30 de nov. de 2012

Os filhos de Húrin de J.R.R. Tolkien – DL 2012


Tema: Escritor africano
Mês: Novembro de 2012 (Livro 2)
Leitura do mês: Os filhos de Húrin
Autor: J.R.R. Tolkien
Editora Martins Fontes, 336 p.

Em eras antigas, quando o primeiro Senhor do Escuro habitava Angband, a história dps filhos de Húrin desenrola-se sob a sombra do medo de Morgoth. Húrin é um dos maiores guerreiros humanos. Aprisionado por Morgoth ao fim das batalhas das Nirnaeth Arnoediad (As Lágrimas Incontáveis), é amaldiçoado por se recusar a trair os elfos, é acorrentado a uma cadeira num alto pico e forçado a assistir a todos os males que se abateram sobre a sua própria família.
Túrin, seu filho, é mandado por sua mãe Morwen para Doriath, reino de Thingol e Melian, e pelo rei é adotado como filho. O tempo passa, sua irmã Nienor nasce e ele cresce e se torna um guerreiro temido pelos inimigos. No entanto, Túrin sempre se incomodou com o fato de sua mãe e irmã ainda estarem longe. Num acidente, causa a morte de um dos conselheiros de Thingol. Julgando-se exilado pelo rei, ele foge e a partir daí, diversos acontecimentos nefastos o acompanham. É a manifestação da maldição de Morgoth. Ele passa a viver em vários lugares e se torna temido por muitos. Tentando manter escondida a maldição, ele assume vários nomes e acaba atraindo para si o amor de Finduilas, filha do rei Orodreth. Seu segredo é revelado por Glaurung, o dragão de Morgoth, no ataque a cidade. Hipnotizado pelo olhar do dragão, ele assiste impotente a captura de Finduilas e é levado a acreditar que sua mãe e irmã estão em perigo, quando na verdade elas já estavam seguras em Doriath. Morwen e Nienor, ao saberem da destruição de Nargothrond, partem precipitadamente em busca de Túrin, mas se perdem uma da outra e sua comitiva. Glaurung, poderoso agente da maldição de seu mestre maligno, aborda Nienor e a enfeitiça. Ela perde a memória e se põe em fuga desesperada, caindo desacordada. Enquanto isso, Túrin descobre o destino de Finduilas e passa a morar em Brethil, quando adota o nome Turambar. Ele encontra no túmulo da donzela élfica sua irmã desacordada. Sem saber de seu parentesco, cuida dela e a convivência faz com que se apaixonem e casem. Quando Glaurung volta a atacar, Túrin toma sua espada e parte para matá-lo. Quando ele consegue, o sangue de Glaurung queima sua mão, e ele desmaia, mas Nienor, agora Níniel, o encontra. Nos estertores da morte, Glaurung desfaz seu feitiço e revela a verdade. Enlouquecida pelo pesar, ela se atira no abismo. Quando Túrin acorda, encontra sua mão enfaixada, e descobrindo toda a história, atira-se sobre sua espada. Tempos depois, Morwen e Húrin encontram-se pela última vez no túmulo do filho.

Uma das histórias mais trágicas da Terra-média. Mesmo sabendo que todos os acontecimentos deviam-se a uma maldição, ainda fiquei esperando para ver alguma coisa boa... quando os irmãos se apaixonam, percebi logo que minhas esperanças eram vãs. E aceitei o fato de estar lendo um conto trágico, algo que nunca foi uma das minhas preferências (para ver o poder da escrita de Tolkien). As ilustrações do livro foram mais um fator que me levaram a comprá-lo, além do fato de que, depois de terminar a leitura de O Senhor dos Anéis, andava me consumindo para ler algo novo escrito por Tolkien (sonho com o dia que será anunciada a publicação em português dos volumes da História da Terra-média). Mesmo que a história já tenha sido apresentada superficialmente n’ O Silmarillion, valeu a pena conhecer mais a fundo a vida de Túrin Turambar. Leitura muito indicada.

Contos inacabados de J.R.R. Tolkien – DL 2012


Tema: Escritor africano
Mês: Novembro de 2012 (Livro 1)
Leitura do mês: Contos inacabados
Autor: J.R.R. Tolkien
Editora Martins Fontes, 592 p.

Contos Inacabados é uma coletânea de histórias esboçadas por Tolkien e publicadas postumamente por seu filho Christopher. Essa obra complementa, corrige, explica alguns acontecimentos relatados n’ O Silmarillion, n’ O Senhor dos Anéis e n’ O Hobbit. Neste livro, é contada a jornada de Tuor até sua chegada em Gondolin, o conto dos filhos de Húrin, é feita uma descrição da ilha de Númenor e a história de um de seus principais reis, Aldarion. Também conta a história de Galadriel e Celeborn, a amizade entre Gondor e Rohan e outros relatos sobre o Um Anel. Também conhecemos a história dos Istari, sobre os druédain e os palantíri, além de uma lista da linhagem de reis de Númenor desde Elros. Tudo isso com notas explicativas e observações de Christopher.

Um dos melhores livros de Tolkien justamente por causa das notas explicativas de seu filho Christopher, porque esclarece várias questões apresentadas principalmente n’ O Silmarillion. Os episódios referentes a ilha de Númenor sempre me chamaram atenção, e amei a história de Aldarion e Erendis. O livro não apresenta uma história única, são várias histórias independentes. O livro é um ótimo complemento ao cânone tolkeniano, mesmo apresentando o que chamo de pouca coerência. Aconselho a quem quiser lê-lo: não o faça, a menos que já tenha algum conhecimento sobre Tolkien.

18 de nov. de 2012

Tarde de autógrafos com Luciane Rangel e Larissa Siriani




Minha querida parceira Luciane Rangel estará realizando um evento em São Paulo junto com a autora de As Bruxas de Oxford, Toda garota quer e Vermelho sangue, Larissa Siriani, na livraria Martins Fontes, dia 08 de dezembro, a partir das 16h. Vai rolar muita coisa legal, um bate papo com as autoras, brincadeiras, sorteios,... Para saber mais, é só dar uma olhada na página do evento. E marcar presença.

Para saber mais sobre Guardians, ler as resenhas aqui.
Página de Luciane Rangel.
Blog de Guardians.

Para saber mais sobre Larissa Siriani e seus livros, veja seu blog.

Passion & purity: Edward Rochester (Femnista) II

Um novo artigo publicado na webzine Femnista, de Setembro-Outubro de 2011, desta vez analisando um dos meus heróis literários favoritos: Edward Rochester.

Paixão e pureza: Edward Rochester (Passion & purity: Edward Rochester). 
Autora (Author): Charity Bishop

A literatura está cheia de homens maravilhosos e abnegados... e então há Edward Rochester, o sombrio anti-herói em Jane Eyre, de Charlotte Bronte. Mal-educado, grosseiro e mentiroso, ele encarna a definição do que as mulheres não devem querer em um homem, mas ainda assim somos levadas a ele. Ele é digno de nossa piedade e admiração ou devemos desprezá-lo por sua intenção de manipular Jane?
Para entender Edward é preciso lembrar a sua história, o que não dá desculpa para seu presente, mas concede-nos um olhar de sua alma. Quando jovem, ele cometeu alguns erros terríveis... particularmente foi forçado a casar com uma mulher que ele nunca havia encontrado antes para garantir a estabilidade financeira de seu pai. Edward logo descobriu que sua noiva era louca e, portanto, ficou preso em um casamento do qual não podia escapar. Quando a maioria dos homens teria colocado Bertha em um asilo, ele não poderia imaginar submetê-la a tais horrores (naqueles dias os habitantes de asilos eram tratados como pouco mais que animais ferozes) e fez arranjos permanentes para a sua estada em Thornfield sob os cuidados de uma enfermeira. Com sua fé na humanidade perdida e todas as chances de encontrar um amor e uma boa esposa cruelmente frustradas, Edward tornou-se resignado a uma existência maçante, sem sentido, entregando-se às coisas do mundo para preencher o vazio em sua vida. Mas a riqueza, a companhia de belas mulheres, e as viagens intermináveis não lhe concederam qualquer forma de felicidade duradoura. Ele se ressente de ter que cuidar de Adele, a filha de uma de suas amantes, cuja mãe abandonou-a aos seus cuidados, sob o pretexto de que a criança era dele. Ao invés de encontrar alegria na presença dela, ele a deixa em casa, continuando em suas viagens, e quando ele está presente, faz pouco mais que insultá-la. Edward chafurda em auto-piedade e miséria até a chegada de Jane, quando ele percebe que não pode estar além da redenção. Infelizmente, o seu estilo de vida anterior habituou-o a buscar o prazer sem se preocupar com as conseqüências, assim ele decide manipular Jane para que ela sinta ciúme de seu interesse fingido em Blanche Ingram, para que Jane possa experimentar alguns dos seus tormentos. Ele acredita erradamente que ao possuir Jane e sua bondade, vai encontrar a felicidade, nunca percebendo que tirando sua pureza tiraria a própria coisa que ele mais ama a respeito dela. Mesmo assim, por causa de sua moralidade, ele sabe que não pode reclamá-la através de meios tão flagrantes então ele recorre a mais mentiras na esperança de seduzi-la em um casamento que, de acordo com a lei, é falso.
A verdade é descoberta na manhã de seu casamento. Jane está profundamente magoada e apesar dos apelos chorosos de Edward, recusa-se a ficar em Thornfield como sua amante. Sua escolha em manter a sua fé e deixá-lo, apesar de seu amor por ele é o que o quebra ao ponto da redenção. Se ela tivesse escolhido ceder e sacrificar a sua virtude e princípios, eventualmente, ele teria odiado-a por ter abandonado suas crenças por causa dele. Sua culpa teria sido imensa, ele continuaria sentindo aversão a si próprio, ao mesmo tempo em que descobriria que a felicidade não pode prosperar em pecado.
A evidência da influência de Jane sobre ele torna-se aparente em suas ações para com Bertha quando ela coloca a casa em chamas. O Edward anterior cuidou dela por um senso detestado de dever e obrigação (a sua distância emocional de Adele é um bom exemplo disso) ao invés de qualquer verdadeira compaixão e ele não teria arriscado a sua vida na tentativa de resgatá-la. Ele poderia até mesmo ter visto a sua morte potencial como uma forma de libertação do seu atual estado infeliz. Mas porque Jane e seus princípios firmes fizeram-no aspirar a coisas maiores, embora a morte de Bertha significasse sua liberdade, ele vai para a casa em chamas atrás dela, perdendo a visão e o uso de uma mão no processo. O orgulhoso e ameaçador Rochester é reduzido a uma concha de sua antiga personalidade, um homem que agora deve depender da compaixão dos outros. Ele é ainda mais humilhado no retorno de Jane, quando ele descobre que ela não quer nada; suas experiências com seus primos a tornou financeiramente segura e auto-confiante. Jane sobreviveu a um coração partido e se tornou mais forte para ele. Ela já não precisa dele para preencher o vazio em sua vida, pois ela descobriu sua família. Nem ela precisa dele para atuar como seu protetor. Não mais uma governanta, Jane é em todos os sentidos sua igual. Ela escolhe voltar para ele não por necessidade, mas por sentir um amor genuíno por ele que transcende seu estado quebrado e permite que ela, finalmente, dê a ele a verdadeira felicidade.
Em muitos aspectos, o romance Jane Eyre é tanto uma história de fé quanto é um romance. Muitos tipos de fé estão representados nele, da crueldade da falsa crença na escola para a doçura de Helen, que ajuda Jane a entender que a obediência a Deus é mais do que evitar o inferno. Há St. John, cuja determinação em ser um missionário se opõe a qualquer forma de paixão física ou amor genuíno. E depois há a fé inabalável de Jane, que a proíbe de ser amante de Edward e traz sua redenção final. Embora no romance os temas do amor e da fé sejam inseparáveis, as adaptações da maioria dos filmes minimizam-nos tanto quanto possível e ao fazê-lo, fazem ao espectador um grave desserviço. Edward e Jane são mais conhecidos nas páginas do romance que os trouxeram à vida. Mas a única adaptação que traz o tom religioso e os conflitos do romance para a superfície é o curta musical da Broadway, cheio de canções gloriosas e dramáticas que retratam o tormento de Edward em enganar Jane e sua miséria em deixá-lo. Ele incorpora muito do diálogo original da autora de forma única e emocionante e eu recomendo ouvir o álbum. Para mim continua a ser a versão perfeita, apesar de ser um áudio ao invés de representação visual da história.
Edward veio à vida muitas vezes através de diferentes representações de muitos atores talentosos, mas minha representação favorita é da recente minissérie da BBC. Ao invés de cair presa da tentação de fazer um Edward sem senso de humor, Toby Stephens se aproxima do personagem com flerte e encanto, de tal forma que, pela primeira vez, o meu senso de moralidade foi abalado apenas o suficiente para esperar que Jane possa mudar de idéia. É aí que reside a força da história e do seu poder, que nos pede para escolher entre o que nosso coração deseja para Jane e Edward e o que seria melhor para eles. Edward é um homem imperfeito, mas fez tanto melhor no final.

A garota da capa vermelha (Sarah Blakley-Cartwright)


Título: A garota da capa vermelha
Autora: Sarah Blakley-Cartwright
Editora Moderna, 339p.

Valerie era pequena quando testemunhou o sacrifício que seu povoado deveria fazer toda noite de lua para que o Lobo deixasse-os em paz. Anos depois, já uma moça, sua irmã Lucie e suas amigas estão prontas para ir ao acampamento, colher feno e conhecer rapazes... No meio do trabalho, Valerie não acredita na silhueta que acaba de ver: é Peter, seu amigo de infância que fugiu com o pai, anos atrás. Eles marcam de se encontrar, mas antes que isso possa acontecer, a lua vermelha, a lua do Lobo surge no céu. Um uivo a desperta de seu transe de incredulidade, Peter não apareceu e Valerie só pode voltar para a aldeia, onde os aldeões estão se preparando para mais uma “visita” do Lobo. O dia seguinte faz com que Valerie e sua família enfrentem uma desgraça e a dor. Após os homens da aldeia saírem a caça do Lobo e estarem convencidos de que mataram a besta certa, Father Solomon, um famoso caçador, afirma que mataram o bicho errado. Assim, a aldeia fica entregue as novas regras impostas por Solomon. E Valerie precisa lidar com suas suspeitas em relação a Peter, seu noivado arranjado com Henry e acima de tudo, precisa entender o mistério em torno do Lobo.

Uma das melhores releituras de um conto clássico. Escaldada depois de A meia irmã de Cinderela, esse livro foi uma excelente surpresa, principalmente porque não vi o filme (esse livro foi adaptado do roteiro do filme de mesmo nome). A história explora as variações que todo mundo conhece do conto do Chapeuzinho Vermelho (a avó vira o lobo, o lobo é morto, sua barriga é costurada com pedras dentro e ele é jogado em um rio...), mas a surpresa maior fica mesmo por conta do final. Não só porque o fim da história é mesmo surpreendente, mas porque para lê-lo, precisa-se acessar o site da editora. Uma história que prende a atenção desde o início. Muito recomendado.