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19 de jul. de 2019

O Rei Leão (2019)

Todo mundo já conhece essa história: Simba é o filhote de Mufasa e Sarabi. Ele é o futuro rei da selva. Quando é traído pelo seu tio, ele foge e conhece no exílio dois amigos, que irão ajuda-lo a crescer e a retomar o reino que é seu por direito.


Esse filme é muito lindo! Em se tratando de remake live action, O Rei Leão não deixa nada a dever para o filme de 1995. Pelo contrário, o que tem de menos (como as músicas do Scar e a famosa “Hakuna Matata”), compensa na nova música composta por Beyonce, “Spirit”. Aliás, a música tema do romance entre Nala e Simba na voz dela e do Donald Glover ficou maravilhosa:


Em se tratando de cenário, esse filme trouxe todo o colorido tão característico dos filmes infantis da Disney. A cena de abertura é igual, eu só estranhei o fato da música “Círculo da vida” não estar mais na voz de Lebo M.


Sobre o visual dos personagens, quando lançaram imagens do Scar, eu estranhei porque apesar de ser um leão com juba negra só com uma cicatriz no rosto (no filme de 1995), no live action fizeram dele um leão sem a juba negra mas coberto de cicatrizes (a principal, no olho, também está lá), e eu achei que isso afetaria a visão que eu teria dele, mas não. Gostei muito dessa mudança, porque agora o personagem ganhou um aspecto mais sombrio.
Alguns elementos continuam iguais ao filme original: as cenas de Mufasa e Simba, com o tema de Mufasa ao fundo com a mesma carga emocional:


Pumba e Timão continuam a aquela dupla impagável que faz todo mundo rir:


E Nala é a mesma leoa lindinha. Sobre o que mudou e ficou melhor: o aspecto mais sombrio de Scar, o lado mais “místico” de Rafiki, e deixaram um pouco de lado o lado cômico associado as hienas e as transformaram em personagens mais “malvadas”.


Com cenas de lutas muito bem feitas, uma fotografia perfeita sobre os céus e a vastidão da África, O Rei Leão é um dos melhores remakes de animações feitos até hoje.

9 de mar. de 2019

Capitã Marvel (2019)

A história é essa: Carol Denvers é uma piloto da Força Aérea norte-americana durante a década de 90. Durante uma missão fracassada, ela é exposta a energia emanada de uma explosão de um motor experimental de tecnologia Kree e se transforma em uma criatura com super poderes. A partir daí, ela se vê envolvida em uma guerra intergaláctica entre duas raças alienígenas, os Kree e os Skrulls, enquanto tenta descobrir mais sobre sua vida e seu passado.


Como todas as vezes em que vi filmes da Marvel, não conhecia nada dessa heroína e tive que fazer uma pesquisa básica. Mesmo assim, sinopse oficial liberada não me ajudou em nada, então fui de mente aberta para o cinema.


Achei que seria um filme do tipo do primeiro do Capitão América, onde tudo é contado cronologicamente, e nós vemos o Steve Rogers se transformar no herói, acabei ficando meio confusa porque o filme começa mostrando a ação logo de cara. Não faço ideia se mostrar Carol primeiro no meio dos aliens para depois, através das lembranças dela, ir mostrando seu passado e o que realmente aconteceu, foi intencional, ou se a ideia era outra, mas ficou excelente.
Brien Larsons está maravilhosa como Carol Danvers, e seu encontro com Nick Fury (Samuel L. Jackson) ainda com os dois olhos funcionando eram as cenas que eu mais fiquei ansiosa para ver e não me decepcionei. Mas quem roubou a cena mesmo foi esse bonito aqui, o gato Goose:



Visualmente, o filme é ótimo. Aquela vibe da década de 90 com as músicas, que nem no filme dos Guardiões da galáxia, dá um toque saudosista para quem viveu a adolescência nessa época (que nem eu :P ). Ainda não entendi as críticas de que o filme não é bom, que a heroína é meia-boca e tudo isso. 


Capitã Marvel é uma heroína incrível cuja proteção (pelo menos é o que parece) vai além da capacidade dos Vingadores, e isso é demais. Não conheço nada dos quadrinhos, então não sei se ela será capaz de derrotar Thanos ou qual será sua importância nos próximos filmes da Marvel, mas estou no aguardo para ver mais dessa mulher incrível.

17 de nov. de 2018

Animais fantásticos: os crimes de Grindelwald (2018)

Newt Scamander (Eddie Redmayne) é recrutado pelo Ministério da Magia para capturar Credence (Ezra Miller) antes que Grindelwald (Johnny Depp) o encontre e o transforme em uma arma. A ameaça e influência do bruxo das trevas cresce a cada momento, o que leva Dumbledore (Jude Law) a também “intimar” o bruxo apaixonado por criaturas mágicas a ir atrás de Credence É nesse rumo Newt acaba se reunindo novamente com Tina (Katherine Waterston), Queenie (Alison Sudol) e Jacob (Dan Fogler), enquanto o jovem Credence está em Paris em busca de sua verdadeira origem.


Vi o filme na quinta, mas só agora pude postar minha resenha, então lá vai. Vou deixar os debates de lado e me focar na história.

A primeira coisa que eu quero falar desse filme é justamente desse início que é, de várias formas, eletrizante. Desde a cena de abertura já se consegue perceber que tem alguma coisa de errado, e claro que depois se descobre o que é, mas não é isso que impressiona (afinal, pelo trailer, já se sabia de Grindelwald não ficaria com aquele visual o filme inteiro). Eu me pergunto se para aquela cena LOUCA no ar não se inspiraram na fuga de Harry e de seus amigos no caminho para a casa dos Weasley em Reliquías da Morte parte 1.

Vi o filme na quinta, mas só agora pude postar minha resenha, então lá vai. Vou deixar os debates de lado e me focar na história.
A primeira coisa que eu quero falar desse filme é justamente desse início que é, de várias formas, eletrizante. Desde a cena de abertura já se consegue perceber que tem alguma coisa de errado, e claro que depois se descobre o que é, mas não é isso que impressiona (afinal, pelo trailer, já se sabia de Grindelwald não ficaria com aquele visual o filme inteiro). Eu me pergunto se para aquela cena LOUCA de fuga não se inspiraram na saída de Harry e de seus amigos da casa dos Dursley em Reliquías da Morte parte 1.


Como não podia deixar de ser, Jacob e Queenie voltam a aparecer, e quando eu acho que o romance entre eles dessa vez vai, que eles vão lutar juntos contra o bruxo do mal e tudo isso que eu me viciei a ler em fanfics, eis que a situação muda. Queenie foi um dos personagens que me deixou com mais sentimentos variados, passando de pena a frustração até raiva. Agora eu quero ver no decorrer dos filmes seguintes qual será o resultado de suas escolhas, e o que Tina sente com relação à escolha da irmã.
Tina também volta a aparecer e o romance dela com Newt, apesar de todo mundo querer logo que aconteça, eu fiquei feliz de que os roteiristas estão deixando a história deles se desenvolver. Agora que acabou a confusão com a Leta Lestrange e os sentimentos deles estão mais claros um para o outro.


Leta Lestrange foi uma surpresa ótima, foi o tipo de personagem que já desperta (no meu caso) raiva, aí quando começam a mostrar um pouco dela e de sua história, você vê que ela é uma pessoa com camadas diferentes e bem interessantes (assim como aquelas bullies da Grifinória, parece que a visão de um personagem como Rabicho não mudou nada referente ao preconceito e a cegueira, tinham que colocar alunos com as mesmas atitudes nojentas dignas de um Draco Malfoy para vermos que tem fruta podre em todo lugar).
De todos os personagens novos, essa foi a que mais me intrigou: Nagini. Eu amei ela.


Estou muito curiosa, dado o que mostraram da vida dela, como ela era tratada e seu relacionamento com Credence, para ver o que mais vai acontecer até chegar ao ponto em que ela conhece o futuro Lorde Voldemort.
No mais, só tenho a dizer que Jude Law está exatamente como eu imaginava um Dumbledore jovem, tudo sobre ele (o que ele fala da irmã, sua ligação com Grindelwald) está igual ao que eu imaginei desde que soube que o personagem iria aparecer nesses filmes, além de responder algumas das perguntas que eu tenho desde que li o último livro de Harry Potter sobre o enfrentamento definitivo entre eles, apesar de ter me levado a inúmeras teorias justamente sobre isso também.


As criaturas mágicas de Newt também estão presentes, talvez não tanto quando no primeiro filme, mas ainda estão lá. Assim como a elaboração de cada ambiente adequando às espécies dentro da mala, o que se encontra na casa de Newt leva tudo a outro nível, muito mais impressionante e maravilhoso (aquele cavalo da água lindo!) Mas, de todas as criaturas, a que me enlouqueceu no cinema e me deixou lagrimando foi Fawkes. Isso mesmo, meus queridos, Fawkes!.  

E já que falei dessa fênix maravilhosa, não menos significativa foi a presença de Credence no filme, o personagem que agora está mais intrigante do que nunca. O desenvolvimento do passado dele e sua ligação (surpresa, e eu tenho que dizer QUE SURPRESA!) com outro personagem bastante conhecido deixou o cinema aos gritos, e vai me fazer ler o último livro de novo atrás de pistas para saber o que eu deixei passar. Estou me perguntando do que eu me esqueci, o que eu deixei passar, justamente quando achei que não teria mais nenhuma surpresa...

No mais... HOGWARTS!!!! Não importa quantos anos passem, a visão desse castelo sempre vai mexer comigo. Sempre.


De forma geral, é um ótimo filme, uma continuação que desperta curiosidade e faz a gente criar teorias das mais variadas. Recomendo completamente.

12 de out. de 2018

Negação (Deborah E. Lipstadt) – D12ML 2018


Título: Negação
Autora: Deborah E. Lipstadt
Mês: Outubro
Tema: Um livro que comece com a inicial do seu nome
Editora Universo dos Livros, 432p.

Deborah E. Lipestadt é uma conceituada historiada e professora em uma universidade renomada em Atlanta. Ao receber uma carta da Peguin Editora, responsável pela publicação de seu livro Denying the holocaust, Deborah não sabe exatamente como reagir a notícia de que está sendo processada por David Irving, um renomado estudioso de Hitler também famoso por ser um negacionista do holocausto. Em seu livro, Deborah o cita de maneira negativa e David resolve processá-la por difamação, mas diferente de como acontece nos EUA (onde o acusador teria que provar que Deborah mentira), na Inglaterra é a parte acusada que deve provar que está dizendo a verdade. E assim começa um processo que levará anos até que ambos se ponham na frente do juiz. O julgamento começa e à medida que estudiosos e especialistas começam suas explicações, as verdades, mentiras e distorções sobre um dos períodos mais negros da história humana são expostas.

A primeira vez que entrei em contato com a história do julgamento de Deborah Lipstad foi através do filme de mesmo nome lançado em 2017. Não só porque o elenco é excelente, mas porque a temática, apesar de polêmica, também é um assunto que vale qualquer debate. Então quando peguei o livro, já sabia o que ia encontrar e esperava que o livro fosse mais profundo e abrangente. O que, obviamente ele é. Recheado de detalhes sobre ao extermínio de judeus, o livro também traz logo no início um breve resumo da vida de Deborah e o caminho que ela trilhou até se transformar na professora conceituada que é hoje.
Ao mesmo tempo, dá uma vontade imensa de esganar David Irving. Primeiro, ele não nega que os judeus foram vítimas da guerra, ele só “não admite” que o comando de exterminá-los partiu de Hitler, que as mortes não foram casualidades da guerra, que os campos não tinham como objetivo o extermínio, e finalmente, que tudo não passa de lenda para os judeus adquirirem vantagem financeira.

“Um extermínio é um extermínio”, respondeu em voz baixa. Irving continuou insistindo que aquelas pessoas morreram em virtude de “condições ruins” e não de um sistema de extermínio planejado e o rosto de Peter foi ficando cada vez mais vermelho. Virando-se de modo a não olhar para Irving, falou duramente: “O propósito do campo de concentração não era manter os prisioneiros vivos. […] o propósito do campo de concentração aqui era claramente fazer as pessoas morrerem. […] Não se pode compará-lo a uma prisão nem nada do tipo em um país civilizado".

A medida que o julgamento acontece, cada uma das alegações de Irving é demolida, mesmo com ele negando e negando e negando. A cada vez que a defesa ganhava em um ponto, eu celebrava. O final é excelente, claro depois de ver o filme, fiquei aliviada porque sabia qual seria a sentença. Um dos melhores livros que eu já li, na verdade essa livro é uma senhora aula de história. Completamente recomendado, assim como o filme.

O filme



Em segundo lugar, ficou claro desde o início que o filme seria uma defesa da verdade histórica. Defenderia que, embora os historiadores tenham o direito de interpretar os fatos de formas distintas, eles não têm o direito de conscientemente deturpar os fatos. Necessária aos historiadores, tal integridade certamente aplicasse também aos roteiristas. Se eu quisesse oferecer um relato do julgamento e do comportamento de David Irving, não poderia desfrutar da licença de especular ou inventar, a qual costuma ser concedida a escritores.

O filme é exatamente isso. Claro que o início é diferente, eles não perderam tempo explicando ou mostrando a vida de Deborah, mostram ela atuando em seu campo (ministrando aulas sobre o holocausto). A partir daí, começa a preparação de Deborah e sua equipe para lidar com Irving. Muita coisa ficou de fora da adaptação, claro, mas os principais aspectos estão presentes: a viagem a Auschwitz, a indignação de Deborah ao ser auxiliada a permanecer calada dentro e fora do tribunal, o depoimento de Van Pelt (um dos historiadores chamados pela defesa).
Uma das melhores cenas foi o momento da deliberação do juiz antes de todos se retirarem para que ele pudesse avaliar tudo e proferir a sentença (isso eles não mudaram praticamente nada e, como Deborah, você consegue sentir a total frustração – no meu caso, eu quase pirei de raiva com essa colocação):

Em seguida, fez o que descreveu como sendo sua “última pergunta”. “Se alguém é antissemita […] e extremista, ele é perfeitamente capaz de ser, por assim dizer, honestamente antissemita e honestamente extremista no sentido de ter essas visões e expressá-las porque elas são, de fato, suas visões?” 
Rapidamente verifiquei a tela do computador para ter certeza de que tinha ouvido direito. O juiz Gray estava sugerindo que, se Irving honestamente acreditasse em suas declarações antissemitas e racistas, elas eram aceitáveis?

Como eu falei acima, o final é o que se espera de um tribunal justo, mesmo que às vezes durante o julgamento tenha parecido o contrário. Vale muito a pena. Para terminar, deixo aqui uma palestra de Deborah sobre o assunto:

19 de set. de 2018

O conto da aia (Margaret Atwood) – BL 2018


Título: O conto da aia
Autora: Margaret Atwood
Mês: Setembro
Tema: Publicado na década do seu nascimento
Editora Rocco, 368p.

Em um futuro não tão distante, os EUA se tornaram uma ditadura religiosa cristã chamada Gilead. Depois de muitas guerras, um grupo de fundamentalistas tomou o poder e instaurou novas regras, sendo a principal: as mulheres perdem completamente seus direitos de escolha. Divididas entre as categorias de espoas, marthas, salvadoras, aias, etc, cada uma tem um papel específico. As aias, pois a história é contada do ponto de vista de uma delas, Offred (ou seja, de Fred, o nome do comandante, o marido e chefe de família que está abrigando a aia no momento) são as responsáveis por engravidarem. As esposas que não podem ter filhos empregam aias, engravidadas pelos seus maridos em um acontecimento chamado de Cerimônia, que darão a luz as crianças e depois serão mandadas para outro lugar. Em meio aos relatos de Offred, ela também insere flashbacks de sua vida de antes e do que ela um dia teve, de quem ela um dia amou.

Um homem é apenas a estratégia de uma mulher para fazer outras mulheres. [...] Mas há alguma coisa faltando neles, mesmo nos que são gentis e bons sujeitos. É como se estivessem permanentemente distraídos, como se não conseguissem se lembrar muito bem de quem são. Olham demais para o céu. Perdem o contato com os pés. Não se comparam a uma mulher, exceto pelo fato de que são melhores para consertar carros e jogar futebol, exatamente o que precisamos para o aperfeiçoamento da raça humana, certo?

Depois de ver tanta gente falando da série, eu quis o livro (não adiante, quando se trata de adaptação, eu sempre tento ler o livro antes). Não sei dizer qual dos dois materiais é o mais forte. Achei que vendo a cena da Cerimônia, consideraria a série mais repugnante. Mas na verdade, os dois matérias são, a sua própria maneira. O livro de Margaret Atwood é uma distopia diferente, em vários níveis, de qualquer outra distopia que eu já li, sua forma de escrita e narrativa me deixou, confesso, desnorteada. Somente quando terminei entendi o porquê disso.
A história joga na nossa cara verdades que as pessoas preferem não discutir ou mesmo tomar conhecimento, como o fato da nossa cultura patriarcal levar as mulheres a condenar, julgar e odiar a si mesmas, a justificar erros de homens enquanto culpabilizam mulheres (isso se reflete na cultura do estupro). Somos levadas a justificar através da religião a dominação masculina, a nos silenciar e nos invalidar. Deve ser por isso que a série alcançou tanto sucesso e ganhou prêmios valiosos. Uma história muito pertinente ao mundo atual em que vivemos, vale cada minuto da leitura.

A série


Depois de ler o livro, você sabe que o que acontece com June (ou Offred) não tem jeito, mesmo que a série comece de uma forma que leve a pensar que tudo vai ser diferente. Escolheram dar logo um fim em Luke (?), diferente do livro, onde se passa a leitura inteira tentando imaginar o que houve com ele. 
No livro, só descobrimos, e isso por hipóteses, o nome do Comandante no final, de uma forma inesperada, mas na série sabe-se logo de primeira, assim como a exigência de respeito que a Sra. Waterford exige, não exatamente por causa da figura que foi no passado mas aquele tipo de respeito que uma mulher deve a outro no que concerne a maridos. June foi mostrada de maneira diferente do que esperava, mas gostei dessa mudança. 
Enquanto no livro ela parece um pouco passiva demais (nem sei se estou usando a palavra correta para descrevê-la), na série sua aparência calma não demonstra seus pensamentos irônicos e revoltados, mas vemos que seu estado é de uma pessoa prestes a explodir que se controla por mera força de vontade.

Devotinha de merda.

O encontro de June e Moira depois de tudo acontecer também é diferente na série, e eu gostei de ver que algumas coisas eles resolveram mostrar sem usar meias palavras ou deixar a cargo da imaginação do observador (como no livro): o objetivo de toda a situação (as mulheres devem gerar as crianças dos casais fiéis), os castigos impostas aquelas que se recusavam a “cooperar”.
Outra personagem que me chamou atenção foi a Sra. Waterford, que despertou um pouco de pena (no primeiro episódio, somente, porque a personagem é odiosa, mesmo levando em conta a situação dela). No livro, percebe-se que as mulheres inférteis são totalmente pertencentes a esse sistema absurdo em que vivem, e que elas exigem o respeito da lealdade, não querem ser traídas por nenhuma “aia que resolva se engraçar com o patrão para ver se ganha alguma coisa”, mas é muito mais que isso. Pelo menos na série, pela patroa de Hannah (pelo menos no primeiro episódio), dá para ver algum sofrimento por não conseguir gerar uma criança.
Eu fiquei meio louca assistindo a primeira temporada dessa série, mesmo já tendo lido o livro e já sabendo de uma nova temporada, cada passo que June dava fora do programado me levava a pensar que a qualquer momento ela seria descoberta, pega e morta. Os abusos conseguem ser bem piores também. Outras coisas como a situação de Ofglen, o envolvimento entre June e Nick e a tolerância maior da Sra. Waterford para com June também foram coisas que tiveram mudanças, o que foi bom, porque eu já estava imaginando o que inventariam para que o livro fosse adaptado em duas temporadas. A mudança maior: Tya Lydia, que no livro parece uma pessoa obcecada com os preceitos religiosos que governam aquele lugar e que sim, pune aqueles que erram, mas na série a mulher é uma megera completa. Algo interessante é a quantidade de flashbacks da vida dos Waterford e como eles estavam envolvidos nos problemas iniciais, assim como as lembranças de Offred de sua vida como June e de que forma ela foi perdendo essa vida e sua segurança.

- A raça humana está em risco. O que importa é a eficiência.

- E o que propõe?

- Não é física quântica. Todas as mulheres férteis devem ser coletadas e engravidadas. Pelos de maior status, claro.
- Quer dizer, concubinas.
- Não me interessa como quer chamar.
- As esposas jamais aceitariam.
- Não é um problema.
- Não conseguiremos sem apoio delas, sabe disso.
-Talvez a esposa devesse estar presente. Para o ato. Não seria tanta violação. Há precedente bíblico.
- “Ato” talvez não seja o melhor nome. Em termos de marketing. A “Cerimônia”? Melhor. Bom e divino.
- As esposas aceitariam essa besteira.


A série rendeu uma segunda temporada que manteve o foco na aia e se distanciou do que é contado no livro, mas continuou mantendo o mesmo ritmo envolvente. De vez em quando, dentre os vários momentos em que você se pega odiando fazer parte da humanidade, eis que surge um sopro de esperança (episódio 06, "First blood", que o diga), fazendo da surpresa seu Ás na manga.

18 de set. de 2018

Victoria e Abdul: o confidente da rainha (2017)

Abdul Karim (Ali Fazal) e Mohammed Buksh (Adeel Akhtar) chegam na Inglaterra vindos da Índia, para entregar uma moeda comemorativa na celebração do Jubileu dourado da rainha Victoria (Judi Dench, novamente). De alguma forma impressionada por ele, a rainha fez com que Abdul e seu amigo se tornem seus assistentes pessoais pelo resto das comemorações. A partir daí, sua vida muda completamente. Abdul se torna amigo da rainha, ensinando-a a falar urdu e acompanhando a rainha em viagens pela Europa. Mas tanta intimidade causa desconforto na corte, até mesmo por sua origem, já que Abdul era indiano, e por passar a usufruir de vários privilégios.


Mais um filme sobre a rainha Victoria e uma amizade com alguém que sua corte não aprovava. È muito engraçado como eles conseguem sempre retratar que a rainha, não é meramente uma mulher com um título real, mas sim quase uma propriedade que deve ser mandada a todo momento, mantida longe de qualquer contato mais “humano”, seguindo rígido código de quebras que, se quebrado, mesmo por ela, as consequências nunca são boas.
Beira o ridículo, por um lado, o quanto eles não se atrevem a questionar ou contradizer uma ordem dela ou um simples desejo, enquanto por outro eles a cercam e a mantem em uma redoma, fazendo de tudo para que ela não experimente nada novo.


A rainha Victoria já havia desenvolvido, anos antes, uma amizade forte por outro plebeu, Mr. Brown, fato que na época também não alegrou a corte nem um pouco. O mais legal sobre a história de Abdul é que, apesar do novo rei Edward ter mandado destruir todas as correspondências entre a mãe e Abdul, diários dele foram descobertos em 2010 e vieram a público.


O filme é muito bonito, tendo como pano de fundo a situação complicada entre o império britânico e a Índia, e isso fica explícito na falta de noção de Abdul, que não parece saber o momento de não falar, mostra um tipo de ingenuidade do súdito que idolatra o soberano e que, apesar do país estar sofrendo com a dominação britânica, ainda consegue achar que todos ao redor dele são sinceros quando sorriem, e na conduta de Mohammed, que cansou de tudo e quer ir embora. 

Abdul faz o que todos fazem. Ele... Ele quer um título. Ele é puxa-saco. Ele se arrasta para subir no mastro gorduroso e fedorento do maldito império britânico, fazendo todos vocês de idiotas porque ele é um serviçal. Um serviçal indiano muçulmano, e todos vocês estão borrando suas botas porque ele os está vencendo no seu próprio jogo. 

As paisagens são lindas, e o filme consegue ser até engraçado, durante as cenas em que as damas de companhia e serviçais da rainha espionam o que ela e Abdul conversam, alguns até expressando medo do idioma desconhecido ou do que a rainha pretende fazer e do que ela ordena que seja feito.

Abdul Karim e Mohammed Buksh

O final, para variar, não é o que se espera, porque se sabe que a rainha já é bem idosa quando conhece Abdul, então se imagina que podem mostrar sua morte, mas o que acontece com Abdul depois que ela falece é bem triste e até injusto. Enfim, eu só tenho elogios, não só pela atuação maravilha de Dame Judi, como pela história em si. Recomendo completamente.

14 de set. de 2018

Her Majesty, Mrs. Brown (1997)

1861. O príncipe Albert, marido e grande amor da rainha Vitória, está morto, o que leva a soberana a um estado inconsolável de luto, evitando todos os compromissos, sociais e públicos. John Brown, fiel serviçal do falecido príncipe, torna-se o cavalariço da rainha e consegue trazê-la de volta a vida. O problema começa quando a amizade inesperada começa a despertar suspeitas e cria um escândalo na corte, cujos integrantes não aceitam que um escocês arrogante tenha tanta influência sobre a rainha.


Eu descobri esse filme enquanto pesquisava sobre o lançamento de outro filme sobre a Rainha Vitória (Victoria and Abdul, lançado ano passado). Que achado. De início, pensei que fosse um simples romance com variadas licenças históricas, mas depois de pesquisar, vi que Mr. Brown (ao qual o título se refere da mesma maneira ofensiva que os jornais da época usaram para designar a rainha, se considerarmos que Vitória permaneceu em luto pro resto da vida depois da morte do marido), realmente existiu. E a história desse amigo e da rainha é muito bonita.

A rainha Vitória e Mr. Brown (W & D Downey/Getty Images)

A morte do príncipe e a consequente reclusão da rainha fizeram com que sua popularidade diminuísse, assim como cresce o sentimento anti-monarquia no país. Tentando fazer com que a soberana se interessasse pelas suas obrigações novamente, Mr. Brown é chamado para a corte novamente. O fiel serviçal consegue tirar a rainha de seu estupor, apesar dela continuar se recusando a voltar ao trabalho. O primeiro-ministro Benjamin Disraeli (Antony Sher) resolve usar da influência de Brown e pede para que ele convença a monarca a voltar a realizar suas funções reais. Eles se desentendem e a relação azeda. Mesmo assim, Brown continua servindo a rainha até sua morte em 1833. Sua preocupação constante com a segurança de Vitória e seu jeito arrogante logo levam todos a desprezá-lo, incluindo a criadagem que antes via nele uma solução e agora passam a se ressentir de tanta influência sobre a monarca.


Não vi romance no filme, mas uma amizade forte entre ambos, uma ligação que fez a monarca sair de seu estado de apatia e voltar a se interessar pelos assuntos do reino. Dame Judi Dench está maravilhosa (e quando essa mulher NÃO está maravilhosa em um papel, eu me pergunto) como a rainha e Billy Connolly cativa como Mr. Brown, valendo cada indicação dos atores e do filme aos prêmios de cinema da época. Recomendado.

11 de set. de 2018

Adeus Christopher Robin (2017)


É o menino mais sortudo do mundo, pois conhece Winnie the Pooh.

No início dos anos 20, o escritor Alan Milne (Domhnall Gleeson) acaba de voltar da luta durante a Primeira Guerra Mundial, traumatizado pelo que testemunhou. Preocupado com o futuro do país, ele decide escrever algo que pudesse alertar as pessoas para que nunca mais ocorresse nenhuma guerra, mas ele simplesmente não tem forças para isso.

E se todos nós, todas as nações, nos uníssemos e decidíssemos que quando houvesse um conflito, uma disputa, a guerra não seria a forma de resolver.

Quando sua esposa Daphne (Margot Robbie) engravida e o bebê nasce, nenhum dos dois se mostra apto a manter uma relação pessoal com o filho. Para isso, eles contratam uma babá, Olive (Kelly Macdonald), com quem Christopher Robin ou Billy Moon para os mais próximos (Will Tilston) cria um forte laço.


A família agora vive no campo, onde Alan espera encontrar sossego e Daphne espera que o marido encontre inspiração para seu trabalho. Quando Alan e Billy praticamente são forçados a passar tempo juntos, a relação entre pai e filho se estreia, e a partir desse convívio, surge a história do ursinho Pooh e seus amigos.


Winnie the pooh se torna um livro muito conhecido e celebrado, e Christopher Robin também, mas aos 9 anos de idade, ele não sabe lidar com a fama que só faz crescer. A babá é a única que percebe o que os pais de Billy estão fazendo, mas ela vai embora e Billy vai para um colégio interno, onde obviamente, os alunos o atormentam. Crescido, ele decide lutar na Segunda Guerra Mundial, e é nessa despedida entre pai e filho que vemos o quanto Christopher sabia que sua infância havia sido perturbada pela fama e reconhecimento e de que forma o seu relacionamento com seu pai, antes tão bom e feliz, havia sido prejudicado.


Aqueles dias, quando estávamos só nós dois… foram os dias mais felizes que já vivi.

Eu nunca me toquei de ir procurar sobre a história do ursinho Pooh, acho que porque nunca foi meu personagem favorito. Eu gosto de muitos filmes e personagens da Disney, mas Pooh e sua turma nunca entraram na minha lista de favoritos. Então, foi uma surpresa descobrir esse filme (lançado ano passado, que não chegou aqui). Comprei o livro Goodbye Christopher Robin na esperança de ler antes de ver o filme, mas não deu muito certo.

O urso acabou com a minha vida.

Nas minhas pesquisas, encontrei livros sobre Christopher e sobre o urso real que deu o nome ao bichinho de pelúcia de Christopher, mas como ainda não sabia muito sobre a verdadeira história do menino, o filme me ajudou a entender melhor o porquê de Billy não gostar da fama e ter começado a detestar o urso.
A história traz questões bastante atuais, como a mulher que engravida para alegrar o marido, mas fica traumatizada com o parto e deixa a criação do filho para a babá (o que leva a alguns pequenos confrontos entre mãe e babá, que é julgada por ser paga para fazer o menino feliz, mas na visão da mãe, não faz isso); como pais que transformam os filhos em celebridades sem ajudar a criança a lidar com a fama, e mais importante, sem deixar os filhos serem crianças.

Sãos as coisas mais lindas do filme as ilustrações de E.H. Shepard para um dos livros do urso Pooh.


O filme é como esperado: simples, comovente, repleto de bonitas paisagens do interior da Inglaterra. Completamente recomendado.

11 de jul. de 2018

Confirmação (2016)


O juiz Clarence Thomas (Wendell Pierce) é nomeado para o importante cargo de Juiz da Suprema Corte dos Estados Unidos, substituindo outro juiz negro. Mas na hora da validação junto aos outros juízes, uma ex-funcionária na faculdade, a professora de direito Anita Hill (Kerry Washington), acusa-o de tê-la assediado sexualmente dez anos atrás.
Na ausência de provas, o caso gera um escândalo no país, suscitando debates sobre o papel das mulheres na política, o abuso de poder no sistema americano e as questões raciais nas altas instâncias do governo.

Esse é um daqueles filmes que vc encontra e começa a assistir por acaso e a história te pega de jeito. Só descobri que era uma espécie de filme biográfico no final, quando comparam as cenas do tribunal no filme com a realidade. Confesso que me deu nojo em algumas partes (ex. na alegação de que Anita era doente), fiquei dividia na cena em que um dos juízes precisa tomar a frente e faz todo mundo se tocar e prestar atenção que o que estava sendo julgado era um caso de assédio sexual, não um caso de racismo, mas o que gostei mesmo foi o fato de não transformarem Anita em uma sofredora chorona, ela é sempre clara e firme. O final foi meio agridoce, mas gostei por causa da mensagem: como sempre, precisa-se sempre que alguém dê o primeiro passo para que muitos outros escondidos por aí comecem a trilhar aquele mesmo caminho.

29 de jun. de 2018

Little Women (2017)


A história essa: durante a Guerra Civil americana, a Sra. March e suas quatro filhas Meg, Jo, Beth e Amy vivem como podem, com suas tarefas domésticas diárias e tentando lidar com a falta do pai. Meg gosta de luxo, Jo adora ler, Beth é a mais bondosa e Amy gosta de arte. As mulherzinhas fazem amizade com Laurie e seu avô, o Sr. Lawrence, e tem o tempo dividido entre o cuidado com a casa e o aprendizado de valores morais importantes. Um grande amigo das quatro, Laurie se apaixona por Jo, mas ela não pensa nesses assuntos. Quando uma grave doença lança uma sombra sobre a quietude da família, a união que existe entre as mulherzinhas as ajudam a suportar tudo.

Essa série é um primor. Não sei como eu só a descobri agora. Faz tempo que eu estava precisando de uma com esse teor leve e divertido (desde que acabou Downton Abbey, na verdade). Eu li esse livro faz um tempo e me encantei pela história.


Já vi gente falando que o elenco falha em passar para o telespectador aquela doçura das personagens do livro, mas isso não é verdade. Tem nomes de peso, como Dame Angela Lansbury (a não-muito-tolerável Tia March), Sir Michael Gambon (o vizinho benevolente Mr. Laurence) e Emily Watson (Marmee March).


As não tão conhecidas Willa Fitzgerald (Meg), Kathryn Newton (Amy), Maya Hawke (Jo) e Annes Elwy (Beth) conseguem captar o tom de cada uma das personagens principais, mas foi Jonah Hauer-King (Laurie) que me encantou mesmo. As tentativas de romance com Jo são sempre fofas e adoráveis.
A história toca em temas universais, e talvez por isso seja um livro que encante até hoje (eu voltei a ler depois da série) mesmo que algumas coisas tenham sido mudadas. A trilha sonora, composta por Andrew Bird, é perfeita (principalmente na cena entre Laurie e Jo). Eu adorei. Assistir essa série foi um bálsamo muito bem vindo. Indico completamente.

9 de mai. de 2018

Parade’s end (2012)

Parade’s end é uma série da BBC que foi ao ar em 2012. Dividida em cinco episódios, a história é baseada no livro homônimo de Ford Madox Ford, e conta a história de Christopher Tietjens, sua mulher Sylvia e a jovem sufragista Valentine Wannop durante a Primeira Guerra Mundial. Enquanto Christopher vai lutar na França, Sylvia, a esposa infiel, fica com o (talvez sim, talvez não) filho do casal e Valentine lida com a saudede que sente de Christopher. A jovem já fez sua escolha, resta esperar para ver com quem ele vai querer ficar.


Faz tempo que me indicaram essa série e eu acabei vendo só por curiosidade, mas só agora resolvi falar sobre ele. Como a trama central gira em torno de três personagens e eu não tenho o livro para comparar, infelizmente, só tenho três coisas a dizer:

1-Christopher Tietjens é um dos melhores papéis de Benedict. A recusa em desgraçar a mulher que o tinha traído, a melancolia por não poder ficar com a mulher que queria... Essa complexidade de emoções que poucos atores conseguem demonstrar tão bem como ele fez não somente é o chamativo da série, mas o que prende atenção simplesmente pelo fato de você querer ver se em algum momento da vida dele ele será feliz.
2-Sylvia Tietjens: a personagem que eu achei que ia odiar do início ao fim, mas que acabou me surpreendendo. Uma hora odiava, outra hora sentia pena dela. O fato dela QUERER ser acusada de traidora, vadia e todas essas coisas pelo marido, sabendo que merecia realmente, porque só assim eles poderiam ter alguma chance, foi o que me fez ficar com pena. Confesso que na cena onde ele agarra ela, fiquei torcendo pra eles se acertarem e quis esganar aquele soldado desgraçado por entrar no quarto e atrapalhar tudo. Terminei a série sem conseguir me decidir sobre ela.
3-Valentine Wannop: não sei porque eu esperava tanto dessa personagem. Acho que por ser sufragista e tal, mas me decepcionei. Sei que ela amava o Christopher e ele também a amava, ele também não querendo se divorciar da Sylvia dificultou as coisas, mas ela tão rapidamente aceitar ser amante dele... não gostei. Ponto alto na cena entre ela e a mãe quando ela diz que vai virar amante do Christopher e a mãe não aceita.

A série é excelente mesmo e tem vários pontos altos. Outra cena que eu gostei é quando Christopher está falando da guerra com a Sylvia e como realmente é. Seja em livros ou séries ou filmes, o espectador vê bombas explodindo e pessoas morrendo, mas quando é o personagem falando, como se aquilo fosse real no momento em que estamos assistindo e tem alguém, que estava lá e viu e fez, descrevendo... Que cena ótma. No geral, uma série excelente. Eu só queria ler o livro pra comparar. E outra coisa: como a Rebecca Hall fica maravilhosa com roupas de época. Babei com TODO o figurino dela.

17 de fev. de 2018

Pantera Negra (2018)


A história do Pantera Negra: depois dos eventos ocorridos em Capitão América: Guerra Civil, T'Challa, que agora é rei da fictícia nação de Wakanda, está em casa. Coroado, T’Challa começa a perceber que existem facções dentro de seu país que o desafiam. Dois adversários resolvem se unir para colocar Wakanda no mapa como a terra que realmente é (avançada tecnologicamente), não como a terra que os outros pensam, o novo rei que agora assumiu também o manto de Pantera Negra se junta a Everett Ross para evitar que seu mundo tranquilo e recluso seja tragado pela guerra.

Esse foi o primeiro filme do ano, e devo dizer que comecei bem. Como sempre quando se trata de filmes de super-heróis, eu não sei nada da história de antemão, então quando lançam o trailer eu nunca perco tempo avaliando os personagens ou o tema porque sei que não vai adiantar, preciso assistir o filme. A única coisa que eu presto atenção é o elenco, isso quando já conheço de outras produções. Então vou falar primeiro dele.


Nesse filme, quando vi que Lupita Nyong'o estaria nele, já gostei. Não sabia do personagem, nem fazia ideia de que seria o interesse amoroso do herói, e mesmo assim, quando ela apareceu junto com o Chadwick Boseman, eu já estava shippando loucamente. Gostei do fato dela não querer largar tudo que ela considerava importante, a sua missão na vida, para ser a rainha de T'Challa.


Aliás, mulher de opinião e caráter fortes é o que não falta nesse filme. Além de lutarem super bem, o elenco feminino é simplesmente maravilhoso, encarnando personagens igualmente atraentes. O fato do rei ter uma guarda real SÓ de mulheres e sua general ser a melhor lutadora é um atrativo singular. Danai Gurira como a general Okoye, a princesa Shuri (Letitia Wright), que foge do que se espera de uma princesa e ao invés disso, é expert em tecnologia e ciência, a rainha-mãe Ramonda (Angela Bassett, que é uma atriz linda e cujo olhar é capaz de fazer você se sentir totalmente paralisado e avaliado).
A fotografia, os cenários, e os figurinos do filme são outros fatores que enchem o olho. Particularmente, o colorido me atraiu muito, além do fato de ser tudo tomando forma no meio da natureza.


A temática como um todo desse filme foi bem mais construída do que qualquer outro dos filmes de super-heróis que já vi, incluindo nisso a história do vilão, Erik Killmonger (Michael B. Jordan), que foi o que deu contexto ao primeiro desafio como governante do novo rei. T'Challa não somente descobriu um dos maiores erros (talvez o mais grave) do pai, como rei e como figura familiar, mas também se viu tentando consertar esse erro. Killmonger foi um dos vilões mais bem feitos porque desde o início você sabe da história dele, de como ele se perdeu e acaba tendo algum tipo de compaixão por ele.


Esse é um tema que pode sim ser considerado bem batido (o novo rei que tem que se virar para ser um rei melhor do que o antecessor consertando os erros dele), mas da forma como foi construída, com essa temática familiar, deu um tom mais pessoal à história como um todo. Além de retomar a colocação que fazem no início do filme: de que Wakanda não é o país subdesenvolvido que todos pensam que é, mas sim uma terra que tem todos os requisitos para atuar em contexto mundial, e que se mantém no isolamento por questão de sobrevivência, considerando-se o caos em que o mundo inteiro se vê envolvido. 
De forma geral, esse filme é muito bom. Diverte como uma boa arte de entretenimento, mas também faz belas críticas a sociedade atual.

6 de dez. de 2017

Assassinato no Expresso do Oriente (2017)

A história é essa: Hercule Poirot é um famoso detetive que está decidido a ter uns dias de descanso do seu trabalho. Ele embarca no Expresso do Oriente, mas uma tempestade causa o descarrilamento do trem, forçando o expresso a parar no meio das montanhas. Poirot havia sido abordado por um dos passageiros pedindo proteção. O homem dizia estar correndo risco de morte devido ao seu trabalho, e na noite da tempestade o homem é assassinado, transformando todos no trem em suspeitos. Assim, Poirot acaba se envolvendo para descobrir a causa do assassinato e quem foi o autor do crime.


Sabem aquele tipo de livro que é bem adaptado? Poucas vezes tive chance de ver uma adaptação tão bem feita, onde cortam detalhes não tão necessários e acabam adicionando outros que servem para introduzir determinado personagem ou somente para dramatizar mais a história, de qualquer forma ficando excelente.


Eu não sou do tipo que fica ligada nos nomes dos atores, principalmente quando estou conhecendo personagens pela primeira vez, então sim, eu sabia que o filme traria excelentes atores e atrizes, mas só vendo o elenco todo junto pela primeira vez tem-se o impacto do peso daquele grupo (considerando mesmo os atores mais novos e/ou não tão conhecidos) e já fica na torcida para que o filme não seja ruim, afinal, toda adaptação corre riscos.


Logo no início o filme já traz uma diferença em relação ao livro, que serve para dar uma pequena amostra da capacidade de dedução do personagem principal, Hercule Poirot. Aliás, Kenneth Branagh DO-MI-NA como o detetive. Simplesmente domina. Os outros dois que chamam atenção em seus papéis são Johnny Depp e Michelle Pfeiffer (a cena entre os dois pode ser meio banal, mesmo que você tenha lido o livro, mas também é fantástica e é nesse momento que vemos logo de cara o tom da história).



Poirot questionando a moralidade da justiça com as próprias mãos faz o detetive tirar uma lição da resolução do caso, e eu não me lembro se essas considerações estão no livro, mas de qualquer forma foi uma cena muito interessante e bem feita. As locações e paisagens são lindas, como as montanhas por onde o trem passa na Nova Zelândia:


Ou esse prédio inspirado na atual estação ferroviária Sirkeci, o antigo terminal do Expresso do Oriente em Istambul, na Turquia:


A trilha sonora é maravilhosa, composta por Patrick Doyle, só faz complementar a qualidade da adaptação, com certeza uma das melhores já feitas.

20 de nov. de 2017

13 reasons why (2017)

Adaptada por Brian Yorkey para a Netflix e tendo como produtora executiva Selena Gomez, a série narra a história de Clay Jensen, que recebe de Hannah Baker, uma colega que havia se matado, um pacote com fitas cassetes onde ela fala dos treze motivos que fizeram com que ela cometesse suicídio. Clay precisa ouvir todas as fitas para descobrir porque ele é um desses motivos.


A premissa da história é, de cara, impactante. Quem não ia querer saber porque seria uma razão para alguém se suicidar? Mesmo que a resposta possa não ser o que se está esperando, mesmo que o que você vá escutar acabe te surpreendendo, você vai ouvir as fitas. E é exatamente isso que fazem cada um dos estudantes que Hannah listou, até chegar em Clay (a ordem em que ele aparece na série é diferente do livro). A primeira coisa a dizer sobre essa série é que Dylan Minnette e Katherine Langford estão simplesmente incríveis como Clay e Hannah.

Eu comecei com uma expectativa danada. No segundo episódio já estava com raiva, no meio da história estava com ódio de tudo e de todos e no final já estava com pena de todo mundo. Assim como durante a leitura, eu também não consegui ver a série de uma vez, fiquei mais desesperada porque, diferente do livro, onde não se foca nos bastidores das vidas dos estudantes, a série explora muito essa parte. Então, você vê que cada um dos estudantes age daquele jeito porque também está passando por problemas, às vezes sérios (como Justin), outros nem tanto (como Zack, e eu citei ele porque pode parecer que ele tinha uma mãe controladora – não transformaram a mãe dele em uma megera, não, mas mostraram, de certa forma, uma mãe que quer que o filho seja como ela quer, não como ele quer).


Tem personagem que simplesmente dá nojo, como Bryce Walker (sobre ele, eu fiquei com uma leve impressão de que era o típico caso de “pais negligentes e ricos que deixam o filho se cuidar sozinho e ele vira um babaca completo”, mas isso não foi tão explorado como a família de Justin). O final foi interessante e bem diferente do livro, com as cenas dos depoimentos e os alunos tomando consciência da situação.
Tendo lido o livro e visto a série, não consigo entender como alguém poderia afirmar que a série romantiza suicídio. A única diferença entre o livro e a adaptação é que os produtores criaram panos de fundos para antes (a vida dos alunos) e depois (a questão do processo) do suicídio de Hannah, o que se fez dar uma profundidade maior a história como um todo, afinal as pessoas têm seus tons de cinza, ninguém é totalmente mau nem totalmente bom, e mostrar a vida dos estudantes dentro de casa e dos seus grupos escolares foi uma boa forma de aumentar a história e mostrar o que acontecia dentro da mente de cada uma das pessoas que prejudicaram Hannah.
Minha única “pulga na orelha” diz respeito ao que aconteceu com Alex, ou mais precisamente, quem atirou nele: se foi uma tentativa de suicídio, já que Alex foi um dos primeiros listados nas fitas a tomar consciência de seu erro com Hannah, ou se Tyler, o fotógrafo da escola que sofria bullying de todos os lados, foi o responsável pelo disparo. Não quero inventar teorias nem entrar muito na discussão sobre Tyler e seu hobbie como stalker, mesmo porque já andei lendo algumas na internet, mas espero que isso seja abordado na próxima temporada da série (que aliás, não será baseado em livro nenhum, já que Jay Asher não escreveu nenhuma continuação).
Apesar da premissa, eu recomendo essa série para qualquer pessoa. Ao menos como alerta, para que possamos evitar que mais Hannah Bakers por aí levem adiante algo assim.

3 de jun. de 2017

Mulher-Maravilha (2017)

A história: Antes de tornar-se Mulher-Maravilha, ela era Diana, princesa das Amazonas, treinada para ser uma guerreira invencível. Criada numa isolada ilha paradisíaca, Diana descobre que um grande conflito assola o mundo quando um piloto americano cai com seu avião nas areias da costa. Convencida de que é capaz de vencer a ameaça de destruição, Diana deixa a ilha. Lutando lado a lado com homens numa guerra que pretende acabar de vez com todas as guerras, ela vai descobrir todos os seus poderes… e seu verdadeiro destino.

O pôster está gigante porque Diana merece :)

Bom, eu nunca fui fã de quadrinhos de super-heróis, não sei nada nem sobre DC nem sobre Marvel, só comecei a acompanhar de verdade esse tipo de filme depois do segundo filme do Capitão América (aí fui ver os do Homem de Ferro, dos Vingadores, etc), então não sou capaz de falar sobre o por quê das críticas aos filmes da DC (também não vi Esquadrão Suicida, e achei Batman vs. Superman um filme estranho, por falta de palavra melhor).
Só posso dizer, como fã de (alguns) filmes de super-heróis, que Mulher-Maravilha se equipara a Doutor Estranho: souberam como juntar elenco, trilha sonora, roteiro, cenários, figurinos e efeitos especiais em um único filme de forma que ficasse excelente!


O romance ficou de muito bom tom, as cenas de alívio cômico não ficaram forçadas ou fora de lugar e as lutas são muito bem coreografadas (as MELHORES CENAS são das lutas de Diana):


As amazonas  ❤❤❤ Robin Wright e Connie Nielsen estão maravilhosas!


Outra coisa que achei o máximo: Diana trabalha no Louvre (SO-NHO!). Em suma, amei. Não sou especialista nem fã ardorosa, mas o filme já está na minha lista de favoritos.