14 de set. de 2018

Her Majesty, Mrs. Brown (1997)

1861. O príncipe Albert, marido e grande amor da rainha Vitória, está morto, o que leva a soberana a um estado inconsolável de luto, evitando todos os compromissos, sociais e públicos. John Brown, fiel serviçal do falecido príncipe, torna-se o cavalariço da rainha e consegue trazê-la de volta a vida. O problema começa quando a amizade inesperada começa a despertar suspeitas e cria um escândalo na corte, cujos integrantes não aceitam que um escocês arrogante tenha tanta influência sobre a rainha.


Eu descobri esse filme enquanto pesquisava sobre o lançamento de outro filme sobre a Rainha Vitória (Victoria and Abdul, lançado ano passado). Que achado. De início, pensei que fosse um simples romance com variadas licenças históricas, mas depois de pesquisar, vi que Mr. Brown (ao qual o título se refere da mesma maneira ofensiva que os jornais da época usaram para designar a rainha, se considerarmos que Vitória permaneceu em luto pro resto da vida depois da morte do marido), realmente existiu. E a história desse amigo e da rainha é muito bonita.

A rainha Vitória e Mr. Brown (W & D Downey/Getty Images)

A morte do príncipe e a consequente reclusão da rainha fizeram com que sua popularidade diminuísse, assim como cresce o sentimento anti-monarquia no país. Tentando fazer com que a soberana se interessasse pelas suas obrigações novamente, Mr. Brown é chamado para a corte novamente. O fiel serviçal consegue tirar a rainha de seu estupor, apesar dela continuar se recusando a voltar ao trabalho. O primeiro-ministro Benjamin Disraeli (Antony Sher) resolve usar da influência de Brown e pede para que ele convença a monarca a voltar a realizar suas funções reais. Eles se desentendem e a relação azeda. Mesmo assim, Brown continua servindo a rainha até sua morte em 1833. Sua preocupação constante com a segurança de Vitória e seu jeito arrogante logo levam todos a desprezá-lo, incluindo a criadagem que antes via nele uma solução e agora passam a se ressentir de tanta influência sobre a monarca.


Não vi romance no filme, mas uma amizade forte entre ambos, uma ligação que fez a monarca sair de seu estado de apatia e voltar a se interessar pelos assuntos do reino. Dame Judi Dench está maravilhosa (e quando essa mulher NÃO está maravilhosa em um papel, eu me pergunto) como a rainha e Billy Connolly cativa como Mr. Brown, valendo cada indicação dos atores e do filme aos prêmios de cinema da época. Recomendado.

12 de set. de 2018

A lâmina da assassina (Sarah J. Maas) – BL 2018


Título: Lâmina da assassina
Autora: Sarah J. Maas
Mês: Setembro
Tema: Um livro YA (young adult)
Editora Galera Record, 406p.

Em A Assassina e O Lorde Pirata, Celaena Sardothian já é uma renomada assassina. Prestes a fazer 17 anos, a protegida favorita do líder da guilda Arobynn é enviada com Sam, parceiro que ela não suporta, para as Ilhas Mortas. Achando que iria se vingar pela morte dos quatro membros da guilda por piratas, ela se vê comerciando escravos, pois era esse o negócio de Arobynn com o capitão Rolfe. Sem estar disposta a aceitar isso, ela trama para que os escravos fujam e sem querer, começa a trilhar um caminho que irá mudar sua vida. 
A Assassina e A Curandeira narra o início da viagem de punição de Celaena por ter feito Arobynn perder um rico negócio. Enquanto se hospeda em uma estalagem e conhece Yrene Towers, a jovem que trabalha nesse lugar desprezível e a ajuda a sair de problemas.
No conto A Assassina e O Deserto, Celaena continua sua viagem em busca do Mestre Mudo e dos Assassinos Silenciosos, com quem ela deve voltar a ser aprendiz para que Arobynn aceite-a novamente na guilda. Quando finalmente a jovem acha que encontrou uma amiga e um senso de pertencimento, tudo vira de cabeça para baixo por motivos além do alcance de Celaena de evitar.
Em A Assassina e O Submundo, Celaena está de volta pronta para enfrentar Arobynn e se desligar da guilda. Mas os pedidos de desculpa e seus presentes apelam para a jovem. Ela aceita um novo trabalho: matar o responsável pela construção de uma estrada que exigirá um comércio de escravos muito ativo. Sem disposição para ver isso acontecer, ela planeja e executa o ato, descobrindo mais tarde que foi usada e qual era o nível da falsidade de seu antigo protetor.
A Assassina e o Império mostra Celaena e Sam já juntos, livres da guilda e prontos para recomeçar em outro lugar. Mas Arobynn não vai facilitar a vida do casal. Ao aceitar um trabalho para que enfim possam se desligar da guilda para sempre, Sam e Celaena caem numa armadilha cruel e a jovem, que pensa estar tomando as rédeas de sua vida, se vê frente a frente com um destino cruel: passar o resto dos dias como escrava nas minas de sal.

Que. Livro! Completamente diferente do que eu esperava, até porque eu imaginava que as histórias seriam intermediárias aos livros já lançados, depois que notei que ele falaria da vida de Celaena desde o início. Li em uma tarde de domingo porque não conseguia parar. Como cada um dos contos narravam acontecimentos quase imediatamente aos outros, foi difícil largar, principalmente porque eu queria ver onde iria dar o chove-não-molha entre ela e Sam. Os momentos entre eles são muito bonitos, mas fiquei desesperada porque já sabia onde tudo aquilo ia dar, considerando o primeiro livro da série. 
Confesso que me irritou várias vezes a impetuosidade de Celaena, que parecia uma coisa boa, como no caso da libertação dos escravos, mas na maioria das vezes se tornava prejudicial (o aviso, O MALDITO AVISO da armadilha preparada que ela sequer deixou o informante terminar!). E eu ficava esperando a cada topada que ela percebesse e aprendesse, mas não. E eu só tinha vontade de gritar! O último conto, o mais intenso de todos, me levou a duvidar mais uma vez das reais intenções de Arobynn até aquele parágrafo final (O QUE FOI AQUILO PELOAMOR!!!). Esse livro foi outra maravilhosa surpresa que esclarece muito da vida de Celaena. Recomendo.

11 de set. de 2018

Adeus Christopher Robin (2017)


É o menino mais sortudo do mundo, pois conhece Winnie the Pooh.

No início dos anos 20, o escritor Alan Milne (Domhnall Gleeson) acaba de voltar da luta durante a Primeira Guerra Mundial, traumatizado pelo que testemunhou. Preocupado com o futuro do país, ele decide escrever algo que pudesse alertar as pessoas para que nunca mais ocorresse nenhuma guerra, mas ele simplesmente não tem forças para isso.

E se todos nós, todas as nações, nos uníssemos e decidíssemos que quando houvesse um conflito, uma disputa, a guerra não seria a forma de resolver.

Quando sua esposa Daphne (Margot Robbie) engravida e o bebê nasce, nenhum dos dois se mostra apto a manter uma relação pessoal com o filho. Para isso, eles contratam uma babá, Olive (Kelly Macdonald), com quem Christopher Robin ou Billy Moon para os mais próximos (Will Tilston) cria um forte laço.


A família agora vive no campo, onde Alan espera encontrar sossego e Daphne espera que o marido encontre inspiração para seu trabalho. Quando Alan e Billy praticamente são forçados a passar tempo juntos, a relação entre pai e filho se estreia, e a partir desse convívio, surge a história do ursinho Pooh e seus amigos.


Winnie the pooh se torna um livro muito conhecido e celebrado, e Christopher Robin também, mas aos 9 anos de idade, ele não sabe lidar com a fama que só faz crescer. A babá é a única que percebe o que os pais de Billy estão fazendo, mas ela vai embora e Billy vai para um colégio interno, onde obviamente, os alunos o atormentam. Crescido, ele decide lutar na Segunda Guerra Mundial, e é nessa despedida entre pai e filho que vemos o quanto Christopher sabia que sua infância havia sido perturbada pela fama e reconhecimento e de que forma o seu relacionamento com seu pai, antes tão bom e feliz, havia sido prejudicado.


Aqueles dias, quando estávamos só nós dois… foram os dias mais felizes que já vivi.

Eu nunca me toquei de ir procurar sobre a história do ursinho Pooh, acho que porque nunca foi meu personagem favorito. Eu gosto de muitos filmes e personagens da Disney, mas Pooh e sua turma nunca entraram na minha lista de favoritos. Então, foi uma surpresa descobrir esse filme (lançado ano passado, que não chegou aqui). Comprei o livro Goodbye Christopher Robin na esperança de ler antes de ver o filme, mas não deu muito certo.

O urso acabou com a minha vida.

Nas minhas pesquisas, encontrei livros sobre Christopher e sobre o urso real que deu o nome ao bichinho de pelúcia de Christopher, mas como ainda não sabia muito sobre a verdadeira história do menino, o filme me ajudou a entender melhor o porquê de Billy não gostar da fama e ter começado a detestar o urso.
A história traz questões bastante atuais, como a mulher que engravida para alegrar o marido, mas fica traumatizada com o parto e deixa a criação do filho para a babá (o que leva a alguns pequenos confrontos entre mãe e babá, que é julgada por ser paga para fazer o menino feliz, mas na visão da mãe, não faz isso); como pais que transformam os filhos em celebridades sem ajudar a criança a lidar com a fama, e mais importante, sem deixar os filhos serem crianças.

Sãos as coisas mais lindas do filme as ilustrações de E.H. Shepard para um dos livros do urso Pooh.


O filme é como esperado: simples, comovente, repleto de bonitas paisagens do interior da Inglaterra. Completamente recomendado.

10 de set. de 2018

Game of thrones (Bryan Cogman) – D12ML 2018


Título: Game of thrones: por dentro da série da HBO – primeira e segunda temporadas
Autor: Bryan Cogman
Mês: Setembro
Tema: Um livro com menos de 200 páginas
Editora Leya, 192p.

Sinopse: A superprodução Game of Thrones da HBO reina como a série de TV a cabo com maior audiência. Este livro dá aos milhares de fãs novas maneiras de entrar neste mundo de ficção e descobrir mais sobre os amados (e odiados) personagens e sobre os enredos eletrizantes. Centenas de fotos da produção dos sets e figurinos, história dos bastidores revelam como os criadores da série transformaram o best-seller de fantasia do George R.R. Martin no mundo de Westeros. Apresentando entrevistas com atores e membros da equipe que captam os melhores momentos das duas primeiras temporadas, bem como um prefácio de George R. R. Martin. Este volume especial, encadernado em capa ricamente trabalhada, oferece acesso exclusivo a esta série televisiva sem precedentes.

Esse livro é aquele tipo de coisa que vale a pena para quem é muito fã da série da HBO. E o livro em si é bom mesmo, principalmente levando-se em conta que fala das primeiras temporadas, que foram as melhoras (Ned, Robb, Catelyn, os lobos cinzentos ainda estavam vivos). Foi legal descobrir o processo de escolha dos atores para os papéis principais, quem fez teste e quem não fez, sobre os locais de filmagens e tudo isso que também pode ser encontrado nos extras dos dvds da série (para mim, valeu porque a minha ânsia de comprar os dvds acabou depois da sétima temporada). A diagramação é um primor, vale a pena.

7 de set. de 2018

Os repórteres clandestinos (Kathy Kacer) – DLL 2018


Título: Os repórteres clandestinos
Autora: Kathy Kacer
Mês: Setembro
Tema: Um autor que nasceu em Setembro
Editora Callis, 184p.

John Freund e Ruda Stadler são dois meninos judeus que viviam na cidade de Budejovice, em Praga, na antiga Tchecoslováquia quando começa a Segunda Guerra Mundial. Aos poucos, eles e seus conterrâneos judeus começam a sofrer todos os tipos de proibições impostos pelo governo. Afastados de suas escolas e proibidos de frequentarem seus lugares costumeiros, eles criam um jornal, o Keply, como uma forma de lutar contra os nazistas. É assim que surgem os repórteres clandestinos, um grupo de jovens que viam na escrita uma maneira de se libertarem do terror e das proibições impostas em suas vidas.

Esse foi o segundo livro de Kathy Kacer que eu li e só com ele que fui entender que ela cria os panos de fundos e os “como foram as histórias de vida” de pessoas reais que viveram durante a Segunda Guerra. Sempre que pensamos nessa época e na vida dos judeus, a coisa mais próxima que temos de um relato pessoal é o famoso diário de Anne Frank, onde ela conta como era sua vida antes da guerra e no que se transformou depois que os nazistas começaram a crescer na Europa. Neste livro, temos uma amostra diferente (no sentido de que ela não menciona que soube da vida deles através de relatos escritos e pessoais, ou seja, não é aquele conhecimento “em primeira mão” como com o diário de Anne, onde a menina fala ela mesma sobre o que acontecia) da vida de John, Ruda e seus amigos e famílias de antes da perseguição aos judeus, e durante os tempos passados em campos de concentração. A melhor parte são as fotografias, que me fizeram ficar feliz somente pelo fato da autora ter conhecido algumas das crianças que conseguiram sobreviver a guerra. Adorei e recomendo totalmente.