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13 de fev. de 2023

O perigo de uma história única (Chimamanda Ngozi Adichie) – DLL 2023

 

Título: O perigo de uma história única 
Autora: Chimamanda Ngozi Adichie 
Mês: Fevereiro 
Tema: Autora africana 
Editora Companhia das Letras, 64p. 

  É assim que se cria uma história única: mostre um povo como uma coisa, uma coisa só, sem parar, e é isso que esse povo se torna. 

Sinopse: O que sabemos sobre outras pessoas? Como criamos a imagem que temos de cada povo? Nosso conhecimento é construído pelas histórias que escutamos, e quanto maior for o número de narrativas diversas, mais completa será nossa compreensão sobre determinado assunto. É propondo essa ideia, de diversificarmos as fontes do conhecimento e sermos cautelosos ao ouvir somente uma versão da história, que Chimamanda Ngozi Adichie constrói a palestra que foi adaptada para livro. O perigo de uma história única é uma versão da primeira fala feita por Chimamanda no programa TED Talk, em 2009. Dez anos depois, o vídeo é um dos mais acessados da plataforma, com cerca de 18 milhões de visualizações. Responsável por encantar o mundo com suas narrativas ficcionais, Chimamanda também se mostra uma excelente pensadora do mundo contemporâneo, construindo pontes para um entendimento mais profundo entre culturas.

[...] A consequência da história única é esta: ela rouba a dignidade das pessoas. Torna difícil o reconhecimento da nossa humanidade em comum. Enfatiza como somos diferentes, e não como somos parecidos. 

“um entendimento mais profundo entre culturas”... É exatamente a isso que se propõe esta palestra de Chimamanda. Novamente a autora surpreende ao relatar sem nenhum drama os problemas de seu país, sem diminuir no sentido de denegrir sua cultura, ela é simplesmente objetiva, falando sobre as coisas boas e ruins. Eu gostei de quando ela fala sobre seus projetos futuros sobre criar bibliotecas para ajudar a comunidade de onde ela saiu a ler mais autores africanos. Valeu a pena.

25 de dez. de 2015

Dia de folga (John Boyne) – RC 2015


Título: Dia de folga: um conto de Natal
Autor: John Boyne
Mês: Dezembro
Tema: Ambientação natalina
Editora Cia. das Letras, 10p.

É véspera de Natal e o soldado Hawke, junto aos seus companheiros, passam o dia de folga em uma trincheira durante a Primeira Guerra Mundial. Ao mesmo tempo em que Hawke relembra os seus Natais anteriores e imagina o que sua família está fazendo, as bombas alemães caem a sua volta.

Essa escolha foi totalmente aleatória. Na verdade, não tinha em mente nenhum outro livro com temática de Natal, e esse acabou caindo nas minhas mãos do nada, então aproveitei pra ler. Na verdade, Dia de folga não é bem um livro, e sim um conto que se passa durante a Primeira Guerra. Estava meio traumatizada desde que li O menino do pijama listrado (do mesmo autor), mas essa pequena história valeu a pena. Boyne nos faz refletir sobre nossa vida a partir das memórias de um soldado entrincheirado, que mostra que, apesar de qualquer desgraça ao redor, ainda existem boas coisas e que estar vivo é a principal delas.

11 de mai. de 2015

A longa viagem da biblioteca dos reis (Lilia Moritz Schwarcz) – RC 2015


Título: A longa viagem da biblioteca dos reis: do terremoto de Lisboa à Independência do Brasil
Autora: Lilia Moritz Schwarcz
Mês: Maio
Tema: Não-ficção
Editora Companhia das Letras, 558p.

No dia 1º de dezembro de 1755, um terremoto destruiu a cidade de Lisboa. Incêndios eclodindo por todos os lugares, as águas do Tejo subiram e trouxeram barcos, despojos e corpos dos que resolveram se refugiar no porto. Construções antigas como a Basílica de Santa Maria foram destruídas, o Palácio Real e sua Real Biblioteca eram nada mais que escombros. No entanto, a Real Biblioteca ou Livraria real, como ícone da monarquia, logo foi refeita por iniciativa do Marquês de Pombal através do acúmulo de coleções, dentre elas o acervo do Colégio Jesuíta de Todos os Santos. Percorrendo o tortuoso caminho da história de Portugal após o terremoto, a biblioteca régia participa de vários eventos que fizeram a história portuguesa e também a brasileira. Sendo instrumentos de poder para os reis, nada mais normal que D. João, ao embarcar fugindo para o Brasil com sua família, também fizesse questão de trazer os livros. Apesar de terem ficado esquecidos em caixotes no cais em Portugal, os livros eventualmente acabaram chegando no Brasil, onde o acervo cresceu devido ao acréscimo de livros vindos de Lisboa e da compra de coleções particulares. D. João retorna a Portugal, levando com ele alguns documentos, e D. Pedro assume a regência do Reino do Brasil. O príncipe não acata as ordens de voltar a Portugal, a independência do Brasil é proclamada e as obras que vieram com seu pai custam de indenização 2 milhões de libras esterlinas.

Não tenho palavras para descrever o prazer que foi ler este livro. Desde os meus tempos na UFPA, enquanto rodava a biblioteca central atrás dos livros para os trabalhos (eu me recusava a tirar xerox dos livros que não iria precisar depois, sempre emprestava os livros das matérias não específicas do curso de Biblioteconomia). Junto a estes livros, eu sempre tentava também emprestar livros que tivessem relacionados a história das bibliotecas e quando vi este livro, enlouqueci. Não só porque fala basicamente da história inicial da nossa Biblioteca Nacional, mas porque as ilustrações das pinturas e gravuras são ma-ra-vi-lho-sas!!! Consegui comprar só recentemente, mas a espera valeu. O trabalho dos pesquisadores Lilia Moritz Schwarcz, Paulo Cezar de Azevedo e Angela Marques da Costa é de um primor e qualidade ímpar que impressiona até quem não é muito chegado ao assunto. Dois capítulos eu tenho como favoritos: o capítulo 4, “Uma nova biblioteca: um novo espírito”, que fala da história do livro e das bibliotecas até chegar na Real Biblioteca, e o 8, “O destino da biblioteca em terras brasileiras”, que aborda sua instalação em terras brasileiras. O livro também conta com uma seção de notas explicativas, uma cronologia e muitas reproduções de ilustrações de artistas renomados e de obras e livros que fazem parte do acervo. Eu indico este livro total e completamente para qualquer um, seja bibliotecário ou não, basta ser amante de livros.

13 de mar. de 2015

A rainha do castelo de ar (Stieg Larsson) – RC 2015


Título: A rainha do castelo de ar
Autor: Stieg Larsson
Mês: Março
Tema: Mistério ou suspense
Editora Cia. das Letras, 688p.

Lisbeth foi resgatada e está internada no hospital, se recuperando de ferimentos muito sérios. Seu pai, a quem ela tentou e não conseguiu matar pela segunda vez, também está internado no hospital devido aos ferimentos causados pela filha. Enquanto isso, Mikael Blomkvist está fazendo de tudo para mudar a imagem que a imprensa está pintando de Lisbeth como uma psicopata lésbica satânica. Enquanto isso, a investigação da polícia aponta Lisbeth como responsável por crimes que ela não cometeu. Mikael fica furioso, arranja um jeito de conversar com Lisbeth clandestinamente e consegue ajudá-la. Investigando por conta própria sobre os acontecimentos relacionados a espionagem russa, principalmente no que diz respeito ao pai de Lisbeth. O julgamento se aproxima e apesar da promotoria querer fazer com que Lisbeth seja internada para sempre, a investigação paralela de Mikael, aliada a excelente defesa da Annika Giannini, levam ao final esperado. Mas a vida de Lisbeth só está começando....

Esse livro foi, como os dois primeiros da trilogia Millenium, uma surpresa atrás da outra. Comecei e não consegui largar, li em 3 dias, tal era o desespero para saber o final que Lisbeth teria. Considero essa trilogia umas das melhores publicações da editora Cia. das Letras. Fiquei meio desesperada em algumas partes, principalmente quando o autor falava de política, porque tinha horas que não conseguia acompanhar, queria logo pular para o julgamento de Lisbeth. No entanto, essa “enrolação” (por falta de palavra melhor) aumenta a credibilidade da história, porque mostra que, para cada acontecimento e personagem, o autor criou uma história de base que se encaixa perfeitamente no enredo como um todo. Eu amei cada minuto da leitura, amei o final (pra lá de merecido) de Zalachenko, amei a defesa que Anika faz de sua cliente, amei cada minuto do sangue frio de Lisbeth e só queria ter matado o desgraçado do Teleborian. O final do livro, para alguns, depois de tanta tensão, pode ter sido decepcionante (um pouquinho), mas fiquei satisfeita. Completamente recomendo.

16 de fev. de 2015

Na natureza selvagem (Jon Krakauer) – RC 2015


Título: Na natureza selvagem
Autor: Jon Krakauer
Mês: Fevereiro
Tema: Baseado em história real
Editora Companhia das Letras, 214p.

Após terminar sua faculdade, Christopher Johnson McCandless, pertencente a uma família abastada dos EUA, deixa pra trás tudo que tem e parte para o Alasca, entrando sozinho em uma região selvagem e desabitada ao norte do monte McKinley. Alguns meses depois, um grupo de caçadores encontra seu corpo congelado e decomposto. Só que na época, não se sabia quem o jovem morto era. A verdade veio a tona quando o editor da revista Outside pediu a Jon Krakauer uma matéria sobre a morte do rapaz. Para saber mais sobre o que levaria um jovem rico e de futuro promissor a deixar tudo para trás, para saber um pouco mais sobre ele, o autor refaz a jornada de Christopher até seu trágico fim.

Até ler a sinopse deste livro, não havia percebido que já conhecia um pouco esta história. Porque conheço, antes mesmo de ler o livro, pelo filme de 2007 estrelado por Emile Hirsch. O livro é muito bom, uma mistura de biografia com romance de ficção. Apesar do tipo de leitura não ser o meu preferido, acho muito interessantes livros que narram histórias assim, ainda mais pelo papel que a família (nesse caso, surpresa pelo acontecido, já que Christopher sumiu sem deixar notícias) desempenha na coleta de dados para que o leitor possa conhecer o protagonista e suas motivações. A sinopse me deixou estupefata, como acontece geralmente quando vejo histórias (reais ou não) desse tipo (jovem some e aparece morto sem que a família saiba), e também triste, quando o autor apresentou as possibilidades de ações que o próprio Christopher poderia ter tomado para salvar a própria vida, e o consolo que os pais tentam encontrar ao pegar coisas que fizeram parte dos últimos momentos de vida do filho. O livro é ótimo, apesar de ter um toque ficcional, faz com que o leitor tenha um vislumbre de quem foi Christopher McCandless. Recomendo.

13 de fev. de 2015

O pintassilgo (Donna Tartt) – RC 2015


Título: O pintassilgo
Autora: Donna tartt
Mês: Fevereiro
Tema: Ganhador do Prêmio Pulitzer
Editora Companhia das Letras, 500p.

Theodore Decker, ou Theo, estava com a mãe visitando uma exposição de arte dedicada aos grandes mestres holandeses quando uma bomba explode. No momento em que isso aconteceu, eles estavam separados. Sua mãe não sobrevive ao atentado, Theo sim. No meio da desolação, ele recebe instruções estranhas de um senhor a beira da morte. Theo consegue sair do local carregando, além das informações, um anel e um dos quadros da exposição: O pintassilgo, pintado por Carel Fabritius em1654, obra de arte de valor inestimável. A partir daí, Theo passa a viver com a família de um colega de escola; Depois, conhece um familiar e se muda para Vegas, se torna amigo de Boris e juntos vão passar por situações boas e ruins.

Não esperava nada deste livro. A escolha para o tema foi completamente aleatória, por isso li o livro sem nenhuma pretensão. O que eu gostei foi o fato do narrador também ser o personagem, Theo narra sentimentos, situações e personagens de uma forma que torna a história toda incrível. A descrição da alma humana é extremamente sensível. Apesar de não conhecer a autora nem ter grandes expectativas para a leitura deste livro, eu gostei muito e recomendo.

22 de dez. de 2014

O amor nos tempos do blog (Vinicius Campos)


Título: O amor nos tempos do blog
Autor: Vinicius Campos
Editora Cia. das Letras, 93p.

Ariza tem treze anos. Ele resolver começar a escrever um blog como uma maneira de se expressar. Um dos seus posts descreve a visão da menina mais linda que ele já tinha visto, na biblioteca onde ele havia ido devolver O amor nos tempos do cólera, de Gabriel Garcia Márquez. A partir desse dia, ele sempre escreve no blog o quanto ela é linda e como ele não tem coragem de se aproximar. Uma amiga virtual que se identifica com ele aconselha-o a não ser tímido e a falar com ela. Ariza toma coragem e faz isso, e quando recebe uma nota de volta onde a menina marca um encontro, ele fica super feliz. Mas tudo dá errado e o menino acha que sua amada só queria brincar com ele. É aí que sua fiel seguidora do blog resolver escancarar a verdade e revelar quem ela é.

Eu queria ler esse livro por pura curiosidade. Fiquei várias vezes de conseguir ele, até finalmente trocar pelo skoob. A história é bem simples, o livro é fino, proporcionando uma leitura rápida e alegre. Um dos motivos pelos quais eu quis ele é que eu estou valorizando mais a literatura jovem nacional. A temática também é legal, então lê-lo foi muito fácil. Percebi que o livro O amor nos tempos do cólera, de Gabriel Garcia Márquez, influenciou o autor no modo criar a história, além do tema em si, de que o amor é expressado de formas diferentes de acordo com a época em que vivemos. Vinicius escolheu um jeito bom de contar como o amor é expresso nos dias de hoje, na era da tecnologia. Adorei ler e recomendo.

1 de jul. de 2012

As meninas de Lygia Fagundes Telles – DL 2012


Tema: Prêmio Jabuti
Mês: Julho de 2012
Leitura do mês: As meninas
Autora: Lygia Fagundes Telles
Editora Cia. Das Letras, 304 p.

Três amigas, tendo como ponto em comum a solidão, vivendo na época dos governos militares. Enquanto Lia briga com o regime, Ana Clara está metida com drogas e Lorena, a mais rica, vive ajudando as amigas com o dinheiro do papai. As três meninas compartilham um pensionato de freiras, que não cansam de se surpreenderem com o estilo de vida das três. Lia, Ana Clara e Lorena são personagens conflitantes, o que se demonstra através de suas reflexões interiores constantes. A isso, soma-se a miséria cultural da época.

O livro de Lygia Fagundes Telles proporciona uma leitura fácil e a linguagem é leve. A história não é vulgar, apesar de complexa. O mais legal é que é fácil se identificar com qualquer uma das três meninas, mesmo a época que se vive seja outra. Além de ser fácil se identificar com a luta pela liberdade, luta esta que todos travam uma vez na vida. Um belo livro, uma história para pensar.

19 de mai. de 2011

A luneta âmbar - Philip Pullman





Título: A luneta âmbar
Autora: Philip Pullman
Editora Objetiva, 624 p.

O terceiro e último livro da trilogia Fronteiras do Universo.
Eu li A Bússola de Ouro e A Faca Sutil para o Desafio Literário 2011, e estava louca para saber como a história terminava. Quando li o primeiro, fiquei me perguntando por quê eles, quando adaptaram para o cinema, acabaram com a história, infantilizando o filme demais. Quando li o segundo, fiquei em dúvida se a Sra. Coulter ainda seria a vilã, retratada tão perfeitamente pela Nicole Kidman. Agora que li o último livro, vi que a saga toda, de infantil, não tem nada. E tentei imaginar como seria adaptar o último livro para as telas, principalmente no que diz respeito a Will e Lyra.
Se no segundo livro, a referência a Paraíso Perdido de John Milton fica um pouco evidente, n'A luneta âmbar, é uma referência clara e total. É até engraçado. Pullman soube colocar a influência do poema de uma forma sutil, mas também bastante clara, de um jeito que eu vi poucos autores fazerem com suas referências literárias. E o Pó... Terminei o primeiro livro sabendo o que era isso, terminei o segundo com a cabeça zonza e agora terminei o terceiro entendendo totalmente.

Para quem não sabe, o poema de Milton, Paraíso Perdido, fala da queda do principal anjo de Deus, Satã, e da corrupção de Adão e Eva e sua expulsão do Paraíso. Nos livros de Pullman, Deus é chamado de Autoridade, Lyra faz referência a Eva, Will, a Adão, e a Cobra tentadora na árvore é uma cientista (antes, freira) Mary Malone. Até então, não havia entendido o papel dela na história, mas quando a chamaram de "a mulher tentadora" e ela fala que, no mundo em que ela está, as serpentes são animais que não são incomodados (ela inclusive foi parar num mundo onde os habitantes não são cobras, mas são animais com as mesmas características), clareou a minha mente. Lorde Asriel e vários outros personagens, inclusive anjos (referência aos anjos decaídos que acompanham Satã na guerra contra Deus), começam a guerra. O livro não retrata a guerra início-meio-fim, mas o leitor sabe quando começou e terminou.

Sobre o Pó e os dimons: o Pó é composto por partículas, encontradas em todos os seres. Quando crianças, as pessoas não têm muito Pó "em torno de si" (é mais ou menos essa a expressão). À medida que elas crescem, o Pó vai se concentrando nelas. E os dimons vão ganhando uma forma única quando a criança se torna adulta. No livro, Pullman coloca que o Pó (e a forma imutável do dimon) é a evidência física de que algo acontece quando a pessoa deixa de ser criança (inocente) e se torna adulta (experiente). Existe uma conotação sexual, como no caso de Adão e Eva, puros antes de cair em tentação, mas mudados após comerem a maçã. Muita concentração do Pó na pessoa é sinônimo de que ela é adulta, que ela não é mais inocente e pura. E os dimons mudando quando crianças fazem referência a quando, antes de cometerem o Pecado, Ãdão, Eva e todos os seres eram criaturas puras e semelhantes. Quando cada dimon assume uma forma diferente do outro, as pessoas vêem as diferenças entre si e se envergonham, fazendo referência a diferença entre homem e mulher (a conotação sexual).

Como Will e Lyra fazem referência ao casal primordial, eu fiquei ansiosa esperando pra ver quando seria a tentação, quando Lyra cederia a ela e Will acompanharia. Aí o romance começa entre os dois. Mas não tem uma conotação sexual, por assim dizer. É o primeiro amor. Mas acontece de um jeito que quem lê percebe a clara referência a Eva oferecendo o fruto vermelho, Adão comendo e o Pecado (o sexo) acontecendo. Mas não tem sexo nos livros. É um romance. Mas como é um referência tão explícita nesse momento, já tendo lido os outros, você até fica esperando algo assim acontecer. Não consigo imaginar isso no cinema. É uma temática forte, principalmente para crianças.
No momento em que Will e Lyra tocam um no dimon do outro, Pantalaimon e Kirjava mantém a forma em que estavam nesse momento como uma lembrança do sentimento entre eles. Pois eles se separam para sempre (como ambos saíram de mundos diferentes, só viveriam bem no mundo em que nasceram, caso contrário, a vida não seria produtiva e satisfatória para aquele que abdicou do seu mundo para viver no do outro). Como em Nárnia, o final feliz não é aquele dos contos de fadas.
E Mary Malone, como uma ex-freira que virou cientista por parar de ver significado em Deus e se torna a tentadora (apesar de não ser tão claro assim, descobrimos que ela é a tentadora por um comentário e uma sensação de Lyra), faz uma referência ao anjo decaído Satã, antes um anjo muito poderoso perante Deus, mas que também pára de ver significado Nele e se revolta.

Sobre o título e a capa: enquanto nos dois primeiros livros, titulo e capa estão claramente se conectando com a história, no terceiro, somente a capa. Não muito o título. E não digo isso porquê só percebi a utilidade do título (Luneta âmbar) depois, bem depois. A luneta é o instrumento que Mary (a tentadora) utiliza para ver que o Pó (partícula ligada a maturidade, experiência, conhecimento) está indo embora. Ao acolher Lyra e Will no lugar onde animais como serpentes são deixados em paz, ela propicia (mais ou menos) o descanso que eles precisam e que necessitam para exporem seus sentimentos. E propricia que o Pó volte a habitar nos humanos. Mais uma referência a serpente que, ao fazer com que Eva e Adão comam do fruto, faz com que os dois Conheçam. Eu já havia lido que, quando o Primeiro Homem e a Primeira Mulher comem do fruto, eles abrem seus olhos para aquilo que Deus não queria que eles conhecessem, algo muito além do Pecado, algo sobre o Conhecimento, o fato de Conhecer. É como se a serpente os tivesse tirando do controle de Deus. Aliás, a guerra toda gira em torno de matar a Autoridade e recuperar o Paraíso perdido há muito. Para isso, muitos se unem a causa de Lorde Asriel. Ele e Marisa Coulter, os pais da nova Eva, se sacrificam para que Lyra (Eva) cumprisse o seu destino: recuperasse o Paraíso, libertasse o mundo da Morte.
Essa é a parte que ilustra a capa. Will e Lyra seguidos por um cortejo de mortos, buscando a saída do mundo dos mortos. Como o dimon de uma pessoa que morre se esvanece no ar e passa a pertencer ao ar, as flores, as estrelas e a tudo que vive, os mortos desejam se unir a seus dimons queridos se transformando também em partículas que habitassem cada ser vivente. Lyra e Will os libertam do mundo escuro e eles têm esse destino. Assim, a morte morre. Aqui, já acho que faz parte só da história de Pullman: a nova Eva recuperando o que ela havia perdido (o Paraíso). Os mortos já não estão mais mortos, eles fazem parte de cada ser vivente, de cada estrela, de cada coisa.

È uma história muito boa, que nos faz pensar bastante. Particularmente, só ouvi falar de Milton ao estudar Senhor dos Anéis. Como n’O Silmarillion, onde o Valar mais poderoso se revolta contra Iluvatar, Satã n'O Paraíso se revolta contra Deus. As referências são mais profundas, não dá para falar agora. Eu li o poema e apesar de não ser muito fã de poesia, adorei. Então fiquei muito feliz quando vi uma trilogia inteira dedicada a esse assunto, apesar de ser somente uma referência literária. Indico ambos para leitura.

Morte de Tinta - Cornelia Funke



Título: Morte de tinta

Autora: Cornelia Funke
Editora Cia. das Letras, 560 p.


O último livro da trilogia Mundo de Tinta.
Esse livro é o mais acelerado de todos. Quando li na sinopse que Mo, o personagem principal, confundiria si mesmo com o personagem Gaio (do qual ele assumiu a identidade), pensei que mostraria uma coisa totalmente diferente (negativamente diferente). Mas não foi o que aconteceu, ainda bem. A história continua, com Mo lutando mais ferozmente agora contra as injustiças do inimigo, Cabeça de Víbora. Uma parte da história sobre a qual eu estava morrendo de curiosidade para saber o desfecho dizia respeito ao livro que "prendia" a morte em suas páginas. E gostei do resultado, apesar de esperar que acontecesse exatamente aquilo, me surpreendi como aconteceu. E Dedo Empoeirado volta :):):), Fenoglio volta a escrever, Meggie se apaixona por outro,... Eu li o finalzinho, as últimas frases, quando já estava me desesperando para saber o final ainda no meio do livro. Mas mesmo assim, mesmo gostando de ler e já saber mais ou menos o que aconteceria, ainda assim foi uma surpresa porque espera que acontecesse outra coisa.
Adorei toda a trilogia. Adorei as citações em cada início de capítulo, adorei as descrições do processo de encadernação. Foi uma coleção excelente de ler, necessária a todos os amantes de fantasia, perfeita para aqueles leitores que buscam entrar na história que estão lendo.

A Ilha – Um repórter brasileiro no país de Fidel Castro de Fernando Morais – DL 2011



Tema: Livro-reportagem

Mês: Maio de 2011 (Livro II)

Título: A Ilha: Um repórter brasileiro no país de Fidel Castro

Autor do livro: Fernando Morais

Editora: Companhia das Letras

Nº de páginas: 264

Sinopse: Lançada em 1976, esta reportagem sobre Cuba tornou-se um dos maiores sucessos editoriais brasileiros e se converteu num ícone da esquerda brasileira nos anos 70. O livro é reeditado com caderno de fotos e prefácio em que o jornalista Fernando Morais apresenta suas impressões sobre o país um quarto de século depois da primeira viagem.
A ilha teve trinta edições esgotadas, passou mais de sessenta semanas nas listas de mais vendidos e foi traduzido na Europa, Estados Unidos e América Latina. Polêmico, o livro foi acusado de fazer a apologia da Revolução Cubana e chegou a ser apreendido pela polícia em dois estados. Naquela época o isolamento de Cuba, para os brasileiros, era total. Com o golpe militar de 1964, o Brasil rompera relações com o regime de Fidel Castro, repetindo o que já fizera quase toda a América Latina. Os passaportes brasileiros passaram a ostentar a advertência: "Não é válido para Cuba". Foi nessa atmosfera típica da Guerra Fria que Morais desembarcou em Cuba, onde passou três meses colhendo dados para uma reportagem que se tornaria histórica.

Quando vi a capa do livro, o que mais chamou a minha atenção foi… como na maioria dos livros, não foi a capa que me chamou a atenção.

Eu escolhi este livro porque… precisava escolher mais um desse tema e só conhecia o Livreiro de Cabul.

A leitura foi… interessante. É complicado escolher palavras que digam mais da leitura de um tipo de livro que eu (quase) tenho certeza de que só vou ler uma vez na vida. Como o primeiro livro do mês, esse também consegue captar o tom do que está retratando. O autor realmente quer que o leitor conheça a realidade do que ele está conhecendo enquanto escreve. Mas uma coisa esclarecedora sobre esse livro é o que diz no prefácio (mesmo que eu não faça idéia se outros livros-reportagem surjam de maneira diferente). É o seguinte: “A Ilha, de Fernando Morais, é uma reportagem no exato sentido da palavra. Ela só admitiria um qualificativo, o de reportagem escolhida, já que o autor não foi imperativamente incumbido por nenhum jornal ou revista de ir a Cuba. Escolheu, como jornalista, seu tema, quis conhecer pessoalmente o país e foi visitá-lo. A partir daí temos a reportagem, o franco relato de alguém que observa o país em construção, o país que lançou sua própria pedra fundamental em janeiro de 1959 e que desde então se elabora penosamente.”

O personagem que eu gostaria de ter acompanhado é o próprio autor. Porque deve ser excitante o trabalho de conhecer um lugar, uma situação política, vivenciar ao mesmo tempo em que prepara um relato sobre isso.

O trecho do livro que merece destaque: todo o livro merece destaque.

A nota que eu dou para o livro: 5

28 de abr. de 2011

Sangue de Tinta - Cornelia Funke



Título: Sangue de tinta
Autora: Cornelia Funke
Editora Cia. das Letras, 560 p.

Sangue de tinta é a continuação de Coração de Tinta.
Os personagens principais do livro anterior retornam ao Mundo de Tinta. Se o primeiro livro foi bom, esse é melhor, apesar de diminuir o ritmo um pouco. Dedo Empoeirado é o único a realmente estar feliz em voltar ao mundo criado por Fenoglio, mas Farid ficou para trás. Quando ele pede a ajuda de Meggie para seguir Dedo Empoeirado, a garota decide ir com ele para finalmente conhecer um mundo que ela só conheceu lendo o livro. Mas as coisas não acontecem como eles previram. Após sua partida, Mortola, Basta e um capanga aparecem em busca da família de Mo para acertar as contas com aquele que matou Capricórnio. Ela consegue levar para o mundo de Coração de Tinta Mo e Resa, mas Elinor fica. Lá, Mortola atira em Mo, que fica entre a vida e a morte. É a partir daí que vamos conhecer o Mundo de Tinta, o mundo que Fenoglio escreveu e se tornou o livro Coração de Tinta. O romance entre Meggie e Farid se torna evidente, apesar de eu nem suspeitar ao ler o primeiro livro; descobre-se a vida que Fenoglio está levando desde que foi transportado para dentro do seu próprio livro. Além disso, conhecemos outros personagens, alguns bons, outros nem tanto. Outro vilão surge, mais cruel e asqueroso que Capricórnio.
O livro é ótimo. Já comecei o último livro da trilogia e mal posso esperar para ver o desfecho dessa história e principalmente como vai ficar a história de Coração de Tinta após tanta interferência de um mundo exterior.

12 de set. de 2010

A menina que brincava com fogo - Trilogia Millenium (Stieg Larsson)


Título: A menina que brincava com fogo
Autor: Stieg Larsson
Editora Cia. das Letras, 608p.

“Em A menina que brincava com fogo, Lisbeth parece uma garota frágil, mas é uma mulher determinada, ardilosa, perita tanto nas artimanhas da ciberpirataria quanto nas táticas do pugilismo. Mikael Blomkvist pode parecer apenas um jornalista em busca de um furo, mas no fundo é um investigador obstinado em desenterrar os crimes obscuros da sociedade sueca, sejam os cometidos por repórteres sensacionalistas, sejam os praticados por magistrados corruptos ou ainda aqueles perpetrados por lobos em pele de cordeiro. Um destes, o tutor de Lisbeth, foi morto a tiros. Na mesma noite, contudo, dois cordeiros também foram assassinados - um jornalista e uma criminologista que estavam prestes a denunciar uma rede de tráfico de mulheres. A arma usada nos crimes não só foi a mesma como nela foram encontradas as impressões digitais de Lisbeth. Procurada por triplo homicídio, a moça desaparece. Mikael sabe que ela apenas está esperando o momento certo para provar que não é culpada e fazer justiça a seu modo. Mas ele também sabe que precisa encontrá-la o mais rapidamente possível, pois mesmo uma jovem tão talentosa pode deparar-se com inimigos muito mais formidáveis, e que, se a polícia ou os bandidos a acharem primeiro, o resultado pode ser funesto, para ambos os lados.”

O segundo livro é melhor do que o primeiro. Solucionado o mistério do desaparecimento de Harriet Vanger, Lisbeth Salander se distancia de Mikael Blomkvist sem dar a menor explicação. A partir daqui, nós seguimos os seus passos, ao mesmo tempo em que a história do livro vai se desenvolvendo: tráfico de mulheres e prostituição. Como ainda não li o terceiro volume, esse é o mais forte. As pessoas ouvem falar sobre esse assunto, mas não entendem muito bem. Apesar de ficcional, a história do livro dá uma luz a esse crime, nos ajudando a entender como funciona e, no meu caso, a me enojar. É horrível. Mas o que esse assunto tem a ver com Lisbeth? Agora que eu já li, tudo. Mas mesmo no primeiro livro o leitor pode desconfiar, afinal, como eu disse, ela odeia violência contra mulher e nesse livro você descobre o que ela é capaz de fazer para acabar com um estuprador ou um homem que simplesmente maltratava mulheres. É um livro forte, mas bom. Esclarecedor e envolvente.

Os homens que não amavam as mulheres - Trilogia Millenium (Stieg Larsson)


Título: Os homens que não amavam as mulheres
Autor: Stieg Larsson
Editora Cia. das Letras,524p.

“Primeiro volume de trilogia cult de mistério que se tornou fenômeno mundial de vendas, Os homens que não amavam as mulheres traz uma dupla irresistível de protagonistas-detetives: o jornalista Mikael Blomkvist e a genial e perturbada hacker Lisbeth Salander. Juntos eles desvelam uma trama verdadeiramente escabrosa envolvendo a elite sueca. O livro é um enigma a portas fechadas - passa-se na circunvizinhança de uma ilha. Em 1966, Harriet Vanger, jovem herdeira de um império industrial, some sem deixar vestígios. No dia de seu desaparecimento, fechara-se o acesso à ilha onde ela e diversos membros de sua extensa família se encontravam. Desde então, a cada ano, Henrik Vanger, o veelho patriarca do clã, recebe uma flor emoldurada - o mesmo presente que Harriet lhe dava, até desaparecer. Ou ser morta. Pois Henrik está convencido de que ela foi assassinada. E que um Vanger a matou. Quase quarenta anos depois o industrial contrata o jornalista Mikael Blomkvist para conduzir uma investigação particular. Mikael, que acabara de ser condenado por difamação contra o financista Wennerström, preocupa-se com a crise de credibilidade que atinge sua revista, a Millennium. Henrik lhe oferece proteção para a Millennium e provas contra Wennerström, se o jornalista consentir em investigar o assassinato de Harriet. Mikael descobre que suas inquirições não são bem-vindas pela família Vanger. E que muitos querem vê-lo pelas costas. De preferência, morto. Com o auxílio de Lisbeth Salander, que conta com uma mente infatigável para a busca de dados - de preferência, os mais sórdidos -, ele logo percebe que a trilha de segredos e perversidades do clã industrial recua até muito antes do desaparecimento ou morte de Harriet. E segue até muito depois.... até um momento presente, desconfortavelmente presente.”

É exatamente essa busca por Harriet Vanger que deixa o leitor louco. Desde o início do livro, paira no ar o mistério do seu desaparecimento. Não dá pra opinar se ela está viva e escondida, se ela foi assassinada, ou outra opção qualquer. Você precisa ler. Mikael Blomkvist e Lisbeth Salander se juntam, se bem me lembro, lá no meio da história para poder investigar as pistas melhor. E o mistério maior é essa garota Lisbeth. No livro descobrimos um pouco sobre sua história de vida, e ao mesmo tempo que você sente pena dela, você se admira com sua esperteza. Acima de tudo, ela odeia violência contra a mulher. A história se enreda com vários personagens e acontecimentos secundários, mas não menos importantes, nos quais Lisbeth está envolvida de uma forma ou de outra. Sobre Harriet Vanger, o leitor se surpreende com o final. Não vou contar se ela foi assassinada ou se só estava desaparecida. Mas os acontecimentos que levam a esse final e a solução desse mistério... Outra coisa, apesar do que possa parecer, é Lisbeth Salander a protagonista do livro. Resta saber se é também da trilogia.

10 de mai. de 2010

O menino do pijama listrado (John Boyne)



Título: O menino do pijama listrado
Autor: John Boyne
Editora Cia. das Letras, 200p.

Eu sabia que não devia ter lido esse livro.
Não gosto de livros nem filmes relacionados especificamente a esse acontecimento da II Grande Guerra. Não estou dizendo que são ruins, o problema é que eu tenho a imaginação muito fértil e me emociono com frequência imaginando os horrores pelos quais os judeus passaram. O único filme que vi até hoje sobre esse assunto e, apesar de chorar horrores, gostei foi A Lista de Schindler.
A hsitória gira em torno de um menino que, devido ao trabalho do pai (comandante do Fúria), é levado a mudar de casa. Antes morando em uma bela casa de 5 andares em Berlim, passa a viver com sua mãe, irmã e pai em uma casa de 3 andares em um local isolado. Da janela de seu novo quarto, ele vê o tempo todo pessoas vestindo um uniforme listrado e soldados, mas não sabe o que significa. Chateado porque não tem o que fazer nem com quem brincar, encontra Shmuel, um garoto da mesma idade que mora do outro lado da cerca. Surge uma bonita amizade entre os dois e ele começa a entender sobre o trabalho do pai e porque a família foi mandada pra viver em Haja-Vista (só depois percebi que lugar horrível era esse...)
O final é surpreendente. Eu não estava preparada, e até as últimas páginas, confesso, esperava outra coisa. Não um final feliz, mas certamente melhor do que aquele que li.



Em 2008, lançaram o filme. Ainda não vi, mas as críticas dizem que é emocionante. Se for fiel ao livro, vale a pena.