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12 de jul. de 2023

Os homens que salvavam livros (David E. Fishman) – DLL 2023


 

Título: Os homens que salvavam livros: a luta para proteger os tesouros judeus das mãos dos nazistas 
Autor: David E. Fishman
Mês: Julho 
Tema: Com história que inspire 
Editora Vestígio, 351p. 

Durante a Segunda Guerra Mundial, os habitantes do gueto de Vilna, na Lituânia, tiveram não só que lidar com a segregação e as consequências de ser judeu, mas também temer pela preservação de seus livros e manuscritos de sua cultura. Com o fim da guerra, tiveram que arcar com as consequências da destruição perpetrada pelos nazistas, além de lidar com o descaso das autoridades soviéticas na recuperação de livros e manuscritos perdidos. A partir de uma pesquisa extensa e bastante descritiva sobre o gueto de Vilna, o livro traz uma história sobre homens e mulheres que tentaram de todas as formas salvar parte de objetos preciosos para a cultura e o povo judaico.

Ao todo, seis membros sobreviventes da brigada do papel voltaram a Vilna após sua libertação: Shmerke, Sutzkever, Ruzhka Korczak, Noime Markeles, Akiva Gershater e Leon Bernstein. Dois outros estavam internados em campos de concentração alemães: Herman Kruk e Rachela Krinsky. Kruk morreu em Lagedi em setembro de 1944 e Krinsky sobreviveu – mas não voltou mais a Vilna. Os seis sobreviventes em Vilna foram então reunidos por Aba Kovner, o antigo comandante da FPO, que acertou com eles que o resgate dos livros e documentos era um dever solene e uma prioridade urgente. 

Esse foi mais um livro que eu amei ler sobre objetos roubados por nazistas dos judeus durante a Segunda Guerra. Já li sobre a recuperação de obras de arte mundiais, depois sobre a recuperação de objetos culturais saqueados durante a ocupação da Itália, e agora esse, sobre a tentativa de salvar a biblioteca do gueto de Vilna, na Lituânia. Acho que todo lugar saqueado durante a guerra, especificamente durante a Segunda Guerra, deveria contar sua história.

12 de out. de 2022

Para além do diário de Anne Frank – DLL 2022


 

Título: Para além do diário de Anne Frank 
Mês: Outubro 
Tema: Um livro sobre guerra 
Editora Leya, 192p. 

Sinopse: Você sabia que pouco se conhece sobre como foi escrito o famoso diário de Anne Frank? A corajosa e persistente menina resistiu à dura realidade de seus dias de confinamento, escrevendo em folhas soltas, desordenadas, com o que lhe caísse às mãos. E como Anne e os outros clandestinos se alimentavam? Como Anne recebeu os papéis para contar ao mundo sobre o horror da perseguição aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial? Este livro foi feito com os depoimentos de quem conviveu com Anne Frank, com os documentos da época. Aqui, o dia a dia de Anne é recuperado, sob os nossos olhos, como se estivéssemos vivendo junto e aprendendo, com a coragem e a esperança que ela nos ensina, a acreditar na construção de um mundo melhor. 

Como sempre, tudo sobre Anne Frank causa um impacto e uma curiosidade. Esse foi um dos que eu adicionei logo a lista de desejados assim que vi que era uma publicação da Casa de Anne Frank, na Holanda. Além dos capítulos serem divididos de forma que fale de cada um dos habitantes do Esconderijo, o livro também traz vários fotos (além do possível dedo-duro), uma linha do tempo, um glossário e uma lista pequena sobre os principais campos nazistas mencionados no livro.

17 de mai. de 2021

O diário da irmã de Laura (Kathy Kacer) – PSRC 2021

 

Título: O diário da irmã de Laura 
Autora: Kathy Kacer 
Mês: Maio 
Tema: Um livro com uma capa preta e branca 
Editora Callis, 184p. 

Laura está às vésperas de celebrar o seu bar mitzvah quando o rabino sugere uma tarefa inesperada: pesquisar um menino ou menina da sua idade que tivesse vivido durante a Segunda Guerra Mundial, para aprender sobre a vida dessas crianças como forma de compartilhar essa “passagem para a vida adulta” que elas não tiveram chance de celebrar devido a guerra. É dessa forma que Laura recebe o diário de Sara Gittler, uma menina judia que teve que abandonar tudo e viver num gueto de Varsóvia, vendo sua família e amigos sofrerem todo tipo de humilhação e desgraça por serem judeus. À medida que vai lendo, Laura se envolve com a vida de Sara e aprende que a verdade é mais importante do que tudo, que disseminar ódio nunca leva a nada e assim, consegue ajudar a única testemunha de um ato de vandalismo tido como crime de racismo. 

Eu não sabia muito bem o que esperar desse livro. Não entendia se era um romance sobre judeus na Segunda Guerra Mundial ou se era alguma biografia como o diário escrito por Anne Frank. De certa forma, acabou sendo as duas coisas, porque a autora precisou criar alguns acontecimentos e as emoções pessoais dos personagens, ao mesmo tempo em que mostra outros elementos históricos, como a situação de vida dentro de um dos guetos em Varsóvia e a tentativa de luta de um grupo de judeus contra os nazistas dentro do gueto, um levante que ficou conhecido como Organização da Luta Judaica, liderado por Mordechai Anielewicz. As fotografias acabam dando um ar mais real a história, e eu gostei bastante de saber mais sobre o bar mitzvah e sobre as histórias reais de gêmeos. Num tempo como o que estamos vivendo, a mensagem que a história passa não poderia ser mais bem vinda. Livro completamente recomendado.

17 de mar. de 2021

Ladrões de livros (Anders Rydell) – PSRC 2021



Título: Ladrões de livros 
Autor: Anders Rydell 
Mês: Março 
Tema: Um livro onde o personagem principal tem o mesmo trabalho que você ou seu trabalho dos sonhos 
Editora Planeta do Brasil, 416p. ]

Onde livros são queimados, no fim, as pessoas também serão queimadas. 
Heinrich Heine, 1820 

Uma placa com esses dizeres se encontra na Bebelplatz, praça onde em 1933, ano em que os nazistas chegaram ao poder, foi realizada a mais famosa cerimônia de queima de livros da história. Hoje, no local da queima, existe um memorial feito pelo israelense Micha Ullman: no chão, uma sala subterrânea, exposta através de um vidro, com várias prateleiras brancas e vazias, onde caberiam 20 mil livros. Essa queima de livros não foi o primeiro ataque a literatura realizada na época e foi uma iniciativa que partiu da organização que reunia federações estudantis alemães. O autor fala que no início, os estudantes deveriam começar a “limpeza” dentro de suas próprias bibliotecas, e essa ação mais tarde foi feita nas bibliotecas públicas e livrarias locais. Muitos livros e documentos foram destruídos pelos próprios donos, judeus e comunistas que começaram a perceber o que estava a caminho. O autor salienta que os nazistas também tinham outra coisa em mente ao roubar livros: eles queriam criar um “novo intelectual”, que se baseasse em sua nação e raça. Os saques a bibliotecas e coleções tinham um objetivo muito claro em mente: 

Nessa guerra, os livros teriam menos o papel de vítimas, e mais o de armas. Os nazistas queriam derrotar seus inimigos não apenas no campo de batalha, mas também no campo das ideias. Essa vitória perduraria muito depois da morte, depois dos genocídios e do Holocausto. Não se tratava apenas de aniquilar, mas também de justificar suas ações. O que garantiria o triunfo dos nazistas não era a destruição da herança literária e cultural de seus inimigos – era seu sequestro, sua posse e sua distorção, que possibilitariam fazer com que as bibliotecas e arquivos, a história, a herança e a memória desses grupos se voltassem contra eles mesmos. Era se apropriar do direito de escrever a história desses grupos. Foi um conceito que deu início ao maior roubo de livros da história do mundo.


Cada capítulo do livro aborda um local diferente, e cada um deles. Na Zentral- und Landesbibliothek (Bibliotecca Central de Berlin, imagem acima), construída onde antes era a Berliner Stadtbibliothek que foi destruída na guerra, hoje se encontram livros roubados que ainda esperam ser identificados, e que não se ignora a origem dos livros. Pelo contrário, o bibliotecário atual sabe que seus antecessores não só sabiam da origem dos livros mas também tentaram esconder essa parte da história, arrancando páginas ou apagando ou rasgando os carimbos dos proprietários. 
Em uma casa pequena atrás da Bayerische Staatsbibliothek, em Munique, o historiador Stephan Kellner e seus colegas examinam o acervo da biblioteca com foco nos roubos ocorridos durante a guerra, dando ênfase ao que ele chama de biblioteca de Himmler. 
Eu especificamente gostei do capítulo onde o autor cita os principais locais saqueados pelos nazistas na Holanda. Um deles foi a Bibliotheca Rosenthaliana, da Universidade de Amsterda, onde o acervo hoje é em grande parte dedicado a história dos judeus holandeses, apesar da biblioteca ter origem na Alemanha: 

“As origens da biblioteca estão ligadas a Leeser Rosenthal em meados do século XIX. Ele era um rabino nascido na Polônia que trabalhava em Hannover para as famílias ricas da cidade, o que lhe deu a oportunidade de montar o acervo na época. Ele colecionava livros sobre a história dos judeus alemães, escritos religiosos e sobre o Iluminismo Judaico”[...] 

O acervo de Rosenthal era visto na época como uma das melhores coleções privadas judaicas da Alemanha. A biblioteca era composta de seis mil volumes e uma coleção de manuscritos. Em 1880, a família decidiu que iria doar o acervo para a Universidade de Amsterdã. A família também se ofereceu para pagar um bibliotecário, o que continuou a fazer até o começo da Primeira Guerra Mundial, quando caiu na ruína financeira depois de fazer investimentos na rede de ferrovias húngara. [...] 
O acervo cresceu rapidamente depois de ir para Amsterdã, onde foi complementado com literatura sobre os judeus da Holanda. Na época da Segunda Guerra Mundial a biblioteca havia multiplicado várias vezes de tamanho. “Alguns dos colecionadores judeus de Amsterdã esconderam seus livros na Rosenthaliana na esperança de que ficassem a salvo lá. Achamos que alguns desses livros ainda estão aqui, mas não sabemos como encontrá-los”[...]


Outro local é a biblioteca da Sinagoga Portuguesa, Ets Haim (acima), fundada em 1616 e, segundo o autor, ela reflete a crise existencial enfrentada pelos judeus sefarditas depois de chegar a Amsterdã, pois muitos foram obrigados a se converter ao cristianismo, mas ao chegarem na Holanda, puderam retomar suas crenças. Tanto a Rosenthaliana quanto a Ets Haim atraíram a atenção de Johannes Pohl, encarregado de chefiar a seção judaica do Institut zur Erforschung der Judenfrage, de Roosenberg, líder ideológico nazista. 
Em Paris, ele cita os saques a dois centros de história importantíssimos: a Alliance Israélite Universelle, cujos responsáveis tentaram proteger o acervo através de esconderijos em bunkers e de mandar o acervo pra longe; e a Bibliothèque Russe Tourgueniev, fundada em 1875 pelo revolucionário russo German Lopatin com a ajuda de seu compatriota, o escritor Ivan Turguêniev. E em Roma, ele fala da Biblioteca del Collegio Rabbinico Italiano , pertencente a uma escola rabínica fundada em 1829 e cuja parte mais valiosa do acervo se encontra no Centro Bibliográfico; e do sumiço da Biblioteca dela Comunità Israelitica, uma biblioteca mais antiga que fazia parte de uma sinagoga em Lungotevere de’Cenci. 


Um dos melhores capítulos é sobre Theresienstadt (acima), a cidade guarnição que contava com uma biblioteca onde se encontrava parte dos livros saqueados, construída para parecer a cidade dada aos judeus por Hitler, onde artistas, atores, músicos, escritores e outros intelectuais eram usados como meio de propaganda, mas que na verdade era um campo de concentração. O livro vai mais adiante, ao relatar as tentativas de devolução dos livros às bibliotecas e aos sobreviventes (ou seus descendentes) do holocausto. 
Um livro que eu posso chamar de completo, informativo, elucidativo e completamente indicado para se saber mais sobre o terror que os nazistas espalharam pela Europa durante a Segunda Guerra Mundial, um terror que não deve jamais ser repetido. Mil estrelas.

16 de mar. de 2020

Caçadores de obras-primas (Robert M. Edsel) – DLS 2020


Título: Caçadores de obras-primas
Autor: Robert M. Edsel
Mês: Março
Tema: Um livro que virou filme ou série de TV
Editora Rocco, 524p.

[...] Para a maioria dos soldados, guerra era uma circunstância. Mas para alguém como James Rorimer, era a missão de toda uma vida. Hitler tinha dado o tiro de advertência no mundo das artes em 1939, quando a blitzkrieg da Polônia incluiu unidades encarregadas do roubo deliberado de peças de arte e da destruição dos monumentos culturais daquele país. O evento divisor de águas veio logo depois, quando os nazistas capturaram o retábulo Veit Stoss – um tesouro nacional polonês – e o levaram para Nuremberg, na Alemanha. [...]

Durante a Segunda Guerra Mundial existiu um grupo de soldados chamados Monuments Man responsáveis por dificultar ou impedir que os nazistas comandados por Hitler roubassem ou destruíssem obras de artes e monumentos históricos espalhados pela Europa. A estimativa é que em sua campanha para transformar a Alemanha no centro no novo reich, os nazistas tenham se apossado de mais de 5 milhões de objetos de vital importância para a cultura mundial.
Obras famosíssimas foram roubadas de museus e colecionadores particulares, principalmente judeus. No início, o trabalho dos Monuments Man era diminuir os dados causados as bibliotecas, museus e arquivos, mas o avanço das tropas de Hitler levaram esses homens a localizarem os objetos perdidos ou roubados, e no fim da guerra, a devolvê-los.

Eu já havia lido um livro sobre esse tema, Salvando a Itália, para outro desafio esse ano, então já sabia como funcionava o trabalho dos MM. A diferença é que neste livro de agora, o foco não está focado em um país só. A pesquisa de Edsel engloba a ação desses soldados na França, Bélgica e a própria Alemanha. Novamente fiquei impressionada com o nível da pesquisa feita pelo autor, que mostra os nazistas como saqueadores que não tem a verdadeira noção do valor do seu saque, mas também como organizadores de obras de arte, que montaram relatórios sobre os objetos mais valiosos, com seus nomes e de que lugar haviam sido tirados, com o objetivo de facilitar aos oficiais que escolhessem para suas coleções particulares.

Em 1940, Hitler (por intermédio de Goebbels, seu ministro da propaganda) havia encomendando um inventário, mais tarde conhecido como o Relatório Kümmel – nome de seu principal copista, o Dr. Otto Kümmel, diretor geral dos Museus Estaduais de Berlim. O inventário relacionava todas as obras de arte do mundo ocidental – França, Países Baixos, Grã-Bretanha e até os Estados Unidos (que Kümmel disse possuir nove dessas obras) – que por direito pertenciam à Alemanha. Segundo a definição de Hitler, isso incluía todas as obras tiradas da Alemanha desde 1500, todas as obras de qualquer artista de ascendência alemã ou austríaca, todas as obras encomendadas ou terminadas na Alemanha, e todas as obras consideradas feitas em um estilo germânico. O Retábulo de Gand era nitidamente um modelo e emblema definidor da cultura belga, mas para os nazistas era de estilo “germânico” o suficiente para pertencer a eles.

A Adoração do cordeiro místico ou Retábulo de Grand (como é mais comumente conhecido), foi encomendado a Hubert van Eyck e terminado em 1432. Composto de 24 obras individuais com temas associados, a peça completa tem em seu painel central a origem de seu nome, mostrando o Espírito Santo na forma de uma pomba brilhando sobre ele e a multidão em torno.

JAN VAN EYCK, RETÁBULO DE GHENT (interior), 1432. Óleo sobre painel, 3,5 x 4,6 m. Catedral de Saint Bavo, Ghent, Bélgica. Reproductiefonds/photo Hugo Maertens)

Um dos tesouros artísticos mais importantes da Bélgica, seis dos painés do Retábulo haviam pertencido ao estado germânico até o fim da Primeira Guerra Mundal, quando o Tratado de Versalhes obrigou os alemães a entregarem a obra como indenização de guerra à Bélgica. Daí a fixação de Hitler.

Hitler sabia que era impossível roubar obras-primas famosas na escala do Retábulo de Gand sem atrair a condenação do mundo. Embora tivesse a mentalidade de um conquistador – ele acreditava que tinha direto aos espólios de guerra e estava determinado a tê-los –, Hitler e os nazistas tinham feito de tudo para estabelecer novas leis e procedimentos a fim de “legalizar” as atividades de pilhagem que se seguiriam. Isto incluía obrigar os países conquistados a lhes darem certas obras como termo de rendição. Países do Leste Europeu como a Polônia estavam destinados, segundo o plano de Hitler, a se tornarem desertos industriais e agrícolas, onde escravos eslavos produziriam bens de consumo para a raça dominante. A maior parte dos ícones culturais foi destruída; seus grandes prédios arrasados; suas estátuas derrubadas e derretidas para fazer balas e bombas de artilharia. Mas o Ocidente era a recompensa da Alemanha, um lugar para arianos desfrutarem os produtos de sua conquista. Não havia necessidade de privar esses países de seus tesouros artísticos – pelo menos não de imediato. O III Reich, afinal de contas, duraria mil anos. Hitler deixou intocadas obras de estatura comparável a do Retábulo de Gand, tais como Mona Lisa e A ronda noturna, mesmo sabendo exatamente onde estavam escondidas. Mas ele cobiçava o Cordeiro.

Tenho que dizer que duas coisas me impressionaram nesse livro: o fato de ter uma mulher fazendo de um tudo na França para evitar o roubo das artes, e quando isso não foi possível, para descobrir para onde os objetos roubados haviam sido levados. Seu nome era Rose Valland, que trabalhava no Jeu de Paume e serviu como espiã para Jacques Jaujard, diretor dos Museus Nacionais da França. Rose Valland, com vontade e coragem de ferro, se manteve no museu durante os vários saques, peitando oficiais nazistas e foi responsável por retardar a partida dos últimos trens alemães transportando valiosas obras de arte dos maiores colecionadores particulares franceses.
A segunda coisa foi descobrir que o castelo de Neuschwanstein, obra do rei bávaro Ludwig, construído no século XIX, serviu como ponto de guarda para, dentre outras, 20 mil obras roubadas que passaram pelo Jeu de Paume. Devido a sua localização (ele estava no alto de um afloramento rochoso nos Alpes Bávaros, isolado e quase inacessível aos veículos modernos), os Monuments Men levaram seis semanas para esvaziá-lo, utilizando os vários lances de escada (não existiam elevadores).

NEUSCHWANSTEIN, ALEMANHA: (National Archives and Records Administration, College Park, MD)

Por ser mais “completo” e dar um panorama mais geral, ao invés de focar em somente um país, eu aproveitei mais a leitura desse livro. Gostei muito de ver que uma mulher teve um papel ativo na proteção das obras, sem nunca abaixar a cabeça para os desmandos nazistas, mesmo quando sua vida estava em jogo. Também foi interessante ver o trabalho dos Monuments Men dentro da própria Alemanha, mesmo quando os horrores dos campos de concentração nazistas chegaram ao conhecimento dos oficiais aliados e fizeram com que o ódio pela Alemanha aumentasse. Como Salvando a Itália, esse livro é um verdadeiro tesouro para amantes de arte e história. Completamente indicado.

27 de mai. de 2019

198 livros: POLÔNIA – A lista de Schindler (Mietek Pemper)

Se Schindler não tivesse comprado a empresa processadora de metal, a "lista de Schindler" não teria sido possível.


Muito se fala da famosa lista de Schindler, que salvou mais de mil judeus de morrerem em campos de concentração nazista. Do que poucas pessoas falam ou sabem é do judeu “infiltrado” no escritório do temido Amon Göth que ajudou não só a redigir as listas (sim, foram mais de uma, e os judeus cujos nomes presentes nelas não foram escolhidos da forma como o filme de Steven Spielberg mostra) mas participou muito ativamente de todos os momentos de suas redações.
Mietek Pemper tinha 23 anos quando foi feito prisioneiro no campo de trabalho forçado e depois campo de concentração de Krakau-Plaszow. Ao serem descobertas suas habilidades como estenógrafo, ele passou a trabalhar diretamente com Amon Göth, vivendo o terror de saber que não sairia daquela situação com vida por saber demais. Além de ajudar Schindler a elaborar as listas que salvaram mais de 1200 judeus da morte certa, ele acaba descobrindo sobre as operações dos nazistas e sobre o andamento da guerra.
Ao aprender a reconhecer os humores de Göth, ele conseguia ajudar as pessoas no campo e até mesmo a salvar algumas; seu trabalho bem executado o levava a receber certos “agrados” (como a permissão de não precisar usar os uniformes que o destacariam como um dos homens do serviço de ordem, os judeus que se prejudicavam mutuamente na esperança de sairem vivos); ao ler os relatórios, ele descobria quais campos continuariam funcionando e quais seriam transferidos, e foi assim que descobriu que somente os campos de trabalho cuja produção fosse “decisivo para a vitória”. E assim foi dado o pontapé inicial para a redação das listas que salvaram muitos judeus e imortalizaram Schindler como salvador desse povo.

Hoje, é impossível mensurar os riscos que Schindler correu durante anos para nos ajudar. Assim, ele e eu, cada um no âmbito de suas possibilidades muito diferentes, conseguimos algo praticamente impossível: o campo de trabalhos forçados de Cracóvia-Płaszów, no qual por volta de oitenta por cento das empresas eram produções de costura e têxteis, não foi dissolvido prematuramente no final de 1943, mas preservado. No fim do outono de 1944, Schindler deu um golpe de mestre: conseguiu transferir todo seu pesado parque de máquinas e mil de seus trabalhadores judeus para Brünnlitz. Lá, nos deparamos com mais judeus de outros campos e prisões, que foram igualmente acolhidos por Schindler. A cada admissão, a lista dos detentos tinha de ser complementada com folhas adicionais. Essa lista, então, recebia a respectiva data e seguia para o campo de concentração matriz, de Gross Rosen, porque, de acordo com ela, se calculavam as tarifas diárias que Schindler tinha de pagar por cada trabalhador declarado para a Central de Administração Econômica da SS. Schindler protegeu e salvou não apenas os judeus de Płaszów, mas também aqueles que apareceram em Brünnlitz no inverno de 1944-1945 e que, sem ele, teriam morrido. Assim, a cifra final foi de mil e duzentos detentos. Toda a ação salvadora ficou conhecida como a “lista de Schindler”, apesar de não se poder falar de uma única lista, mas de várias que se referiam reciprocamente.

Muitas vezes neste livro Mietek Pemper fala de Oskar Schindler como um grande homem, dos riscos que ele correu em suas tentativas de salvar quantos judeus pudesse. Enquanto eu lia este livro, eu pensava “Mas e você mesmo, Mietek? Como você não pode ver a sua própria coragem e o seu próprio valor, enquanto fica tão perto do inimigo?” Porque é exatamente isso que acontece. Essa foi uma das perguntas que ele ouviu muito durante o tempo em que falava com as pessoas sobre a guerra:

“Como o senhor conseguiu suportar a pressão psicológica de trabalhar durante tanto tempo em contato tão próximo com Göth?”

E a resposta clara:

Nenhum outro detento deveria ser obrigado a correr o mesmo perigo diário que eu tinha de suportar. [...] Tudo o que podia fazer era atrasar o máximo possível a execução de minha sentença de morte, no interesse de meus familiares.


Mietek é escolhido para trabalhar diretamente com Göth por suas habilidades de escrivão (que ele deve ter considerado uma maldição, até perceber que podia usar em proveito próprio dessa condição), e isso também o leva a conhecer Oskar Schindler. Através de conversas sussurradas e escondidas, eles conseguem elaborar uma lista para salvar os judeus que pudessem, sem que Göth desconfiasse disso. A sua situação dúbia fica evidente quando Mietek descreve que o nazista matava a bel prazer, portanto, mesmo tendo conhecimento de muitas coisas que nenhum judeu deveria saber sobre a guerra, ele também corria um perigo indescritível. O mais interessante é ver no seu relato um homem desinteressado, cujo único objetivo era continuar vivo e manter vivo quantas pessoas fosse capaz. 
Uma coisa que eu sempre pensei que seria imediata: todo mundo saberia do papel de Schindler na salvação dos judeus, mas não foi assim que aconteceu. Somente algum tempo depois, e apesar da divulgação das pessoas salvas, que se teve uma dimensão do papel dele na guerra. Foi encontrada uma maleta com fotos e documentos de Schindler, incluindo algumas versões das listas na Alemanha. Quando de sua descoberta, Emilie Schindler tentou adquirir a posse do material legalmente, mas a Yad Vashem (organização encarregada por lei de conservar e estudar todos os documentos relacionados à história do Holocausto) já tinha sua posse.
A melhor parte do livro é quando ele descreve os julgamentos dos nazistas, em que por mais que os prisioneiros tentassem se safar de alguma acusação, Mietek sempre estava pronto pra comprovar o que eles negavam, causando até mesmo surpresa neles, pois como um judeu poderia saber de segredos que só o comando deveria conhecer? Esse livro é uma preciosidade, vale cada minuto de leitura.

Editora Geração Editorial.
277 páginas.

12 de out. de 2018

Negação (Deborah E. Lipstadt) – D12ML 2018


Título: Negação
Autora: Deborah E. Lipstadt
Mês: Outubro
Tema: Um livro que comece com a inicial do seu nome
Editora Universo dos Livros, 432p.

Deborah E. Lipestadt é uma conceituada historiada e professora em uma universidade renomada em Atlanta. Ao receber uma carta da Peguin Editora, responsável pela publicação de seu livro Denying the holocaust, Deborah não sabe exatamente como reagir a notícia de que está sendo processada por David Irving, um renomado estudioso de Hitler também famoso por ser um negacionista do holocausto. Em seu livro, Deborah o cita de maneira negativa e David resolve processá-la por difamação, mas diferente de como acontece nos EUA (onde o acusador teria que provar que Deborah mentira), na Inglaterra é a parte acusada que deve provar que está dizendo a verdade. E assim começa um processo que levará anos até que ambos se ponham na frente do juiz. O julgamento começa e à medida que estudiosos e especialistas começam suas explicações, as verdades, mentiras e distorções sobre um dos períodos mais negros da história humana são expostas.

A primeira vez que entrei em contato com a história do julgamento de Deborah Lipstad foi através do filme de mesmo nome lançado em 2017. Não só porque o elenco é excelente, mas porque a temática, apesar de polêmica, também é um assunto que vale qualquer debate. Então quando peguei o livro, já sabia o que ia encontrar e esperava que o livro fosse mais profundo e abrangente. O que, obviamente ele é. Recheado de detalhes sobre ao extermínio de judeus, o livro também traz logo no início um breve resumo da vida de Deborah e o caminho que ela trilhou até se transformar na professora conceituada que é hoje.
Ao mesmo tempo, dá uma vontade imensa de esganar David Irving. Primeiro, ele não nega que os judeus foram vítimas da guerra, ele só “não admite” que o comando de exterminá-los partiu de Hitler, que as mortes não foram casualidades da guerra, que os campos não tinham como objetivo o extermínio, e finalmente, que tudo não passa de lenda para os judeus adquirirem vantagem financeira.

“Um extermínio é um extermínio”, respondeu em voz baixa. Irving continuou insistindo que aquelas pessoas morreram em virtude de “condições ruins” e não de um sistema de extermínio planejado e o rosto de Peter foi ficando cada vez mais vermelho. Virando-se de modo a não olhar para Irving, falou duramente: “O propósito do campo de concentração não era manter os prisioneiros vivos. […] o propósito do campo de concentração aqui era claramente fazer as pessoas morrerem. […] Não se pode compará-lo a uma prisão nem nada do tipo em um país civilizado".

A medida que o julgamento acontece, cada uma das alegações de Irving é demolida, mesmo com ele negando e negando e negando. A cada vez que a defesa ganhava em um ponto, eu celebrava. O final é excelente, claro depois de ver o filme, fiquei aliviada porque sabia qual seria a sentença. Um dos melhores livros que eu já li, na verdade essa livro é uma senhora aula de história. Completamente recomendado, assim como o filme.

O filme



Em segundo lugar, ficou claro desde o início que o filme seria uma defesa da verdade histórica. Defenderia que, embora os historiadores tenham o direito de interpretar os fatos de formas distintas, eles não têm o direito de conscientemente deturpar os fatos. Necessária aos historiadores, tal integridade certamente aplicasse também aos roteiristas. Se eu quisesse oferecer um relato do julgamento e do comportamento de David Irving, não poderia desfrutar da licença de especular ou inventar, a qual costuma ser concedida a escritores.

O filme é exatamente isso. Claro que o início é diferente, eles não perderam tempo explicando ou mostrando a vida de Deborah, mostram ela atuando em seu campo (ministrando aulas sobre o holocausto). A partir daí, começa a preparação de Deborah e sua equipe para lidar com Irving. Muita coisa ficou de fora da adaptação, claro, mas os principais aspectos estão presentes: a viagem a Auschwitz, a indignação de Deborah ao ser auxiliada a permanecer calada dentro e fora do tribunal, o depoimento de Van Pelt (um dos historiadores chamados pela defesa).
Uma das melhores cenas foi o momento da deliberação do juiz antes de todos se retirarem para que ele pudesse avaliar tudo e proferir a sentença (isso eles não mudaram praticamente nada e, como Deborah, você consegue sentir a total frustração – no meu caso, eu quase pirei de raiva com essa colocação):

Em seguida, fez o que descreveu como sendo sua “última pergunta”. “Se alguém é antissemita […] e extremista, ele é perfeitamente capaz de ser, por assim dizer, honestamente antissemita e honestamente extremista no sentido de ter essas visões e expressá-las porque elas são, de fato, suas visões?” 
Rapidamente verifiquei a tela do computador para ter certeza de que tinha ouvido direito. O juiz Gray estava sugerindo que, se Irving honestamente acreditasse em suas declarações antissemitas e racistas, elas eram aceitáveis?

Como eu falei acima, o final é o que se espera de um tribunal justo, mesmo que às vezes durante o julgamento tenha parecido o contrário. Vale muito a pena. Para terminar, deixo aqui uma palestra de Deborah sobre o assunto:

7 de set. de 2018

Os repórteres clandestinos (Kathy Kacer) – DLL 2018


Título: Os repórteres clandestinos
Autora: Kathy Kacer
Mês: Setembro
Tema: Um autor que nasceu em Setembro
Editora Callis, 184p.

John Freund e Ruda Stadler são dois meninos judeus que viviam na cidade de Budejovice, em Praga, na antiga Tchecoslováquia quando começa a Segunda Guerra Mundial. Aos poucos, eles e seus conterrâneos judeus começam a sofrer todos os tipos de proibições impostos pelo governo. Afastados de suas escolas e proibidos de frequentarem seus lugares costumeiros, eles criam um jornal, o Keply, como uma forma de lutar contra os nazistas. É assim que surgem os repórteres clandestinos, um grupo de jovens que viam na escrita uma maneira de se libertarem do terror e das proibições impostas em suas vidas.

Esse foi o segundo livro de Kathy Kacer que eu li e só com ele que fui entender que ela cria os panos de fundos e os “como foram as histórias de vida” de pessoas reais que viveram durante a Segunda Guerra. Sempre que pensamos nessa época e na vida dos judeus, a coisa mais próxima que temos de um relato pessoal é o famoso diário de Anne Frank, onde ela conta como era sua vida antes da guerra e no que se transformou depois que os nazistas começaram a crescer na Europa. Neste livro, temos uma amostra diferente (no sentido de que ela não menciona que soube da vida deles através de relatos escritos e pessoais, ou seja, não é aquele conhecimento “em primeira mão” como com o diário de Anne, onde a menina fala ela mesma sobre o que acontecia) da vida de John, Ruda e seus amigos e famílias de antes da perseguição aos judeus, e durante os tempos passados em campos de concentração. A melhor parte são as fotografias, que me fizeram ficar feliz somente pelo fato da autora ter conhecido algumas das crianças que conseguiram sobreviver a guerra. Adorei e recomendo totalmente.

27 de jun. de 2018

Anne Frank (Sid Jacobson) – BL 2018


Título: Anne Frank: a biografia ilustrada
Autor: Sid Jacobson
Mês: Junho
Tema: Período da 2ª Guerra Mundial
Editora Quadrinhos na cia, 160p.

Sinopse: Com acesso total aos arquivos da Casa de Anne Frank, em Amsterdam, Sid Jacobson e Ernie Colón realizaram esta extraordinária graphic novel. A partir de intensa pesquisa e cuidadosa contextualização histórica, os autores reconstituem a vida de Annelies Marie Frank, do seu nascimento, em junho de 1929, até sua morte precoce, em março de 1945, de tifo, no campo de concentração de Bergen-Belsen. Em julho de 1942, Anne, seu pai, Otto, sua mãe, Edith, e sua irmã mais velha, Margot, passaram a viver em um esconderijo em um prédio de Amsterdam para escapar dos nazistas que ocupavam a Holanda durante a Segunda Guerra Mundial. Lá, escreveu a maior parte do diário que se tornaria, nas décadas seguintes, o mais célebre testemunho dos horrores do holocausto.

Quando se trata de Anne Frank, não dá para se cansar. Não sei quantas edições e variações desse diário eu já li, mas toda vez parece que estou lendo pela primeira vez, toda vez é uma leitura impactante. Fiquei apaixonada por essa HQ assim que vi, as ilustrações são muito bonitas, além disso, o volume também traz algumas fotos da família Frank e dos ocupantes do anexo onde eles se esconderam, uma cronologia dos acontecimentos desde o casamento dos Frank até o falecimento de Otto, anos depois do sucesso de publicação do diário da filha. Vale muito a pena.

13 de jul. de 2015

O diário de Helga (Helga Weiss) – RC 2015


Título: O diário de Helga
Autora: Helga Weiss
Mês: Julho
Tema: Memórias
Editora Intrínseca, 238p.

Nascida em Praga em 1929 (o mesmo ano de nascimento da famosa Anne Frank), Helga era uma pré-adolescente quando a Segunda Guerra começou. Ela viu de perto quando começaram os ataques aéreos, a invasão da Alemanha, o início das ordens antijudaicas, o uso das estrelas até os transportes, levando famílias inteiras para destinos desconhecidos. Ela e sua família são levadas para Terezín, um dos campos de concentração. A propaganda era que eles estavam indo para escaparem da guerra, e se antes Helga era inocente no que dizia respeito a guerra, a partir desse momento ela começa a perceber as mentiras por trás das palavras bonitas de preocupação. Em Terezín, ela e sua mãe são separadas do seu pai, apesar de poder manter contato. Entre doenças, fome e maus tratos, elas vivem até que chega a convocação para Auschwitz. O pai havia ido antes, e a despedida foi a última vez que a família esteve reunida. O medo de ficar sem a mãe, já bastante debilitada, é tão grande que Helga não se importa mais, ela só deseja que morram juntas. O fim da guerra chega, mas Helga é um das poucas crianças que sobrevivem a ela.

Este livro é, sem sombra de dúvida, a melhor publicação da editora Intrínseca no qual eu já tive a chance de pôr as mãos. Mais do um livro de história sobre os judeus durante a Segunda Guerra Mundial, o diário de Helga Weiss, escrito por ela e entregue ao seu tio para ser escondido, é um relato de uma menina que foi mandada aos campos de concentração nazistas e sobreviveu. O livro foi editado por Helga quando a guerra acabou, mas a mensagem continua lá, assim como os sentimentos de quem experimentou algumas das piores formas de se tratar o ser humano, Quando eu vi esse livro pela primeira vez, fiquei muito na dúvida. Primeiro porque eu já aprendi que histórias sobre a Segunda Guerra Mundial não tem final feliz. Segundo, eu não curto muito biografias, sejam elas do tipo que forem (apesar de ter gostado de ler O Diário de Anne Frank). Mas não agüentei, comecei a ler e não parei. Não tenho como descrever o que senti ao ler esse livro, só posso dizer que a história é tocante, ainda mais pelo fato de saber que a própria Helga editou o livro, que conta com ilustrações feitas por ela e uma pequena entrevista onde ela responde algumas perguntas sobre a vida nos campos e as pessoas que perdeu neles. Dividido em três partes – Praga, Terezín e Auschwitz -, este livro emocionante traz uma nova visão a uma das maiores manchas na história da humanidade.

15 de abr. de 2015

História de Anne Frank vai virar animação

Uma das mais emocionantes histórias sobre os horrores da Segunda Guerra Mundial que eu já li foi relatada no diário de Anne Frank. Pois bem, essa história vai virar uma animação, nas mãos do cineasta israelense Ari Folman. O projeto acontece a partir de uma combinação entre a tradicional técnica dos desenhos criados à mão com a animação em stop-motion. De acordo com o site Hypeness:



O filme começou a ser produzido no ano passado, em Londres, e conta com a colaboração do artista plástico Andry Gent para criar as miniaturas utilizadas no stop-motion. O ilustrador David Polansky, conhecido por seu trabalho em Valsa com Bashir, ficará responsável pelo desenho 2D. Ainda sem um título definido, a obra contará a história de Anne a partir da perspectiva de Kitty,sua amiga imaginária.

O projeto ainda não tem data de estréia nem nome definido, mas algumas imagens já foram liberadas, que você confere abaixo e no site Hypeness.