30 de jul. de 2012

Contos de Meigan (Roberta Spindler e Oriana Comesanha)


Título: Contos de Meigan: a fúria dos cártagos 
Autoras: Roberta Spindler e Oriana Comesanha 
Editora Dracaena, 617p. 

Maya Muskaf está voltando para Meigan após um longo período de ausência. Há um tempo ela e sua mãe não se falam, ambas magoadas por brigas do passado. Agora, ela está de volta, ansiosa para ver Katur, capital de Meigan, e sua mãe Liza mais uma vez. No entanto, durante a viagem, a caravana da qual faz parte encontra um dos portões no Solo Sagrado destruído e corpos por todo o lado. Um dos mortos Maya reconhece muito bem e percebe que a situação é grave: os cártagos conseguiram invadir Katur, mesmo com os guardiões lutando para impedir. No meio da luta, a garota é salva por um deles e ambos correm para a cidade, mas acabam chegando tarde demais. Com a morte de sua mãe, Maya deve assumir o cargo de Shyrat, mas não se sente preparada para isso. Na verdade, o que ela mais queria era se vingar pelo assassinato da mãe, Embarcando em uma viagem louca, ela conhece Keyth e descobre mais do que gostaria sobre o guardião que a protege.Quando finalmente se sente preparada para assumir o cargo de sua mãe, um acontecimento inesperado faz com que seu mundo vire de cabeça para baixo. Será que Maya conseguirá derrotar os cártagos e assumir seu lugar como Shyrat? E o que será dos guardiões e Seth? 

Preciso falar desse livro por partes. Eu o descobri em um dos anúncios da editora Dracaena e de cara a capa me chamou a atenção. Fiquei muito mais surpresa quando vi que, além de um título nacional, as autoras eram paraenses (minhas conterrâneas!). E quando, em uma conversa pelo facebook com a Roberta, descobri que ela era fã de Tolkien, aí não teve como. Comprei em mãos com ela porque queria autografado (aliás, obrigada, Roberta, por ir me encontrar onde eu estava, já que o normal era eu ter ido onde você se encontrava. Só me arrependi de não ter tirado uma fotinho...), mas ainda demorei um pouco pra ler (a pilha de livros é grande). Comecei a ler e terminei em 3 dias. Amei a história toda. O livro contém todos os elementos que uma excelente fantasia deve ter: lugares sagrados, poderes sobrenaturais que regem o mundo, personagens enigmáticos e cativantes, dimensões paralelas, um romance proibido... Ok, essa última parte é mera suposição (que eu quero MUITO que se torne realidade). Talvez por saber que a Roberta é fã de Tolkien, eu vi muita influência do autor na história (na descrição de Anahat e Katur, por exemplo). Uma história que prende a atenção desde o início e deixa um gosto de quero mais, torna esse livro uma excelente leitura para os apaixonados por fantasia. Mil estrelinhas.

Lua das fadas (Eddie Van Feu)


Título: Lua das fadas
Autora: Eddie Van Feu
Editora Escala, 271 p.

Bianca e Analice resolvem brincar com o desconhecido. Em uma bela tarde de primavera, as duas amigas tentam desvendar os mistérios do tabuleiro oui-já. Elas conseguem se comunicar com seres do mundo encantado, mas Bianca só percebe que alguma coisa saiu errada quando ela procura Analice e não a encontra. A polícia é chamada, mas a investigação não resultada em nada, já que até mesmo Bianca não sabe explicar o que aconteceu. Ela pede ajuda aos anjos para encontrar sua amiga. E seu pedido é atendido. Pistas começam a aparecer e um anjo chamado Zacariel aparece para ajudá-la. Ele a instrui e a leva para o mundo dos seres encantados, mas antes de começar a busca, eles precisam encontrar um elixir que fará com que ela volte para casa sem que o tempo tenha passado (o tempo do mundo real é diferente do tempo no mundo encantado). Assim, a busca começa. Zacariel e Bianca passam por vários perigos, ao mesmo tempo em que a menina precisa constantemente ser lembrada que não pertence aquele lugar. Os dias passam e as aventuras constantes acabam aproximando o casal. Bianca descobre a verdadeira identidade do anjo e encontra sua amiga, mas anda sai como o planejado. 

Depois deste livro, nunca mais duvido de um livro sobre anjos. Não que eu tivesse um pé atrás com este tipo de história, mas nunca teve um apelo forte (na realidade, a única obra com essa temática que eu gostei na vida foi O Paraíso Perdido, de John Milton). Eddie Van Feu é conhecedora da magia, já escreveu vários livros sobre o assunto, e isso está latente na obra. O livro é muito bom e prende a atenção, já que a curiosidade em saber se Bianca vai conseguir voltar pra casa é muita (existem muitas tentações no caminho dela). Além disso, as ilustrações de Caroline Mylius também contribuem pra isso. Duas surpresas boas que eu tive: a primeira, com a identidade do anjo Zacariel (ou Zac), a segunda com Analice (já que o objeitvo é encontrar a menina e voltar pra casa). O final da história me deixou em choque completo e só nesta parte entendi quando Eddie me disse que teve uma leitora que chorou demais. Eu também chorei, mas de incredulidade. Tive que reler várias vezes para conseguir assimilar. O final não foi o que eu esperava, mas eu gostei. Uma história muito boa e uma leitura que prende a atenção fazem deste livro uma excelente escolha para os interessados em conhecer o mundo dos seres encantados.

24 de jul. de 2012

O livro das cartas encantadas (Índigo)


Título: O livro das cartas encantadas: a correspondência secreta das princesas
Autora: Índigo
Editora Brinque-Book, 159 p.

Uma fada chamada Gwenhyfar guardou consigo durante séculos a correspondência trocada entre Bela Adormecida, Cinderela e Branca de Neve. Bella vive confinada no palácio para que a maldição da fada má não se realize, Cindy vive em um sótão poeirento e é obrigada a virar empregada da madrasta, e Branca foge da própria mãe que queria matá-la por ser a mais bela do reino. Com as datas e localidades de onde foram escritas, as cartas trocadas entre elas (cujos mensageiros eram animais) revelam toda sua intimidade: Bella estava frustrada por viver presa dentro do próprio palácio, Cindy não agüentava mais a vida de criada e Branca passou a viver com os anões depois que aprendeu a lavar e cozinhar para pagar sua “estadia”. Longe do romantismo da Disney, cada uma delas faz de um tudo para buscar seu final feliz.

Um livro impagável. Pelo título, achei fosse livro estrangeiro. Tive uma surpresa quando vi que era uma publicação de autora brasileira, e fiquei ainda mais curiosa, até porque nunca tinha visto nenhuma “mexida” boa em contos de fadas por autores brasileiros. Esse livro foi o primeiro.Este livro é muito divertido. Logo de cara, já existe uma observação da fada guardiã acerca do conteúdo das cartas e do motivo que a levou a guardar. Tais observações são entremeadas com as cartas no intuito de explicar alguns acontecimentos.
As princesas que se correspondem, Bela Adormecida, Cinderela e Branca de Neve estão bem longe de serem as mesmas que conhecemos (pintadas na nossa imaginação por Walt Disney). A despeito de algumas mudanças bem visíveis, as vidas delas não mudaram nada do que nós já conhecemos. O que eu mais gostei foram as datações e localizações fornecidas em cada carta. Um paralelo legal: todos os locais onde as princesas vivem se encontram na Alemanha, não por acaso, país dos irmãos Grimm. Adorei.

23 de jul. de 2012

J.K. Rowling (Sean Smith)


Título: J.K. Rowling: uma biografia do gênio por trás de Harry Potter
Autor: Sean Smith
Editora Sextante, 175 p.

Uma biografia não autorizada da vida de Rowling. Quando nasceu, como era sua família, qual livro e história despertou em Rowling o interesse pela leitura, seus amores e dissabores, o nascimento de sua filha, a criação de Harry Potter, a primeira publicação e o conseqüente sucesso. Tudo isso é abordado no livro de Sean Smith, em uma linguagem bastante acessível.

Como todo livro sobre Harry Potter e sua autora, este é fascinante. Talvez porque a autora sempre manteve certo ar de mistério, o que não deixa de ser notável, numa cultura onde a internet não permite mais segredos (são raras as ocasiões em que ela fala de sua vida particular, não existem fotos dela e de sua família espalhadas em sites de fofoca, coisas desse tipo). Então, foi muito bom saber mais sobre sua vida, sobre os acontecimentos que desempenharam um papel tão significativo em sua vida que estão presentes nos acontecimentos mais marcantes da história do menino bruxo, Foi ótimo conhecer sua incerteza quanto a publicação e sucesso do livro. Um livro muito indicado para qualquer fã de Harry Potter.

22 de jul. de 2012

Uma análise criteriosa da série Harry Potter (John Hougthon)



Título: Uma análise criteriosa da série Harry Potter: virando e fazendo a cabeça das nossas crianças
Autor: John Hougthon
Editora Candeia, 109 p.

Em uma análise (im)parcial de Harry Potter, Houghton afirma que J.K. Rowling deve ser parabenizada pelo conjunto de sua obra e por ser uma escritora talentosa, ao considerar o contexto da vida da autora em que o primeiro livro surgiu: uma mãe divorciada batalhando para sustentar a si mesma e sua filha bebê que senta para escrever num café em um de seus passeios rotineiros. A obra também é parabenizada pois o mundo de Harry é “um mundo moral, que traça linhas entre o bem e o mal... [onde] as vitórias não são baratas; existe um preço a ser pago, lições a serem aprendidas e escolhas devem ser feitas que acarretam consequências.” O autor considera que uma obra literária fantástica invoca um mundo imaginário diferente do nosso, e tal fato pode ser bom ou ruim, no entanto, Harry Potter pende para o lado ruim. Em suas considerações, o autor faz referência a outras obras literárias e a história e discursa sobre a magia de Harry Potter, bruxas e misticismo para expor sua visão pessoal sobre o que os pais devem ou não permitir a seus filhos lerem. Ao comparar Harry Potter com a Bíblia, ele afirma que enquanto no primeiro o bem e o mal são iguais, na segunda Deus (bom) está acima do Diabo (mal). Ao alertar o leitor para não se cometer “o erro idiota” de achar que o amor mostrado em Harry Potter é cristão, já que nesse caso, Harry deveria perdoar seus inimigos. 

Um título que pode (ou não) ser faca de dois gumes. Tudo depende da interpretação do leitor. O livro mostra no início, comparações plausíveis e equilibradas, mas o autor falha no quesito da imparcialidade. Apesar de em nenhum momento afirmar que “a série pode/deve ser lida por crianças” ou “a série não pode/deve ser lida por crianças”, algumas vezes parece simplesmente que ele está tentando evangelizar o leitor. De forma geral, uma leitura fácil e esclarecedora.