Um
príncipe metido e ignorante cai vítima de uma maldição: ele deve se apaixonar e
ser recíproco antes que a última pétala de uma rosa encantada caia, ou ele
ficará para sempre com a forma de uma fera. Anos se passam, o príncipe e seus
servos já perdendo as esperanças, até que uma jovem se oferece como prisioneira
no castelo do príncipe no lugar de seu pai...
Um
mangá dividida em 2 volumes sobre o conto da Bela e a Fera da Disney. No caso,
é uma adaptação do live action. Esse é o primeiro volume, que foca na versão da
Bela. Honestamente, eu gostei. Não lembro de alguma vez ter visto alguma
história da Disney em mangá, então não sabia o que esperar, e não me
decepcionei. Vale a leitura.
Título:
Mamãe bruxa: a história da vilã da Rapunzel
Autora:
Serena Valentino
Mês:
Abril
Tema:
Bookface
Editora
Universo dos Livros, 336p.
Gothel
vive com as irmãs na Floresta dos Mortos. Ansiosa pra assumir o lugar de sua
mãe, ao mesmo tempo em que quer manter as irmãs do seu lado, Gothel acaba
matando a mãe. Sem entender porque suas irmãs estão doentes, ela aceita a ajuda
das Irmãs Esquisitas, sem saber do papel que as três desempenharam para
destruir o lugar que ela sempre conheceu como lar. Quando a rainha está a beira
da morte, o rei busca a flor dourada para salvar a esposa. Mas Gothel vai
cobrar por isso e sequestra a princesa chamada Rapunzel, o nome da flor que
salvou sua mãe. Sempre mantendo a moça presa por conta de seus cabelos de
propriedades mágicas, a bruxa só pensa em trazer suas irmãs de volta e se
manter jovem...
Quando eu li a sinopse
desse livro, fiquei tentando me lembrar da primeira versão do conto da Rapunzel
que li, e por mais que tente, não lembro se tinha alguma referência a flor
dourada que salva da morte (mas isso eu tenho que pesquisar direito). De
qualquer forma, eu gostei muito dessa história.
Acho que foi o livro
dessa série que mais gostei até agora, apesar do filme não ser favorito. O
bacana é que como existe o filme, a autora não perde tempo repetindo os
acontecimentos, ela realmente foca em Gothel. Quero muito chegar no fim da
série pra entender qual é o verdadeiro papel das Irmãs Esquisitas em toda a
história. Livro muito bom.
Título: O estranho mundo de Jack: a batalha pelo Halloween
Autor: Dan Conner
Mês: Outubro
Tema: Um livro de terror
Editora Universo dos Livros, 128p.
Sinopse: Jack Esqueleto é, indiscutivelmente, o Rei do Halloween. Mas,
nesta história inédita de O Estranho Mundo de Jack , de Tim Burton, veremos que
nem sempre foi assim…
Anos atrás, Jack e Monstro Verde eram bons amigos. Os dois ansiavam por
provar seu valor, e davam tudo de si em projetos fantásticos que validariam o
título de dupla mais assustadora da cidade. Mas só podia haver um Rei do
Halloween! O que pode ter acontecido para transformar estes melhores amigos em
rivais tão amargurados?
Bom, eu não vi o filme e provavelmente não vou ver. Pelo que entendi, essa
HQ serve como uma história prequel, e por isso eu gostei. Eu curto muito essas
histórias que falam de acontecimentos que explicam eventos que são mencionados
ou que ficam “flutuando” na história original, elas dão um novo tom ao que é
oficial, mostram novas nuances dos personagens. Para o mês do Halloween, foi
uma boa pedida. Indicado.
Depois da destruição de sua frota, de sua derrota em Crait e da morte de Luke Skywalker, a Resistência está praticamente por um fio. Procurando apoiadores pela galáxia ao mesmo tempo em que fogem da Primeira Ordem. É quando Leia percebe que precisa não só de soldados, mas líderes e organizadores, pois ela sozinha não está dando conta. De lugares afastados surgem apoiadores e antigos amigos que ajudaram a rebelião na derrocada do império.
Um bom livro de Star Wars. Desde o final da saga Skywalker, eu me desanimei de ler qualquer coisa sobre Star Wars que esteja perto da trilogia final (eu ainda quero muito ler as HQs e a trilogia sobre a Padmé). Mas esse livro eu fiz questão simplesmente por mostrar mais sobre Leia, e a surpresa fica por conta da volta de um personagem que eu sempre me perguntei o final, mas um dos livros havia “deixado em aberto”. Gostei bastante e recomendo.
Galen Erso não é um simples fazendeiro como quer se fazer parecer. Quando o seu passado sombrio vem bater em sua porta para leva-lo de volta ao trabalho sob a máquina imperialista de Palpatine, sua família acaba. Jyn Erso, sua filha, é resgatada por Saw Guerrera, um rebelde a parte que lida com imperialistas de forma mais “contundente”. Anos depois, Jyn, agora uma jovem mulher, está nas mãos dos líderes da rebelião, que querem a todo custo saber mais sobre seu pai e sobre um piloto que foi mandado por ele com informações sobre uma grande máquina de guerra. Assim, Jyn se junta a Cassian Andor, conhece pelo caminho Chirrut e Baze, e junto ao piloto Bhodi e vários outros rebeldes, partem para Scarif, em busca dos planos da Estrela da Morte e de seu ponto fraco, que pode mudar o curso da guerra.
Tido pela grande maioria dos fãs de Star Wars como o melhor filme da nova “leva” de filmes desde que a Disney adquiriu a marca (não só pela história que é realmente muito boa, mas também por uma das melhores aparições de Darth Vader), a novelização da história também não decepciona em nada. Pelo contrário. Os detalhes que são adicionados a história, como por exemplo, sobre a mãe de Jyn Erso, sobre os sentimentos da jovem quando descobre a verdade sobre o pai, e os próprios pensamentos de Orson Krennic, Saw Guerrera e Cassian, sobre os quais o filme só entrega vislumbres, tudo isso agrega em muito a história. Irrelevante dizer que eu li o livro inteiro com a voz dos atores na cabeça.
Uma coisa sobre a qual eu me surpreendi. Quando montei os temas que seriam sugeridos para o Desafio Livrerário Livreando 2023, esse foi um dos que eu pensei que deveriam entrar na lista dos temas fixos. Quando fui procurar livros que encaixassem no tema, só pensava em livros escritos por mulheres, afinal, não seria bacana um livro com uma heroína de protagonista que ainda fosse escrito por uma mulher? Seria a cereja no topo do bolo. Mas aí lembrei desse, e escolhi porque como fã de Star Wars, eu amei o filme e adoro as novelizações (quando se trata desse tipo de livro, os autores que trabalham com esse universo nunca falham). Depois da leitura e enquanto escrevia essa resenha, me dei conta de quão bom um homem também pode escrever sobre uma heroína em um ambiente militarizado, como são as histórias de Star Wars. Sem apelos sexuais, sem masculinizar a mulher, mas dando a ela direito de ser forte e frágil de acordo com as situações, e também dando aos homens em torno dela a capacidade de verem a fragilidade dela sem diminuírem-na por isso. O autor também deu direito aos homens de serem tanto fortes como traumatizados. Uma das melhores leituras do ano, sem dúvida nenhuma.
Sinopse: Presa no castelo da Fera, Bela acostumou-se à sua nova casa e fez amizade com todos que ali viviam. Quando ela encontra Nunca Mais, um livro encantado diferente de qualquer outro que já havia visto no castelo, Bela se perde em suas páginas e é transportada para um mundo de glamour e intrigas. As aventuras que sempre imaginou, os sonhos dos quais foi forçada a desistir quando se tornou prisioneira, tudo parece estar ao seu alcance novamente.
Os encantadores e misteriosos personagens que ela encontra nas páginas desse livro lhe oferecem uma conversa agradável, uma vida deslumbrante, com todo o luxo parisiense e até mesmo permitem um encontro que ela nunca imaginou ser possível. Ali, Bela pode ter tudo o que sempre desejou, no entanto, algumas indagações permeiam essa aventura que beira a perfeição: será que Bela pode confiar nos novos companheiros que encontrou nas páginas de Nunca Mais? Esse mundo é mesmo real? E seus amigos que permaneceram no castelo da Fera, ela nunca mais os verá? Bela precisa responder todas essas questões e descobrir a verdade sobre o livro antes que se perca nele para sempre
.
[...] – Bela, é uma coisa maravilhosa ler sobre a vida de outras pessoas, mas é importante viver a sua própria vida também, independente do quanto a vida às vezes possa ser um grande desafio. Entende o que estou lhe dizendo, meu bem?
Mais um livro que ficou na minha estante um tempão e só agora consegui ler. A live action do clássico A bela e a fera da Disney foi lindo de se ver, e como a maioria desses novos filmes, são lançados livros referentes, além da novelização. Esse livro conta uma história “inserida” no tempo em que Bela viveu com a Fera. Muito bem escrita, com uma narrativa que prende a atenção do leitor, e com uma pequena lição que nós leitores temos que aprender... Adorei e recomendo.
Na savana africana, o nascimento de Simba, filho de Mufasa e Sarabi e futuro rei, deixa todo mundo na maior alegria, exceto seu tio Scar, irmão de Mufasa que sempre invejou o irmão. Simba cresce protegido e aprendendo com seu pai a importância de cada animal dentro do ciclo da vida, mas um plano elaborado por Scar acaba dando certo e agora Simba é um fugitivo. Os anos passam, Simba cresce longe de todos que conheceu carregando a culpa da morte de Mufasa, enquanto Scar, agora o rei, transformou as terras do rei em uma completa desolação. Simba, então, decide voltar para sua casa e com a ajuda de Nala, Timão e Pumba, ele recupera seu reino.
Eu pirei quando saiu o trailer desse live-action da Disney, chorei quando vi o filme no cinema e fiz questão de ir atrás do livro quando saiu. Esse livro foi uma das adaptações mais legais que já li. Geralmente a autora consegue trazer o tom do filme para o livro ao mesmo tempo em que acrescenta novas informações a história, o que só faz acrescentar. Até agora gostei da maioria das adaptações que li, e com essa não foi diferente. Recomendado.
Mulan sempre foi uma criança aventureira que nunca se encaixou muito bem nos padrões tradicionais das mulheres de sua aldeia. Consciente de que com um bom casamento ela irá trazer honra para sua família, a jovem passa a tentar se comportar bem, mas o encontro com a casamenteira não vai conforme esperado. Quando a convocação para a guerra chega em sua aldeia, seu pai, único homem da família, decide que irá lutar, mas a jovem sabe que sua debilidade irá mata-lo. Então, Mulan decide tomar o lugar do pai, mas se for descoberta será morta, ou pior, trará desonra para sua família....
Até agora, essa foi a segunda live action da Disney que ainda não vi. Com a epidemia eclodindo em 2020, ano de estréia do filme, Mulan foi direto para o Disney+ e como não sou assinante, ainda não assisti. Também não me prendi muito as críticas, porque quero ver o filme. Mulan virou uma das minhas “princesas Disney” favoritas, então estava esperando muito por essa adaptação, e ler o livro tirou muitas dúvidas sobre a história. De forma geral, eu gostei. As mudanças foram boas, perdeu um pouco da parte cômica mas, pelo que o livro mostra, a história ganhou em mistério. Eu gostei muito da sugestão de romance, diferente da animação, mas mesmo assim muito bem formulada. Adorei, recomendo.
Elsa e Anna são princesas de Arendelle. Elas se adoram, brincam e fazem tudo juntas até o dia em que um acidente envolvendo gelo muda tudo. Elsa passa a ter seu próprio quarto e Anna fica sem entender o que aconteceu para a irmã estar tão distante. Os anos passam, as duas crescem, mas a distância entre elas não diminui, mesmo após a morte dos pais. No dia da coroação de Elsa, Anna está radiante porque irá poder se aproximar da irmã, os portões do castelo serão abertos e ela conhece o encantador Hans. Durante a festa, um desentendimento entre elas faz Elsa liberar seus poderes e Anna descobre da pior maneira possível o motivo do afastamento entre elas. Agora, ela precisa encontrar a irmã fugida antes que o inverno se torne permanente em Arendelle.
- Um gesto de amor verdadeiro pode derrotar um coração congelado. [...]
A novelização de Frozen, um filme super gracinha que foi sucesso mundial. Eu adoro esse filme e gostei do livro porque deu uma completada boa na história, principalmente sobre o príncipe Hans (os capítulos são divididos em acontecimentos com Anna e com Hans). Alguns detalhes mostrados no filme o livro não menciona, mas acho que isso era esperado. Não é um dos meus livros favoritos, mas gostei da leitura.
Título: A mais bela de todas Autora: Serena Valentino Mês: Outubro Tema: Um livro de capa preta
Editora Universo dos Livros, 208p.
A Rainha nem sempre foi uma rainha. Filha do melhor artesão de espelhos do reino, ela é escolhida pelo rei para ser sua esposa devido a sua beleza. Sua mãe havia sido uma mulher muito bela, e a Rainha, que achava que não era bonita igual a mãe, acaba ficando obsessiva com essa questão. Sua aparência e sua condição de “ser bela” se torna uma preocupação constante, mas mesmo assim seu casamento lhe revela alegrias. O rei a ama, Branca de Neve a trata como mãe, mas a obsessão em ser a mais bela de todas começa a coloca-la contra sua família. Tudo piora quando chegam as três irmãs estranhas do rei e incitam a Rainha a se envolver com a magia e aprender como chamar o Escravo no espelho, presente dado pelo rei. A partir daí, as coisas começam a piorar completamente até a Rainha se transformar na Bruxa Má.
Mais um livro dessa série ótima que fala das histórias que todos conhecemos do ponto de vista dos personagens bons. Dessa vez, foi a história da Rainha Má, que envenena Branca de Neve com ciúme de sua beleza. Devo dizer que o conto de Branca de Neve e os sete anões nunca esteve entre os meus favoritos, mas depois de Malévola, esse foi o livro da série que mais gostei.
Incrível como em um livro que se dedique a explorar um outro lado de um conto de fadas, encontremos questões com as quais as mulheres sempre se deparam: a questão de ser bela a qualquer custo (a loucura que se apossa da Rainha e os crimes que ela comete em função dessa busca), o machismo em negar um nome a uma mulher e fazê-la ser algo em função de um homem (a Rainha não tem nome, e só passa a ter importância depois que se torna rainha em função do casamento com o rei)... Adorei, recomendadíssimo.
Título: Aladdin Autora: Elizabeth Rudnick Mês: Junho Tema: Um livro para ter lido em 2019
Editora Universo dos Livros, 240p.
Aladdin é um jovem pobre que vive nas ruas de Agrabah, roubando para viver junto com seu macaco Abul. Em um dia como qualquer outro, ele cruza o caminho com a princesa Jasmine, que está disfarçada como criada para poder sair do palácio (seu pai nunca permitiu que ela fosse além dos muros do palácio por medo de que algo acontecesse com ela). Ambos ficam impressionados um com o outro e não param de pensar um no outro também, mesmo depois que se separam. Ao voltar para o palácio, a princesa tem que lidar mais uma vez com um príncipe metido enquanto continua tentando sem sucesso ter alguma voz nas decisões do pai. Ela deseja ser sultana, mas seu pai quer que ela case. Enquanto isso, Aladdin acaba fazendo um acordo o grão-vizir real, Jafar: ele pode conseguir todas as riquezas que quiser, enquanto Jafar só quer que Aladdin desça em uma caverna e traga para ele uma lâmpada. Mas tudo dá errado e o jovem fica preso na caverna. Quando ele descobre que tem um gênio dentro da lâmpada, Aladdin acha que pode conseguir se aproximar de Jasmine. Mas não é porque ele tem ajuda mágica agora que tudo fica fácil, e ele vai precisar enfrentar muitos desafios e ser honesto consigo mesmo antes que consiga o que mais quer: o amor de Jasmine.
Perder esse live-action no cinema foi uma das minhas frustrações em 2019. Não me lembro exatamente porquê, só sei que não vi. Fiquei curiosa para saber quais seriam as mudanças feitas em relação ao filme anterior, então quando anunciaram o livro eu quis logo comprar, mas até isso demorou, e só consegui agora. Adorei que eles deram mais voz para Jasmine, ela não é aquela princesa que quer casar com um príncipe, ela quer governar. Também amei o outro casal que criaram para a história, foi uma ótima surpresa. De forma geral, o livro é ótimo, e só me deixou com mais vontade de ver o filme.
Título: Nós quatro e o amor Autora: Fabiane Ribeiro Mês: Abril Tema: Um livro que comece com a primeira letra do seu nome
Editora Universo dos Livros, 303p.
Patrícia e Laura são melhores amigas. Elas conhecem Matthew e Diego num bar à beira de um lago quando Patrícia volta para os Estados Unidos depois de passar um tempo no Brasil. Os quatro se dão bem logo de cara. Patrícia, uma odontóloga com um grande segredo, se identifica com o biotecnólogo Matthew, cujo passado é cheio de traumas, enquanto Laura, artista plástica com más relações familiares, se identifica com Diego, o dançarino colombiano que não fala sobre seu passado. A amizade entre eles evolui, mas a relação entre os casais acabam se complicando quando outras ligações entre eles surgem. Um sério acidente com Matthew faz com que os quatro amigos reavaliem suas vidas.
Como não podia deixar de ser com um livro da Fabiane Ribeiro, essa história é carregada de emoções. A relação entre os amigos começa simples, e eu achei que fosse continuar assim, mas ela consegue dar uma reviravolta na história, não só pelos novos rumos nos relacionamentos, mas pelos próprios segredos dos personagens. Algumas situações eu torci para serem revertidas, mas no conjunto, gostei que ficaram “mal resolvidas”, porque, afinal, é isso que acontece na vida real. Li em pouco tempo, completamente indicado.
Título: Peter Pan: a origem da lenda Autor: J.M. Barrie Mês: Dezembro Tema: Que comprou pela capa
Editora Universo dos Livros, 96p.
Na Londres do início do século XX, Peter Pan é um menino que voou da janela de sua casa até os jardins de Kensington aos sete dias de vida e nunca mais envelheceu. Vivendo no meio dos pássaros e brincando nas árvores durante a noite, Peter criou a teoria de que as pessoas nascem como pássaros e que perdem a capacidade de voar com o tempo e se tornam bebês humanos. Nos jardins, ele convive com Salomão, um corvo que recebe as cartas das mães que querem ter filhos e os envia de acordo com as exigências descritas. Em sua cabeça, Peter foi uma das crianças enviadas pelo corvo, mas ele quis voltar para os jardins e deixou sua mãe. Ao voltar para ela, ele percebe que não tem mais lugar em sua antiga casa e então passa a viver definitivamente nos jardins.
Peter Pan sempre foi uma dos meus contos de fadas favoritos, então quando achei esse livro que falava exatamente de como o menino que não cresce surgiu, não perdi tempo. A leitura é rápida, pois a narrativa é fluida, com um tom infantil, o que pode ser um dos fatores (ironicamente) que podem tornar certos aspectos da história meio confusos, então precisa-se ler com atenção. Uma ressalva: não se ira encontrar os personagens clássicos como o Capitão Gancho ou Wendy. Essa história é o início do mito do menino que nunca cresce. Totalmente recomendada.
Kat foi uma criança surpresa. Sua mãe engravidou dela quando não mais esperava, e acaba morrendo quando ela nasce, pois Kat nasceu com uma anomalia epidérmica rara: a camada superficial de sua pele apresenta elevações em formato de espinhos que soltam um muco venenoso. Em consequência disso, Kat nunca pode ter contato físico com ninguém. Seu pai sempre fez de tudo para que ela não se sentisse excluída, ao mesmo tempo em que a manteve consciente de sua doença. Após sofrer muito preconceito, ela e seu pai se mudam para um chalé, e é nesse lugar que ela encontra um amigo inesperado e se apaixona pela primeira vez.
Para este mês, foi fácil escolher um livro no meio das autoras parceiras do blog. E como todo livro da Fabiane Ribeiro, este também me fez criar uma expectativa absurda só para ficar chorando no final. Não que não estivesse claro que a história estava se encaminhando para um final desse, mas ainda assim. O que mais me impressionou foi a doença (eu fiz uma pesquisa superficial e não encontrei nenhuma doença assim, então não sei se existe mesmo ou se foi criação da Fabiane). Uma história emocionante e cativante, que faz você pensar na sua vida e agradecer por tudo.
Título: Dumbo: o circo dos sonhos Autora: Kari Sutherland Mês: Abril Tema: Um livro com adaptação a ser lançada em 2019
Editora Universo dos Livros, 301p.
O circo dos Irmãos Medici está a beira da falência. Por isso, o dono está cancelando números e se desfazendo de animais. Milly e Joe são filhos das antigas estrelas da montaria, Holt e Annie e vivem no circo desde sempre. Sua mãe faleceu devido a uma doença, enquanto o pai estava voltando da guerra. Mas Holt perdeu o braço e agora precisa se adaptar a um novo serviço. Ele, a contragosto, se torna cuidador do filhote de elefante que Medici aposta que será a nova estrela do circo. Quando eles descobrem que o bebê pode voar, Milly e Joe ajudam o elefantinho, que só quer voltar para a mãe. Quando um famoso empresário oferece uma proposta irrecusável que pode tirar todo mundo do vermelho, Medici aceita sem questionar... até perceberem em que tipo de situação eles estão metidos, e que o mundo mágico prometido por Vandevere não é tão encantador assim.
Você é um milagre de elefante, Dumbo. E nós vamos trazer sua mamãe de volta para casa.
Eu infelizmente não fui ver a versão live-action de Dumbo no cinema. A versão animada lançada em 1941 eu vi, mas foi um daqueles filmes de Disney, como O cão e a raposa, que eu não faço mais questão de ver porque é garantia de choro forte. Algumas coisas mudaram de uma versão para outra, e mesmo sem ver a live-action, consegui identificar alguns dos atores do filme pelo personagem, mas o que eu gostei mesmo foi o final desta versão, muito mais satisfatória (apesar de, e por causa do, tom mais sombrio e realista da história). Uma curiosidade que descobri é que o filme de 1941 foi adaptado no livro infantil de Helen Aberson Mayer, falecida a 10 anos (3 de abril de 1999).
Pesquisando aqui e ali, também descobri que Helen se inspirou na história de Jumbo, “o maior elefante do mundo”, que foi capturado na África e chegou ainda filhote no zoológico de Londres em 1865. O elefante manso que permitia que visitantes subissem em seu lombo durante o dia para passear, tinha ataques de fúria durante a noite e só era acalmado por seu cuidador, cujas pesquisas sugerem que dava uísque para acalmar o animal.
Dentre outras coisas, David Attenborough e outros especialistas que
examinaram o esqueleto de Jumbo para um documentário da BBC descobriram que o elefante tinha lesões nos quadris provavelmente causadas pelos visitantes que Jumbo tinha que carregar em seus passeios. Também para explicar o comportamente violento do animal, descobriram que os dentes dele eram malformados, o que, somado as lesões no quadril, causavam dores horrendas.
Quando foi vendido para o circo PT Barnum (o mesmo que virou tema de filme em 2017) em 1882, Jumbo só aceitou ser embarcado quando seu cuidador foi com ele. Sucesso nos EUA, o circo fez uma turnê que chegou no Canadá, onde morreu ao ser atropelado por um trem. Os pesquisadores concordaram que se tivesse vivido mais, provavelmente Jumbo teria se tornado o maior elefante do mundo (ele media 3,45m na época que morreu e ainda estava em crescimento). Em Ontário, cidade canadense, do acidente, existe uma estátua em homenagem a Jumbo.
Voltando ao livro e aos filmes, fico feliz de ver que a Disney fantasiou a vida de Jumbo. É menos traumatizante, mas também abre a discussão sobre a situação de vida de animais selvagens em circos e zoológicos. Graças a Deus a mentalidade humana já conseguiu evoluir um pouco sobre o assunto. Sobre o livro, indico. Vai fazer chorar, mas vale a pena.
Título: Malévola: a rainha do mal Autora: Serena Valentino Mês: Fevereiro Tema: Um livro de contos
Editora Universo dos Livros, 236p.
Malévola sempre foi diferente. Ela é uma fada-bruxa que sentiram, desde o seu nascimento, que ela seria um instrumento do mal. Mesmo vendo isso, Babá, diretora da escola de fadas, procurou lhe dar oportunidades que a levassem a um caminho diferente. Mesmo sendo a mais inteligente, aplicada e perpicaz, na escola de fadas Malévola era criticada e sofria preconceitos. No dia do teste para a formatura na escola das fadas, seus amados corvos viram alvo da maldade de algumas colegas implicantes e assim, sela o destino de Malévola.
- Sua mente é tão obtusamente de fada. Se algo não se encaixa na sua versão ideal de mundo, se a atrapalha de algum modo, então quer que isso saia da sua frente. Malévola é como uma orquídea negra em meio a um campo de peônias cor-de-rosa. Você é incapaz de deixar que a orquídea floresça. Você a removeria por não combinar perfeitamente.
Que livro! Os contos de fadas já são uma coisa tão imbuída na nossa mente, já crescemos com aquela ideia fixa de princesa boa, rainha ou bruxa má, que quando aparecem autores que resolvem encarar o desafio de repaginar histórias e personagens já fortemente estabelecidos no imaginário comum, acaba sendo um sopro de ar fresco. Toda essa série da Serena Valentino faz isso, mas Malévola: a rainha do mal, leva tudo a outro nível, muito mais complexo. Se o filme com a Angelina Jolie conseguiu redimir a personagem, este livro mostra que as suas motivações (diferentes das mostradas no filme, e prestem atenção, nem este livro é a novelização do filme, nem vice-versa, estou meramente comparando) foram muito mais fortes, e mesmo assim, durante todo o processo, você espera que ela realmente se redima. Depois de ler que eu percebi que o livro era o último lançado da série, vindo antes dele A mais bela de todas, que ainda não li, então não sei se algum acontecimento influencia a história de Malévola. Muito recomendado.
Título: Negação Autora: Deborah E. Lipstadt Mês: Outubro Tema: Um livro que comece com a inicial do seu nome
Editora Universo dos Livros, 432p.
Deborah E. Lipestadt é uma conceituada historiada e professora em uma universidade renomada em Atlanta. Ao receber uma carta da Peguin Editora, responsável pela publicação de seu livro Denying the holocaust, Deborah não sabe exatamente como reagir a notícia de que está sendo processada por David Irving, um renomado estudioso de Hitler também famoso por ser um negacionista do holocausto. Em seu livro, Deborah o cita de maneira negativa e David resolve processá-la por difamação, mas diferente de como acontece nos EUA (onde o acusador teria que provar que Deborah mentira), na Inglaterra é a parte acusada que deve provar que está dizendo a verdade. E assim começa um processo que levará anos até que ambos se ponham na frente do juiz. O julgamento começa e à medida que estudiosos e especialistas começam suas explicações, as verdades, mentiras e distorções sobre um dos períodos mais negros da história humana são expostas.
A primeira vez que entrei em contato com a história do julgamento de Deborah Lipstad foi através do filme de mesmo nome lançado em 2017. Não só porque o elenco é excelente, mas porque a temática, apesar de polêmica, também é um assunto que vale qualquer debate. Então quando peguei o livro, já sabia o que ia encontrar e esperava que o livro fosse mais profundo e abrangente. O que, obviamente ele é. Recheado de detalhes sobre ao extermínio de judeus, o livro também traz logo no início um breve resumo da vida de Deborah e o caminho que ela trilhou até se transformar na professora conceituada que é hoje.
Ao mesmo tempo, dá uma vontade imensa de esganar David Irving. Primeiro, ele não nega que os judeus foram vítimas da guerra, ele só “não admite” que o comando de exterminá-los partiu de Hitler, que as mortes não foram casualidades da guerra, que os campos não tinham como objetivo o extermínio, e finalmente, que tudo não passa de lenda para os judeus adquirirem vantagem financeira.
“Um extermínio é um extermínio”, respondeu em voz baixa. Irving continuou insistindo que aquelas pessoas morreram em virtude de “condições ruins” e não de um sistema de extermínio planejado e o rosto de Peter foi ficando cada vez mais vermelho. Virando-se de modo a não olhar para Irving, falou duramente: “O propósito do campo de concentração não era manter os prisioneiros vivos. […] o propósito do campo de concentração aqui era claramente fazer as pessoas morrerem. […] Não se pode compará-lo a uma prisão nem nada do tipo em um país civilizado".
A medida que o julgamento acontece, cada uma das alegações de Irving é demolida, mesmo com ele negando e negando e negando. A cada vez que a defesa ganhava em um ponto, eu celebrava. O final é excelente, claro depois de ver o filme, fiquei aliviada porque sabia qual seria a sentença. Um dos melhores livros que eu já li, na verdade essa livro é uma senhora aula de história. Completamente recomendado, assim como o filme.
O filme
Em segundo lugar, ficou claro desde o início que o filme seria uma defesa da verdade histórica. Defenderia que, embora os historiadores tenham o direito de interpretar os fatos de formas distintas, eles não têm o direito de conscientemente deturpar os fatos. Necessária aos historiadores, tal integridade certamente aplicasse também aos roteiristas. Se eu quisesse oferecer um relato do julgamento e do comportamento de David Irving, não poderia desfrutar da licença de especular ou inventar, a qual costuma ser concedida a escritores.
O filme é exatamente isso. Claro que o início é diferente, eles não perderam tempo explicando ou mostrando a vida de Deborah, mostram ela atuando em seu campo (ministrando aulas sobre o holocausto). A partir daí, começa a preparação de Deborah e sua equipe para lidar com Irving. Muita coisa ficou de fora da adaptação, claro, mas os principais aspectos estão presentes: a viagem a Auschwitz, a indignação de Deborah ao ser auxiliada a permanecer calada dentro e fora do tribunal, o depoimento de Van Pelt (um dos historiadores chamados pela defesa).
Uma das melhores cenas foi o momento da deliberação do juiz antes de todos se retirarem para que ele pudesse avaliar tudo e proferir a sentença (isso eles não mudaram praticamente nada e, como Deborah, você consegue sentir a total frustração – no meu caso, eu quase pirei de raiva com essa colocação):
Em seguida, fez o que descreveu como sendo sua “última pergunta”. “Se alguém é antissemita […] e extremista, ele é perfeitamente capaz de ser, por assim dizer, honestamente antissemita e honestamente extremista no sentido de ter essas visões e expressá-las porque elas são, de fato, suas visões?”
Rapidamente verifiquei a tela do computador para ter certeza de que tinha ouvido direito. O juiz Gray estava sugerindo que, se Irving honestamente acreditasse em suas declarações antissemitas e racistas, elas eram aceitáveis?
Como eu falei acima, o final é o que se espera de um tribunal justo, mesmo que às vezes durante o julgamento tenha parecido o contrário. Vale muito a pena. Para terminar, deixo aqui uma palestra de Deborah sobre o assunto:
Título: Dançando com as borboletas Autora: Fabiane Ribeiro Mês: Outubro Tema: Um livro de capa rosa
Editora Universo dos Livros, 320p.
Anny agora tem 80 anos e já mora no Brasil há várias décadas. Quando chegou no país em busca da irmã que nunca conheceu, ela é muito bem recebida. Sua avó e sua irmã não podiam estar mais felizes, apesar dessa alegria ser um pouco toldada pela morte recente do avô, um completo entusiasta do jogo de xadrez. Mariza, sua irmã, nunca soube lidar muito bem com perdas, e ao longo dos anos, após o falecimento da avó, elas se distanciam. Anny relembra quando começou a estudar balé, encorajada pela avó, e como foi aceita na companhia do Balé de Santos; como conheceu seu futuro marido Túlio e o nascimento da filha do casal; como foi que ela adotou o pequeno Miguel; e mais tarde, quando ela viaja para a Inglaterra em busca de respostas sobre sua vida.
Eu ficava imaginando se a continuação de Jogando xadrez com os anjos teria um toque emocional tão forte como o primeiro livro. O livro é muito melancólico, não somente por causa das lembranças de Anny, mas por causa do seu jeito sempre positivo para lidar com todas as provações pelas quais passou. Gostei da alternância entre passado e presente e do fato de Anny ainda sonhar com o Reino Xadrez (mesmo os sonhos não sendo tão bons assim). Como sempre, Fabiane sabe criar uma história para se emocionar e que ensina a nunca se render, a superar as provações e continuar vivendo. Recomendado.
Título: Úrsula Autora: Serena Valentino Mês: Março Tema: Apenas uma palavra no título
Editora Universo dos Livros, 172p.
Úrsula é filha de Poseidon e irmã de Tritão. Quando criança, seu irmã abandonou-a em uma comunidade humana por não aceitar a forma que ela teria. Úrsula é criada por um homem, que acaba se tornando seu pai adotivo, e o carinho que ambos sentem um pelo outro é genuíno. Quando ele impede que as pessoas a matem, o homem acaba pagando com a vida, deixando Úrsula sozinha. Desejosa de vingança pela morte do pai e com ódio pelo irmão tê-la abandonado, ela ataca os humanos que mataram seu pai e resolve atingir a filha mais nova de Tritão, a jovem sereia que havia se apaixonado por um humano. Para isso, ela se une a 3 outras bruxas para encontrar Circe e planejar o ataque a Ariel.
Confesso que fiquei meio perdida nesse livro, foi difícil me situar sobre os acontecimentos. Outra crítica é pelo fato de não focarem tanto, a partir de certo ponto do livro, a atenção sai de Úrsula para a babá da jovem princesa que foi enganada pela Fera, o que eu não curti. Nem tenho como falar muita coisa, para não dar spoiler já que o livro é pequeno. Queria somente que a autora tivesse focado mais nos pensamentos de Úrsula.Apesar dessa falha, o livro é bem escrito. Vale a pena, como os outros dois da coleção.
Título: Jogando xadrez com os anjos Autora: Fabiane Ribeiro Mês: Setembro Tema: Autor brasileiro
Editora Universo dos Livros, 400p.
Na Inglaterra de 1947, a Europa está se recompondo de uma guerra devastadora. Anny só vê os pais nos sábados, quando eles voltam para casa depois de uma semana de trabalho. No entanto, em um desses dias, em que ela os espera até tarde, eles chegam com uma notícia que acaba com a alegria da menina: agora, seus pais só a verão uma vez por ano, pois o trabalho deles exige agora que eles se afastem mais de casa. Assim, a menina passará a viver com Jane, sua professora, e o marido Hermes. Mal ela sabe a diferença que ocorrerá em sua vida, pois Jane se mostra uma verdadeira carrasca, obrigando Anny a cuidar da casa, a dormir em um quartinho nada confortável e a viver escondida. Como companhia, a menina só tem sua ovelhinha de pelúcia e o jogo de xadrez que ganhou do pai, e passa por situações que nenhuma criança deveria passar. No entanto, seu bom coração e sua qualidade única de ser feliz não importa o que aconteça a ajuda a atravessar todos os momentos difíceis com a serenidade que somente um anjo poderia possuir.
Estava para fazer a resenha desse livro faz um tempão. Com mais uma de suas histórias tocantes, Fabiane Ribeiro (quem parece que adquiriu a capacidade de me fazer chorar como um bebê) nos ensina, através de sua pequena protagonista, lições valiosas. Em alguns momentos fiquei revoltada com essa história, tive muita vontade de matar a odiosa Jane e fiquei apavorada pela menina (tive que ler o final do livro para saber se existiria alguma espécie de final feliz, já que tudo rumava para a pior). Esta edição da Universo dos Livros é aquela com a capa mais bonita e que, a meu ver, tem mais a ver com a história (essa é a segunda edição, o livro já tem uma terceira). Recomendo esse livro para todos que gostem de uma história bonita com preciosas lições de vida.