátuas derrubadas e derretidas para fazer balas e bombas de artilharia. Mas o Ocidente era a recompensa da Alemanha, um lugar para arianos desfrutarem os produtos de sua conquista. Não havia necessidade de privar esses países de seus tesouros artísticos – pelo menos não de imediato. O III Reich, afinal de contas, duraria mil anos. Hitler deixou intocadas obras de estatura comparável a do Retábulo de Gand, tais como Mona Lisa e A ronda noturna, mesmo sabendo exatamente onde estavam escondidas. Mas ele cobiçava o Cordeiro.

Tenho que dizer que duas coisas me impressionaram nesse livro: o fato de ter uma mulher fazendo de um tudo na França para evitar o roubo das artes, e quando isso não foi possível, para descobrir para onde os objetos roubados haviam sido levados. Seu nome era Rose Valland, que trabalhava no Jeu de Paume e serviu como espiã para Jacques Jaujard, diretor dos Museus Nacionais da França. Rose Valland, com vontade e coragem de ferro, se manteve no museu durante os vários saques, peitando oficiais nazistas e foi responsável por retardar a partida dos últimos trens alemães transportando valiosas obras de arte dos maiores colecionadores particulares franceses.
A segunda coisa foi descobrir que o castelo de Neuschwanstein, obra do rei bávaro Ludwig, construído no século XIX, serviu como ponto de guarda para, dentre outras, 20 mil obras roubadas que passaram pelo Jeu de Paume. Devido a sua localização (ele estava no alto de um afloramento rochoso nos Alpes Bávaros, isolado e quase inacessível aos veículos modernos), os Monuments Men levaram seis semanas para esvaziá-lo, utilizando os vários lances de escada (não existiam elevadores).

NEUSCHWANSTEIN, ALEMANHA: (National Archives and Records Administration, College Park, MD)

Por ser mais “completo” e dar um panorama mais geral, ao invés de focar em somente um país, eu aproveitei mais a leitura desse livro. Gostei muito de ver que uma mulher teve um papel ativo na proteção das obras, sem nunca abaixar a cabeça para os desmandos nazistas, mesmo quando sua vida estava em jogo. Também foi interessante ver o trabalho dos Monuments Men dentro da própria Alemanha, mesmo quando os horrores dos campos de concentração nazistas chegaram ao conhecimento dos oficiais aliados e fizeram com que o ódio pela Alemanha aumentasse. Como Salvando a Itália, esse livro é um verdadeiro tesouro para amantes de arte e história. Completamente indicado.

10 de fev. de 2020

Salvando a Itália (Robert M. Edsel) – DLL 2020


Título: Salvando a Itália
Autor: Robert M. Edsel
Mês: Fevereiro
Tema: Um livro baseado em fatos
Editora Rocco, 430p.

A cada ano, Hitler aumentava sua coleção. Agentes adquiriam para ele obras através de compras legítimas, vendas forçadas e confiscos. Os nazistas emitiram decretos para manter uma cobertura legal, em particular para itens saqueados de judeus. [...]
Com o passar do tempo, as agências de saque nazista ampliaram sua operação à escala industrial. Como Napoleão e outros conquistadores antes dele, o Führer acreditava que a propriedade de obras de arte projetava poder e um senso de conhecimento superior, colocando-o, assim, entre os grandes homens da história.

Em 1943, os exércitos de Hitler invadiram a Itália e com isso, tomaram controle de alguns dos maiores tesouros da humanidade. A partir desse momento, os tesouros do Vaticano e as relíquias do antigo Império Romano, estavam a disposição dos nazistas para saquearem a vontade. E é exatamente isso que eles fazem. Quando as forças Aliadas estão se preparando para invadir a Itália, o general Dwight Eisenhower, comandante em chefe das Forças Aliadas no norte da África, deu poderes a alguns soldados de protegerem essas riquezas. Em maio de 1944, Deane Keller, professor de arte e caçador de obra-prima para os EUA, e Fred Hartt, historiador de arte e caçador de obra-prima na Toscana, saem de Nápoles e embarcam numa caçada pelas obras-primas roubadas e desaparecidas valendo milhões de dólares.
Quando a guerra já estava perdida para a Alemanha, chegaram ordens dos mais altos escalões nazistas para se transportar caminhões carregados de obras de arte para o norte, em direção ao território alemão. No entanto, o general Karl Wolff, desejoso de não cair junto com Hitler, impede que as grandes coleções dos museus Galleria Uffizi e Palácio Pitti saiam do território italiano, buscando negociar uma rendição secreta.

A Alemanha nazista havia chegado ao abismo – nenhum futuro e nenhuma saída. Muitos integrantes do círculo imediato de Hitler se preparavam para o pior. Não querendo ligar sua sobrevivência ao destino do Führer, Karl Wolff havia elaborado um plano secreto de oferecer a rendição de um exército alemão inteiro – cerca de 1 milhão de homens na Itália – aos aliados ocidentais. [...]

Esse livro é uma maravilha para quem gosta de arte e história. Além de dar detalhes das missões de resgate e preservação de monumentos, lugares e obras artísticas e históricas dentro da Itália durante a Segunda Guerra Mundial, o autor também fornece no livro algumas imagens da destruição dos lugares mais afetados durantes os bombardeios na guerra.
Se eu, que não nasci na Itália, fiquei impactada com o nível de destruição dos lugares, imagine os florentinos vendo o resultado das bombas em sua cidade (a destruição das pontes de Florença está além de triste, quando se tem noção do nível da perda histórica):

O repórter do New York Times Herbert Matthews obser vou que “Florença não é mais a Florença que o mundo conheceu por 400 anos. (...) o coração de Florença desapareceu”. De suas seis pontes – San Nicolò, alle Grazie, Vecchio, Santa Trinita, alla Carraia e alla Vittoria, só a Ponte Vecchio sobreviveu. [...]


Comparação das pontes antes e depois dos bombardeios. Observem a “ponte Bailey” construída sobre os pilares de pedra sobreviventes da Ponte Santa Trinitá [Ao alto: Bayerische Staatsbibliothek Munich/ Heinrich Hoffman; Abaixo: Pennyover Papers, Department of Art and Archaeology, Princeton University]

Ao longo do livro, se percebe a dificuldade gritante da seção Monuments, Fine Arts and Archives (MFAA) em tentar preservar os locais, tanto que guardavam as obras de arte quando os que eram por si só essas obras.

Tomamos o sempre presente espetáculo de uma cidade arruinada e o multiplicamos por tantas outras cidades na Europa, e é como se a tarefa de reconstrução jamais fosse ser feita. E a perda de obras de arte é insubstituível – belas igrejas destruídas, arquivos enterrados sob o entulho, bibliotecas expostas ao tempo e ao roubo... este trabalho parece tão mais importante e tão irremediavelmente imenso. E, sozinho, sinto-me como sete criadas com sete vassouras no meu cantinho... certamente ajudaria se o resto do país se rendesse sem combate.

Foi incrível ver como poucas coleções sobreviveram ao saque, e nisso se inclui o enorme tesouro do Vaticano. Fiquei surpresa, apesar de que não deveria ter ficado, com o ponto em que Göring, um colecionador mais variado que Hitler (e que durante os anos de 1940 a 1942 havia feito 20 visitas separadas ao depósito principal da ERR de obras roubadas em Paris, o Museu Jeu de Paume, para fazer seleções para sua própria coleção) estava disposto a chegar para que ninguém nunca mais as encontrasse no fim da guerra.

Enquanto o Generalfeldmarschall Kesselring evacuava as tropas de seu quartel-general militar em Adlerhorst, o Reichsmarschall Göring supervisionava o empacotamento final de sua coleção de arte em Carinhall. Dois carregamentos já haviam partido para Veldenstein, na Bavária; de lá, os trens viajariam para Berchtesgaden, onde Göring também tinha uma casa. [...]
Em 28 de março, as obras-primas de Nápoles roubadas de Monte Cassino chegaram a seu destino final – o repositório nazista em Altaussee, na Áustria. Mineiros levaram para o labirinto de túneis milhares de pinturas, desenhos, gravuras, esculturas, peças de mobília e tapeçarias, muitas destinadas ao Führermuseum, de Hitler.
Duas semanas depois, oito caixotes de madeira pertencentes ao gauleiter August Eigruber chegaram em dois carregamentos, cada um pesando 500 quilos, marcados com a advertência ATENÇÃO! – MÁRMORE – NÃO DEIXAR CAIR. Mais uma vez, os mineiros carregaram os novos carregamentos pelas passagens estreitas de túneis, todavia, desta vez, receberam a estranha ordem de espalhar os caixotes pela mina, em vez de colocá-los juntos. Tivessem eles sabido que cada caixote continha uma bomba, não uma escultura em mármore, estas instruções teriam feito sentido. Eigruber – como Wolff, Himmler e Kaltenbrunner – tinha seu próprio plano. Em vez de permitir que as obras caíssem nas mãos do “judaísmo internacional”, ele destruiria a mina de sal e cada obra de valor inestimável armazenada em seu interior.

Nápoles, Florença, Pisa, Toscana, praticamente nenhum lugar escapou de algum grau de destruição de monumentos e roubo de artes. À medida que os Monuments Men chegavam no local e realizavam suas inspeções, anotavam a perda de coleções públicas e particulares. Com a derrota dos nazistas e fascistas, muitos sítios culturais passaram a precisar de inspeções e os trabalhos dos Monuments Men se tornou muito requisitado. Achei interessante que, apesar de durante a guerra, se tivesse que se escolher entre vidas humanas e lugares históricos se escolheria a vida humana, as pessoas dos lugares que o grupo visitava apreciavam os esforços de preservação. E quando a guerra terminou, o autor consegue descrever a emoção das pessoas quando as obras eram devolvidas aos seus lugares de origem.
Não tenho palavras para dizer o quanto eu gostei dessa leitura. Foi ótimo aprender mais sobre esse capítulo tão aterrador da história humana, de uma perspectiva diferente. Completamente recomendado.

13 de nov. de 2019

Terminais (Roderick Gordon, Brian Williams) – DC 2019


Título: Terminais
Autores: Roderick Gordon, Brian Williams
Mês: Julho
Tema: Um livro escrito a quatro mãos
Editora Rocco, 416p.

Will e Elliot agora estão no mundo inferior, depois de toda a luta para impedir a disseminação do vírus. Eles encontram neogermanos que sobreviveram a catástrofe e recebem uma ajuda, enquanto doam sangue para que possa ser criada uma vacina. Elliot, com seus instintos Styx, lidera o grupo em direção a algo que nem mesmo ela sabe o que é. De alguma forma, eles acabam voltando para a Crosta, que está um caos, já que Hermione conseguiu levar adiante a Fase. A Inglaterra está tomada pelos Armagi, criaturas de pele transparente abomináveis e praticamente indestrutíveis que podem se regenerar com facilidade. Enquanto esperam pela ajuda dos EUA que eles não sabem se vai chegar, Will, Elliot, Chester e todos os outros precisam lidar com seus problemas pessoas enquanto tentam resolver a situação e acabar com os styx de uma vez.

Um dos melhores pontos nessa história é o contato com o presidente norte-americano, os autores souberam construir bem isso, não ficou forçado ou muito inventivo. Como todo final de série, o livro tem grandes perdas sim, se prepare, mas também tem muitas surpresas. A ação é constante, a história nunca perde o ritmo porque os personagens estão sempre em movimento. O final foi excelente, muito bem formulado, que deixou uma brecha (?!) para o que o futuro poderia reservar para Will. Confesso que me deixou empolgada por mais um livro, mesmo sabendo que este era o último. Uma série que foi uma surpresa do início ao fim, completamente recomendada.

3 de jun. de 2019

Animais fantásticos e onde habitam: o roteiro original (J.K. Rowling) – DLL 2019


Título: Animais fantásticos e onde habitam: o roteiro original
Autora: J.K. Rowling
Mês: Junho
Tema: Que virou filme ou série
Editora Rocco, 304p.

Newt Scamander está em Nova York para uma pequena parada. Mas quando algumas de suas criaturas mágicas fogem de sua maleta, ele se mete nas maiores confusões para recuperá-las e acaba se envolvendo na situação de ataques misteriosos a não-bruxos que ameaçam revelar a existência do mundo mágico.

Se você viu o filme Animais fantásticos e onde habitam, esse livro meramente vem complementar o que você viu, não no sentido de adicionar mais informações, mas no sentido de fazer perceber detalhes que passaram em branco na hora que você viu o filme. Porque isso acontece, tiveram duas coisas que, mesmo depois de ver o filme várias vezes, só percebi agora depois de ler esse livro. A diagramação é uma maravilha, assim como as ilustrações. Um livro para fãs que vale a pena.

6 de mar. de 2019

Sandman (William Joyce) – DLL 2019


Título: Sandman
Autor: William Joyce
Mês: Março
Tema: Do gênero infantil ou juvenil
Editora Rocco, 44p.

Quando está nublado, o Homem da Lua precisa de ajuda para manter as crianças seguras e longes dos pesadelos. Sanderson Soneca morava dentro de uma estrela cadente, por onde viajava e de onde mandava um sonho para toda criança que fazia um pedido a sua estrela (por isso Sanderson vive sonhando). Breu, no entanto, continua querendo destruir todas as estrelas cadentes e todos os sonhos bons. Quando encontra Sanderson e o atinge, Sandy precisa se virar para proteger as crianças e seus sonhos.

O segundo livro da série Os guardiões da infância (o primeiro foi O homem da lua, já resenhado aqui) é igualmente fofo e encantador. Desde que eu comecei a ler essa série do William Joyce, me apaixonei pelas ilustrações e pela qualidade do livro em si. Essencialmente infantil, a história conta um pouquinho sobre Sanderson Soneca, o ajudante do Homem da Lua. Encantador e simples, este pequeno livro chama atenção pelo resgate do universo dos contos de fadas.

16 de jan. de 2019

Nicolau & Alexandra (Robert K. Massie) – DLL 2019


Título: Nicolau & Alexandra
Autor: Robert K. Massie
Mês: Janeiro
Tema: Que deveria ter lido em 2018
Editora Rocco, 608p.

A pessoa do czar era o governo da Rússia. Seu poder era absoluto, devendo satisfações apenas a Deus.

Na Rússia autocrata de fins de 1800, o pai de Nicolau, Alexandre III governava tanto o império quanto a família com “mãos de ferro”, portanto o interesse do czarevitch em uma princesa de origem alemã, Aliex Victoria, filha de Alice da Inglaterra e neta da rainha Victoria, não despertou encorajamento na família real russa. No entanto, Nicolau negou todas as pretendentes oferecidas e finalmente conseguiu casar com a mulher por quem se apaixonou. Em 1894, ele sucede ao pai no trono e se casa com Alix, agora Aexandra Fedorovna, no mesmo ano. Um homem pacífico e até ingênuo como czar, Nicolau começou seu reinado quando a Rússia passava por um momento de avanço cultural e intelectual. Incitado pelo kaiser alemão Guilherme II, ele expande o território russo pela Ásia, mas cria atritos com o Japão e tem sua imagem difamada na Rússia e no mundo.
No âmbito pessoal, Nicolau se mostra realizado com o nascimento de seu filho Alexei, já sendo pai de Olga, Tatiana, Maria e Anástacia. Mas a alegria durou pouco, pois o tão esperado herdeiro era hemofílico. Antes já devotada a ortodoxia russa, Alexandra se tornou paranoica, voltando-se totalmente para a religião em busca de uma cura para a doença do filho (de quem ela tomava conta pessoalmente, como foi com as filhas), já que que os médicos não conseguiam resolver nada. Ela também era movida pela culpa que sentia, já que a hemofilia é uma doença transmitida de mãe para filho. É nesse momento que surge Gregório Rasputin.

“A doença do czarevich lançou uma sombra sobre todo o período terminal do reinado do czar Nicolau II, e basta para explicar. Sem que parecesse, foi uma das principais causas de sua queda, pois tornou possível o fenômeno de Rasputin e resultou no fatal isolamento dos soberanos, que viviam num mundo à parte, totalmente absorvidos numa trágica ansiedade que precisava ser escondida de todos os olhares.” – Pierre Gilliard, Tutor do czarevich Alexei

Um camponês siberiano de origem humilde, Rasputin começa a circular nos aposentos reais desde que conseguiu tratar uma grave crise de Alexei, a ponto das pessoas se mostrarem incomodadas com a familiaridade demonstrada entre o recém-conhecido e a imperatriz (o que mais tarde leva ao surgimento de boatos ofensivos e mentirosos). Até hoje não se pode afirmar com certeza quais os métodos usados por Rasputin para dar fim as crises do menino (mesmo que o que ele fizesse dava sim resultado), o fato é que através desses procedimentos, o camponês caiu nas graças da imperatriz, que começou a acreditar na santidade dele, e portanto, que todos os seus conselhos e “visões”, inclusive sobre assuntos sérios como a participação da Rússia na I Guerra Mundial e o governo do país nesse período, deveriam ser levados a sério por todos, inclusive pelo próprio imperador.
Nem mesmo a morte de Rasputin conseguiu desfazer a insatisfação popular. Alexandra se tornou o principal alvo dos acusadores, então para conter o descontentamento e evitar uma guerra civil, Nicolau II assina sua renuncia ao trono no dia 15 de março de 1918, dando poder total ao Governo Provisório e findando uma dinastia de 300 anos. Em 16 de julho, Nicolau, sua família e seus acompanhantes são assassinados a sangue frio pelos bolcheviques. Os corvos são carbonizados e enterrados na floresta de Ekateringurb, cidade que se tornou a última morada da família imperial após lhe serem negados pedidos de asilo. Ao longo dos meses seguintes, muitos integrantes dos Romanov são mortos, só sobrevivem os que conseguem fugir do país.


Neste mesmo desafio ano passado, eu selecionei esse livro esse livro (até porque fez 100 anos da morte do czar Nicolau e sua família e da Revolução Russa), mas acabei não lendo, achei ele enorme demais e o tempo não daria, então sabia que teria que ler esse ano. Poucas vezes eu tive um prazer tão grande lendo uma biografia histórica como essa, o último livro que me proporcionou uma leitura agradável assim foi O assassinato do arquiduque. Robert K. Massie fala com maestria impressionante não somente da vida de cada um dos personagens principais desse capítulo da história, mas também da situação política da época. Além de aprender o porquê dos nomes Nicolaievich e Alendrorovna (os sufixos masculino “vich” e feminino “ovna” são adicionados aos nomes das pessoas para indicar o nome do pai), foi interessante perceber o quanto ele, como historiador, põe nas mãos da imperatriz a responsabilidade pela queda do império russo.

Alexei tinha hemofilia.

Suas colocações de que, como pessoas reais que precisavam passar uma imagem de perfeição, se a família tivesse aberto desde o início para o público a condição de saúde do pequeno Alexei, ainda mais em uma época em que a hemofilia era uma doença envolvida em mistério, as pessoas poderiam ter se solidarizado com o desespero de uma mãe e talvez tudo teria sido diferente. Ele mostra o quanto Alexandra, mesmo esgotada psicologicamente com a doença do filho, trabalhou para preservar a união do império, sem “permitir” qualquer tipo de concessão por parte do marido (eles confiavam muito um no outro), porque era a herança de Alexei, abrindo um caminho maior para a revolução.

Experimentei vários sentimentos lendo esse livro. Parece que no assunto “Rasputin”, a coisa girava em círculos: Alexandra dependia de Rasputin para tudo e quando o marido partiu para a guerra, ela só ouvia os seus conselhos. Exortando o marido a fazer o mesmo, Alexandra não recebia uma recusa aberta, e acabava tendo seu desejo atendido porque Nicolau queria acalmá-la, mesmo que visse o starets com algo próximo a respeito cético. Ele, então acatava as escolhas de Alexandra, as quais eram sussurradas por Rasputin. E foi isso que o levou a perder o trono.

Embora o czar achasse muito natural admitir sua esposa em segredos militares, ele não queria que ela os transmitisse a Rasputin. Muitas vezes, após confiar a ela vários detalhes, ele escrevia: “Peço-lhe, meu amor, não comunicar esses detalhes a ninguém. Escrevi apenas para você... Peço-lhe, guarde para você, absolutamente ninguém mais deve saber disso.” Quase com a mesma frequência, Alexandra ignorava o pedido do marido e contava a Rasputin. “Ele não vai contar a vivalma”, ela garantia a Nicolau, “mas tive que pedir a bênção dele para sua decisão.”

A grande ironia da coisa toda é que, ao mesmo tempo em que parece que Alexandra foi injustiçada (pois ao se casar com Nicolau, ela assumiu o papel de mãe do povo, visitando hospitais para tuberculosos, colocando as filhas para fazer o mesmo e as educando para conhecer o mundo real, além de se desgastar com os cuidados que prestava a Alexei), era também enlouquecedor ver o nível de adoração que ela tinha por Rasputin, mesmo que isso se justifique no fato de que ele foi o único a aliviar a dor de seu filho e assim, diminuir a culpa que sentia por passar a doença.

Ao mostrar como era a vida dos imperadores, o autor mostra que a aceitação de Alexandra pelo povo e pelos nobres não foi possibilitada pela própria, já que, além de sua origem alemã, e o fato de ter se transformado na imperatriz da Rússia de forma muito rápida, sua timidez característica também não permitia que ela se sentisse à vontade nos círculos reais. Mais tarde, com a doença do filho progredindo, a culpa que ela se atribuía por transmitir a hemofilia e sua devoção cega a Rasputin fizeram com que ela passasse a ser odiada, e por conseguinte, seu marido, acusado de estar sob o controle dela e do amante (boato que correu na época devido a intimidade existente entre o camponês e a imperatriz).

Igreja do Sangue em Ecaterimburgo, construída no lugar onde Nicolau II e sua família foram mortos em 1918.

Massie mostra que a queda dos Romanov e a Revolução Russa ocorreram devido a vários fatores não isolados e extremamente coligados, ele não poupa nenhum detalhe, inclusive na descrição do assassinato da família imperial e o que aconteceu com seus restos mortais. Um livro tão completo quanto comovente, que capta a atenção do leitor desde a primeira página. Não tenho palavras para dizer o quanto eu o recomendo, e já posso dizer que é um dos melhores livros do ano.

10 de dez. de 2018

Nicolau São Norte e a batalha contra o Rei dos Pesadelos (William Joyce) – DLL 2018


Título: Nicolau São Norte e a batalha contra o Rei dos Pesadelos
Autor: William Joyce
Mês: Dezembro
Tema: Um livro de um autor que nasceu em Dezembro
Editora Rocco, 232p.

Ombric é um mago muito poderoso. A partir da cratera deixada pela queda de um meteoro e de uma muda de árvore mágica, ele cria um vilarejo chamado Papoff Noelen, que serve de refúgio para as crianças e seus pais em momentos de perigo. Quando Nicolau São Norte, um tipo de rei dos fora da lei, tem um sonho sobre uma cidade mágica cercada por um floresta misteriosa, ele sai cavalgando pensando na riqueza que poderia encontrar, enquanto Breu, o rei dos pesadelos, tenta invadir Papoff Noelen. Nicolau defende a cidade e se torna aprendiz de Ombric, e juntos passam a lutar contra Breu e seus Medonhos.

Eu me encantei com o filme A origem dos guardiões, então foi uma boa surpresa descobrir esse livro por acaso enquanto tentava encher minha cesta de compras na Saraiva. Esse livro é o primeiro da série Os guardiões da história (não confundir com a série Os guardiões da infância, do qual O homem da lua é o primeiro livro e trata de personagens que também estão presentes em Nicolau São Norte) e mostra a história do Papai Noel antes dele virar essa figura icônica do Natal. A história é encantadora e mais do que adequada para ler nesta época do ano, o livro é todo ilustrado em preto e branco e muito rápido de ler. Gostei do fato da história ter uns toques sombrios, mesmo sendo um livro infanto-juvenil. Totalmente recomendado.

Só para esclarecer, as séries Os guardiões da infância e Os guardiões da história são do mesmo autor, William Joyce, só que a primeira conta as histórias de personagens “secundários” (mas não menos importantes) ...


... e a segunda traz a história de personagens mais tradicionais, como o Papai Noel, o Coelho da Páscoa e a Fada do Dente. Até o momento, o único livro que falta ser publicado é o sobre Jack Frost.


19 de set. de 2018

O conto da aia (Margaret Atwood) – BL 2018


Título: O conto da aia
Autora: Margaret Atwood
Mês: Setembro
Tema: Publicado na década do seu nascimento
Editora Rocco, 368p.

Em um futuro não tão distante, os EUA se tornaram uma ditadura religiosa cristã chamada Gilead. Depois de muitas guerras, um grupo de fundamentalistas tomou o poder e instaurou novas regras, sendo a principal: as mulheres perdem completamente seus direitos de escolha. Divididas entre as categorias de espoas, marthas, salvadoras, aias, etc, cada uma tem um papel específico. As aias, pois a história é contada do ponto de vista de uma delas, Offred (ou seja, de Fred, o nome do comandante, o marido e chefe de família que está abrigando a aia no momento) são as responsáveis por engravidarem. As esposas que não podem ter filhos empregam aias, engravidadas pelos seus maridos em um acontecimento chamado de Cerimônia, que darão a luz as crianças e depois serão mandadas para outro lugar. Em meio aos relatos de Offred, ela também insere flashbacks de sua vida de antes e do que ela um dia teve, de quem ela um dia amou.

Um homem é apenas a estratégia de uma mulher para fazer outras mulheres. [...] Mas há alguma coisa faltando neles, mesmo nos que são gentis e bons sujeitos. É como se estivessem permanentemente distraídos, como se não conseguissem se lembrar muito bem de quem são. Olham demais para o céu. Perdem o contato com os pés. Não se comparam a uma mulher, exceto pelo fato de que são melhores para consertar carros e jogar futebol, exatamente o que precisamos para o aperfeiçoamento da raça humana, certo?

Depois de ver tanta gente falando da série, eu quis o livro (não adiante, quando se trata de adaptação, eu sempre tento ler o livro antes). Não sei dizer qual dos dois materiais é o mais forte. Achei que vendo a cena da Cerimônia, consideraria a série mais repugnante. Mas na verdade, os dois matérias são, a sua própria maneira. O livro de Margaret Atwood é uma distopia diferente, em vários níveis, de qualquer outra distopia que eu já li, sua forma de escrita e narrativa me deixou, confesso, desnorteada. Somente quando terminei entendi o porquê disso.
A história joga na nossa cara verdades que as pessoas preferem não discutir ou mesmo tomar conhecimento, como o fato da nossa cultura patriarcal levar as mulheres a condenar, julgar e odiar a si mesmas, a justificar erros de homens enquanto culpabilizam mulheres (isso se reflete na cultura do estupro). Somos levadas a justificar através da religião a dominação masculina, a nos silenciar e nos invalidar. Deve ser por isso que a série alcançou tanto sucesso e ganhou prêmios valiosos. Uma história muito pertinente ao mundo atual em que vivemos, vale cada minuto da leitura.

A série


Depois de ler o livro, você sabe que o que acontece com June (ou Offred) não tem jeito, mesmo que a série comece de uma forma que leve a pensar que tudo vai ser diferente. Escolheram dar logo um fim em Luke (?), diferente do livro, onde se passa a leitura inteira tentando imaginar o que houve com ele. 
No livro, só descobrimos, e isso por hipóteses, o nome do Comandante no final, de uma forma inesperada, mas na série sabe-se logo de primeira, assim como a exigência de respeito que a Sra. Waterford exige, não exatamente por causa da figura que foi no passado mas aquele tipo de respeito que uma mulher deve a outro no que concerne a maridos. June foi mostrada de maneira diferente do que esperava, mas gostei dessa mudança. 
Enquanto no livro ela parece um pouco passiva demais (nem sei se estou usando a palavra correta para descrevê-la), na série sua aparência calma não demonstra seus pensamentos irônicos e revoltados, mas vemos que seu estado é de uma pessoa prestes a explodir que se controla por mera força de vontade.

Devotinha de merda.

O encontro de June e Moira depois de tudo acontecer também é diferente na série, e eu gostei de ver que algumas coisas eles resolveram mostrar sem usar meias palavras ou deixar a cargo da imaginação do observador (como no livro): o objetivo de toda a situação (as mulheres devem gerar as crianças dos casais fiéis), os castigos impostas aquelas que se recusavam a “cooperar”.
Outra personagem que me chamou atenção foi a Sra. Waterford, que despertou um pouco de pena (no primeiro episódio, somente, porque a personagem é odiosa, mesmo levando em conta a situação dela). No livro, percebe-se que as mulheres inférteis são totalmente pertencentes a esse sistema absurdo em que vivem, e que elas exigem o respeito da lealdade, não querem ser traídas por nenhuma “aia que resolva se engraçar com o patrão para ver se ganha alguma coisa”, mas é muito mais que isso. Pelo menos na série, pela patroa de Hannah (pelo menos no primeiro episódio), dá para ver algum sofrimento por não conseguir gerar uma criança.
Eu fiquei meio louca assistindo a primeira temporada dessa série, mesmo já tendo lido o livro e já sabendo de uma nova temporada, cada passo que June dava fora do programado me levava a pensar que a qualquer momento ela seria descoberta, pega e morta. Os abusos conseguem ser bem piores também. Outras coisas como a situação de Ofglen, o envolvimento entre June e Nick e a tolerância maior da Sra. Waterford para com June também foram coisas que tiveram mudanças, o que foi bom, porque eu já estava imaginando o que inventariam para que o livro fosse adaptado em duas temporadas. A mudança maior: Tya Lydia, que no livro parece uma pessoa obcecada com os preceitos religiosos que governam aquele lugar e que sim, pune aqueles que erram, mas na série a mulher é uma megera completa. Algo interessante é a quantidade de flashbacks da vida dos Waterford e como eles estavam envolvidos nos problemas iniciais, assim como as lembranças de Offred de sua vida como June e de que forma ela foi perdendo essa vida e sua segurança.

- A raça humana está em risco. O que importa é a eficiência.

- E o que propõe?

- Não é física quântica. Todas as mulheres férteis devem ser coletadas e engravidadas. Pelos de maior status, claro.
- Quer dizer, concubinas.
- Não me interessa como quer chamar.
- As esposas jamais aceitariam.
- Não é um problema.
- Não conseguiremos sem apoio delas, sabe disso.
-Talvez a esposa devesse estar presente. Para o ato. Não seria tanta violação. Há precedente bíblico.
- “Ato” talvez não seja o melhor nome. Em termos de marketing. A “Cerimônia”? Melhor. Bom e divino.
- As esposas aceitariam essa besteira.


A série rendeu uma segunda temporada que manteve o foco na aia e se distanciou do que é contado no livro, mas continuou mantendo o mesmo ritmo envolvente. De vez em quando, dentre os vários momentos em que você se pega odiando fazer parte da humanidade, eis que surge um sopro de esperança (episódio 06, "First blood", que o diga), fazendo da surpresa seu Ás na manga.

10 de ago. de 2018

Quatro (Veronica Roth) – DLL 2018


Título: Quatro
Autora: Veronica Roth
Mês: Agosto
Tema: Um livro de um autor que nasceu em Agosto
Editora Rocco, 272p.

Quatro contos sobre a vida de Quatro, mais três cenas exclusivas do primeiro livro, Divergente. Em A transferência, Tobias está as vésperas da cerimônia de escolha, quando ele se vê cansado dos abusos e ataques violentos do pai e decide mudar de facção, mas não sabe em qual delas poderia se encaixar melhor. Até que decide pela Audácia, onde poderia se tornar forte e não teria que ter medo de mais ninguém.
Em A iniciação, Tobias conhece Amah, seu instrutor, que é o responsável pelo seu futuro nome, Quatro. É também com Amah que Quatro descobre que só ele é divergente. Mas quando tudo parece certo, Amah aparece morto, aumentando as suspeitas de Quatro sobre Eric. Seu exame final o leva ao topo da lista de aprovações, e assim ele se torna um membro da Audácia.
Em O filho, Quatro recebe uma proposta de se tornar um dos novos líderes da Audácia, mas sua desconfiança a respeito do envolvimento de Jeanine, a líder da Erudição, na morte de Amah, e o fato de não querer ser um peão nas mãos de Max o levam a recusar a oferta. Ao mesmo tempo, sua mãe dada como morta volta a aparecer em sua vida.
No último conto, O traidor, Quatro já é um instrutor dos novos jovens que chegam na Audácia. Há dois anos ele procura uma maneira de incriminar Eric e Jeanine pelo que aconteceu a Amah, e para desmascarar Max como traidor de facção, mas ele não sabe que caminho tomar, além de se meter nas decisões de Eric sobre a seleção agressiva dos iniciados. Seu envolvimento com Tris começa a crescer e quando ele descobre que ela também é divergente, a conexão entre eles só aumenta.

Guardei esse livro por tanto tempo e só agora peguei pra ler, apesar de ter uma curiosidade enorme sobre os acontecimentos de Divergente pelo ponto de vista de Quatro, ou Tobias. Valeu a pena a espera, a história não decepcionou em nada, pelo contrário. Adorei ver como começou a relação de ódio entre ele e Eric, assim como as interferências de Janine na Audácia. Melhor ainda foi ver como surgiu o sentimento dele por Tris (mesmo que eu não goste nem de lembrar como terminou essa série). Muito, muito indicado.

28 de mai. de 2018

Harry Potter e a criança amaldiçoada (John Tiffany e Jack Thorne) – BL 2018


Título: Harry Potter e a criança amaldiçoada
Autores: John Tiffany e Jack Thorne
Mês: Maio
Tema: Livro vencedor de algum prêmio
Editora Rocco, 352p.

Dezenove anos depois da Batalha de Hogwarts e da derrota de Voldemort, Harry e Gina são casados e tem três filhos. Alvo, seu filho do meio, como qualquer iniciante (mais ainda por ser filho de quem é), tem medo de ser selecionado para a Sonserina. Eis que acontece o improvável. Além disso, seu melhor amigo é Escórpio Malfoy, filho de Draco. As coisas se complicam quando um novo vira-tempo é recuperado mas não destruído, o que leva Amos Diggory a pedir para Harry usar o objeto para trazer seu filho Cedrico, morto há mais de 20 anos, de volta a vida. Longe de ser um garoto popular em Hogwarts, Alvo também tem sua relação com seu pai estremecida. O menino então acha que pode ajudar Amos e rouba o vira-tempo. Junto a Escórpio, os dois se metem em muita confusão, ao mesmo tempo em que Harry sente que as trevas estão se aproximando novamente.

Esse livro ficou guardado na estante por um bom tempo até eu me animar a ler. Sim, é Harry Potter, sim, eu vi que ganhou o prêmio de Melhor livro da fantasia de 2016 do Goodreads (eu sempre vou no site atrás de dicas), sim, a peça foi um sucesso em Londres, mas como eu via as pessoas falando que Rowling havia perdido a mão, que a história não tinha muito nexo, então acabei deixando de lado. Não me preocupei com spoiler vazado, eu queria mesmo saber se valia a pena. Então peguei para ler e sim, vale. Bastante. O problema todo, eu descobri, é que quiseram passar essa história como parte do cânone, quando deveriam fazer dela uma sequência criada por fã (que é como eu defino esse tipo de história). Importante ressaltar: esse é o roteiro em si da peça, não a história reescrita em forma de romance (ou novelização).
Uma coisa que eu amei neste livro: o destaque emocional que deram a história, ao invés de focar nos componentes mágicos. Principalmente, gostei da forma como todo o enredo gira em torno da morte de Cedrico Diggory (o campeão da Lufa-Lufa no Torneio Tribruxo que competiu com Harry e a primeira vítima inocente do retorno de Voldemort). Além disso, ver a relação de Rony e Hermione, sua filha Rosa, ver Draco mais centrado, ver Snape e McGonagall novamente, isso tudo deu uma sensação de completa nostalgia *suspirando* Para uma fã de Harry Potter, ler esse livro foi uma maravilha. Completamente recomendado.

28 de fev. de 2018

O bicho-da-seda (Robert Galbraith) – BL 2018


Título: O bicho-da-seda
Autor: Robert Galbraith
Mês: Fevereiro
Tema: Assinado por um pseudônimo
Editora Rocco, 464p.

A esposa de um escritor, Leonora Quine, procura por Cormoran Strike para que ele encontre o marido desaparecido. Ela acha que é mais um dos sumiços temporários de Owen, mas a coisa muda de figura à medida que Strike se vê mais envolvido com a vida do escritor, seu trabalho e as pessoas que o rodeavam. Muita gente gostaria de ver Owen morto, porque recentemente seu novo livro retrata essas pessoas de forma maldosa, e se o romance fosse publicado, as vidas delas estariam arruinadas. Quando Owen é encontrado brutalmente assassinado com requintes de brutalidade, Strike tenta entender a motivação do assassino em um corrida contra o tempo, para evitar que inocentes paguem pelo crime que não cometeram.

Esse foi o segundo livro da série do detetive Cormoran Strike, e apesar da leitura me manter tão envolvida quanto a de O chamado do cuco, eu ainda prefiro este. A história é mais envolvente, o crime é mais complexo e o relacionamento de Strike com Robin também melhorou bastante, ainda assim prefiro o primeiro livro, talvez pelo fato de ter ficado confusa quanto as conexões entre os personagens do livro de Owen e as pessoas reais. Como sempre acontece nesses livros de suspense, eu não cheguei nem perto de descobrir o assassino rs Para o próximo livro, minha ansiedade está para ver como vai ser o relacionamento entre Strike e Robin. Recomendo.