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25 de mar. de 2026

História universal da destruição de livros (Fernando Baéz) - DAL 2026




Título: História universal da destruição de livros
Autor: Fernando Baéz
Mês: Março
Tema: Letra F
Editora Ediouro, 438 p.

A queima e destruição de livros e bibliotecas ao longo da história da humanidade. Este é o foco de análise do livro de Báez. Através de um longo estudo, o autor mostra que o “extermínio” de livros começou há muito tempo. Seu livro traça uma rota pelas várias épocas da história mundial e mostra como a ignorância (e a também a genialidade), a intolerância a sede pelo poder e o medo foram responsáveis pela destruição dos livros, desde as tabletas de argila até os grandes centros de conhecimento (museus e bibliotecas).
Na região que hoje se conhece como Oriente Médio e onde encontrava-se os reinos da Assíria e Babilônia, escavações revelam a existência de grandes bibliotecas antigas. No Egito faraônico, o faraó monoteísta Akhnatón foi responsável pela destruição de textos no afã de consolidar seu culto ao deus único. Na Grécia, Hipócrates talvez tenha destruído os livros do Templo da Saúde de Cnido para evitar acusações de plágio. A grande biblioteca de Alexandria sofreu diversas destruições ao longo da história da cidade. Em Israel, a história afirma que existiram os profetas bibliófagos (que comiam livros). Na China, ocorreu uma perseguição aos textos budistas. O Império Romano também foi um grande responsável pela censura e destruição de papiros, o que só abriu a porta para a destruição maciça nos primórdios do cristianismo.
Na Idade Média, as bibliotecas ficaram fechadas como túmulos: as obras de Dante e o Talmude foram alguns dos livros proibidos. Em Bagdá, livros foram exterminados, enquanto o Corão foi destruído na Espanha da Reconquista. No México, índios conquistadores foram responsáveis pela destruição de textos e escritos da sociedade oposta. Até mesmo na época renascentista, momento de “iluminação” e “esclarecimento”, bibliotecas foram destruídas e desapareceram completamente. A Inquisição censurou, proibiu e queimou, Na Inglaterra, livros desapareceram graças a acidentes e desastres. As revoluções e guerras de independência também forma responsáveis pelo desaparecimento de milhares de livros.
Durante a Segunda Guerra Mundial, bibliotecas foram bombardeadas e os nazistas foram responsáveis pelo que se conhece como bibliocausto. Duas grandes bibliotecas, a de Los Angeles e Leningrado, sofreram incêndios dignos de nota. No Báltico, na China, Argentina, Cuba e Palestina, livros foram e continuam a ser destruídos devido a conflitos. O ódio étnico foi responsável pela destruição de livros na Chechênia. Os livros infantis sobre o garoto bruxo Harry Potter também serviu como desculpa para religiosos fundamentalistas afirmarem suas crenças ao queimarem exemplares. Além de tudo isso, os livros ainda precisam lidar com seus inimigos naturais. Finalmente, o terrorismo, responsável por ceifar muitas vidas humanas ao longo do tempo, foi responsável pela destruição do conhecimento, o que leva de volta ao lugar onde tudo começou: Oriente Médio, berço da escrita, também palco da destruição de sua memória.

A primeira vista, o livro de Báez parece ser um daqueles livros acadêmicos que só são lidos quando se está escrevendo um artigo ou tese. Mas quando se começa a leitura, existe certa dificuldade em parar, talvez porque a abordagem sobre a destruição de determinado aspecto da história humanidade chame tanto a atenção. E o livro não é, desde sua forma mais primitiva, um importante aspecto desta história? A cada capítulo, percebe-se a quantidade de erros cometidos pelos homens para se livrar de um povo, uma doutrina (religiosa e/ou política), uma raça, uma história. Porém, ao mesmo tempo em que a destruição de livros serviu para eliminar uma cultura, também serviu para estabelecer outra. 
Vale ressaltar que, quando se fala em destruição de livros, também está sendo abordada a destruição de grandes bibliotecas, museus e de vários tipos de documentos. O livro de Báez traça um excelente panorama histórico para mostrar um dos maiores crimes da humanidade. Definitivamente, umas das melhores leituras do ano.

15 de nov. de 2019

198 livros: CHINA – Imperatriz (Shan Sa)

Luz era a terceira filha da segunda esposa de um plebeu enobrecido. Desde pequena, ela tomou consciência do seu papel como mulher na China do século VII. Após a morte do pai, ela e sua mãe se vêem empobrecidas e nas mãos dos filhos do primeiro casamento do pai, que nunca aceitaram a segunda esposa. Notada por sua inteligência, ela é indicada para ser concubina do imperador. Luz começa a sonhar com o dia que daria um filho ao imperador e garantiria a salvação de sua família. A vida de Luz dá muitas reviravoltas, enquanto ela aprende a lidar com as intrigas femininas da corte, onde esposas e concubinas se matam e a seus filhos em busca da própria segurança. Ao se tornar imperatriz de um imperador que a ama, mas que não foge do estereótipo da época, Luz se torna uma força a ser reconhecida, mandando e sendo obedecida, se inteirando dos problemas do império e fortalecendo seu poder. Após sua morte, sua descendência, infelizmente, apagou suas conquistas e não conseguiu manter o que ela construiu.


O império me venerava como a esposa e a mãe dos soberanos da dinastia Tang.

Meu único problema com esse livro foi o fato de ser um romance histórico ao invés de uma biografia. Eu poderia citar outras questões que me fizeram ter um pouco de dificuldade na leitura (como os nomes próprios e os títulos, além da própria linguagem ter um teor poético), mas depois percebi que isso não fez muita diferença na hora de conhecer essa personagem tão fascinante. Não sei praticamente nada de história chinesa, mas o pouco que sei me levou a ficar encantada com a vida dessa mulher e do que ela sofreu para poder fugir do ostracismo no qual as mulheres em sua condição viviam. Livro muito indicado.

Editora Ediouro.
351 páginas.

15 de mar. de 2019

198 livros: ANDORRA – O mestre de Quéops (Albert Salvadó)

Natia acaba se tornando escrava no Egito após sua cidade ser tomada numa guerra. Sabendo que seu rosto desfigurado não inspiraria nada além de nojo, seus sentimentos sobre algum homem a querer como mulher entram em conflito com o fato dela ter sido estuprada. Ela engravida e seu filho cresce para ser a companhia do senhor da casa. Mas a época era de constante guerra e seu filho perde o dono (ele era escravo também) e o mestre. Inteligente e sagaz, Sedum consegue se tornar mestre dos filhos do faraó, e o leva a testemunhar a construção das grandes pirâmides do Egito.


Achei que a leitura desse livro seria uma coisa, se provou outra. Não é um livro top, e também não é ruim. Fazia tempo que eu não sentava para ler algo desse gênero, o último romance histórico que li foi sobre Cleópatra, e apesar de já ter gostado bastante desse gênero, foi algo que comecei a deixar de lado. Mas como para este desafio nem sempre encontro livros correspondentes (até agora eu dei sorte), não pude ignorar. O fato de falar sobre o Egito em uma época sobre a qual até hoje os historiadores ainda buscam maiores referências, nada mais nada menos do que o momento da construção das grandes pirâmides do Egito incluindo a pirâmide de Quéops (a única das sete maravilhas do mundo antigo a existir até hoje) foi um chamariz. Gostei muito, apesar das minhas reservas iniciais.

Editora Ediouro.
191 páginas.

9 de nov. de 2016

Chamado selvagem (Jack London) – DL 2016


Título: Chamado selvagem
Autor: Jack London
Mês: Novembro
Tema: Clássico do século XIX
Editora Ediouro, 110p.

Buck tinha uma vida tranquila no sítio do juiz Miller como companheiro dos netos do seu dono. Em um dia que não tinha nada de extraordinário, ele acaba sendo roubado e é vendido a exploradores de ouro que estavam a caminho do Alasca. A partir daí, sua vida, o antigo cachorro de companhia passa a levar uma vida dura e deve se adaptar se quiser sobreviver. O novo ambiente, as novas companhias, a nova realidade da vida de Buck fazem com que ele revele sua verdadeira natureza e assim, consiga sobreviver.

Um livro bem curtinho. Eu sempre tive curiosidade sobre os livros de Jack London, e depois de ler Caninos brancos, fiquei mais curiosa ainda. Geralmente não curto livros que sejam, digamos, viscerais e realistas sobre animais (coisa que os livros de London, sobre a vida de animais e homens em regiões inóspitas geralmente são), então eu lia essas partes meio a contragosto, porque não podia pular, mas ao mesmo tempo é essa retratação da realidade “cruel” que faz o livro ser envolvente. Li bem rápido, gostei e indico.

20 de nov. de 2015

O curioso caso de Benjamin Button (F. Scott Fitzgerald) – RC 2015


Título: O curioso caso de Benjamin Button
Autor: F. Scott Fitzgerald
Mês: Novembro
Tema: Graphic novel
Editora Ediouro, 228p.

Benjamin Button não é uma pessoal normal. Nascido com a aparência de um homem de 70 anos, ele assombra todos ao envelhecer como um bebê recém-nascido. Ao longo de sua vida, ele sofre muitos preconceitos, inclusive do próprio pai, que não entende e não se conforma com o fato do filho ser do jeito que é. Dividido em capítulos onde Benjamin aparece com uma idade em cada um, este livro mostra de forma bem humorada e irônica a forma como até hoje as pessoas tratam a velhice.

Eu não li o livro antes de ler esta graphic novel, então não tenho meios de comparar a obra original com esta versão. Minha escolha para este tema recaiu neste livro por causa do filme homônimo estrelado por Brad Pitt e Cate Blanchett, que eu vi por curiosidade e me apaixonei. A graphic novel é boa o bastante, mas difere do filme em muita coisa, e como disse, não li o livro então não sei falar sobre o que tem mais a ver com a história original (apesar da contra capa dizer que o texto original foi mantido, e entre a versão apresentada nesta graphic e o filme, fico com o filme). A leitura foi rápida, questão de meia hora. Recomendo.

2 de jul. de 2012

A história do alfabeto (John Man)


Título: A história do alfabeto
Autor: John Man
Editora Ediouro, 268 p.

Desde a sua origem até como conhecemos hoje, o alfabeto é estudado de maneira clara e acessível neste livro. O autor traça uma rota desde o surgimento dos hieróglifos no Egito até os dias atuais para escrever a história do alfabeto. O livro também apresenta uma árvore genealógica do nosso alfabeto, além de amostras de alguns alfabetos importantes, como o hieroglífico, fenício, grego, etrusco, dentre outros. O livro de John Man é uma excelente indicação para todos aqueles que, como eu, se interessam por esse aspecto da história da humanidade que, mesmo não tão reconhecido, desempenhou papel fundamental na construção das maiores sociedades do mundo.

26 de fev. de 2011

Diana: Crônicas íntimas de Tina Brown – DL 2011


Tema: Biografia e/ou Memórias

Mês: Fevereiro de 2011 (Livro II)

Título: Diana: Crônicas íntimas

Autora do livro: Tina Brown

Editora: Ediouro

Nº de páginas: 452

Sinopse: A princesa Diana foi eleita recentemente como a pessoa mais conhecida do mundo. Esta é a sua biografia definitiva revelando os detalhes de sua vida, seu casamento com o Príncipe Charles, as desilusões amorosas, a sogra (Rainha da Inglaterra ), suas ações de caridade, a solidão, seus romances e o desfecho trágico. Um dos livros mais vendidos em todo o mundo em 2007,traduzido para várias línguas, e best-seller em listas como NY Times, Amazon, Sunday Times etc.

Quando vi a capa do livro, o que mais chamou a minha atenção foi… a foto sorridente da princesa. Eu comprei esse livro numa banca, e como estou na fase de “Royal watcher”, acabei comprando. Também queria ler alguma coisa sobre a vida dela, porque vi muitos documentários, mas todos em inglês. Apesar de conseguir entender algumas coisas, outras eu, até ler o livro, entendia errado (tipo, no documentário eles criticando e eu entendia como elogio, ou vice-versa).

Eu escolhi este livro porque… como já disse, queria ler alguma coisa sobre a vida da princesa, por estar cansada dos documentários.

A leitura foi… muito interessante. Esclarecedora. Tina Brown consegue captar a atenção do leitor. O problema é só um: as fontes dela são documentários, jornalistas, outras biografias. Então, apesar de começar a acreditar em algumas coisas, depois me toquei que essa é só mais uma biografia de tantas que já existem sobre a princesa Diana. É como se a autora fosse parcial, apesar de depois de ler perceber que ela não é (pelo menos, não tanto assim). É diferente da biografia da Anne, porque apesar das alterações editoriais que existem, foi a própria que escreveu. Acho que esse é o grande “Ó” da biografia não autorizada. Apesar de que uma biografia autorizada possa ser parcial (a gente vai saber do ponto de vista EXATO do escritor que TAMBÉM é o biografado), pelo menos é a própria pessoa falando. Esse livro é uma visão da princesa Diana, e apesar de ser objetiva, gostaria que fosse uma biografia escrita pela própria Diana. O que eu quero dizer é que, mesmo não tendo lido outras biografias da princesa para comparar, gostei dessa porque ela não “toma o partido” da “linda princesa enganada”. Tina Brown mostra que a princesa acertava e errava, como um ser humano. Também mostra um lado do príncipe Charles que a maioria das pessoas simplesmente resolve ignorar (até hoje!!! Falo isso porque leio artigos internacionais.) só porque são encantadas com a garota linda e jovem vestida como uma noiva de conto de fadas na porta da catedral de Sr. Paul em 1981. Ela fala sobre a decisão que teve que tomar, pois como herdeiro do trono, entrou os 30 anos como solteirão convicto. Era urgente achar uma noiva “adequada” (aquele papo da noiva virgem. Que coisa mais retrógrada, mas a realeza é assim). Ela também fala um pouco de Fergie, a mulher do príncipe Andrew, o que me ajudou entender porque ela caiu em desgraça com a realeza; deu uma nova luz sobre a tão comentada entrevistada da princesa ao programa Panorama (na época, uma entrevistada considerada reveladora), pois mostra que a princesa foi até desrespeitosa com a rainha e mostra, como vários acontecimentos citados no livro, que Diana, ao contrário do que se pensa, sempre soube lidar muito bem com a imprensa. Uma pena que a imprensa tenha se aproveitado barbaremente disso.

O personagem que eu gostaria de ter ajudado é a princesa (se é que dá para considerar isso). Por quê? Porque ela casou baseada num sonho idealizador de príncipe encantado. Vários acontecimentos mostrados pela autora mostram que ela sequer conhecia o príncipe Charles, assim como ele a ela. Vinda de um lar fragilizado (os pais passaram por problemas, se divorciaram, o pai manteve a guarda dos filhos, a mãe só os via, ela e os irmãos, esporadicamente). Ela viu a mãe começar a ser tratada com descaso pelo pai. Enfim. Isso a fragilizou, como fragilizaria qualquer pessoa.

O trecho do livro que merece destaque: Váááááários. Alguns deles:
-[...] Ser franca não é o mesmo que ser confessional. [...] E ser franca também não é a mesma coisa que ser óbvia. [...]
-[...] Todos nós caímos de amores por ela. Realmente apoiávamos Diana e a empurramos para ele. Estou absolutamente convencida de que nós, a imprensa,forçamos Charles a se casar com ela. [...]
-[...] Talvez porque suas vidas sejam ligadas ao dever, palavra que Diana logo começou a recear, os membros da família real são particularmente incapazes de identificar quando o dever sozinho não é suficiente. [...]
-[...] Ela percebeu que iria ficar como a rainha, possivelmente a mulher mais solitária do mundo.
-[...] Os membros da realeza estão sempre, no mínimo, vinte anos atrasados em relação a todo mundo porque são os últimos baluartes da tradição. [...]
-[...] Tanto a presidência americana quanto a monarquia britânica vinham equipadas com fachadas impressionantes. [...] Mas, por trás da fachada da presidência, encontra-se o poder de vida e de morte sobre todo o mundo. Por trás da fachada da monarquia encontra-se... bem, não muito.[...]
-[...] De vez em quando surgem especulações de que a rainha da Inglaterra, tal como alguns presidentes de grandes corporações, vai abdicar para “dar lugar” a uma nova geração. Isso contraria a verdadeira natureza da monarquia. Ela não é um trabalho, é uma corporificação. Ninguém se candidata a ela e [...] ninguém foge dela. Nasce-se para o cargo e, portanto, morre-se nele.[...]
-Ser membro da família real é apenas um papel gestual, cujo único poder reside na qualidade do gesto. Grande parte das coisas que os membros da realeza fazem em troca dos consideráveis privilégios de que desfrutam é desesperadamente tediosa ou sumamente deprimente. [...]
-A partir do momento em que a monarquia deixou de ser uma instituição de poder para se tornar uma virtude representativa, o que a faz funcionar foi algo que, por algum tempo, sobreviveu à mudança: o código de silêncio do palácio. [...]
-A admissão de seu distúrbio alimentar crônico numa cultura e classe educadas desde o berço para negar seus problemas particulares foi o ato individual mais corajoso de Diana. [...]
-[...] O povo britânico nunca quis substituir realmente a monarquia, por maiores que fossem suas falhas, por um regime liderado por um funcionário público vestido como executivo. [...] A coroa é o fio dourado que conecta o povo aos momentos mais gloriosos da sua história, exercendo um poder estabilizador num mundo em desconcertante transformação. Não foi por outro motivo que as eras elizabetana e vitoriana foram assim chamadas, em homenagem às duas grandes rainhas, Elizabeth I e Vitória. [...]

A nota que eu dou para o livro: 5