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24 de ago. de 2026

198 livros: PAQUISTÃO – Malala e seu lápis mágico (Malala Yousafzai)

Quando menina vivendo no Paquistão, Malala sonhava em ter um lápis mágico, porque com ele ela poderia desenhar uma realidade melhor do que aquela em que vivia. Mas quando apareceram homens que diziam que meninas não deveriam ir a escola, Malala percebeu que as coisas precisavam mudar imediatamente. A partir desse momento, ela consegue se fortalecer para desafiar sua realidade e tentar muda-la.


Um livro gracinha, infantil, com ilustrações delicadas que mostram a realidade cruel em que Malala vivia no Paquistão quando criança. Um livro que pode ser utilizado por país e professores, porque trata de temas muito importantes, sendo o principal: a educação como ponto de partida para um mundo melhor. Um dos melhores achados do ano.

Editora Companhia das Letrinhas.
44 páginas.

27 de jul. de 2026

198 livros: PORTUGAL – Marília de Dirceu (Tomáz Antonio Gonzaga)

Sinopse: Depois de Camões, Tomás Antônio Gonzaga é o poeta que tem mais leitores na língua portuguesa. Incontáveis edições já foram tiradas, no Brasil e em Portugal, das famosas liras de Marília de Dirceu, que com prestígio não menor têm transitado noutros idiomas: inglês, alemão, francês, italiano e espanhol.
Ainda que extremamente elaboradas, denotando o virtuosismo do poeta, essas liras parecem brotar espontaneamente dos mais calorosos recônditos da alma, e é esta harmonia entre a técnica e a emoção que fazem de Gonzaga o grande poeta que os leitores de hoje aprenderam a amar. De resto, soube ser original, dando um passo à frente da poesia de seu tempo: entre os cenários pastoris sem nome e sem história, próprios do Arcadismo, ele introduziu a cor local e retalhos da amarga história da colônia: a Vila Rica dos anos da "derrama" e da malfadada Conjuração Mineira.


A leitura é fácil e confesso que para mim foi mais agradável do que todos os livros obrigatórios para vestibular que li na vida porque trouxe uma característica do Romantismo (apesar de ser uma obra com muitas marcas do Arcadismo): a figura da mulher amada entra no plano idealizado mas acessível. Surpreendentemente, gostei da leitura.

Editora Martins Claret.
224 páginas.

22 de jun. de 2026

198 livros: LITUÂNIA – Siberian Haiku (Jurga Vilé)

Sinopse: Sinopse: One morning in June 1941, a quiet village in Central Lithuania is shaken out of its slumber by the sudden arrival of the Soviet Army. Eight-year-old Algiukas awakes to the sound of Russian soldiers pounding on the door. His family is given 10 minutes to pack up their things. They are not told where they’re going or for how long. Na airless freight train carries them from the fertile lands of rural Lithuania to the snowy plains of the Siberian taiga. There, in the distant, dismal North, they begin a life marked by endless hunger and unrelenting cold. And yet the darkness of exile is lightened, for Algiukas, by flights of imagination. Drawing on her father’s exile in Siberia, writer Jurga Vile brings to light a neglected episode from the history of the Soviet Union. Beautifully drawn by Lina Itagaki, Siberian Haikuuses a child’s perspective to tell na unforgettable story of courage and human endurance.


Existem muitas histórias, em livros e HQs, que falam sobre a coragem e a capacidade humana de resistir a situações extremas, perigosas e muitas vezes inconcebíveis, em tempos de guerra, mas essas histórias, quando encontro, são sobre o holocausto. Então essa hq, que foca em tempos de União Soviética, foi um achado. Recomendado. 

Editora SelfMadeHero.
40 páginas.

20 de mai. de 2026

198 livros: ARGENTINA – Legião (Salvador Sanz)

Todas as músicas já foram criadas? Já vimos todas as cores existentes? Conhecemos todas as formas possíveis? 
Felizmente, não. 

Quando a pintora Azul Cobalto descobre uma nova cor, que é impossível de ser impressa ou reproduzida; quando o músico Félix cria uma nova melodia; quando Alicia Parodi, responsável por uma escultura (a única pessoa que parece perceber que ela integra um conjunto que forma uma grande obra); quando tudo isso acontece... O apocalipse vem logo em seguida.



As três primeiras linhas dessa resenha mostram a forma que começa a review na descrição dessa Hq nas lojas virtuais. Pelo tom, percebe-se de cada um tom apocalíptico. E o leitor acerta em cheio. Uma história curta, uma arte brutal. Parece que essa é a marca registrada de Salvador Sanz. Eu não posso falar muito sobre isso porque essa foi a primeira obra dele que eu resolvi ler. Apesar de não gostar muito do tipo de história, a hq realmente impressiona. Valeu a leitura para me fazer conhecer o autor.

Editora Zarabatana.
64 páginas.

22 de abr. de 2026

198 livros: IRLANDA DO NORTE – The picture of Dorian Gray (Oscar Wilde, Roy Thomas)

Sinopse: A new Marvel Illustrated epic! Painter Basil Hallward has done a portrait of a strange subject—youthful Dorian Gray, a man with a mysterious and tangled history. The young man broods on how unfair it is that he will age and his portrait will remain ever young. He wishes with all his might that it were otherwise – and in some bizarre, magical way – it is! This is a novel of dark wonders brilliantly brought to life in the heralded Marvel illustrated style.
A história de Dorian Gray foi um dos primeiros clássicos que eu li. Apesar de ter escolhido C.S. Lewis para essa categoria, mudei de ideia quando achei essa hq porque nunca tinha lido nenhuma adaptação em quadrinhos dessa história que, surpresa, é uma das minhas favoritas, apesar de não gostar do gênero. Me ganhou só pelo fato da arte seguir o estilo art déco dos anos 20. Valeu muito a pena a leitura.

Editora Marvel.
153 páginas.

27 de mar. de 2026

198 livros: PERU – Cartas a um jovem escritor (Mario Vargas Llosa)

Sinopse: Em uma série de reflexões em forma de cartas, Vargas Llosa responde às inquietações de quem deseja trilhar o caminho da escrita. Combinando experiências pessoais, análise de grandes obras e discussões sobre técnica narrativa, o autor reflete sobre elementos essenciais do romance ― como tempo, espaço, narrador e ritmo ― e oferece preciosos conselhos sobre os mais variados temas, como disciplina e vocação.
Ao revelar como a literatura pode ser uma forma de entender o mundo e a si mesmo, ele reafirma a importância da imaginação e da liberdade criativa. O resultado é uma aula magistral sobre o ofício da escrita para todos que partilham da paixão pelos livros.
Em primeiro lugar, eu tenho que dizer que esse livro não foi minha primeira opção. Pelo seu tipo, livro de cartas e livro de “recomendações” (ou dicas, apesar de que nenhuma dessas duas palavras defina muito bem o que quero dizer), eu fiquei muito na dúvida sobre ele, porque adoro livro de cartas mas não gosto muito do outro tipo. Li. Gostei. Principalmente porque o autor fala de suas próprias experiências pessoais.

Editora Alfaguara.
176 páginas.

28 de jan. de 2026

198 livros: ZIMBÁBUE – A garota no trem (Paula Hawkins)

Sinopse: Todas as manhãs Rachel pega o trem das 8h04 de Ashbury para Londres. O arrastar trepidante pelos trilhos faz parte de sua rotina. O percurso, que ela conhece de cor, é um hipnotizante passeio por galpões, caixas d’água, pontes, casebres e aconchegantes casas vitorianas.
Em determinado trecho, o trem para no sinal vermelho. E é de lá que Rachel observa diariamente a casa de número 15. Obcecada com seus belos habitantes – a quem chama de Jess e Jason -, Rachel é capaz de descrever o que imagina ser a vida perfeita do jovem casal.
Até testemunhar uma cena chocante, segundos antes de o trem dar um solavanco e seguir viagem. Poucos dias depois, ela descobre que Jess – na verdade Megan – está desaparecida.
Sem conseguir se manter alheia à situação, ela vai à polícia e conta o que viu. E acaba não só participando diretamente do desenrolar dos acontecimentos, mas também da vida de todos os envolvidos.
Uma narrativa extremamente inteligente e repleta de reviravoltas, A garota no trem é um thriller digno de Hitchcock a ser compulsivamente devorado.
A primeira vez que eu vi o filme baseado nesse livro foi sem pretensão. Fiquei surpresa de gostar, e tendo finalmente lido o livro, deu pra notar que um não deixa nada a dever ao outro. Eu li com os atores na cabeça, então acho que isso foi mais um fato que me levou a gostar do livro também. Recomendo.

Editora Record.
378 páginas.

23 de dez. de 2020

198 livros: INGLATERRA – Como parar o tempo (Matt Haig)

Tom Hazar é um homem com a aparência de um quarentão, mas a realidade é outra: ele têm mais de séculos de vida. Não envelhecer é o seu grande segredo. Por isso, ele é obrigado a viver fugindo, se escondendo e adquirindo novas identidades a medida que o tempo passa. Acima de tudo, a regra primária de sua vida é: não se apegar a ninguém, não se apaixonar. Graças a problemas da sua época de origem, Tom não achava essa regra difícil de seguir, até ficar cansado e querer dar alguma razão a sua longa existência. Quando resolve voltar a Londres e se tornar professor de história, ele nem imagina que essa regra que regeu sua vida desde muito tempo antes pode estar ameaçada.


A primeira regra é não se apaixonar.

Eu já havia lido um livro parecido com esse, e de novo por causa de uma adaptação: Um conto do destino, porque gostei de Colin Farrel fazendo um personagem romântico. Eu só fui atrás de Como parar o tempo porque ouvi dizer que Benedict Cumberbatch, outro ator favorito, irá protagoniza-lo (e eu já consigo imaginá-lo totalmente nesse papel). A temática de volta ao tempo foi melhor aproveitada neste livro, devo dizer e mesmo sem querer comparar os dois romances na minha cabeça, não dá para evitar pois as semelhanças são muitas. Enfim. Sobre o livro. Gostei de como o autor entremeou a narrativa entre presente e passado, e de como o protagonista vivenciou situações no presente que o remetiam para o passado tumultuoso dele (o que mostra que ninguém se livra de seu passado. Ok, muito filosófico isso).

Editora HarperCollins Brasil.
320 páginas.

18 de nov. de 2020

198 livros: CHILE – Rogue One: the ultimate visual guide (Pablo Hidalgo)

O guia essencial e abrangente de Rogue One: A Star Wars Story. Este emocionante formato de referência acompanha o aguardado rimeiro filme independente de Star Wars: Rogue One. Este título lindamente detalhado apresenta perfis detalhados de personagens, além de 5 seções transversais de veículos e locais mapeados recentemente encomendados e totalmente anotados. Com texto claro e autoritário, este livro é embalado com informações essenciais - e apresentado ao lado de fotos impressionantes do filme.


Rogue One: uma história Star Wars foi o segundo filme de Star Wars lançado e é, disparado, um dos melhores filmes da saga e (para muitos) o melhor da era Disney. Esse livro é um guia sobre o filme, com várias informações muito legais sobre os personagens, objetos, história e lugares. Eu gostei muito de saber mais sobre a mãe de Jyn Erso, já que no filme ela pouco aparece. O livro tem um tamanho razoável para a quantidade de informações, e eu senti falta dos atores falando dos seus personagens, mas acho que isso fica por conta dos extras do dvd (que eu ainda não tenho). Adorei, e recomendo.

Editora DK Chidlren.
200 páginas.

23 de out. de 2020

198 livros: ESPANHA – A espanhola inglesa (Miguel de Cervantes)

Isabela foi sequestrada aos sete anos de idade na cidade de Cádiz por Clotaldo, cavalheiro inglês e comandante de esquadra, pai de Ricaredo. Levada para Londres, a menina é criada como integrante da família mas apresentada socialmente como escrava. A situação complica quando o jovem Ricaredo se apaixona por Isabela, e ambos vão fazer de tudo pra fazer valer seus sentimentos dentro de uma sociedade completamente preconceituosa.


Uma história de amor impossível entre dois adolescentes, é disso que se trata esse livro (que ainda bem, é pequeno). Apesar de não ser muito meu tema favorito graças ao drama que esse tipo de história geralmente carrega, gostei da leitura pela sátira em relação ao preconceito predominante na Espanha do século XVI. Vale a pena, recomendo.

Editora Rocco.
104 páginas.

23 de set. de 2020

198 livros: CORÉIA DO SUL - Por favor, cuide da mamãe (Kyung-sook Shin)

Sinopse: Park So-nyo, 69 anos, mãe de cinco filhos, desapareceu. Ao chegar a Seul para visitá-los, saindo de sua aldeia com o marido, com quem é casada há mais de 50 anos, ela é deixada para trás em meio à multidão em uma plataforma da estação de metrô. Como fez a vida toda, ele simplesmente supôs que a esposa o seguia. Essa é a última vez em que Park é vista. Começa então a procura, liderada pelos filhos e o marido, que se transforma em uma exploração emocional repleta de remorso e marcada pela triste descoberta de uma mulher que ninguém nunca conheceu. Narrado pelas vozes de uma filha, de um filho, do marido e da própria mulher desaparecida, Por favor, cuide da Mamãe é, ao mesmo tempo, um retrato da Coreia do Sul contemporânea e uma história universal sobre família e amor.


Ninguém consegue decidir qual foto de Mamãe você deve usar. Todos concordam que deve ser a mais recente, mas ninguém tem uma foto recente dela. Você lembra que em determinado momento Mamãe começou a detestar que a fotografassem. Fugia até dos retratos de família.

Eu fiquei meio perdida com esse livro. Não me leve a mal, eu gostei muito, porque mostra uma visão emocionante sobre uma família, sobre conhecer quem faz parte dela. Geralmente quando posto a sinopse oficial ao invés de escrever uma minha, é porque eu já reescrevi a minha várias vezes e nunca fica boa pela quantidade de spoiler da história que eu acabo dando, e isso só me acontece quando eu pego um livro MUUUUITO bom. Gostei do fato de que é um narrador para cada capítulo do livro (ele tem só cinco capítulos); outra coisa muito boa é que não se endeusa a mãe (o que podia acontecer, já que ela está desaparecida), ela é mostrada como um indivíduo com tudo que isso implica, e mostra muito bem a preocupação dos filhos. Livro muito tocante, completamente recomendado.

Editora Intrínseca.
240 páginas.

19 de ago. de 2020

198 livros: SUDÃO - Sister's entrance (Emtithal Mahmoud)

Uma coleção de poemas que trata de temas fortes: genocídio, diáspora, racismo, preconceito religioso (contra o islamismo), infância, a inocência do primeiro beijo... Um livro cru e ao mesmo tempo comovente, que desafia o leitor a cada poema.


Mais um livro de poemas, porque parece que eu não consigo encontrar outro gênero *revira os olhos* Achei que seria mais um livro que eu me forçaria a ler por causa do desafio e da dificuldade em achar um autor. Não me arrependi porque os poemas são fortes. Muito. Engraçado como os temas abordados no livro já viraram comuns neste desafio, considerando as biografias que já li. Gostei muito e recomendo, foi uma das leituras-surpresa esse ano.

Editora Andrews McMeel.
128 páginas.

22 de jul. de 2020

198 livros: GUINÉ-BISSAU - A última tragédia (Abdulai Silla)

Ndani é uma jovem que foge de sua casa para Bissau para trabalhar como criada na casa de brancos. Ela procura pro alguém que aceite seus serviços, mas leva muitas respostas negativas, até que começa a trabalhar na casa de Maria Deolinda e seu marido. Mas sua patroa é católica fervorosa, não aceita seu nome e começa a chama-la de Maria Daniela. Além de sempre ter ficado encantada com as histórias de uma de suas madrastas sobre trabalhar em casa de brancos, Ndani também foi para a capital para fugir uma maldição imposta por um líder religioso de onde morava. Ao longo da história, Ndani comprova o que sua madrasta falava sobre o quanto os brancos eram diferentes dos negros.


O livro é bacana, mas fiquei confusa em alguns momentos porque o autor usou muitas palavras da cultura guineense, mas isso não foi tanto um problema porque ele incluiu um glossário. A história prende atenção porque a linguagem é acessível, e o autor não deixa pontas soltas, ele amarra todos os acontecimentos da história que está sendo contada. Livro muito indicado.

Editora Pallas.
188 páginas.

22 de jun. de 2020

198 livros: ÁFRICA DO SUL - Infância (J.M. Coetzee)

Sinopse: Neste primeiro volume de ficção autobiográfica (de uma trilogia que se completa com Juventude e Verão), um narrador seco e distante conta, sempre no presente, a dura experiência de deslocamento de um garoto sul-africano. Em uma sociedade baseada na violência - que por isso mesmo irradia para todas as instâncias do cotidiano -, entre negros surrados por motivos banais, professores sádicos e colegas de escola truculentos, John mantém viva, como pode, a identidade "diferente". Tarefa difícil nessa infância nada rósea que J. M. Coetzee evoca: com um pai falastrão e perdulário, uma mãe excessivamente bondosa para esse mundo hostil e uma identidade familiar opaca - os Coetzee são de origem africânder, mas falam inglês em casa -, o menino John encontra refúgio só mesmo na introspecção, e o leitor testemunha a construção de uma personalidade fechada e solitária, que é a um tempo herdeira e vítima da brutalidade circundante.


O autor utiliza uma linguagem seca e precisa para relatar seus anos de formação, onde sua família era “estranha” devido a brutalidade que o cercava (o pai não batia nos filhos; a mãe era a chefe de família, quando em outras casas o pai era quem mandava; não vêm de família católica mas ele se declara católico, dentre outras situações). Eu gostei porque o autor não enrola nem dramatiza sobre sua própria vida. Certos relatos podem causar estranheza no leitor, mas é nisso que vemos (pelo menos para mim) quando um livro vale a pena. Recomendado.

Editora Companhia de Bolso.
152 páginas.

22 de mai. de 2020

198 livros: IRLANDA – O livro das coisas perdidas (John Connolly)

David é um garoto normal, que vê a mãe morrer aos poucos, de uma doença incurável. Ele tenta fazer de tudo para que ela melhore, seguindo rituais próprios (TOC), mas mesmo assim, sua mãe falece. Sem saber direito como lidar com a perda, ele se refugia em seus livros, um amor que sua mãe passou para ele. Depois de um tempo, seu pai conhece Rose e eles se apaixonam. Quando Rose engravida, David é obrigado a ir morar com o pai na casa da família de Rose, fato que ele odeia tanto quanto odeia a madrasta, mesmo que ela tente fazer com que eles se dêem bem. Quando seu irmão Georgie nasce, a situação na casa piora. Durante uma briga com Rose, sem ter como se defender para o pai, ele escuta a voz da mãe chamando-o e segue até um buraco no jardim, onde ele deve entrar para buscá-la, pois ela diz que está viva. E assim David o faz, indo parar em um mundo totalmente diferente, cheio de riscos.


Esse livro foi uma completa surpresa, do início ao fim. A única coisa que geralmente poderia deixar o leitor em suspenso seria a morte da mãe de David, mas como isso é anunciado desde o início, não existe muita surpresa. O mundo estranho no qual David vai parar, esse sim, guarda milhares de expectativas. Quando você pensa que ele já está seguro, acontece algo para mostrar que o menino ainda tem muito chão pela frente. Eu fiquei um pouco chocada com as mortes, não com o fato de terem mortes, mas o jeito como o autor as escreveu, sem rodeios e sem drama, coisa que não se costuma ver em livros infantojuvenis. As motivações do Homem Torto foram outra surpresa, e apesar do personagem não ser nem de longe alguém de bom caráter, eu gostei de sua história. Mais uma vez, tirei uma leitura muito prazerosa de um livro que, sabe Deus por quê, eu deixei na estante por tanto tempo. Recomendo.

Editora Bertrand Brasil.
364 páginas.

22 de abr. de 2020

198 livros: IRÃ – Persépolis (Marjane Satrapi)

Marjane Satrapi nasceu em uma família politizada e moderna, o que fez com que ela desde pequena fosse engajada. Aos 10 anos de idade, ela passa a usar o véu, sem saber porque exatamente, e passa a testemunhar o início de uma revolução islâmica, quando o regime xiita começa a ser “implantado” em países como o Irã (antiga Pérsia). Temerosos da situação no país, seus pais a mandam para estudar fora. Na Áustria, ela fica chocada com os costumes ocidentais, mesmo que, para os padrões, sua família fosse considerada liberal. Ao voltar para o Irã na tentativa de reencontrar sua identidade, ela vê os atos de resistência da população.


Como é um livro biográfico em formato de HQ, fica fácil e complicado ao mesmo tempo fazer uma resenha sem dar spoiler. Fácil porque é biografia, e complicado porque como HQ a história fica mais “resumida” do que se fosse contada em forma de texto, o que pode levar a se falar dela mais do que se deve... O que eu tenho que dizer com certeza é que as histórias são de fácil entendimento, e o ponto forte fica por conta da arte gráfica, que se inspira na arte persa. Outro chamariz é que a autora não se prende a falar somente do Irã da sua época, mas também aborda bastante sua história antiga. HQ pra lá de recomendada.

Editora Companhia das Letras.
352 páginas.

20 de mar. de 2020

198 livros: ANTÍGUA E BARBUDA – A small place (Jamaica Kincaid)

O livro inicia com a autora incentivando o leitor a conceituar “ser um turista” em Antígua, explicando muitas coisas no caminho para o hotel, como os laços históricos das mansões (ela considera esse luxo um disfarce para a escravidão pós-colonial). Ela explica porque os nativos não gostam de turistas, relembra sua infância e porque era melhor nessa época, além de explicar os efeitos do colonialismo ainda evidentes em diferentes formas, expressando-se à sua frustração em relação aos colonialistas por trás de suas várias máscaras. A melhor parte é a quarta, quando ela descreve a beleza de Antígua e de seu povo.


Achei esse livro por pura sorte e como não conhecia a autora (e como foi o único que consegui encontrar para o país do mês), arrisquei. É um livro pequeno, um ensaio na verdade, dividido em quatro partes escrito como se fosse uma conversa entre a autora e o leitor. Em toda a narrativa, fica aparente sua ousadia nas críticas que ela faz ao sistema e ao governo.

Editora Farrar, Strauss and Giroux.
81 páginas.

21 de fev. de 2020

198 livros: EGITO - A garota oculta (Shyima Hall)

Shyima é a sétima filha entre onze filhos. Sua família é pobre, seu pai é um homem violento e sua vida não é fácil. Mas tudo muda para pior quando, aos oito anos de idade, ela é vendida a família para quem sua irmã mais velha trabalha (em um quase sistema de escravidão) para pagar por um erro da irmã. Agora Shyima é empregada: acorda antes de todo mundo, só tem uma refeição por dia e dorme depois de todos. 
Um tempo depois, a família a quem a menina serve se muda para os EUA, mas as coisas melhoram um pouco porque o sistema é outro e a família precisa ter cuidado para que não descubram que Shyima é uma escrava. Em 2002, a vida de Shyima muda de vez quando a polícia aparece para tirá-la da casa depois de uma denúncia, e a partir daí a menina consegue se libertar de seu passado doloroso.


Eu não tinha muita experiência de vida, mas sabia que famílias deveriam permanecer unidas. Pais deveriam cuidar e dar apoio a seus filhos, não vendê-los a estranhos.

Essa história é muito pesada. Quando li a sinopse, imaginei que não seria uma leitura fácil ou divertida, mas o que se encontra nele é muito forte. A vida de pobreza no Egito, o pai violento, depois a venda para a família que se muda e o fato de que ela tem que aguentar todo tipo de humilhação, até mesmo quando já está nos EUA (foi nessa parte que achei que tudo mudaria bem rápido). Foi bom ver que ela conseguiu seguir adiante, deixar para trás as experiências dolorosas da vida. O fato de Shyima falar sobre escravidão no mundo de forma tão pungente torna toda a leitura, de certa forma, mas atrativa porque você percebe o quando isso ainda é muito real. Esta foi uma daquelas biografias que encontrei por sorte e que marcaram muito. Completamente recomendado.

Editora V&R.
248 páginas.

24 de jan. de 2020

198 livros: UCRÂNIA - Vozes de Chernobyl (Svetlana Aleksiévitch)

Em 1986, o quarto reator da usina nuclear de Chernobyl, na Bielorússia, explodiu, despejando na atmosfera uma quantidade enorme de material radioativo em uma velocidade que mal pode ser calculada. Nos dias de hoje, se estimam que 500 mil pessoas foram afetadas pela explosão. Neste livro, as esposas e os maridos, os filhos, avós, bombeiros, militares, relatam como foram os dias seguintes a explosão, quais as atitudes do governo atingiram as pessoas e de que forma.


Eu imaginava que esse livro seria muita coisa: visceral, hipnótico, triste, enlouquecedor, tudo em medidas iguais. Mas eu realmente não esperava que fosse TANTO. Ao invés de trazer detalhes sobre o acidente (era isso que eu achava que leria), a autora traz relatos das pessoas que moravam na cidade e de forma elas lidaram com amigos e parentes atingidos, de uma forma ou de outra, pela catástrofe.
Se eu pudesse, faria um resumo de cada um dos relatos, mas não quero dar spoiler, só posso dizer que dois relatos me levaram às lágrimas: o primeiro, de Liudmila Ignatiènko, e do presidente da Sociedade Recreativa dos Caçadores e Pescadores de Jóiniki, Víktor Ióssifovitch Verjikóvski, e dois caçadores: Andrei e Vladímir.
Particularmente, o relato dos caçadores me destruiu, eu tive que fechar o livro, respirar algumas vezes e me convencer a voltar a ler, porque tive vontade de cancelar a leitura na hora. E tem mais, vários outros relatos de pessoas, crianças na época, que tiveram suas vidas afetadas. Livro completamente arrebatador, que te leva a refletir, acima de tudo, sobre o ser humano. Completamente indicado.

Editora Companhia das Letras.
384 páginas.

6 de jan. de 2020

Feliz 2020!


Depois que eu descobri que os desafios literários são excelentes maneiras de se esvaziar uma lista de leitura, então lá vou eu continuar com o Desafio Literário Livreando 2020, do blog Livreando;


o Desafio Literário Skoob 2020, pelo facebook;


o Desafio Literário Livraria Cultura, esse ano com o marcador azul;


os Desafio A volta ao mundo em 198 livros e Desafio Lendo o Brasil. Esse ano consegui encaixar nos desafios mais livros da minha estante, só tive que correr atrás de uns poucos, então considerando a quantidade de livros não lidos que eu tenho, consegui sair no lucro rsrsrsrs