O início de uma história de fantasia começou a ser contada há 40 anos por Diana Wynne Jones, uma excelente escritora que foi aluna de ninguém mais, ninguém menos que C.S. Lewis e J.R.R. Tolkien. Para comemorar, nada de palavra cruzada. Um jogo diferente e talvez mais fácil (se você já conhece a história).
3 de abr. de 2026
27 de mar. de 2026
198 livros: PERU – Cartas a um jovem escritor (Mario Vargas Llosa)
Sinopse: Em uma série de reflexões em
forma de cartas, Vargas Llosa responde às inquietações de quem deseja trilhar o
caminho da escrita. Combinando experiências pessoais, análise de grandes obras
e discussões sobre técnica narrativa, o autor reflete sobre elementos
essenciais do romance ― como tempo, espaço, narrador e ritmo ― e oferece
preciosos conselhos sobre os mais variados temas, como disciplina e vocação.
Ao revelar como a literatura pode ser uma
forma de entender o mundo e a si mesmo, ele reafirma a importância da
imaginação e da liberdade criativa. O resultado é uma aula magistral sobre o
ofício da escrita para todos que partilham da paixão pelos livros.
Em primeiro
lugar, eu tenho que dizer que esse livro não foi minha primeira opção. Pelo seu
tipo, livro de cartas e livro de “recomendações” (ou dicas, apesar de que
nenhuma dessas duas palavras defina muito bem o que quero dizer), eu fiquei
muito na dúvida sobre ele, porque adoro livro de cartas mas não gosto muito do
outro tipo. Li. Gostei. Principalmente porque o autor fala de suas próprias
experiências pessoais.
Editora
Alfaguara.
176 páginas.
25 de mar. de 2026
História universal da destruição de livros (Fernando Baéz) - DAL 2026
Autor: Fernando Baéz
Mês: Março
Tema: Letra F
Editora Ediouro, 438 p.
A queima e destruição de livros e
bibliotecas ao longo da história da humanidade. Este é o foco de análise do
livro de Báez. Através de um longo estudo, o autor mostra que o “extermínio” de
livros começou há muito tempo. Seu livro traça uma rota pelas várias épocas da
história mundial e mostra como a ignorância (e a também a genialidade), a
intolerância a sede pelo poder e o medo foram responsáveis pela destruição dos
livros, desde as tabletas de argila até os grandes centros de conhecimento
(museus e bibliotecas).
Na região que hoje se conhece como
Oriente Médio e onde encontrava-se os reinos da Assíria e Babilônia, escavações
revelam a existência de grandes bibliotecas antigas. No Egito faraônico, o
faraó monoteísta Akhnatón foi responsável pela destruição de textos no afã de
consolidar seu culto ao deus único. Na Grécia, Hipócrates talvez tenha
destruído os livros do Templo da Saúde de Cnido para evitar acusações de
plágio. A grande biblioteca de Alexandria sofreu diversas destruições ao longo
da história da cidade. Em Israel, a história afirma que existiram os profetas
bibliófagos (que comiam livros). Na China, ocorreu uma perseguição aos textos
budistas. O Império Romano também foi um grande responsável pela censura e
destruição de papiros, o que só abriu a porta para a destruição maciça nos
primórdios do cristianismo.
Na Idade Média, as bibliotecas
ficaram fechadas como túmulos: as obras de Dante e o Talmude foram alguns dos
livros proibidos. Em Bagdá, livros foram exterminados, enquanto o Corão foi
destruído na Espanha da Reconquista. No México, índios conquistadores foram
responsáveis pela destruição de textos e escritos da sociedade oposta. Até
mesmo na época renascentista, momento de “iluminação” e “esclarecimento”,
bibliotecas foram destruídas e desapareceram completamente. A Inquisição
censurou, proibiu e queimou, Na Inglaterra, livros desapareceram graças a
acidentes e desastres. As revoluções e guerras de independência também forma
responsáveis pelo desaparecimento de milhares de livros.
Durante a Segunda Guerra Mundial,
bibliotecas foram bombardeadas e os nazistas foram responsáveis pelo que se
conhece como bibliocausto. Duas grandes bibliotecas, a de Los Angeles e
Leningrado, sofreram incêndios dignos de nota. No Báltico, na China, Argentina,
Cuba e Palestina, livros foram e continuam a ser destruídos devido a conflitos.
O ódio étnico foi responsável pela destruição de livros na Chechênia. Os livros
infantis sobre o garoto bruxo Harry Potter também serviu como desculpa para
religiosos fundamentalistas afirmarem suas crenças ao queimarem exemplares.
Além de tudo isso, os livros ainda precisam lidar com seus inimigos naturais.
Finalmente, o terrorismo, responsável por ceifar muitas vidas humanas ao longo
do tempo, foi responsável pela destruição do conhecimento, o que leva de volta
ao lugar onde tudo começou: Oriente Médio, berço da escrita, também palco da
destruição de sua memória.
A primeira vista, o livro de Báez
parece ser um daqueles livros acadêmicos que só são lidos quando se está
escrevendo um artigo ou tese. Mas quando se começa a leitura, existe certa
dificuldade em parar, talvez porque a abordagem sobre a destruição de determinado
aspecto da história humanidade chame tanto a atenção. E o livro não é, desde
sua forma mais primitiva, um importante aspecto desta história? A cada
capítulo, percebe-se a quantidade de erros cometidos pelos homens para se
livrar de um povo, uma doutrina (religiosa e/ou política), uma raça, uma
história. Porém, ao mesmo tempo em que a destruição de livros serviu para
eliminar uma cultura, também serviu para estabelecer outra.
Vale ressaltar que, quando se fala em destruição de livros, também está sendo abordada a destruição de grandes bibliotecas, museus e de vários tipos de documentos. O livro de Báez traça um excelente panorama histórico para mostrar um dos maiores crimes da humanidade. Definitivamente, umas das melhores leituras do ano.
23 de mar. de 2026
Beatrix Potter (Elizabeth Buchan) - DAL 2026
Título: Beatrix Potter
Autora: Elizabeth Buchan
Mês: Março
Tema: Letra E
Editora Frederick Warne, 61p.
Nascida em 1866 em Bolton Gardens, ela passou sua infância convivendo
com os artistas e políticos que faziam parte do grupo de amigos de seu pai. Ensinada
por uma governanta enquanto seu irmão ia para escola, ela cresceu sendo uma
menina tímida sem amizades. Por isso, ela teve muito tempo para observar e
gostava de fazer isso com a natureza. Seu pai a estimulava em desenho e pintura.
Crescendo, manteve amizade com sua governanta e visitava sua família, e suas
cartas para as crianças foram a semente para os futuros livros sobre Pedro
Coelho.
Uma biografia curta mas muito boa, que foca nos principais
acontecimentos de sua vida, desde seu nascimento, passando pela publicação de
seus livros até sua morte. Eu vi o filme sobre a vida dela faz muito tempo e
fiquei chocada na época com a morte do apaixonado dela. Só lendo a biografia eu
fui entender mais (porque ela foi casada, então eu confundi). O livro também
traz fotos e esboços de suas ilustrações, eu amei.
21 de mar. de 2026
Os manuscritos perdidos – DLL 2026
Título: Os manuscritos perdidos
Mês:
Março
Tema:
Autora mulher
Editora
Faro Editorial, 176p.
Sinopse:
Resgatado de um naufrágio e
perdido por quase dois séculos, este livro tem uma história tão incrível quanto
as escritas pela família Brontë. Viajando por quase duzentos anos entre o Velho
e o Novo Mundo, os manuscritos passaram por diversas mãos e sobreviveram até a
um naufrágio. Mais do que os primeiros rascunhos do que viria a se tornar a
obra de Charlotte, o material revela detalhes da vida de uma das famílias mais
talentosas da literatura mundial. Tudo teve início em 1810, quando Maria
Branwell, que se tornaria mãe das famosas irmãs Brontë, obteve um livro, em sua
terra natal. Dois anos depois, ela se mudou e o exemplar estava entre seus bens
que naufragaram em um navio. O livro foi recuperado intacto e tornou-se
precioso para toda a Família Brontë, sendo não apenas uma fonte de leitura, mas
também de anotação pelas irmãs Charlotte, Emily, Anne, seu irmão Branwell e seu
pai, Patrick.
Que
livro excelente. Eu achei que era uma coisa, mas na verdade é outra. As
organizadoras do livro, cada uma através de um excelente ensaio, falam do livro
The remains of Henry Kirke White e do próprio Henry, do naufrágio em que Maria
Branwell perdeu a maior parte de seus pertences, do início de sua vida de
casada, a importância deste objeto para seus filhos e marido após sua morte, e
como o livro foi finalmente parar no Brontë Parsonage Museum. O livro consegue
ser bem detalhista, o que eu amei. Definitivamente um dos melhores livros do
ano.
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