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3 de jul. de 2023

As irmãs Romanov (Helen Rappaport) – DLL 2023


 

Título: As Irmãs Romanov: A vida das filhas do último tsar 
Autora: Helen Rappaport 
Mês: Julho 
Tema: Escrito por autora européia 
Editora Objetiva, 523p. 

Sinopse: Em 17 de julho de 1918, quatro jovens mulheres desceram 32 degraus até o porão de uma casa em Ecaterimburgo, na Rússia. A mais velha tinha 22 anos e a mais nova, apenas dezessete. Junto com os pais e o irmão de treze anos, foram cruelmente assassinadas. Seus crimes: serem filhas do último tsar da Rússia. 
Muita coisa foi escrita sobre Nicolau II, sua mulher Alexandra e o trágico destino da família imperial, como também sobre a Revolução Russa de 1917, mas pouco se disse sobre o drama das princesas Romanov, que sempre foram vistas como personagens secundárias dessa trama. Em As irmãs Romanov, no entanto, a aclamada biógrafa Helen Rappaport traz a história delas para o centro da narrativa e oferece aos leitores o mais completo relato da vida das grã-duquesas Olga, Tatiana, Maria e Anastácia. 
Tendo por base as cartas e os diários das jovens e em fontes primárias nunca antes examinadas, Rappaport desenha um quadro vívido das irmãs nos últimos dias da dinastia Romanov. Seguimos as grã-duquesas desde o nascimento, passando pela infância superprotegida, até os anos de juventude — as primeiras paixões, os sonhos, a dificuldade de lidar com um irmão hemofílico e uma mãe cronicamente inválida — e, por fim, o trauma da Revolução e suas terríveis consequências. 
Com um texto instigante, baseado em uma pesquisa meticulosa, As irmãs Romanov dá voz a essas quatro jovens e é capaz de comover leitores um século depois de suas mortes trágicas e prematuras. 

A história tem dois lados. Essa é uma frase muito comum de se ouvir. Só que eu acho que deveriam dizer: a história tem vários lados e esse livro é uma prova disso. Não é errado dizer que sobre a história da Rússia dois assuntos sempre são muito discutidos: a Revolução russa e a queda dos Romanov. Dois pontos de vista sobre o mesmo período histórico. Mas como a história não tem só dois lados, esse assunto já foi abordado por várias perspectivas: a do romance entre Nicolau e Alexandra (o livro do Massie é uma maravilha), a do assassinato dos Romanov e a discussão sobre o reconhecimento dos corpos (também outra obra-prima de Massie), e agora esse, sobre as filhas do último czar. 

Elas são quatro garotinhas. São espertas, inteligentes, mas ninguém na Rússia as quer, com exceção de seus pais. 

Esse é um ótimo trecho que define muito bem a situação de Olga, Tatiana, Maria e Anastácia. Muito amadas pelos pais, isso é fato, mas sempre deixadas de lado em prol de Alexei, o tão esperado herdeiro para o trono imperial. Tanto que Olga, a mais velha, só é considerada para assumir o governo em último caso, quando Nicolau já não tinha mais esperança de ter o filho homem. E depois, quando a saúde de Alexei se revela frágil e consideram Olga no caso de uma possível regência em nome do irmão. 
A narrativa de Helen sobre a vida das irmãs, desde o nascimento de Olga até a morte de todas prende a atenção. Eu gostei muito do fato da autora se focar bastante nos menores detalhes das vidas das irmãs, desde seus primeiros aprendizados, passando por gostos particulares e os possíveis interesses amorosos. Um tópico que eu gostaria que tivesse sido mais discutido diz respeito a opinião pública sobre as irmãs, coisa que ainda não havia lido, já que as pessoas tendem a se focar em Alexei e a hemofilia. Uma das melhores leituras do ano.

15 de jul. de 2019

Comer, rezar, amar (Elizabeth GIlbert) – DLLC 2019


Título: Comer, rezar, amar
Autora: Elizabeth GIlbert
Mês: Julho
Tema: Uma história de amor baseada em fatos reais
Editora Objetiva, 344p.

Sinopse: Em torno dos 30 anos, Elizabeth Gilbert enfrentou uma crise da meia-idade precoce. Tinha tudo que uma americana instruída e ambiciosa teoricamente poderia querer - um marido, uma casa, um projeto a dois de ter filhos e uma carreira de sucesso. Mas em vez de sentir-se feliz e realizada, foi tomada pelo pânico, pela tristeza e pela confusão. Enfrentou um divórcio, uma depressão debilitante e outro amor fracassado, até que se viu tomada por um sentimento de liberdade que ainda não conhecia. Foi quando tomou uma decisão radical - livrou-se de todos os bens materiais, demitiu-se do emprego, e partiu para uma viagem de um ano pelo mundo - sozinha.

Resolvi colocar a sinopse, ao invés de fazer o meu resumo porque se fosse fazer isso, eu colocaria a história do livro todo, essa leitura foi uma das que eu tive dificuldade em fazer um resumo que prestasse sem spoiler. Não esperava me divertir lendo ele (no sentido de ter aproveitado a leitura, não no sentido de rir). O que eu gosto nesses livros que retratam viagens é quando os personagens absorvem a cultura do lugar onde estão, o que foi o caso de Elizabeth na Itália (a melhor parada dela, na minha opinião). Livro pequeno e com uma leitura simples. Recomendo.

8 de mar. de 2017

Doctor Who (Trevor Baxendale) – IDY 2017


Título: Doctor Who: o prisioneiro dos daleks
Autor: Trevor Baxendale
Mês: Março
Tema: Ficção científica
Editora Objetiva, 207p.

A TARDIS se materializa no planeta abandonado Hurala, na estação Lodestar. Após resolver dar uma busca pelo lugar, o Doutor acaba preso e seu sinal de S.O.S. acaba sendo captado pela nave Peregrina. Ele é resgatado, e descobre que a tripulação que o salva é composta por caçadores de Daleks, e que ele viajou para uma época anterior a Guerra do Tempo. Após a morte de Stella, seus amigos da nave Peregrina conseguem capturar um Dalek vivo e pronto para ser interrogado. Mas, apesar dos sistemas da criatura estarem desarmados e ele ser torturado, eles não descobrem nada, somente depois que o Doutor ainda detecta um fio de existência na criatura ele percebe os reais objetivos e o nível do perigo a que a Terra está sujeita, pois o império Dalek não para de se expandir, destruindo tudo no seu caminho. Ao se tornar prisioneiro, o Doutor tenta virar o jogo na tentativa de sobreviver. Será que ele consegue?

Toda vez que eu começo um livro sobre o Doctor Who, passo por 3 estágios: o do arrastamento, quando parece que a leitura não consegue fluir (e eu não entendo isso, todos os que li até agora tem uma linguagem acessível, e eu ainda não vi nenhuma temporada da série para ficar confusa com termos e coisas assim); o da leitura rápida, quando eu peguei o embalo e não consigo parar de ler; e o da inconformação, quando a leitura chega no fim e eu fico querendo pelo menos o dobro de páginas com mais histórias. Esse livro sobre a aventura do Doutor com os daleks foi bem legal de ler, e mais uma surpresa, eu gostei muito do final. Claro que não entendi e nem peguei metade das referências que os fãs da série devem ter visto na leitura, mas mesmo assim a leitura foi prazerosa. Totalmente recomendado.

9 de mar. de 2016

Marilyn e JFK (François Forestier) – DL 2016


Título: Marilyn e JFK
Autor: François Forestier
Mês: Março
Tema: Memórias sobre personalidade política
Editora Objetiva, 214p.

Marilyn Monroe é uma atriz no auge da carreira. John F. Kennedy está se preparando para a candidatura presidencial. Ela, loura e sexy, que se torna a mulher mais desejada da época, teve uma infância atribulada e difícil. Sua mãe e avó eram loucas e isso sempre foi um fantasma em sua vida. John, filho de um casamento nada feliz, é um mulherengo convicto. Ambos são carismáticos, e a partir do momento em que o caminho de ambos se cruza, começa um relacionamento que vai durar dez anos. Nada secreto, pois os encontros são conhecidos pelo FBI, pela KGB e máfia. A relação esconde segredos sujos, de Marilyn e JFK, e a morte deles (um seguido do outro com a diferença de meses) os eterniza como ícones de sua época.

Eu não sei bem o que achar desse livro. História norte-americana sempre foi uma coisa que nunca me interessou e a vida de Marilyn Monroe idem. Sobre JFK, a única parte da vida dele que me interessava de vez em quando era sobre seu assassinato e as teorias de conspiração em torno do assunto. Nunca entendi o que, na época e até hoje, as pessoas viram de tão maravilhoso em Marilyn. Pra mim, ela sempre foi somente uma vadia, por ter se tornado amante do presidente americano, um homem casado.. Neste ponto, o livro é bom, porque acaba com a imagem perfeitinha do bom moço do presidente que a história resolveu perpetuar. Acima de tudo, explica o motivo de Marilyn ter se tornado um símbolo sexual dos anos 50.

Ela inventou o erotismo. Torna-se a danação de todos os homens.

Uma das melhores partes do livro é quando narra os bastidores da famosa apresentação da atriz cantando Parabéns para você no aniversário do presidente. Achei uma boa biografia, apesar de ser bem exagerada a forma como o autor relata os acontecimentos. Uma hora pendia para o drama, outra hora para a invencionice pura (principalmente no que diz respeito a descrição dos momentos em que JFK e Marilyn estavam juntos). Apesar de saber que é um livro que eu não vou ler de novo tão cedo, recomendo.

28 de jun. de 2012

O atlas esmeralda de John Stephens - DL 2012


Tema: Viagem no tempo
Mês: Junho de 2012 (Livro 3)
Leitura do mês: O atlas esmeralda
Autor: John Stephens
Editora Objetiva, 295 p.

Em uma noite de Natal, Kate, Michael e Emma são tiradas da casa dos pais para serem escondidos. Eles corriam perigo, e seus pais resolvem entregá-los para protegê-los. Kate se lembra pouco dessa noite, mas o suficiente para manter acesa na mente e no coração de seus irmãos menores a lembrança dos pais e a promessa de que um dia eles voltarão para buscá-los. Por 10 anos, eles vagaram de orfanatos em orfanatos. Quando sua última chance evapora, eles são mandados para Cambridge Falls, onde descobrem a existência de um livro que os faz viajar no tempo. Em sua primeira “viagem” ao passado, eles descobrem o mistério que, no presente, faz com que a cidade seja tão sombria e o porque de não existirem crianças vivendo nela. A partir daí, os três irmãs, juntos e às vezes separados, embarcam de volta para um passado mais distante e voltam novamente para o presente com o objetivo de encontrar o Atlas, um livro esmeralda que tem o poder de comandar o tempo e o mundo, e assim poder ajudar as crianças, derrotar a Condessa e descobrir onde estão seus pais. Anões, espíritos malignos e homens amaldiçoados também tomam parte nessa luta para que os mundos mágico e humano possam novamente existir juntos.

Uma aventura repleta de mistérios, viagens no tempo, três crianças espertas e a busca por um livro poderoso são os elementos principais do livro de John Stephens. Confesso que as várias viagens no passado me confundiram um pouco e somente no final fui entender, mas isso não desmerece de forma alguma o livro. Os personagens são muito divertidos (as implicâncias de Emma e Michael me fizeram rir bastante), mas a história tem seus momentos tristes (mas não infelizes, já que Gabriel foi salvo). Um livro que eu recomendo não só porque é de fantasia, mas também porque fala da magia da viagem no tempo de uma forma que eu poucas vezes vi igual.

24 de jul. de 2011

A Oxford de Lyra (Philip Pullman)


Esse pequeno conto começa dois anos depois da conclusão de A Luneta Âmbar. Lyra e Pantalaimon se encontram no conforto e na familiaridade da Faculdade Jordan, quando um pássaro estranho, o dimon de uma feiticeira, aparece desacompanhado e, literalmente, cai do céu. Ele está a procura de Lyra para que ela o ajude a encontrar um eleixir que slavará a vida da feiticeira. Lyra aceita ajudar, e quando ela e Pantalaimon se aproximam da casa de um alquimista de reputação duvidosa, a menina toma consciência do perigo e descobre que, mais uma vez, sua vida está em perigo. O livro é legal, um item de colecionador: acompanha um mapa de Oxford, um cartão-postal da doutora Mary Malone e um cartaz do S.S.Zenobia.
Não dá para saber os motivos que levaram Philip Pullman a escrever A Oxford de Lyra. Existem duas opções: esse livrinho seria um teste para saber se os leitores da trilogia Fronteiras do Universo se interessariam em uma continuação? Ou a história seria um interlúdio entre a destruição do mal supremo e novos males no caminho de Lyra da Língua Mágica? As duas respostas podem ser afirmativa, até porque Pullman já trabalha em um livro chamado The Dust Book (O Livro do Pó), que trará novamente as aventuras da Lyra da Língua Mágica.

19 de mai. de 2011

A luneta âmbar - Philip Pullman





Título: A luneta âmbar
Autora: Philip Pullman
Editora Objetiva, 624 p.

O terceiro e último livro da trilogia Fronteiras do Universo.
Eu li A Bússola de Ouro e A Faca Sutil para o Desafio Literário 2011, e estava louca para saber como a história terminava. Quando li o primeiro, fiquei me perguntando por quê eles, quando adaptaram para o cinema, acabaram com a história, infantilizando o filme demais. Quando li o segundo, fiquei em dúvida se a Sra. Coulter ainda seria a vilã, retratada tão perfeitamente pela Nicole Kidman. Agora que li o último livro, vi que a saga toda, de infantil, não tem nada. E tentei imaginar como seria adaptar o último livro para as telas, principalmente no que diz respeito a Will e Lyra.
Se no segundo livro, a referência a Paraíso Perdido de John Milton fica um pouco evidente, n'A luneta âmbar, é uma referência clara e total. É até engraçado. Pullman soube colocar a influência do poema de uma forma sutil, mas também bastante clara, de um jeito que eu vi poucos autores fazerem com suas referências literárias. E o Pó... Terminei o primeiro livro sabendo o que era isso, terminei o segundo com a cabeça zonza e agora terminei o terceiro entendendo totalmente.

Para quem não sabe, o poema de Milton, Paraíso Perdido, fala da queda do principal anjo de Deus, Satã, e da corrupção de Adão e Eva e sua expulsão do Paraíso. Nos livros de Pullman, Deus é chamado de Autoridade, Lyra faz referência a Eva, Will, a Adão, e a Cobra tentadora na árvore é uma cientista (antes, freira) Mary Malone. Até então, não havia entendido o papel dela na história, mas quando a chamaram de "a mulher tentadora" e ela fala que, no mundo em que ela está, as serpentes são animais que não são incomodados (ela inclusive foi parar num mundo onde os habitantes não são cobras, mas são animais com as mesmas características), clareou a minha mente. Lorde Asriel e vários outros personagens, inclusive anjos (referência aos anjos decaídos que acompanham Satã na guerra contra Deus), começam a guerra. O livro não retrata a guerra início-meio-fim, mas o leitor sabe quando começou e terminou.

Sobre o Pó e os dimons: o Pó é composto por partículas, encontradas em todos os seres. Quando crianças, as pessoas não têm muito Pó "em torno de si" (é mais ou menos essa a expressão). À medida que elas crescem, o Pó vai se concentrando nelas. E os dimons vão ganhando uma forma única quando a criança se torna adulta. No livro, Pullman coloca que o Pó (e a forma imutável do dimon) é a evidência física de que algo acontece quando a pessoa deixa de ser criança (inocente) e se torna adulta (experiente). Existe uma conotação sexual, como no caso de Adão e Eva, puros antes de cair em tentação, mas mudados após comerem a maçã. Muita concentração do Pó na pessoa é sinônimo de que ela é adulta, que ela não é mais inocente e pura. E os dimons mudando quando crianças fazem referência a quando, antes de cometerem o Pecado, Ãdão, Eva e todos os seres eram criaturas puras e semelhantes. Quando cada dimon assume uma forma diferente do outro, as pessoas vêem as diferenças entre si e se envergonham, fazendo referência a diferença entre homem e mulher (a conotação sexual).

Como Will e Lyra fazem referência ao casal primordial, eu fiquei ansiosa esperando pra ver quando seria a tentação, quando Lyra cederia a ela e Will acompanharia. Aí o romance começa entre os dois. Mas não tem uma conotação sexual, por assim dizer. É o primeiro amor. Mas acontece de um jeito que quem lê percebe a clara referência a Eva oferecendo o fruto vermelho, Adão comendo e o Pecado (o sexo) acontecendo. Mas não tem sexo nos livros. É um romance. Mas como é um referência tão explícita nesse momento, já tendo lido os outros, você até fica esperando algo assim acontecer. Não consigo imaginar isso no cinema. É uma temática forte, principalmente para crianças.
No momento em que Will e Lyra tocam um no dimon do outro, Pantalaimon e Kirjava mantém a forma em que estavam nesse momento como uma lembrança do sentimento entre eles. Pois eles se separam para sempre (como ambos saíram de mundos diferentes, só viveriam bem no mundo em que nasceram, caso contrário, a vida não seria produtiva e satisfatória para aquele que abdicou do seu mundo para viver no do outro). Como em Nárnia, o final feliz não é aquele dos contos de fadas.
E Mary Malone, como uma ex-freira que virou cientista por parar de ver significado em Deus e se torna a tentadora (apesar de não ser tão claro assim, descobrimos que ela é a tentadora por um comentário e uma sensação de Lyra), faz uma referência ao anjo decaído Satã, antes um anjo muito poderoso perante Deus, mas que também pára de ver significado Nele e se revolta.

Sobre o título e a capa: enquanto nos dois primeiros livros, titulo e capa estão claramente se conectando com a história, no terceiro, somente a capa. Não muito o título. E não digo isso porquê só percebi a utilidade do título (Luneta âmbar) depois, bem depois. A luneta é o instrumento que Mary (a tentadora) utiliza para ver que o Pó (partícula ligada a maturidade, experiência, conhecimento) está indo embora. Ao acolher Lyra e Will no lugar onde animais como serpentes são deixados em paz, ela propicia (mais ou menos) o descanso que eles precisam e que necessitam para exporem seus sentimentos. E propricia que o Pó volte a habitar nos humanos. Mais uma referência a serpente que, ao fazer com que Eva e Adão comam do fruto, faz com que os dois Conheçam. Eu já havia lido que, quando o Primeiro Homem e a Primeira Mulher comem do fruto, eles abrem seus olhos para aquilo que Deus não queria que eles conhecessem, algo muito além do Pecado, algo sobre o Conhecimento, o fato de Conhecer. É como se a serpente os tivesse tirando do controle de Deus. Aliás, a guerra toda gira em torno de matar a Autoridade e recuperar o Paraíso perdido há muito. Para isso, muitos se unem a causa de Lorde Asriel. Ele e Marisa Coulter, os pais da nova Eva, se sacrificam para que Lyra (Eva) cumprisse o seu destino: recuperasse o Paraíso, libertasse o mundo da Morte.
Essa é a parte que ilustra a capa. Will e Lyra seguidos por um cortejo de mortos, buscando a saída do mundo dos mortos. Como o dimon de uma pessoa que morre se esvanece no ar e passa a pertencer ao ar, as flores, as estrelas e a tudo que vive, os mortos desejam se unir a seus dimons queridos se transformando também em partículas que habitassem cada ser vivente. Lyra e Will os libertam do mundo escuro e eles têm esse destino. Assim, a morte morre. Aqui, já acho que faz parte só da história de Pullman: a nova Eva recuperando o que ela havia perdido (o Paraíso). Os mortos já não estão mais mortos, eles fazem parte de cada ser vivente, de cada estrela, de cada coisa.

È uma história muito boa, que nos faz pensar bastante. Particularmente, só ouvi falar de Milton ao estudar Senhor dos Anéis. Como n’O Silmarillion, onde o Valar mais poderoso se revolta contra Iluvatar, Satã n'O Paraíso se revolta contra Deus. As referências são mais profundas, não dá para falar agora. Eu li o poema e apesar de não ser muito fã de poesia, adorei. Então fiquei muito feliz quando vi uma trilogia inteira dedicada a esse assunto, apesar de ser somente uma referência literária. Indico ambos para leitura.

20 de abr. de 2011

A Faca Sutil de Philip Pullman – DL 2011



Tema: Ficção Científica

Mês: Abril de 2011 (Livro II)

Título: A Faca Sutil

Autor do livro: Philip Pullman

Editora: Objetiva

Nº de páginas: 359

Sinopse: Will tem 12 anos e acabou de matar um homem. Agora está fugindo, decidido a descobrir a verdade, sobre o pai que jamais conheceu. Sem querer, atravessa uma janela que dá para um outro mundo - onde espectros devoradores de almas assombram as ruas de uma cidade e uma estranha menina chamada Lyra está à procura do Pó. As buscas em que Will e Lyra estão empenhados têm uma ligação misteriosa e, juntos, os dois precisam procurar um objeto poderoso e secreto. Só que pessoas de mundos diferentes matariam para possuí-lo.

Quando vi a capa do livro, o que mais chamou a minha atenção foi… o gato, porque faz referência aos gatos que ou são personagens principais ou desempenham um papel muito importante na história (como Pantalaimon, que não é propriamente um gato, mas assume essa forma com muita freqüência, ou a gatinha que leva Will para outro mundo e depois o ajuda). E também mostra bacana a fissura entre os mundos e um menino, com certeza Will. Antes de ler, eu me perguntava a relação entre o título e o desenho da capa. Faz total sentido.

Eu escolhi este livro porque… é continuação do outro, claro. Mas mesmo que não fosse, mesmo que fosse um história separada, só por ser um livro de Philip Pullman já valeria a pena.

A leitura foi… intensa também, até porque como era continuação, queria muito saber onde Lyra foi parar. O engraçado é que o livro começa de um jeito totalmente diferente, tipo, não é como se o leitor acompanhasse Lyra nessa sua “viagem”, ela só aparece muito depois. A história começa mostrando outro protagonista da trilogia e o protagonista d’A Faca Sutil: Will Parry. Ele é de outro mundo, de uma Oxford diferente da de Lyra, que a primeira vista pensei que era a Oxford atual, mas não é. Acho que esse negócio de vários mundos é assim: você tem um lugar que tem um nome só, como Oxford, onde dentro dele existem vários mundos, Ou dimensões paralelas. As coisas acontecem dentro da Oxford de Will e de Lyra, sem que ambas dimensões tomem consciência da existência da outra, mas essas dimensões estão lá no mesmo lugar. E é isso que Will e Lyra descobrem, ao passarem para mundos diferentes. Claro que o livro mostra Oxfords diferentes e outros mundos também diferentes. Passagens ou aberturas entre esses mundos sempre existiram, e Will, como novo portador da faca sutil (segundo objeto mais importante depois do aletiômetro), precisa aprender a lidar com elas. Ah! Quase esqueço: depois que você lê e entende mais sobre o Pó, somado as referências ao pecado primordial e a Eva (principalmente ela), sua mente voa porque começa a aparecer uma amizade que pode se encaminhar para algo além (por favor, Deus, que isso aconteça no último livro, tanta desgraça merece um final bacana) entre Will e Lyra. Então, com todas essas referências teológicas e sabendo mais ou menos o papel que Lyra vai desempenhar na história (pelo menos é o que dizem, ainda não terminei o terceiro livro), é até engraçado pensar nesse interesse entre esses dois, que estão naquela fase de transição entre o infantil (meninas odeiam meninos e vice-versa) e a juventude (quando hormônios começam a ser mais atuantes). Quando o Publishers Weekly avaliou o livro, escreveu: “O segundo volume da trilogia Fronteiras do Universo começa em um ritmo frenético e jamais desacelera.” Não podia ser uma avaliação mais acertada.

O personagem que eu gostaria de ter ajudado (sempre ajudado, porque a situação é tão crítica que você só pode querer ajudar) é o Lee Scoresby Por quê? Por quê é um personagem do lado do bem, e diferentemente dos verdadeiros (e loucos) pais de Lyra, ele realmente se importava com ela. Fiquei chocada com o seu destino, chorei, odiei Pullman como odiei Rowling (uma coisa passageira, claro) e ainda não me conformo.

O trecho do livro que merece destaque: todo o livro. Todinho.

A nota que eu dou para o livro: 5 (de novo, 1000!!!!!! Temos que aumentar essa pontuação, Vivi. A nota “5”, mesmo sendo a mais alta, não faz jus a nota máxima que muitos livros merecem.)

A Bússola de Ouro de Philip Pullman – DL 2011



Tema: Ficção Científica

Mês: Abril de 2011 (Livro I)

Título: A Bússola de Ouro

Autor do livro: Philip Pullman

Editora: Objetiva

Nº de páginas: 429

Sinopse: Quando Roger, amigo de Lyra, desaparece, ela e seu daemon, Pantalaimon, resolvem procurá-lo. Viajam para os reinos frios do Norte, onde urso de armadura e bruxas-rainhas voam pelos céus congelados. Lyra possui um aparelho que auxiliará na missão - caso ela consiga decifrar suas mensagens misteriosas. Mas o equipamento contém segredos assustadores sobre a viagem e os perigos que os esperam em mundos distantes.

Quando vi a capa do livro, o que mais chamou a minha atenção foi… acho que o urso. Apesar de ter a ver com a história, acho que podia ser outro animal, porque as cenas em que o urso aparece são importantes, mas não o vejo como principal personagem do todo.

Eu escolhi este livro porque… eu queria ler há muito tempo, mas tinha medo de não gostar. Depois da saga Crepúsculo (que eu ainda não li o último livro, mas li a tradução na internet e ODIEI o final, só comprei o livro pra completar a coleção) e de Percy Jackson (que teve o filme estragado, por isso me deu medo de comprar a coleção e não gostar), estou meio traumatizada com sagas. Mas esse livro totalmente valeu a leitura.

A leitura foi… ÓTIMA. Eu AMEI esse livro, AMEI essa história. Na minha lista de coleções, essa, Fronteiras do Universo, está em quarto lugar, só perdendo para a trilogia O Senhor dos Anéis (óbvio, primeiríssimo lugar), Harry Potter (segundo) e As Crônicas de Nárnia (terceiro).
Eu vi o filme quando lançaram em 2007, e sempre fico meio assim quando vejo a adaptação antes de ler o livro, porque depois eu fico tentando me lembrar quais partes cortaram no cinema e eu não consigo mais imaginar os personagens, eles passam a ser como os atores que eu vi no cinema. Também consegui entender o que era o Pó, coisa que eu voei no filme. Essa adaptação é um exemplo de como se pode “estragar” (apesar de não ser exatamente essa palavra) uma saga que teria tudo para ser um enorme sucesso no cinema. O pior de tudo é que eu nem sei como eles conseguiram fazer isso, porque a Nicole Kidman estava PERFEITA como Sra. Coulter (eu nunca tinha visto ela fazer papel de vilã e adorei), Daniel Craig estava magnífico como Lorde Asriel, Dakota Blue Richards estava legal mesmo sendo iniciante. O filme também ganhou nomes de peso como Ian McKellen dando voz ao urso Iorek (que eu pensava que era a voz do Liam Neeson), além de Christopher Lee e outros grandes nomes. Os efeitos usados para criar os dimons, a Aurora Boreal e tudo isso foram perfeitos. Pantalaimon era uma gracinha, Stelmaria (dimon de Lorde Asriel) e o macaco dourado (um mico-leão dourado, pra ser mais exata, dimon da Sra. Coulter) também perfeitos. Então realmente não entendo porque eles infantilizaram a trilogia, por que as críticas feitas a Igreja, que são o ponto alto da história, desaparecem. Mas vamos ao livro.
Emocionante. Prende a atenção do leitor desde o início. A história começa em Oxford, mas uma Oxford de outro mundo, que eu, particularmente, adoraria conhecer. A narrativa começa devagar, mas já com um “quê” de mistério, mencionando o Pó. No decorrer do livro, o leitor percebe que Lyra também tem um papel muito importante, tipo “a criança prometida ou esperada” ou algo assim. Como Nárnia, é uma obra cercada de motivos e temas cristãos, e o que eu mais gostei é que, diferente de Nárnia mais sutil (apesar de Aslan ser claramente uma alusão a Deus e Cristo e às vezes mostrar isso logo de cara), Fronteiras do Universo (falo da trilogia apesar de ainda não ter lido o último livro) faz uma alusão a algo mais bacana: a guerra de um anjo (conhecido depois como Lúcifer) contra Deus e sua queda. Eu li por alto e estudei um pouco do poema de Milton (Paraíso Perdido), que fala exatamente dessa guerra. É algo parecido o que querem fazer nessa trilogia, mas ao invés de anjos, é um simples humano que quer matar a Autoridade, como chamam Deus no livro. Acho que é por isso que eu gostei tanto dessa história, me lembrou demais O Silmarillion (estudei Milton tentando identificar sua influência na queda de Melkor, o primeiro Senhor do Escuro da mitologia tolkeniana). É uma história que, como eu disse, prende a atenção do início ao fim. Também emociona. Chorei absurdamente em duas partes: primeira, quando Lyra descobre o que é a interseção, o que acontece com as crianças e os dimons que são separados, e segunda, no final, quando aquilo (que eu não vou dizer o que é) acontece com Roger. Odiei Lorde Asriel por isso. E aconteceu o mesmo que quando eu lia a morte do Cedrico Diggory em Harry Potter e o Cálice de Fogo, a morte do Sirius em Ordem da Fênix, a morte de Dumbledore em Príncipe Mestiço e em TODO o Relíquias da Morte: tive que voltar e ler de novo porque não acreditava que aquilo tinha acontecido.

O personagem que eu gostaria de ter ajudado foram todas as crianças que sofreram a interseção. Por quê? Obviamente porquê era uma interseção, uma castração. Como o dimon é a alma da pessoa, que adquire qualquer forma animal até a pessoa se tornar adulta quando o dimon ganha uma forma definitiva. Como uma castração, é um processo doloroso e até impensável, apesar de ser praticado. Mostram como fica uma criança que passa por isso (ela não vive muito) e os pobres dos dimons também. Triste, triste, triste.

O trecho do livro que merece destaque: Todo o livro, sem exceção, merece destaque.

A nota que eu dou para o livro: 5 (Queria dar 1000!!!!)