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21 de jan. de 2026

História da fundação de Belém (José Valente) – DLL 2026


 

Título: História da fundação de Belém
Autor: José Valente
Mês: Janeiro
Tema: Escolhido ao acaso
Editora Cejup, 55p.

A situação na Europa que levou a descoberta do Brasil, a exploração das nossas riquezas, os contatos com os índios, as lutas entre os europeus pelo território brasileiro, até a chegada e fundação de Belém. De maneira leve, o autor fala das intrigas políticas e da relação entre europeus e nativos, sempre com uma linguagem de fácil entendimento.

Um livro que foi um verdadeiro achado. O livro não usa uma linguagem infantil, mesmo que se pense que é uma publicação do tipo por conta das poucas páginas. O autor fala dos principais acontecimentos na Europa e aqui no Brasil até a fundação de Belém. Como esse ano a minha cidade completa 410 anos, achei que esse livro seria uma boa pedida, mesmo que não tenha sido minha primeira escolha para o tema.

19 de jan. de 2026

Igrejas, palácios e palacetes de Belém (Jussara Derenji e Jorge Derenjo) – DLL 2026


 

Título: Igrejas, palácios e palacetes de Belém
Autores: Jussara Derenji e Jorge Derenjo
Mês: Janeiro
Tema: Ambientando na cidade
Editora IPHAN, 228p.

Sinopse: O sexto volume da coleção Roteiros do Patrimônio trata da história da criação dos mais importantes exemplares do patrimônio arquitetônico de Belém, antes de propor roteiros de visitação em que constam as informações necessárias à plena fruição dos palácios, palacetes e igrejas indicados. Divididos entre os períodos de seu surgimento, esses monumentos da arquitetura civil e religiosa são estudados em detalhe, com a descrição do estilo, características originais e modificações sofridas posteriormente.

O segundo livro dessa coleção publicada pelo IPHAN que eu leio. Dessa vez, sobre os palacetes de Belém, alguns ainda vistos em pé hoje em dia em Belém, símbolos da riqueza trazida pela exploração das borracha. Eu adorei os detalhes sobre os antigos casarões, e queria mais fontes específicas sobre Antônio Landi, porque a história pessoal dele é bem interessante. Com muitas fotos antigas e atuais de Belém, esse livro é um pequeno tesouro na minha estante. Recomendo.

5 de jul. de 2023

Cleópatra (Alberto Angela) – DLL 2023

 


Título: Cleópatra: a rainha que desafiou Roma e conquistou a eternidade 
Autor: Alberto Angela 
Mês: Julho 
Tema: Com mais de 300 páginas 
Editora HarperCollins, 448p. 

Sinopse: O mundo de hoje não seria o mesmo sem Cleópatra: uma soberana culta, inteligente e dotada de extraordinária habilidade tanto na diplomacia quanto na guerra. Uma mulher poderosa, incrivelmente moderna para a época e, ao mesmo tempo, capaz de causar enormes explosões amorosas. Mas quem foi realmente a última rainha do Egito? Apesar de fazer parte do imaginário de todos, sua figura histórica ainda é pouco conhecida e conta com diversos episódios enigmáticos, uma vez que foram poucos os fatos que resistiram ao tempo e à destruição. Alberto Angela decidiu não apenas reconstruir a vida de Cleópatra e seus habilidosos movimentos no xadrez internacional, mas também os amores e as paixões da rainha que, em certo sentido, conquistou Roma, rastreando fontes históricas, consultando estudos modernos e nos levando até as caóticas ruas da capital do mundo antigo, o cais do excêntrico porto de Alexandria e os sangrentos campos de batalha, encontrando pessoas, histórias e costumes. Com seu estilo inigualável, Alberto Angela nos faz reviver o período que marcou uma grande mudança na história de Roma, relatando o assassinato de Júlio César, que decreta o fim da República, a morte de Marco Antônio e de Cleópatra (cuja tumba nunca foi encontrada) e o nascimento do Império com Augusto no poder. Cleópatra ― A rainha que desafiou Roma e conquistou a eternidade é uma viagem no tempo entre o Ocidente e Oriente, uma redescoberta da mulher sábia que conquistou seu lugar em uma era fascinante e agitada, repleta de contradições, intrigas, paixões e conflitos que marcaram nosso passado e ajudaram a formar a civilização como a conhecemos hoje. 

Um dos melhores livros que já li sobre Cleópatra. Um dos mais diferentes também. O autor não romanceia, nem se atreve a fazer uma biografia onde a explicação dos fatos seja dita como “aconteceu isso, aconteceu aquilo” com toda a certeza e arrogância que na maioria das vezes caracteriza um biógrafo. Já que a maior parte da vida de Cleópatra que chegou ao público atual depende de escritos antigos e várias fontes, Alberto se preocupa em falar dos acontecimentos de acordo com essas várias fontes, ao invés de se basear somente em uma delas. O meu conhecimento sobre a vida de Cleópatra se deve aos romances de Margaret George, mas como todo romance, muita coisa nessa trilogia acaba sendo escrita de um ponto de vista muito suave e que acaba não explicando nada. Alberto explica (por exemplo, o ato de engolir uma pérola raríssima e valiosa no jantar com Marco Antônio) de forma contundente e científica. Valeu cada minuto da leitura.

9 de set. de 2022

O último duelo (Eric Jager) – DLL 2022



Título: O último duelo 
Autor: Eric Jager 
Mês: Setembro 
Tema: Um livro histórico 
Editora Record, 287p. 

Uma mulher casada tem a visita inesperada do amigo do seu marido em sua casa. A visita se torna inconveniente e depois agressiva, resultando em um estupro. Ela é aconselhada pelo agressor a não abrir a boca, porque as consequências para ela seriam muito ruins. No entanto, Marguerite se recusa a engolir a humilhação e conta tudo para o marido. O resultado disso é o último julgamento por combate realizado na França durante a Idade Média. 

Eu fiquei curiosa sobre esse livro assim que saiu a notícia sobre o lançamento do filme com o Adam Driver (aliás, um filme com um hype tão grande pelos fãs do ator que virou um desastre de bilheteria). Não me decepcionou em nada a leitura. O autor é bem objetivo, ele não perde tempo tentando preencher as lacunas com cenários e acontecimentos muito imaginativos, o que acaba acontecendo quando se conta um fato histórico em que as fontes são muito escassas. Dá para perceber o nível da pesquisa que foi feita para que o livro pudesse ser escrito, os detalhes sobre cada lado da história acabam sendo fascinantes. Leitura que vale a pena.

6 de set. de 2021

The secret history of Star Wars (Michael Kaminski) – DLL 2021

 

Título: The secret history of Star Wars
Autor: Michael Kaminski 
Mês: Setembro 
Tema: Calhamaço (+ 500 páginas) 
Editora Legacy Books, 626p. 

Sinopse: Star Wars is one of the most important cultural phenomena of the Western world. The tale of Luke Skywalker, Han Solo, and the fall and redemption of Anakin Skywalker has become modern myth, an epic tragedy of the corruption of a young man in love into darkness, the rise of evil, and the power of good triumphing in the end. But it didn’t start out that way. In this thorough account of one of cinema’s most lasting works, Michael Kaminski presents the true history of how Star Wars was written, from its beginnings as a science fiction fairy tale to its development over three decades into the epic we now know, chronicling the methods, techniques, thought processes, and struggles of its creator. For this unauthorized account, he has pored through over four hundred sources, from interviews to original scripts, to track how the most powerful modern epic in the world was created, expanded, and finalized into the tale an entire generation has grown up with. 

Star Wars has undoubtedly become the prime mythology of the twentieth century […] 

Bom, esse ano eu acho que me fartei de livros sobre Star Wars. No início do ano, para outro desafio com esse mesmo tema e para o DLL, eu havia selecionado dois livros sobre a história de Star Wars. A diferença entre ambos os livros é que um está em português, e o outro em inglês, que no caso é este. Como o tema do outro desafio ficou para o mês de março, resolvi colocar esse aqui para um mês mais longe, porque ler dois calhamaços seguidamente é um desafio por si até para uma leitora voraz como eu. E também porque eu queria tempo para comprar esse livro e chegar aqui, já que com a pandemia os correios estão mais lentos e esse livro só vende em loja internacional. Acabou que, depois de ler o escolhido para o outro desafio, eu resolvi comprar o ebook desse livro ao invés do físico porque percebi que não só ambos falariam do mesmo assunto, como o outro era mais atual (o livro de Kaminski é de 2007, enquanto o do Taylor é de 2015, ou seja, é mais completo). Gostei bastante, apesar de já saber bem mais do que antes sobre como começou Star Wars. De onde surgiram as ideias de George Lucas, quais foram os primeiros esboços da primeira trilogia, como começou a produção da segunda trilogia. O livro de Taylor fala mais sobre a vida de George Lucas, mas mesmo que esse seja mais “resumido” sobre esse aspecto, não é nada que desmereça o livro de Kaminski. O que eu mais apreciei neste livro foram os apêndices, onde o autor explora mais algumas curiosidades: os diários dos whills e a origem de Darth Vader (não somente dentro da história, mas como o “dark father”, pai sombrio). Livro muito recomendado para qualquer fã de Star Wars.

9 de dez. de 2020

Os Romanov (Robert K. Massie) – DLL 2020


Título: Os Romanov: o fim da dinastia
Autor: Robert K. Massie
Mês: Dezembro
Tema: Um livro que você ganhou
Editora Rocco, 269p.

Na madrugada do dia 17 de julho de 1918, Nicolau, Alexandra e seus cinco filhos foram acordados por Yakov Yurovsky e notificados que deveriam ir se esconder no porão da casa onde estavam porque a cidade estava agitada e eles corriam risco de serem atingidos caso houvesse tiroteio nas ruas. Obedecendo as ordens, o czar e sua família se dirigiram ao porão e junto com eles foram o médico da família Eugene Botkin, o valete de Nicolau, Trupp, a camareira de Alexandra, Demidova e o cozinheiro Kharitonov.

“Tendo em vista o fato de que seus parentes continuam a atacar a Rússia Soviética, o Comitê Executivo do Ural decidiu executá-los.”

O que se seguiu foi o assassinato de Nicolau, Alexandra, seus filhos e funcionários. Alguns morreram na hora, outros foram mortos com mais brutalidade e perda de controle por parte dos carrascos. Vendo que a execução não tinha saído como planejado, Yurovsky se apressou a dar fim nos corpos. Desfigurados, despidos e roubados (as grã-duquesas haviam costurado suas jóias dentro dos corpetes), os mortos foram jogados na mina mais profunda na área conhecida como Quatro Irmãos e detonaram a entrada da mina com bombas.
Quando Yurovsky voltou a Ekaterinburg, encontrou a cidade fervilhando de comentários sobre o assunto. Com o Exército Branco se aproximando, decidiu que precisava enterrar os corpos em um novo local. Retirar os corpos da mina, escolher um novo local e dar um sumiço mais permanente nos corpos levou todo o dia 18 de julho até que na madrugada do dia seguinte:

o veículo ficou definitivamente atolado. Já que não chegaríamos até as minas profundas, só podíamos enterrá-los ou queimá-los. Queríamos queimar Alexei e Alexandra Feodorovna, mas, por engano, em vez dela queimamos sua dama [Demidova] e Alexei. Enterramos os restos ali mesmo, sob a fogueira, jogamos pás de argila por cima dos restos, acendemos outra fogueira no local e espalhamos as cinzas e brasas, a fim de cobrir totalmente os vestígios da cova. Enquanto isso uma vala comum era cavada para os outros. Por volta das sete da manhã, outra cova de dois metros de profundidade com dois e meio metros quadrados estava pronta. Os corpos foram colocados no buraco e ensopados fartamente com ácido sulfúrico de modo a não serem reconhecidos e impedir qualquer odor de decomposição. Enchemos de galhos e de cal, cobrimos com madeira e passamos o caminhão por cima diversas vezes – até não restar vestígio do buraco. O segredo foi bem guardado – os Brancos não encontraram o local do sepultamento.

Em 1919, um investigador jurídico descobre resquícios de objetos pessoais da família e ossos calcinados durante uma escavação nos Quatro Irmãos, mas dada a situação no país, Sokolov só publica seus achados em 1924, no livro Inquérito judicial sobre o assassinato da família imperial russa, que se torna um relato oficial do assassinato da família imperial e obriga o governo soviético a mudar a história sobre o destino da imperatriz e seus filhos, que ainda eram acreditados como vivos, mas escondidos. A partir daí, se sucedem investigações em busca dos ossos e exames para reconhecer e enfim dar um destino digno aos restos mortais dos últimos Romanov.

Publicado em 1968, The Sokolov investigation, de autoria de John F. O'Connor, traduz do russo partes do livro de Sokolov, Inquérito judicial sobre o assassinato da familia imperial russa.

A primeira coisa que devo dizer sobre esse livro é que: os nomes mais importantes nele não são de Nicolau ou Alexandra ou de suas filhas e seu filho, mas sim dos investigadores que descobriram, analisaram e escreveram sobre a descoberta e reconhecimento dos corpos encontrados em uma cova secreta em Ekaterinburg. São eles:

-Nikolai Sokolov, investigador jurídico que iniciou em janeiro de 1919 uma investigação sobre o paradeiro da família real com a permissão do “Chefe Supremo” do Governo Branco da Sibéria;
-Alexander Avdonin,e Geli Ryabov, ambos interessados na “mistério” da morte dos Romanov que descobrem a cova onde os corpos foram enterrados e encontram alguns crânios;
-Sergei Abramov, cuja equipe conseguiu identificar sem DNA os mortos, com exceção de Maria e Alexei, cujos esqueletos faltavam;
-William Marples, criador do Laboratório de Identificação Humana da Universidade da Flórida, cuja equipe também examina os esqueletos e constata que quem falta é Anastásia, ao invés de Maria;
-Peter Gill, responsável pelos testes de DNA que identificaram os esqueletos com mais precisão.

Robert K. Massie faz um excelente relato sobre o assassinato dos Romanov, a descoberta dos restos mortais e a investigação em busca da confirmação das mortes. Ele mostra que Moscou não somente sabia do assassinato da família inteira, mas aprovava e também ocultou informações sobre o assunto do resto do mundo. Ele não somente cita os primeiros investigadores que descobriram a cova e as ossadas em 1979, Avdonin,e Ryabov, mas relata o processo da descoberta, o pacto que fizeram de não mencionar nada e mais tarde, a quebra desse pacto. Ele faz um apanhado da história soviética e como as mudanças políticas permitiram que fossem feitas investigações mais profundas para se encontrar todos os esqueletos e se reconhecer as pessoas a quem eles pertenciam.

Casa de Ipatiev, onde a Nicolau e sua família ficou de abril a julho de 1918 e onde foram assassinados. A casa foi destruída em 27 de julho de 1977, depois que o lugar havia se transformado em um local de peregrinação.

Achei essa parte a mais interessante (e um pouco macabra, dado o relato do estado dos ossos) do livro por conta da descrição completamente detalhada que Massie faz. Ele fala da confusão entre Abramov e Marples e suas discordâncias sobre os esqueletos faltantes. Gostei da abordagem objetiva sobre as implicações políticas, e mais importantes, familiares de levar os ossos dos Romanov para um laboratório forense em Aldermanston, na Inglaterra, por conta de testes de DNA para se identificar as pessoas a quem os esqueletos pertenciam.
Foi bom ver que ele abordou outras questões: o que houve com a Casa de Ipatiev, as reações do povo de Ekaterinburg e a posição da Igreja Ortodoxa Russa:

Paralisada por 75 anos de submissão ao Estado ateu, a Igreja Ortodoxa Russa ainda peleja para achar um meio de lidar com a execução dos Romanov. Se morreram como mártires, deveriam ser canonizados como santos – como de fato foram pela Igreja Ortodoxa Russa no Exterior, em 1981. Ainda que Nicolau e sua família não fossem considerados vítimas de martírio e merecedores de canonização, mas simplesmente vítimas de um assassinato político, a igreja se sentia na obrigação de levar em conta sua morte violenta. (Mesmo não tendo considerado o assassinato do czar Alexandre II, em São Petersburgo, em 1881, um martírio, a Igreja Ortodoxa Russa construiu no local a Catedral do Sangue para perpetuar a memória do czar.) 
Mesmo antes da exumação dos esqueletos de Ekaterinburg, o arcebispo local queria erguer uma igreja memorial na área da Casa de Ipatiev. “Este é o lugar onde começou o sofrimento do povo russo”, afirmou o arcebispo Melkhisedek. A igreja seria chamada Catedral do Sangue Derramado para “simbolizar a penitência da sociedade e expurgar as ilegalidades e as repressões desmedidas que foram infligidas durante os anos do bolchevismo”.[...]

Um assunto sobre o qual Massie se debruça é a questão da briga entre Moscou e Ekaterinburg pelo controle dos ossos dos Romanov, e o papel de Vladmiri Soloviev, um procurador-criminologista que tratou a investigação como processo criminal, e passou a querer tanto a determinação final sobre as identidades dos restos mortais quanto ao paradeiro das duas crianças que faltavam. O autor dedica a segunda parte do livro para falar dos impostores que surgiram alegando serem as crianças desaparecidas, sendo a mais famosa impostora Anna Anderson ou Franziska Schanzkowska (dentre outros nomes).
De muitas formas, esse livro acabou sendo bem diferente do que eu esperava. Ganhei ele ano passado num sorteio deste desafio, e o engraçado é que quando coloquei ele na estante do skoob, achei que seria mais uma biografia sobre os Romanov. Acabei com o relato sobre todos os passos da investigação para se descobrir os restos mortais da família, o que foi muito mais interessante. Essa minha resenha acabou ficando enorme justamente por causa disso, é tanta informação, tanto detalhe que me deu vontade escrever e escrever mais para fazer com que todo mundo tenha vontade de ler. Um dos melhores livros que li esse ano, completamente indicado.

12 de out. de 2018

Negação (Deborah E. Lipstadt) – D12ML 2018


Título: Negação
Autora: Deborah E. Lipstadt
Mês: Outubro
Tema: Um livro que comece com a inicial do seu nome
Editora Universo dos Livros, 432p.

Deborah E. Lipestadt é uma conceituada historiada e professora em uma universidade renomada em Atlanta. Ao receber uma carta da Peguin Editora, responsável pela publicação de seu livro Denying the holocaust, Deborah não sabe exatamente como reagir a notícia de que está sendo processada por David Irving, um renomado estudioso de Hitler também famoso por ser um negacionista do holocausto. Em seu livro, Deborah o cita de maneira negativa e David resolve processá-la por difamação, mas diferente de como acontece nos EUA (onde o acusador teria que provar que Deborah mentira), na Inglaterra é a parte acusada que deve provar que está dizendo a verdade. E assim começa um processo que levará anos até que ambos se ponham na frente do juiz. O julgamento começa e à medida que estudiosos e especialistas começam suas explicações, as verdades, mentiras e distorções sobre um dos períodos mais negros da história humana são expostas.

A primeira vez que entrei em contato com a história do julgamento de Deborah Lipstad foi através do filme de mesmo nome lançado em 2017. Não só porque o elenco é excelente, mas porque a temática, apesar de polêmica, também é um assunto que vale qualquer debate. Então quando peguei o livro, já sabia o que ia encontrar e esperava que o livro fosse mais profundo e abrangente. O que, obviamente ele é. Recheado de detalhes sobre ao extermínio de judeus, o livro também traz logo no início um breve resumo da vida de Deborah e o caminho que ela trilhou até se transformar na professora conceituada que é hoje.
Ao mesmo tempo, dá uma vontade imensa de esganar David Irving. Primeiro, ele não nega que os judeus foram vítimas da guerra, ele só “não admite” que o comando de exterminá-los partiu de Hitler, que as mortes não foram casualidades da guerra, que os campos não tinham como objetivo o extermínio, e finalmente, que tudo não passa de lenda para os judeus adquirirem vantagem financeira.

“Um extermínio é um extermínio”, respondeu em voz baixa. Irving continuou insistindo que aquelas pessoas morreram em virtude de “condições ruins” e não de um sistema de extermínio planejado e o rosto de Peter foi ficando cada vez mais vermelho. Virando-se de modo a não olhar para Irving, falou duramente: “O propósito do campo de concentração não era manter os prisioneiros vivos. […] o propósito do campo de concentração aqui era claramente fazer as pessoas morrerem. […] Não se pode compará-lo a uma prisão nem nada do tipo em um país civilizado".

A medida que o julgamento acontece, cada uma das alegações de Irving é demolida, mesmo com ele negando e negando e negando. A cada vez que a defesa ganhava em um ponto, eu celebrava. O final é excelente, claro depois de ver o filme, fiquei aliviada porque sabia qual seria a sentença. Um dos melhores livros que eu já li, na verdade essa livro é uma senhora aula de história. Completamente recomendado, assim como o filme.

O filme



Em segundo lugar, ficou claro desde o início que o filme seria uma defesa da verdade histórica. Defenderia que, embora os historiadores tenham o direito de interpretar os fatos de formas distintas, eles não têm o direito de conscientemente deturpar os fatos. Necessária aos historiadores, tal integridade certamente aplicasse também aos roteiristas. Se eu quisesse oferecer um relato do julgamento e do comportamento de David Irving, não poderia desfrutar da licença de especular ou inventar, a qual costuma ser concedida a escritores.

O filme é exatamente isso. Claro que o início é diferente, eles não perderam tempo explicando ou mostrando a vida de Deborah, mostram ela atuando em seu campo (ministrando aulas sobre o holocausto). A partir daí, começa a preparação de Deborah e sua equipe para lidar com Irving. Muita coisa ficou de fora da adaptação, claro, mas os principais aspectos estão presentes: a viagem a Auschwitz, a indignação de Deborah ao ser auxiliada a permanecer calada dentro e fora do tribunal, o depoimento de Van Pelt (um dos historiadores chamados pela defesa).
Uma das melhores cenas foi o momento da deliberação do juiz antes de todos se retirarem para que ele pudesse avaliar tudo e proferir a sentença (isso eles não mudaram praticamente nada e, como Deborah, você consegue sentir a total frustração – no meu caso, eu quase pirei de raiva com essa colocação):

Em seguida, fez o que descreveu como sendo sua “última pergunta”. “Se alguém é antissemita […] e extremista, ele é perfeitamente capaz de ser, por assim dizer, honestamente antissemita e honestamente extremista no sentido de ter essas visões e expressá-las porque elas são, de fato, suas visões?” 
Rapidamente verifiquei a tela do computador para ter certeza de que tinha ouvido direito. O juiz Gray estava sugerindo que, se Irving honestamente acreditasse em suas declarações antissemitas e racistas, elas eram aceitáveis?

Como eu falei acima, o final é o que se espera de um tribunal justo, mesmo que às vezes durante o julgamento tenha parecido o contrário. Vale muito a pena. Para terminar, deixo aqui uma palestra de Deborah sobre o assunto:

17 de ago. de 2018

A descoberta do novo mundo (Mary Del Priore) – BL 2018


Título: A descoberta do novo mundo
Autora: Mary Del Priore
Mês: Agosto
Tema: Livro que abandonou
Editora Planeta do Brasil, 120p.

Pedro e Paulo são dois meninos maltrapilhos que são embarcados para a Terra de Santa Cruz, ou Brasil, com o objetivo de servir de “língua” aos padres jesuítas que já haviam se instalado aqui. Vivenciar os perigos do mar numa viagem muito difícil transforma os meninos em amigos, e ao pisarem em terra firme novamente, se veem rodeados por novos sons, cores e pessoas, vivem aventuras e passam por grandes perigos.

Eu tinha uma vontade enorme de ler esse livro desde que achei ele numa busca pelos livros da Mary del Priore. Achei que seria um livro com linguagem mais acadêmica, então fiquei muito surpresa quando comecei a ler e vi q não era nada disso. Pelo contrário, a leitura é leve, não demora nada justamente por que é um livro que tenciona ensinar um pouco da história do Brasil para crianças. na verdade, eu escolhi esse livro para essa categoria porque quase abandonei (quase, porque eu nunca abandono a leitura de um livro, se comecei, eu TENHO que terminar). A linguagem consegue ser tanto um ponto positivo quando negativo, pois enquanto não é complexa, também não é envolvente. As ilustrações de João Lin são bonitas e conseguem dar um gostinho do que o leitor vai encontrar em cada capítulo. Recomendo para quem gosta dos livros da Mary, simplesmente porque dá gosto ver alguém escrevendo bem sobre a história do Brasil.

13 de jul. de 2018

1822 (Laurentino Gomes) – D12ML 2018


Título: 1822: como um homem sábio, uma princesa triste e um escocês louco por dinheiro ajudaram Dom Pedro a criar o Brasil – um país que tinha tudo para dar errado
Autor: Laurentino Gomes
Mês: Julho
Tema: Um livro com número no título
Editora Nova Fronteira, 352p.

Sinopse: Nesta nova aventura pela História, Laurentino Gomes, o autor do bestseller "1808", conduz o leitor por uma jornada pela Independência do Brasil. Resultado de três anos de pesquisas e composta por 22 capítulos intercalados por ilustrações de fatos e personagens da época, a obra cobre um período de quatorze anos, entre 1821, data do retorno da corte portuguesa de D. João VI a Lisboa, e 1834, ano da morte do imperador Pedro I. “Este livro procura explicar como o Brasil conseguiu manter a integridade do seu território e se firmar como nação independente em 1822", explica o autor. "A Independência resultou de uma notável combinação de sorte, acaso, improvisação, e também de sabedoria de algumas lideranças incumbidas de conduzir os destinos do país naquele momento de grandes sonhos e perigos”.

O segundo livro do Laurentino Gomes que eu leio e, como o primeiro, não deixa nada a dever no quesito da precisão das informações históricas. É sempre bom pegar um livro que acaba com certos mitos, no caso, da independência brasileira que, de pacífica, não teve nada (durante os 21 meses em que durou esse processo, milhares de pessoas morreram em ambos os lados). Esse é (ou deveria ser) um livro de leitura obrigatória, pela qualidade do trabalho que nos leva a saber mais sobre a nossa história.

13 de mar. de 2017

Faraona de Tebas (Francis Fèvre) – IDY 2017



Título: Faraona de Tebas: Hatchepsut, filha do Sol
Autor: Francis Fèvre
Mês: Março
Tema: Autor francês
Editora Mercuryo, 259 p.

Este livro narra de maneira simples a história de Hatchepsut. Filha da rainha Ahmósis e do faraó Tutmósis I, neta do faraó Amenófis I, a futura faraona de Tebas é a primeira da quinta geração de rainhas e princesas da 18ª dinastia. O nascimento real não corresponde às expectativas do pai, que queria um filho varão para evitar contestação ao trono por parte de outros príncipes reais (o faraó possuía um numeroso harém). A menina cresce, ao mesmo tempo em que é apresentado ao leitor Tutmósis II, filho de uma concubina (mas mesmo assim príncipe real) que será seu futuro marido. Tudo era válido para perpetuar o sangue real; o incesto era prática constante. Assim, Hatchepsut e seu meio irmão se casam, mas a morte do faraó entroniza os dois jovens. A rainha mãe Ahmósis desempenha um papel significativo na vida dos dois jovens unidos por questão de Estado. O tempo passa, crianças reais nascem, mas Hatchepsut só tem duas meninas, enquanto o varão nasce da concubina. A história corre o risco de se repetir, no entanto Tutmósis II morre sem deixar sucessor varão adulto. A rainha se torna regente do jovem faraó. E se apodera do título durante o segundo ano de sua regência. Aqui, a história da faraona de Tebas se inicia.

Muito interessante a colocação do autor quando afirma que a princesa, mesmo sendo filha da rainha e indiscutivelmente perpetuadora do papel da mãe, era bem menos que um menino (impressionante a capacidade, desde a antiguidade, de denegrir a mulher, mesmo uma recém-nascida a um segundo lugar, sem antes dar qualquer chance dela ter algum tipo de atuação). É meio irritante, já que existem certas semelhanças com a cultura contemporânea (isso é o que eu chamo de velhos hábitos serem difíceis de mudar!). O livro é ótimo; descreve a vida da rainha ao mesmo tempo em que traça o contexto histórico da época (ocorrem até algumas comparações com o mundo contemporâneo!). Muito recomendado.

23 de dez. de 2016

O assassinato do arquiduque (Greg King e Sue Woolmans) – RC 2016


Título: O assassinato do arquiduque
Autores: Greg King e Sue Woolmans
Mês: Dezembro
Tema: Sobre um grande evento mundial
Editora Cultrix, 376p.

Durante o início do século XX, existiam três grandes impérios europeus: o alemão, o russo e o autro-húngaro. Francisco Fernando, herdeiro do imperador Francisco José, se negou a desposar outras jovens, teimou e casou com Sofia Chotek, que não era nem de longe considerada adequada ao herdeiro do trono da Áustria-Hungria. Mesmo hostilizados pela nobreza e pelo próprio imperador, Francisco Fernando e Sofia conseguiram construir um lar e uma família onde os filhos não tinham carência nem de bens materiais e nem de afeto, coisa rara nas famílias reais européias.
Preocupado com o futuro dos filhos, já que sua união com Sofia era morganática, Max não seguiria seu pai no trono e ele, Ernst e Sofia não herdariam nenhum bem considerado da realeza, o arquiduque se empenhou em capacitar os filhos para viver sem títulos reais e, mais importante, sem justificativas para se rebelar no futuro e exigir o que não lhes era devido. A vida das crianças e do mundo muda completamente, no entanto, quando as balas de um jovem nacionalista sérvio atingem os alvos e mata Sofia e Francisco Fernando.
O que se vê a partir daí é a deflagração de uma guerra que atinge o mundo inteiro por várias décadas e variadas teorias da conspiração tanto sobre os motivos que levaram o arquiduque a fazer uma viagem considerada arriscada quanto sobre a falta de planejamento na segurança em Sarajevo. No âmbito pessoal, o destaque se dá ao tratamento mesquinho dado aos primeiros órfãos da Primeira Guerra Mundial e como, até hoje, a bisneta do casal morto luta para reaver o patrimônio da família.

Existem por aí livros aos montes, bons e ruins, sobre os eventos que antecederam e procederam a Segunda Guerra Mundial, além de outros tantos sobre os horrores de durante esse período (os vários diários de guerra de refugiados sobreviventes dos campos de concentração são alguns exemplos). Então eu queria algo diferente, que nunca tivesse lido. Depois de muita pesquisa, achei esse sobre os acontecimentos que levaram a Primeira Guerra Mundial.
Eu lembro das minhas aulas de história, onde antes de se entrar mais profundamente no assunto, se falava do assassinato do arquiduque Francisco Fernando e sua esposa Sofia. Esse tópico se resumia a uma simples frase (a guerra começou quando assassinaram o arquiduque Francisco Fernando e sua esposa), era sempre assim, uma frase curta e bem simples. Então quando eu vi esse livro e li a sinopse, percebi que poderia saber muito mais sobre a primeira guerra mundial a partir da perspectiva dos envolvidos no acontecimento desencadeador da guerra. E que bela escolha eu fiz! Este livro é um dos melhores que li do gênero. O modo como os autores descrevem a vida do arquiduque e suas relações tanto políticas quanto familiares com o imperador austro-húngaro é de uma qualidade ímpar. Sem drama e sem floreios, ele fala dos fatos como todo escritor deveria fazer (mas poucos fazem, diga-se de passagem).
Com esse livro, eu aprendi porque o título de arquiduque valia mais do que de príncipe e em que condições Francisco Fernando se tornou herdeiro; entendi mais a questão política da Áustria-Hungria; ouvi falar pela primeira vez sobre uma relação morganática (como foi o casamento entre o arquiduque e Sofia) e o que resultaria disso para os filhos de um casamento desse tipo; soube que seus filhos homens foram presos em campos de concentração durante um período da Segunda Guerra (isso foi uma completa novidade) e sobre os bastidores da viagem do herdeiro do trono austro-húngaro para Sarajevo, local onde ele viria a ser assassinado e as consequências do assassinato na vida dos filhos; principalmente, aprendi muito mais sobre esse período tão distante na memória das pessoas, mas que teve consequências muito sérias para o resto do mundo.
Lançado no ano em que o assassinato do arquiduque completa 100 anos, o livro traz também fotos antigas e atuais da família até a geração atual, além de um prefácio escrito por Sophie Von Hohenberg, bisneta de Francisco Fernando e Sofia. Parece tão surreal que ainda estejam vivos descendentes de grandes personagens históricos, senti isso quando li o prefácio, dá um toque de realidade há algo que está relegado aos livros de história, o que eu acho fantástico. O modo pessoal de Sophie descrever um certo momento familiar é... não tenho palavras para descrever. Adorei o livro, aprendi muito com ele e tenho certeza que voltarei a ler. Um senhor achado e virou tesouro da minha estante. Completamente recomendado.

19 de ago. de 2016

O guardião de livros (Christina Morton) – RC 2016



Título: O guardião de livros
Autora: Christina Morton
Mês: Agosto
Tema: Livro sobre livros
Editora Casa da Palavra, 310p.

A família real portuguesa já havia fugido de Portugal para o Brasil, mas a biblioteca ficou para trás, esquecida no cais. Em 1811, um bibliotecário chamado Luís Joaquim dos Santos Marrocos, faz a mesma viagem, levando caixas e mais caixas de livros e manuscritos que dariam origem ao acervo que hoje, compõe a Biblioteca Nacional no Rio de Janeiro. A viagem, que não foi comemorada por Joaquim, foi difícil e ao chegar no Brasil, ele se depara com uma terra onde nada é capaz de conquistá-lo. Nem a comida, nem os cheiros. Somente uma jovem de boa família parece fazer com que ele esqueça o calor e comece a aproveitar as belezas das terras tupiniquins.

Eu tenho esse livro há um tempão. A capa me deixou curiosa de primeira, mas demorei para ler porque é um daqueles livros cuja temática é típica dos desafios que eu gosto de participar. Valeu a pena esperar, apesar de ter começado a ler meio na defensiva. Arrastei a leitura até o ponto em que Luís Joaquim chega no Brasil. Depois ficou divertido de ler, até porque eu já havia lido A longa viagem da biblioteca dos reis, da Lilia Moriz Schwarcz, que fala da vinda dos manuscritos e livros da biblioteca real portuguesa para o Brasil e o nascimento da Biblioteca Nacional. Gostei dos vários pontos de vista sob o qual o leitor acompanha a história, das diferentes percepções sobre os acontecimentos do livro. A sinopse não diz muita coisa, o que faz pensar que é um livro de ficção, mas quando se abre o livro para mais informações e se descobre que Joaquim existiu, pensa-se que é uma biografia, mas não é, e sim um simples romance baseado em sua vida. Recomendo.

1 de jun. de 2016

1808 (Laurentino Gomes) – DL 2016


Título: 1808: Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil
Autor: Laurentino Gomes
Mês: Junho
Tema: Ganhador de algum prêmio
Editora Globo Livros, 384p.

Em 1807, a família real portuguesa chega no Brasil, com ajuda dos ingleses (em troca de uma aliança), fugindo das tropas de Napoleão Bonaparte Assim, a família real se estabelece em terras brasileiras, que não estavam de modo algum preparadas para recebê-los. Por 14 anos, a corte portuguesa viveu na colônia, sob o reinado do não preparado e influenciável D. João, que assumiu o trono português quando seu irmão mais velho morreu ao ser acometido por varíola. Ao voltar para Portugal, após a derrota de Napoleão, D. João deixa seu herdeiro, Dom Pedro I para cuidar de sua preciosa colônia.

Sempre tive curiosidade em ler esse livro. Gostei. Não é uma leitura fácil, não por ter uma linguagem rebuscada ou algo assim, mas você precisa gostar de história. Para escrever esse livro, Laurentino fez uma vasta pesquisa em acervos históricos variados, daí a enormidade de fontes e detalhes (alguns até cômicos, como a falta de higiene do rei). Mesmo assim, o livro passa longe daquelas publicações acadêmicas que retratam a fuga da corte portuguesa para o Brasil. É sempre bom ler livros assim, para se ter uma noção mais ampla da maneira que esse “início de país” influencia até hoje na situação do Brasil. Completamente recomendado.

9 de mai. de 2016

Príncipe William (Randi Reisfeld) – DL 2016


Título: Príncipe William: o garoto que será rei
Autora: Randi Reisfeld
Mês: Maio
Tema: Rosto humano na capa
Editora Manole, 138p.

O solteiro mais cobiçado do mundo (ou ao menos era até se casar com Kate Middleton em 2011), Príncipe William de Gales, filho do Príncipe Charles, herdeiro do trono da Inglaterra, e da Princesa Diana, a mulher mais fotografada do mundo. Aos 16 anos, William era como qualquer outro jovem de sua idade, tirando o fato de seus pais serem famosos: gostava de rock, de ir ao cinema, de fast food, e acima de tudo, gosta de privacidade. Ele e seu irmão, Harry, tiveram (e ainda tem) que lidar com a fama indesejada de várias formas. No entanto, William é mais cobrado, pois um dia ele será rei.

Eu achei sinceramente que essa biografia não seria muito diferente das que eu já li sobre o príncipe William. De certa forma, não tem muito fato novo, o que eu espantei foi o fato de ser uma biografia lançada logo depois do falecimento de sua mãe. Diferente das biografias e documentários mais atuais, em que os autores focam no seu relacionamento com sua mulher, a duquesa Catherine, esse livro é legal porque foca na infância e adolescência de William. Um livro pequeno que proporciona uma leitura rápida. Recomendo para quem gosta de biografia sobre a realeza inglesa.

9 de mar. de 2016

Marilyn e JFK (François Forestier) – DL 2016


Título: Marilyn e JFK
Autor: François Forestier
Mês: Março
Tema: Memórias sobre personalidade política
Editora Objetiva, 214p.

Marilyn Monroe é uma atriz no auge da carreira. John F. Kennedy está se preparando para a candidatura presidencial. Ela, loura e sexy, que se torna a mulher mais desejada da época, teve uma infância atribulada e difícil. Sua mãe e avó eram loucas e isso sempre foi um fantasma em sua vida. John, filho de um casamento nada feliz, é um mulherengo convicto. Ambos são carismáticos, e a partir do momento em que o caminho de ambos se cruza, começa um relacionamento que vai durar dez anos. Nada secreto, pois os encontros são conhecidos pelo FBI, pela KGB e máfia. A relação esconde segredos sujos, de Marilyn e JFK, e a morte deles (um seguido do outro com a diferença de meses) os eterniza como ícones de sua época.

Eu não sei bem o que achar desse livro. História norte-americana sempre foi uma coisa que nunca me interessou e a vida de Marilyn Monroe idem. Sobre JFK, a única parte da vida dele que me interessava de vez em quando era sobre seu assassinato e as teorias de conspiração em torno do assunto. Nunca entendi o que, na época e até hoje, as pessoas viram de tão maravilhoso em Marilyn. Pra mim, ela sempre foi somente uma vadia, por ter se tornado amante do presidente americano, um homem casado.. Neste ponto, o livro é bom, porque acaba com a imagem perfeitinha do bom moço do presidente que a história resolveu perpetuar. Acima de tudo, explica o motivo de Marilyn ter se tornado um símbolo sexual dos anos 50.

Ela inventou o erotismo. Torna-se a danação de todos os homens.

Uma das melhores partes do livro é quando narra os bastidores da famosa apresentação da atriz cantando Parabéns para você no aniversário do presidente. Achei uma boa biografia, apesar de ser bem exagerada a forma como o autor relata os acontecimentos. Uma hora pendia para o drama, outra hora para a invencionice pura (principalmente no que diz respeito a descrição dos momentos em que JFK e Marilyn estavam juntos). Apesar de saber que é um livro que eu não vou ler de novo tão cedo, recomendo.

19 de fev. de 2016

A evolução da escrita (Carlos M. Horcades) – RC 2016


Título: A evolução da escrita: história ilustrada
Autor: Carlos M. Horcades
Mês: Fevereiro
Tema: Não ficção
Editora Senac Rio, 128p.

Uma verdadeira viagem no tempo através das formas de escrita. O livro faz um resumo da invenção da escrita, passando pela Idade Média e Renascença, falando sobre Gutenberg, até o século XX. O livro também trata um pouco da história de alguns dos mais significativos calígrafos, tipógrafos e impressores. Carlos M. Horcades consegue falar dos principais tipógrafos em cada momento histórico e as principais variações de estilos tipográficos. Ele retrata desde os registros pictográficos até a classificação das letras, de acordo com o estilo, através de paralelos com os movimentos artísticos da humanidade.




Um livro maravilhoso. Não entendo nada de design, mas sou bibliotecária e amo tudo que se refere a história da escrita, dos livros e das bibliotecas. Era minha matéria favorita na faculdade. Comprei esse livro nessa época, mas acabou ficando guardado. Finalmente tive uma chance de ler e amei. O apanhado histórico que o autor faz em cada época e as ilustrações maravilhosas dos estilos tipográficos (a imagem acima é só um exemplo), tudo nesse livro vale a pena. Completamente recomendado.

9 de nov. de 2015

A máquina de xadrez, de Robert Löhr – DL do Tigre 2015


Tema: Cabe no bolso
Mês: Novembro
Leitura do mês: A máquina de xadrez
Autor: Robert Löhr
Editora BestBolso, 351p.

Wolfgang von Kempelen apresenta ao mundo pela primeira vez sua máquina de xadrez. Ele encanta a nobreza com sua invenção, onde um boneco vestido de turco derrotava qualquer humano, e faz um sucesso tremendo durante sua turnê pelas principais cidades européias, como Amsterdam, Frankfurt e Berlim. O que ninguém sabe é que, diferentemente do que o inventor propagava, o boneco não podia pensar para raciocinar a complexidade de um jogo de xadrez; dentro da máquina se escondia um anão, excelente jogador de xadrez, contratado para manipular o boneco.Os céticos continuam desconfiando da invenção, e um deles, Friedrich Knaus, mecânico da corte da imperatriz da Áustria e da Hungria, Maria Teresa, é quem mais se empenha em desvendar o mistério por trás do autômato. Apesar do sucesso, o barão Von Kempelen começa a sentir a pressão da sua mentira e a morte suspeita de uma bela aristocrata ameaça trazer a verdade a tona.

Eu achei esse livro por acaso em um daqueles momentos em que não se tem nada para fazer e você entra na livraria só para passar o tempo, foi uma questão de se deixar levar pela curiosidade suscitada pelo título. Queria saber se era a história real da máquina de xadrez. Acontece que é mesmo, em forma de romance. Algumas vezes me senti meio perdida em relação ao enredo, sem conseguir identificar o que era história do que era romance, mas o epílogo dá uma ajudinha ao resumir o acontecimento e as figuras reais. Algumas vezes a leitura me entediou, mas de modo geral eu gostei do livro. Recomendo.

13 de jul. de 2015

O diário de Helga (Helga Weiss) – RC 2015


Título: O diário de Helga
Autora: Helga Weiss
Mês: Julho
Tema: Memórias
Editora Intrínseca, 238p.

Nascida em Praga em 1929 (o mesmo ano de nascimento da famosa Anne Frank), Helga era uma pré-adolescente quando a Segunda Guerra começou. Ela viu de perto quando começaram os ataques aéreos, a invasão da Alemanha, o início das ordens antijudaicas, o uso das estrelas até os transportes, levando famílias inteiras para destinos desconhecidos. Ela e sua família são levadas para Terezín, um dos campos de concentração. A propaganda era que eles estavam indo para escaparem da guerra, e se antes Helga era inocente no que dizia respeito a guerra, a partir desse momento ela começa a perceber as mentiras por trás das palavras bonitas de preocupação. Em Terezín, ela e sua mãe são separadas do seu pai, apesar de poder manter contato. Entre doenças, fome e maus tratos, elas vivem até que chega a convocação para Auschwitz. O pai havia ido antes, e a despedida foi a última vez que a família esteve reunida. O medo de ficar sem a mãe, já bastante debilitada, é tão grande que Helga não se importa mais, ela só deseja que morram juntas. O fim da guerra chega, mas Helga é um das poucas crianças que sobrevivem a ela.

Este livro é, sem sombra de dúvida, a melhor publicação da editora Intrínseca no qual eu já tive a chance de pôr as mãos. Mais do um livro de história sobre os judeus durante a Segunda Guerra Mundial, o diário de Helga Weiss, escrito por ela e entregue ao seu tio para ser escondido, é um relato de uma menina que foi mandada aos campos de concentração nazistas e sobreviveu. O livro foi editado por Helga quando a guerra acabou, mas a mensagem continua lá, assim como os sentimentos de quem experimentou algumas das piores formas de se tratar o ser humano, Quando eu vi esse livro pela primeira vez, fiquei muito na dúvida. Primeiro porque eu já aprendi que histórias sobre a Segunda Guerra Mundial não tem final feliz. Segundo, eu não curto muito biografias, sejam elas do tipo que forem (apesar de ter gostado de ler O Diário de Anne Frank). Mas não agüentei, comecei a ler e não parei. Não tenho como descrever o que senti ao ler esse livro, só posso dizer que a história é tocante, ainda mais pelo fato de saber que a própria Helga editou o livro, que conta com ilustrações feitas por ela e uma pequena entrevista onde ela responde algumas perguntas sobre a vida nos campos e as pessoas que perdeu neles. Dividido em três partes – Praga, Terezín e Auschwitz -, este livro emocionante traz uma nova visão a uma das maiores manchas na história da humanidade.

11 de mai. de 2015

A longa viagem da biblioteca dos reis (Lilia Moritz Schwarcz) – RC 2015


Título: A longa viagem da biblioteca dos reis: do terremoto de Lisboa à Independência do Brasil
Autora: Lilia Moritz Schwarcz
Mês: Maio
Tema: Não-ficção
Editora Companhia das Letras, 558p.

No dia 1º de dezembro de 1755, um terremoto destruiu a cidade de Lisboa. Incêndios eclodindo por todos os lugares, as águas do Tejo subiram e trouxeram barcos, despojos e corpos dos que resolveram se refugiar no porto. Construções antigas como a Basílica de Santa Maria foram destruídas, o Palácio Real e sua Real Biblioteca eram nada mais que escombros. No entanto, a Real Biblioteca ou Livraria real, como ícone da monarquia, logo foi refeita por iniciativa do Marquês de Pombal através do acúmulo de coleções, dentre elas o acervo do Colégio Jesuíta de Todos os Santos. Percorrendo o tortuoso caminho da história de Portugal após o terremoto, a biblioteca régia participa de vários eventos que fizeram a história portuguesa e também a brasileira. Sendo instrumentos de poder para os reis, nada mais normal que D. João, ao embarcar fugindo para o Brasil com sua família, também fizesse questão de trazer os livros. Apesar de terem ficado esquecidos em caixotes no cais em Portugal, os livros eventualmente acabaram chegando no Brasil, onde o acervo cresceu devido ao acréscimo de livros vindos de Lisboa e da compra de coleções particulares. D. João retorna a Portugal, levando com ele alguns documentos, e D. Pedro assume a regência do Reino do Brasil. O príncipe não acata as ordens de voltar a Portugal, a independência do Brasil é proclamada e as obras que vieram com seu pai custam de indenização 2 milhões de libras esterlinas.

Não tenho palavras para descrever o prazer que foi ler este livro. Desde os meus tempos na UFPA, enquanto rodava a biblioteca central atrás dos livros para os trabalhos (eu me recusava a tirar xerox dos livros que não iria precisar depois, sempre emprestava os livros das matérias não específicas do curso de Biblioteconomia). Junto a estes livros, eu sempre tentava também emprestar livros que tivessem relacionados a história das bibliotecas e quando vi este livro, enlouqueci. Não só porque fala basicamente da história inicial da nossa Biblioteca Nacional, mas porque as ilustrações das pinturas e gravuras são ma-ra-vi-lho-sas!!! Consegui comprar só recentemente, mas a espera valeu. O trabalho dos pesquisadores Lilia Moritz Schwarcz, Paulo Cezar de Azevedo e Angela Marques da Costa é de um primor e qualidade ímpar que impressiona até quem não é muito chegado ao assunto. Dois capítulos eu tenho como favoritos: o capítulo 4, “Uma nova biblioteca: um novo espírito”, que fala da história do livro e das bibliotecas até chegar na Real Biblioteca, e o 8, “O destino da biblioteca em terras brasileiras”, que aborda sua instalação em terras brasileiras. O livro também conta com uma seção de notas explicativas, uma cronologia e muitas reproduções de ilustrações de artistas renomados e de obras e livros que fazem parte do acervo. Eu indico este livro total e completamente para qualquer um, seja bibliotecário ou não, basta ser amante de livros.

15 de abr. de 2015

História de Anne Frank vai virar animação

Uma das mais emocionantes histórias sobre os horrores da Segunda Guerra Mundial que eu já li foi relatada no diário de Anne Frank. Pois bem, essa história vai virar uma animação, nas mãos do cineasta israelense Ari Folman. O projeto acontece a partir de uma combinação entre a tradicional técnica dos desenhos criados à mão com a animação em stop-motion. De acordo com o site Hypeness:



O filme começou a ser produzido no ano passado, em Londres, e conta com a colaboração do artista plástico Andry Gent para criar as miniaturas utilizadas no stop-motion. O ilustrador David Polansky, conhecido por seu trabalho em Valsa com Bashir, ficará responsável pelo desenho 2D. Ainda sem um título definido, a obra contará a história de Anne a partir da perspectiva de Kitty,sua amiga imaginária.

O projeto ainda não tem data de estréia nem nome definido, mas algumas imagens já foram liberadas, que você confere abaixo e no site Hypeness.