Mostrando postagens com marcador Companhia de Bolso. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Companhia de Bolso. Mostrar todas as postagens

13 de nov. de 2020

Juventude (J. M. Coetzee) – DLL 2020


Título: Juventude
Autor: J. M. Coetzee
Mês: Novembro
Tema: Um livro de autor africano
Editora Companhia de Bolso, 168p.

Sinopse: John está prestes a se formar em matemática, mas sua grande aspiração na vida é tornar-se poeta. O problema é que a poesia - como as mulheres mais interessantes - não se entrega para qualquer um. Assim, o rapaz aguarda ansiosamente pelas experiências de vida que farão com que ele entre em contato com “o fogo sagrado” da inspiração poética e do verdadeiro amor.
É em busca desse ideal que ele abandona a turbulenta África do Sul dos anos 1960 e vai para Londres. Tudo o que arranja na antiga metrópole, porém, é um tedioso emprego de programador de computadores. Além de uma ou outra namorada, que nunca está à altura das paixões que ele imagina necessárias para que um homem seja tocado pela chama da arte e da poesia.
Juventude é um dos romances autobiográficos de J.M. Coetzee, no qual ele reconstrói com crueza e bom humor seus ideais juvenis. Vencedor do Prêmio Nobel em 2003, o autor se volta para a memória pessoal, com a mesma força narrativa de seus outros livros: frases curtas e certeiras, sem nenhuma afetação, desenhando personagens que vão crescendo e se tornando mais complexos a cada parágrafo. Juventude é o segundo volume das Cenas da vida na província, cuja primeira parte, Boyhood, foi publicada no Brasil com o título Cenas de uma vida.

Continuando com os relatos de sua vida, desta vez Coetzee fala de sua juventude de maneira mais sentimental (talvez isso se deva ao fato dele relatar sobre sua saída de casa para a Inglaterra na década de 60 e a falta de pertencimento que o leitor percebe do narrador). O livro é pequeno, relatando acontecimentos normais e não tão significativos, mas o melhor é perceber como pano de fundo alguns dos acontecimentos mais importantes do século XX (como a Guerra do Vietnã). Como o primeiro livro, completamente indicado.

22 de jun. de 2020

198 livros: ÁFRICA DO SUL - Infância (J.M. Coetzee)

Sinopse: Neste primeiro volume de ficção autobiográfica (de uma trilogia que se completa com Juventude e Verão), um narrador seco e distante conta, sempre no presente, a dura experiência de deslocamento de um garoto sul-africano. Em uma sociedade baseada na violência - que por isso mesmo irradia para todas as instâncias do cotidiano -, entre negros surrados por motivos banais, professores sádicos e colegas de escola truculentos, John mantém viva, como pode, a identidade "diferente". Tarefa difícil nessa infância nada rósea que J. M. Coetzee evoca: com um pai falastrão e perdulário, uma mãe excessivamente bondosa para esse mundo hostil e uma identidade familiar opaca - os Coetzee são de origem africânder, mas falam inglês em casa -, o menino John encontra refúgio só mesmo na introspecção, e o leitor testemunha a construção de uma personalidade fechada e solitária, que é a um tempo herdeira e vítima da brutalidade circundante.


O autor utiliza uma linguagem seca e precisa para relatar seus anos de formação, onde sua família era “estranha” devido a brutalidade que o cercava (o pai não batia nos filhos; a mãe era a chefe de família, quando em outras casas o pai era quem mandava; não vêm de família católica mas ele se declara católico, dentre outras situações). Eu gostei porque o autor não enrola nem dramatiza sobre sua própria vida. Certos relatos podem causar estranheza no leitor, mas é nisso que vemos (pelo menos para mim) quando um livro vale a pena. Recomendado.

Editora Companhia de Bolso.
152 páginas.

17 de jun. de 2020

Cartas chilenas (Tomás António Gonzaga) – DLL 2020


Título: Cartas chilenas
Autor: Tomás António Gonzaga
Mês: Junho
Tema: Um livro de autor português
Editora Companhia de Bolso, 184p.

Sinopse: Um certo Critilo, residente no Chile, escreve treze cartas ao amigo Doroteu, que vive na Espanha. Nelas, relata em verso a história de Fanfarrão Minésio, governador da capitania da então colonia espanhola, corrupto e cruel como ninguém. Para que Minésio sirva de anti-exemplo aos governadores portugueses no Brasil, um suposto incógnito resolve traduzir o texto, depois de obter o manuscrito de um cavalheiro que por aqui aportou, vindo da América espanhola. Simulando falar sobre outro lugar, o inconfidente Tomás Antônio Gonzaga, autor de Marilia de Dirceu, faz desta sátira uma voz da sociedade das Minas Gerais do final do século XVIII. Introdução, cronologia, notas e estabelecimento de texto de Joaci Pereira Furtado.

Em uma linguagem bem arcaica (pode se ter uma dificuldade em ler o livro por isso), Tomás usa o pseudônimo Critilo para fazer duras críticas ao governo de Fanfarrão Minésio em cartas a Doroteu.(na verdade, as críticas eram dirigidas ao governador de Vila Rica, Luís da Cunha Menezes). As treze cartas narram praticamente a história do governador, apontando as irregularidades, o abuso de poder e tudo que acontecia naquele momento em que se preparava a Inconfidência Mineira. Apesar da linguagem que pode necessitar se ter um dicionário do lado, vale a pena.

29 de ago. de 2018

198 livros: SERRA LEOA - Muito longe de casa (Ishmael Beah)

Ishmael Beah é um garoto que vive com sua família em Serra Leoa. Ele adorava hip hop e Shakespeare, mas sua vida muda completamente quando rebeldes invadem sua aldeia. Beah consegue escapar e agora, longe de sua família, é aliciado pelo exército do governo para lutar contra aqueles que destruíram sua aldeia e sua vida.


Outra biografia com um relato fortíssimo sobre guerra, perdas e destruição. Quando eu resolvi participar desse desafio, não achei que fosse encontrar tantos livros com histórias tão envolventes. E só estou no segundo mês! Escrito quando Baeh tinha somente 25 anos, o livro mostra sua vida enquanto vivia fugindo, esfomeado e tentando sobreviver, sua experiência como soldado e sua redenção, até se tornar porta-voz da Serra Leoa numa conferência da ONU. Apesar da própria temática do livro ser tudo menos leve, Baeh consegue expor com clareza seus traumas do passado.

Quando chegamos ao final da fila, havia quatro homens deitados no chão, e seus olhos estavam bem abertos e parados; suas tripas estavam espalhadas pela terra. Eu me virei, e meus olhos se depararam com a cabeça esmagada de um outro homem. Algo dentro da cabeça dele ainda pulsava e ele estava respirando. Senti náuseas. Tudo começou a girar à minha volta. Um dos soldados me observava, mastigando alguma coisa e sorrindo. Ele tomou um gole de água e jogou o resto que havia na garrafa no meu rosto.
– Você vai acabar se acostumando, todo mundo se acostuma – ele disse.

Um fato interessante (e o que eu mais gostei, diga-se de passagem): com seu relato, Ishmael Beah desfaz todo esse mito romântico da guerra e de heroísmo associado a ela. Ele não utiliza poesia, não faz rodeios nem banaliza a guerra, simplesmente fala das consequências de uma para os envolvidos. Um livro ótimo, que eu tive que parar, respirar, e voltar a ler, várias vezes. Recomendo.

Editora Companhia de Bolso.
264 páginas.