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15 de dez. de 2021

Lady Almina e a verdadeira Downton Abbey (Fiona Carnarvon) – PSRC 2021

 

Título: Lady Almina 
Autora: Fiona Carnarvon 
Mês: Dezembro 
Tema: Um livro da sua lista de leitura que você relaciona com sua pessoa favorita, ou seu lugar favorito, ou objeto favorito 
Editora Intrínseca, 255p. 

O castelo de Highclere, em Berkshire, ganhou fama internacional ao virar cenário principal da série Downton Abbey. Nesse castelo viveu uma das suas mais marcantes personagens da história da Inglaterra, a condessa de Carnarvon. Lady Almina foi filha ilegítima do banqueiro Alfred de Rothschild e sua herdeira, Almina casou com o quinto conde de Carnarvon e com isso ganhou posição e respeitabilidade social. Mas ela foi muito mais do que uma jovem bem educada e primorosa. Consciente de sua posição, Almina se destacou na sociedade, conseguiu através de sua fortuna salvar as dívidas da família do marido e durante a guerra, transformou o castelo em um hospital durante a Primeira Guerra Mundial. Ela também deu apoio constante as viagens do marido ao Egito e a crença de que se poderia fazer uma grande descoberta. Ambos foram recompensados quando o conde, junto com Howard Carter, descobrem a tumba inalterada do faraó Tutancamôn. 

Uma das melhores biografias que li esse ano, sobre uma mulher igualmente marcante. Eu amei esse livro, a forma como a autora escreve é bem simples, ela não dramatiza nenhum acontecimento, o que eu sempre gosto de ver em biografias (principalmente considerando que ambas são parentes distantes por casamento). A narrativa me cativou tanto que desde o início, quando ela fala do casamento de lady Almina com o conde, parecia que eu estava vendo a cena ao vivo e a cores. O livro traz também muitas fotos, o que complementa a história de uma maneira ótima. Muito recomendado.

13 de dez. de 2021

William and Harry (Katie Nicholl) – PSRC 2021


 

Título: William and Harry: behind palace doors 
Autora: Katie Nicholl 
Mês: Dezembro 
Tema: O livro que está há mais tempo em sua lista de leitura 
Editora Weinstein Books, 328 p. 

Sinopse: More than a decade has passed since princes William and Harry watched in grief as their mother, Diana, Princess of Wales, was laid to rest. Then just fifteen and twelve years old, William and Harry have since grown into extraordinary young men. Today they are modern princes poised to shape the Royal Family in their own image, and determined to carry the legacy of their beloved mother, Diana, into the twenty-first century. 
The royal brothers have been the subjects of intense scrutiny since birth, but until now, no journalist has delved as successfully into their lives as Katie Nicholl. Through her unprecedented network of sources, some of whom have agreed to speak for the very first time, Nicholl provides fascinating insight into the lives of William and Harry, following them from childhood to present day, chronicling the difficult period after their mother's tragic death, their college years, their love lives, their careers as front-line soldiers, and William's struggles with his destiny as the future king. 
Now, as William gets set to assume a more prominent role in the monarchy, and a royal wedding between he and Kate Middleton seems probable, Nicholl has spoken to a wealth of contacts close to the couple who reveal how their love affair really started at the University of Saint Andrews, the hurdles the pair overcame, and the challenges they still face. She recounts the story of Harry's time at Eton, his relationship with Chelsy Davy, and the three months he spent on the front line in Afghanistan. She analyzes William and Harry's complex relationship with their father, and the woman who will one day become Queen Camilla. 
A constantly surprising and compulsively readable book, William and Harry sheds an astonishing light on the two most famous brothers in the world. 

Em abril de 2021, William e Kate comemoraram 10 anos de casados. Foi engraçado fazer a resenha desse livro só agora quando essa foi uma das primeiras biografias sobre os príncipes William e Harry que eu consegui. Em parte porque eu já conhecia a autora dos vários documentários reais a que assisti, ela sabe ser concisa em sua narrativa sem dramatizar. Gostei muito da autora falar chegar a abordar o noivado de William e Kate, já que a maioria das biografias sobre William e Harry (dado o tempo de namoro do primeiro com Kate) só falam do namoro, e também adorei as partes sobre o relacionamento entre Harry e Chelsy. Biografia recomendada.

15 de nov. de 2021

A versão definitiva de Harry Potter e a filosofia (William Irwin) – PSRC 2021

 

Título: A versão definitiva de Harry Potter e a filosofia 
Autor: William Irwin 
Mês: Novembro 
Tema: O livro com a capa mais feia da sua lista de leitura 
Editora Madras, 272p. 

Sinopse: É sempre errado usar uma poção do amor? A morte é algo a ser temido... ou governado? O que Severo Snape pode nos ensinar sobre a possibilidade de redenção? O amor é a magia mais poderosa entre todas? Com base em todos os sete livros da série Harry Potter, A Versão Definitiva de Harry Potter e a Filosofia oferece uma mistura poderosa de intuições sobre o bem e o mal, amor, morte, poder, sacrifício e esperança. É verdade, como Dumbledore diz, que nossas escolhas revelam muito mais sobre nós do que nossas habilidades? Existe vida após a morte, e como deve ser essa vida? Aqui está uma memória penseira para seus pensamentos. Portanto, dê um bom gole do Elixir de Cérebro de Baruffio e se reúna ao Exército de Bassham de filósofos talentosos na exploração das questões profundas e capazes de expandir a mente dos livros e filmes sobre Potter. 

Eu gostei bastante desse livro. Filosofia nunca foi meu assunto favorito, mas fico surpresa como cada vez mais eu aprecio a leitura dessa coleção. Os ensaios são muito bem escritos, mostra como cada autor conseguia realmente focar na proposta do livro e do tema relacionado a Harry Potter e aos métodos de criação de J.K. Rowling.

11 de out. de 2021

Felizes para sempre (Kiera Cass) – PSRC 2021

 

Título: Felizes para sempre 
Autora: Kiera Cass 
Mês: Outubro 
Tema: O livro com a capa mais bonita da sua lista de leitura 
Editora Seguinte, 448p. 

A rainha traz a história da rainha Amberly, mãe de Maxon, e seu período de participação. Uma jovem humilde, Amberly sempre foi apaixonada platonicamente pelo príncipe Clarkson, então fica muito feliz quando ele a nota. Sua mente exacerbadamente romântica a levam a querer agradá-lo de todas as formas, mas uma descoberta sobre sua saúde a levam a desistir de tudo, até que o próprio Clarkson interfira. 
O príncipe e O guarda narram a Seleção das candidatas a esposa de Maxon sob o ponto de vista do príncipe e do guarda Aspen, ex-namorado de America, por quem Maxon está se apaixonando. Depois de A escolha traz o final extendido de A escolha, quando Maxon e America já estão casados e são os governantes (os contos foram publicados no livro Contos da Seleção, já resenhado). 
Em A favorita, Marlee é uma das favoritas na Seleção do príncipe Maxon, mas ao seu apaixonar por um dos guardas, Carter, sua vida e sua situação dentro do palácio se tornam problemáticas (mais um conto publicado separadamente, em formato ebook, já resenhado). 
Cenas de Celeste e A criada trazem um pouco mais sobre as vidas de Celeste, uma das maiores apostas a rainha de Maxon, e sobre a vida de Lucy, a criada de America que se apaixona por Aspen. 
Em Por onde elas andam, o último conto, traz um vislumbre sobre as vidas de algumas últimas candidatas na seleção de Maxon, e o que aconteceu com elas quando America foi escolhida. 

A rainha, O príncipe, O guarda, Depois de A escolha são contos já resenhados, publicados no livro Contos da seleção. A favorita foi outro conto publicado como ebook separado. Neste livro também estão incluídos, Cenas de Celeste, A criada, e Por onde elas andam. Como aconteceu na primeira vez que li, o que eu mais gostei foram os contos sobre a rainha Amberly e sobre Celeste, e o capítulo sobre as vidas das outras finalistas. As ilustrações são lindas, bem coisa de livro de princesa mesmo. Essa foi uma distopia que conseguiu me cativar, e que eu indico completamente.

13 de set. de 2021

Rey’s survival guide (Jason Fry) – PSRC 2021


 

Título: Rey’s survival guide 
Autor: Jason Fry 
Mês: Setembro 
Tema: O livro mais curto da sua lista de leitura 
Editora Readers Digest, 96p. 

Sinopse: Complete with stories, secrets, and insights, this guide will immerse readers in the world of Star Wars: The Force Awakens. Discover what you need to survive the hostile planet, Jakku. What secrets lurk in the ship graveyard? What do you want to salvage? What should you avoid to stay alive? Includes gatefolds with exclusive artifacts including starship schematics and more! 

Um livro tipo diário escrito pela personagem Rey enquanto vive em Jakku, muito antes dos eventos de O despertar da força. É um livro bem pequeno, vale a pena para os fãs que se mostram curiosos sobre a protagonista da trilogia sequel de Star Wars.

16 de ago. de 2021

Daughters of Isis (Joyce Tyldesley) – PSRC 2021

 

Título: Daughters of Isis: women of ancient Egypt 
Autora: Joyce Tyldesley 
Mês: Agosto 
Tema: Um livro em um formato diferente do que você normalmente lê 
Editora Penguin History, 336p. 

Sinopse: In ancient Egypt women enjoyed a legal, social and sexual independence unrivalled by their Greek or Roman sisters, or in fact by most women until the late nineteenth century. They could own and trade in property, work outside the home, marry foreigners and live alone without the protection of a male guardian. Some of them even rose to rule Egypt as ‘female kings’. Joyce Tyldesley’s vivid history of how women lived in ancient Egypt weaves a fascinating picture of daily life – marriage and the home, work and play, grooming and religion – viewed from a female perspective, in a work that is engaging, original and constantly surprising. 

Um livro excelente que envolve dois assuntos que eu adoro: mulheres e Egito antigo. Foi interessante ver, em uma narrativa que prende a atenção e considerando as poucas evidências disponíveis hoje em dia, como era a vida das mulheres nessa época tão distante da nossa: como elas eram retratadas, seus papéis no que se refere a casamento e dentro do harém real (uma das melhores partes do livro) e, como não podia faltar, a autora também fala das que, por um motivo ou outro, se tornaram rainhas. Livro muito recomendado.

14 de jul. de 2021

Novel destinations (Shannon McKenna Schmidt e Joni Rendon) – PSRC 2021

 

Título: Novel destinations: Literary landmarks from Jane Austen's Bath to Ernest Hemingway's Key West 
Autores: Shannon McKenna Schmidt e Joni Rendon 
Mês: Julho 
Tema: Um livro ambientado em algum lugar que você gostaria de visitar em 2021 
Editora National Geographic, 358p. 

Sinopse: For the new breed of vacationer who craves meaningful trips and unusual locales, the combination of reading and travel can be a heady mix—especially if you happen to be checking into Hemingway’s favorite hotel in Sun Valley, or strolling about Bath’s Royal Crescent while entertaining fantasies of Lizzie Bennett and her Mr. Darcy! Cue National Geographic’s Novel Destinations—a guide for bibliophiles to more than 500 literary sites across the United States and Europe. 
The book begins with thematic chapters covering author houses and museums, literary festivals and walking tours. Then, in-depth explorations of author and places take readers roaming Franz Kafka’s Prague, James Joyce’s Dublin, Louisa May Alcott’s New England, and other locales. Peppered with great reading suggestions and little-known tales of literary gossip, Novel Destinations is a unique travel guide, an attractive gift book, and the ultimate browser’s delight. 

Esse foi um dos temas mais fáceis de escolher livro, porque são tantos os lugares que eu gostaria de visitar (claro que, com a pandemia, estou quieta em casa). Esse livro em particular foi outro achado, são tantas as referências literárias que mal dá pra escolher um ou dois lugares. O autor faz um apanhado das casas e museus relacionados aos autores, além festivais literários, pubs e cafés (sejam citados nas histórias, sejam ligados as vidas pessoais dos autores). Dos vários locais citados, elegi Dublin, Bath e Praga como minhas viagens de consumo. Um dia, um dia... Livro recomendado pra todo e qualquer bibliófilo apaixonado por viagens.

12 de jul. de 2021

The grand tour (Agatha Christie) – PSRC 2021

 

Título: The grand tour: around the world with the qeen of mystery 
Autora: Agatha Christie 
Mês: Julho 
Tema: Um livro ambientado em vários países 
Editora HarperCollins, 384p. 

Archibald Christie, marido de Agatha Christie, foi convidado em 1922 a realizar uma viagem para promover British Empire Exhibition. Eles embarcam em uma viagem de dez meses e durante esse tempo, Agatha manteve com sua mãe uma correspondência detalhando todos os lugares e pessoas que ela conheceu, passando pela África do Sul, Austrália, Nova Zelândia, Havaí e Canadá. Mathew Prichard, neto de Agatha, reúne nesse livro cartões-postais, fotos e notícias de jornais, além de trechos da autobiografia da avó, e mostra os lugares que influenciaram os escritos de Agatha. 

“My grandmother’s letters on the Grand Tour were the first, if not the only, part of her archive…” Devo dizer que a primeira surpresa que tive com esse livro foi essa. Não fazia ideia que o editor deste livro era neto de Agatha. E que belo trabalho! Este livro é um diário de viagem, e Mathew consegue nos mostrar o quanto Agatha era jovem e apaixonada pelo marido a ponto embarcar num “empreendimento” desse e deixar a filha pequena pra trás. De todos os lugares citados, acho que o Havaí é o único lugar da lista que eu não tenho muita vontade de visitar, mas gostaria muito de um dia visitar todos esses países. Livro altamente recomendado, mesmo que você não seja fã da autora. Para quem é fã, é a cereja do bolo.

14 de jun. de 2021

Cleopatra (Joyce Tyldesley) – PSRC 2021

 

Título: Cleopatra: last queen of Egypt 
Autora: Joyce Tyldesley 
Mês: Junho 
Tema: Um livro sobre um assunto pelo qual você é apaixonado 
Editora Basic books, 320p. 

Sinopse: She was the last ruler of the Macedonian dynasty of Ptolemies who had ruled Egypt for three centuries. Highly educated (she was the only one of the Ptolemies to read and speak ancient Egyptian as well as the court Greek) and very clever (her famous liaisons with Julius Caesar and Mark Antony were as much to do with politics as the heart), she steered her kingdom through impossibly taxing internal problems and railed against greedy Roman imperialism. Stripping away preconceptions as old as her Roman enemies, Joyce Tyldesley uses all her skills as an Egyptologist to give us this magnificent biography. 

Eu adorei esse livro! Desde o romance histórico da Margaret George sobre Cleópatra, eu ainda não tinha pego outro que falasse tanto dos antepassados da rainha. Fiquei muito confusa no início, tive que recorrer várias vezes a árvore genealógica com que a autora ilustra o livro, para poder entender de qual Cleópatra, Ptolomeu e Berenice se estava falando (os nomes são muito repetidos). A autora faz um apanhado histórico da situação política pela qual o Egito passava, e essa foi uma das melhores partes porque Joyce consegue ser sucinta. Para o leitor não ficar perdido, além da árvore genealógica, ela também incluiu uma lista de faraós, desde Alexandre o Grande. Uma das melhores biografias de Cleópatra que já li, recomendado.

17 de mai. de 2021

O diário da irmã de Laura (Kathy Kacer) – PSRC 2021

 

Título: O diário da irmã de Laura 
Autora: Kathy Kacer 
Mês: Maio 
Tema: Um livro com uma capa preta e branca 
Editora Callis, 184p. 

Laura está às vésperas de celebrar o seu bar mitzvah quando o rabino sugere uma tarefa inesperada: pesquisar um menino ou menina da sua idade que tivesse vivido durante a Segunda Guerra Mundial, para aprender sobre a vida dessas crianças como forma de compartilhar essa “passagem para a vida adulta” que elas não tiveram chance de celebrar devido a guerra. É dessa forma que Laura recebe o diário de Sara Gittler, uma menina judia que teve que abandonar tudo e viver num gueto de Varsóvia, vendo sua família e amigos sofrerem todo tipo de humilhação e desgraça por serem judeus. À medida que vai lendo, Laura se envolve com a vida de Sara e aprende que a verdade é mais importante do que tudo, que disseminar ódio nunca leva a nada e assim, consegue ajudar a única testemunha de um ato de vandalismo tido como crime de racismo. 

Eu não sabia muito bem o que esperar desse livro. Não entendia se era um romance sobre judeus na Segunda Guerra Mundial ou se era alguma biografia como o diário escrito por Anne Frank. De certa forma, acabou sendo as duas coisas, porque a autora precisou criar alguns acontecimentos e as emoções pessoais dos personagens, ao mesmo tempo em que mostra outros elementos históricos, como a situação de vida dentro de um dos guetos em Varsóvia e a tentativa de luta de um grupo de judeus contra os nazistas dentro do gueto, um levante que ficou conhecido como Organização da Luta Judaica, liderado por Mordechai Anielewicz. As fotografias acabam dando um ar mais real a história, e eu gostei bastante de saber mais sobre o bar mitzvah e sobre as histórias reais de gêmeos. Num tempo como o que estamos vivendo, a mensagem que a história passa não poderia ser mais bem vinda. Livro completamente recomendado.

12 de abr. de 2021

Star Wars Episódio I A ameaça fantasma (Terry Brooks) – PSRC 2021



Título: Star Wars Episódio I A ameaça fantasma 
Autor: Terry Brooks 
Mês: Abril 
Tema: Um best-seller da década de 1990 
Editora Meia Sete, 255p. 

É uma época de tensão na galáxia. Enquanto os jedi se voltam para a questão da Federação do Comércio e seu desentendimento com a República, dois de seus membros promissores, Qui-Gon Jinn e seu padawan Obi-Wan Kenobi devem tentar manter em segurança a rainha de Naboo, Padmé Amidala. Durante uma fuga arriscada, eles acabam aterrissando no distante planeta Tatooine, onde encontram mais do que precisavam na forma de um menino escravo de 9 anos, Anakin Skywalker. Convencido de que a Força está por trás desse encontro e de que o menino é aquele a quem uma antiga profecia jedi se refere: aquele que irá trazer o equilíbrio para a força. Sem saberem, esse encontro será determinante para o futuro galáxia... 

Definitivamente, as novelizações dos filmes de Star Wars dão uma nova visão sobre a história em si. Os detalhes são maiores, as conexões entre os eventos são mais aparentes, além dos livros complementarem certas cenas do que se vê no cinema. Se não me engano, essa é a segunda novelização que leio e adorei, principalmente por ser do filme que foi, que sofreu uma crítica pesada e absurda na época em que foi lançado. Recomendo.

17 de mar. de 2021

Ladrões de livros (Anders Rydell) – PSRC 2021



Título: Ladrões de livros 
Autor: Anders Rydell 
Mês: Março 
Tema: Um livro onde o personagem principal tem o mesmo trabalho que você ou seu trabalho dos sonhos 
Editora Planeta do Brasil, 416p. ]

Onde livros são queimados, no fim, as pessoas também serão queimadas. 
Heinrich Heine, 1820 

Uma placa com esses dizeres se encontra na Bebelplatz, praça onde em 1933, ano em que os nazistas chegaram ao poder, foi realizada a mais famosa cerimônia de queima de livros da história. Hoje, no local da queima, existe um memorial feito pelo israelense Micha Ullman: no chão, uma sala subterrânea, exposta através de um vidro, com várias prateleiras brancas e vazias, onde caberiam 20 mil livros. Essa queima de livros não foi o primeiro ataque a literatura realizada na época e foi uma iniciativa que partiu da organização que reunia federações estudantis alemães. O autor fala que no início, os estudantes deveriam começar a “limpeza” dentro de suas próprias bibliotecas, e essa ação mais tarde foi feita nas bibliotecas públicas e livrarias locais. Muitos livros e documentos foram destruídos pelos próprios donos, judeus e comunistas que começaram a perceber o que estava a caminho. O autor salienta que os nazistas também tinham outra coisa em mente ao roubar livros: eles queriam criar um “novo intelectual”, que se baseasse em sua nação e raça. Os saques a bibliotecas e coleções tinham um objetivo muito claro em mente: 

Nessa guerra, os livros teriam menos o papel de vítimas, e mais o de armas. Os nazistas queriam derrotar seus inimigos não apenas no campo de batalha, mas também no campo das ideias. Essa vitória perduraria muito depois da morte, depois dos genocídios e do Holocausto. Não se tratava apenas de aniquilar, mas também de justificar suas ações. O que garantiria o triunfo dos nazistas não era a destruição da herança literária e cultural de seus inimigos – era seu sequestro, sua posse e sua distorção, que possibilitariam fazer com que as bibliotecas e arquivos, a história, a herança e a memória desses grupos se voltassem contra eles mesmos. Era se apropriar do direito de escrever a história desses grupos. Foi um conceito que deu início ao maior roubo de livros da história do mundo.


Cada capítulo do livro aborda um local diferente, e cada um deles. Na Zentral- und Landesbibliothek (Bibliotecca Central de Berlin, imagem acima), construída onde antes era a Berliner Stadtbibliothek que foi destruída na guerra, hoje se encontram livros roubados que ainda esperam ser identificados, e que não se ignora a origem dos livros. Pelo contrário, o bibliotecário atual sabe que seus antecessores não só sabiam da origem dos livros mas também tentaram esconder essa parte da história, arrancando páginas ou apagando ou rasgando os carimbos dos proprietários. 
Em uma casa pequena atrás da Bayerische Staatsbibliothek, em Munique, o historiador Stephan Kellner e seus colegas examinam o acervo da biblioteca com foco nos roubos ocorridos durante a guerra, dando ênfase ao que ele chama de biblioteca de Himmler. 
Eu especificamente gostei do capítulo onde o autor cita os principais locais saqueados pelos nazistas na Holanda. Um deles foi a Bibliotheca Rosenthaliana, da Universidade de Amsterda, onde o acervo hoje é em grande parte dedicado a história dos judeus holandeses, apesar da biblioteca ter origem na Alemanha: 

“As origens da biblioteca estão ligadas a Leeser Rosenthal em meados do século XIX. Ele era um rabino nascido na Polônia que trabalhava em Hannover para as famílias ricas da cidade, o que lhe deu a oportunidade de montar o acervo na época. Ele colecionava livros sobre a história dos judeus alemães, escritos religiosos e sobre o Iluminismo Judaico”[...] 

O acervo de Rosenthal era visto na época como uma das melhores coleções privadas judaicas da Alemanha. A biblioteca era composta de seis mil volumes e uma coleção de manuscritos. Em 1880, a família decidiu que iria doar o acervo para a Universidade de Amsterdã. A família também se ofereceu para pagar um bibliotecário, o que continuou a fazer até o começo da Primeira Guerra Mundial, quando caiu na ruína financeira depois de fazer investimentos na rede de ferrovias húngara. [...] 
O acervo cresceu rapidamente depois de ir para Amsterdã, onde foi complementado com literatura sobre os judeus da Holanda. Na época da Segunda Guerra Mundial a biblioteca havia multiplicado várias vezes de tamanho. “Alguns dos colecionadores judeus de Amsterdã esconderam seus livros na Rosenthaliana na esperança de que ficassem a salvo lá. Achamos que alguns desses livros ainda estão aqui, mas não sabemos como encontrá-los”[...]


Outro local é a biblioteca da Sinagoga Portuguesa, Ets Haim (acima), fundada em 1616 e, segundo o autor, ela reflete a crise existencial enfrentada pelos judeus sefarditas depois de chegar a Amsterdã, pois muitos foram obrigados a se converter ao cristianismo, mas ao chegarem na Holanda, puderam retomar suas crenças. Tanto a Rosenthaliana quanto a Ets Haim atraíram a atenção de Johannes Pohl, encarregado de chefiar a seção judaica do Institut zur Erforschung der Judenfrage, de Roosenberg, líder ideológico nazista. 
Em Paris, ele cita os saques a dois centros de história importantíssimos: a Alliance Israélite Universelle, cujos responsáveis tentaram proteger o acervo através de esconderijos em bunkers e de mandar o acervo pra longe; e a Bibliothèque Russe Tourgueniev, fundada em 1875 pelo revolucionário russo German Lopatin com a ajuda de seu compatriota, o escritor Ivan Turguêniev. E em Roma, ele fala da Biblioteca del Collegio Rabbinico Italiano , pertencente a uma escola rabínica fundada em 1829 e cuja parte mais valiosa do acervo se encontra no Centro Bibliográfico; e do sumiço da Biblioteca dela Comunità Israelitica, uma biblioteca mais antiga que fazia parte de uma sinagoga em Lungotevere de’Cenci. 


Um dos melhores capítulos é sobre Theresienstadt (acima), a cidade guarnição que contava com uma biblioteca onde se encontrava parte dos livros saqueados, construída para parecer a cidade dada aos judeus por Hitler, onde artistas, atores, músicos, escritores e outros intelectuais eram usados como meio de propaganda, mas que na verdade era um campo de concentração. O livro vai mais adiante, ao relatar as tentativas de devolução dos livros às bibliotecas e aos sobreviventes (ou seus descendentes) do holocausto. 
Um livro que eu posso chamar de completo, informativo, elucidativo e completamente indicado para se saber mais sobre o terror que os nazistas espalharam pela Europa durante a Segunda Guerra Mundial, um terror que não deve jamais ser repetido. Mil estrelas.

15 de fev. de 2021

Ferro, água & escuridão (Felipe Castilho) – PSRC 2021


Título: Ferro, água & escuridão
Autor: Felipe Castilho
Mês: Fevereiro
Tema: Um livro com jóia /pedra preciosa, mineral ou pedra no título
Editora Gutenberg, 288p.

Faz um ano da batalha na Anistia. Anderson tenta levar a vida normalmente, mesmo visitando o Reino Onírico nos seus sonhos, onde acaba descobrindo mais sobre a vida de Wagner Rios. Ele sabe que o megaempresário não está morto realmente e não esquece que está em dívida com um deus esquecido muito poderoso. Quando Sev, membro de um grupo secreto que honra as tradições do cangaço, aparece na Organização pedindo ajuda, o Patrão os reúne e parte para uma pequena cidade à beira do rio São Francisco, onde mais uma vez terão que enfrentar Rios e seus aliados monstruosos. 

Eu tive que reler o final do segundo livro dessa série para me lembrar como havia terminado a história, porque o início deste livro me deixou um pouco confusa, mas depois que peguei o embalo, não consegui largar. Eu gosto muito da mistura que o Felipe faz do folclore brasileiro com as pessoas “reais” da história, e esse livro me surpreendeu de várias formas, principalmente no que diz respeito ao vilão Wagner Rios. Eu achava que esse era o último da série, mas pela forma que terminou, estou ansiosa sobre a continuação.

22 de jan. de 2021

When women ruled the world (Kara Cooney) – DLL 2021


Título: When women ruled the world 
Autora: Kara Cooney 
Mês: Janeiro 
Tema: Que você abandonou 
Editora National Geographic Society, 400p. 

ONCE UPON A TIME, there were women who ruled the world. 

Merneith, Neferusobek, Hatshepsut, Nefertiti, Tawosret e Cleópatra foram seis faraós femininas que reinaram no antigo Egito. Em diferentes períodos da história egípcia, essas seis rainhas que começaram como esposas de reis passaram a governar por direito próprio, postas no poder por um sistema que precisava dos seus governos. Neste livro da celebrada egiptologista Kara Cooney, as vidas e reinados dessas mulheres e as razões por trás de suas ascensões ao poder máximo no Egito é discutido em grandes detalhes. 

In one place on our planet thousands of years ago, against all the odds of the male-dominated system in which they lived, women ruled repeatedly with formal, unadulterated power. 

Esse livro é uma verdadeira maravilha! Sempre fui apaixonada pela história do Egito e essa temática de mulheres governando sempre me fascinou. Juntando as duas coisas em um livro só, foi só um chamariz. De todas as rainhas citadas, eu já conhecia Hatshepsut, Nefertiti e é claro, Cleópatra. Foi um prazer descobrir sobre outras três mulheres reinantes e suas histórias e motivações. Considerando que o sistema patriarcal permitia que elas reinassem para depois apagarem os nomes delas da história, a autora consegue chamar atenção para as vidas delas enquanto explica a situação política do Egito em cada momento dos reinados. 
Merneith reinou durante a Primeira Dinastia (3000-289 a.C.) como regente do filho novo demais para assumir o trono. Séculos depois foi a vez de Neferusobek, durante a Dinastia 12 (1985-1773 a.C.); ela era produto do harém real, uma Filha do Rei, que assumiu após a morte do marido-meio irmão (ou irmão “completo”,os historiadores discordam se o marido dela, Amenemhat IV foi também um produto do harém real ou se ele não fazia parte da família real). Ela foi a primeira rainha reinante por direito próprio do Egito. 
Durante a Dinastia 18 (1550-1295 a.C. ), surge Hatshepsut, que foi cabeça do reinado feminino mais poderoso do Egito até a época, marcada por longevidade (durou mais de 20 anos), prosperidade e expansão. Da mesma dinastia, surge mais tarde Nefertiti, irmã-esposa de Amenhotep IV (o rei responsável pela instituição inédita do culto a um único Deus) e cujo tempo de reinado foi curto e ocupado em curar as feridas deixadas pelo marido herege. 
Tawosret, da Dinastia 19 (1295–1186 a.C.), assumiu o poder através do marido Seti II (neto de Ramsés II, o Grande) em uma época em que tentavam de todas as formas suprimir um reinado feminino, atuando no lugar do rei menino (sem ser mãe dele) e com sua morte, assumindo o poder pela força. 

[…] In a land where women had repeatedly risen to the top, achieving ever greater heights, Egypt fell to foreign empires, obstructing the female authority that kept the people of the Nile protected when everything fell apart. […] 

Finalmente, Cleópatra. A última de sua dinastia, a Ptolemaica (305 a.C.-30 a.C.) e última rainha do Egito. A autora aborda o contexto histórico de cada reinado, situando as vidas de cada mulher e seus papéis dentro da complexa sociedade egípcia. Uma das minhas partes favoritas foi a abordagem do papel do harém e suas implicações em questões de herança. Livro completamente indicado.

8 de jan. de 2021

Feliz 2021!!!



Início de nova década, mais um ano participando de desafios. Esse ano serão somente três desafios: Desafio Literário Livreando 2021, do blog Livreando



o PopSugar Reading Challenge 2021, realizado no facebook


e o Desafio Literário Livraria Cultura com o marcador laranja. 


O Desafio A volta ao mundo em 198 livros eu deixei de lado esse ano, porque vou me focar em conseguir alguns livros dos países que ainda não li. 
Como sempre, a Tammy Nunes, do blog Livreando disponibilizou um planner para o desafio, eu só fiz incluir os planners dos outros dois que vou participar.
Então, é isso. Mãos à obra :)